autor: João Ludugero
meu bondoso apóstolo
padroeiro da fé varzeana,
renove nossas esperanças
realize nossos sonhos acordados
interceda junto a Deus
mostre-nos o caminho das pedras,
para que flores apareçam na estrada
dando-nos margem
para uma vida pacata,
saudável e bem-aventurada
vou acender uma fogueira
atar laços profundos na sorte;
reacender a chama alegre da lida
afastar as cinzas tristes do dia-a-dia
desatar os nós antes do corte
oh, São Pedro pescador,
eleva meu pensamento aos céus
além das velhas palmeiras,
proteja essa gente hospitaleira
que habita nas margens do rio Joca,
ensina-nos a ser ricos na fé santa
orienta-nos a guardar a algibeira
e não zombar de ninguém;
cada qual faz a fogueira
conforme a lenha que tem
“Se não levarmos a poesia e a beleza conosco, é inútil percorrermos o mundo. Em nenhum lugar as encontraremos.” (Emerson)
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
MEU BORNAL DE SEGREDOS
autor: João Ludugero
lá no meu Varzeão
tem disso sim, senhor,
pelas barbas de São Pedro,
nem carece de juiz ou testemunha,
os padrinhos e os compadres,
no mais completo respeito,
as madrinhas e as comadres,
se consagram, dito e feito,
na fogueira de São João
meu Varzeão do bornal de segredos
das lendas da mulher que chora
e do carro encantado
que some, no coqueiral se e-Vapor-a
no instante de um piscar de olhos,
dos papos na boca da noite
dos vizinhos nas calçadas
a jogar conversa fora
lá no meu Varzeão
tem disso sim, senhor,
pelas barbas de São Pedro,
nem carece de juiz ou testemunha,
os padrinhos e os compadres,
no mais completo respeito,
as madrinhas e as comadres,
se consagram, dito e feito,
na fogueira de São João
meu Varzeão do bornal de segredos
das lendas da mulher que chora
e do carro encantado
que some, no coqueiral se e-Vapor-a
no instante de um piscar de olhos,
dos papos na boca da noite
dos vizinhos nas calçadas
a jogar conversa fora
minha Várzea das noites
de lua cheia a se derramar
no açude do Calango,
das redes armadas
de algodão ou de sisal,
nos alpendres das casas caiadas,
aguardando a maxixada
com quiabo e jerimum
minha terra da canjica,
de lua cheia a se derramar
no açude do Calango,
das redes armadas
de algodão ou de sisal,
nos alpendres das casas caiadas,
aguardando a maxixada
com quiabo e jerimum
minha terra da canjica,
do bolo de macaxeira, mel
do papo de anjo, batata-doce,
do papo de anjo, batata-doce,
do milho assado na brasa,
da farofa de feijão verde
da farofa de feijão verde
da manteiga-de-garrafa
do mungunzá ao coco catolé,
do mungunzá ao coco catolé,
dos manjares que trazem gosto de céu
e, pelo meio da semana, de quebra,
pirão de peixe escaldado, pitus
caranguejos guaiamuns, aratus e siris
além de outras iguarias e pitéus
de dar mesmo água na boca
daí me vem de repente
aquela boa lembrança
dos tempos de Seu Antonio Lunga,
ai que saudades que sinto
da Várzea da minha infância!
e, pelo meio da semana, de quebra,
pirão de peixe escaldado, pitus
caranguejos guaiamuns, aratus e siris
além de outras iguarias e pitéus
de dar mesmo água na boca
daí me vem de repente
aquela boa lembrança
dos tempos de Seu Antonio Lunga,
ai que saudades que sinto
da Várzea da minha infância!
segunda-feira, 28 de junho de 2010
VARZEANO, GRAÇAS A DEUS!
autor: João Ludugero
oh, minha Várzea querida,
solo de São Pedro apóstolo,
vale fértil da cultura,
terra de Gabriela Pontes,
terra de Gabriela Pontes,
saber de ti em festa
me alegra o coração
meu espírito inquieta-se,
faz minha alma acender
a batizar minha vida
a atiçar a saudade
que me arde
qual fogueira de São João
de uma coisa eu sei
se teu amor serenoso,
fosse cacimba a minar
nas tardes do rio Joca
por certo teria o gosto
da lágrima salobra
que escorre no meu rosto
por teu amor desejar
vertente água corrente
lavadeiras de repente
vão minha alma estender
levar meu couro ao curtume
me pendurar no varal
me vestir de lindo azul
sob um lindo céu de anil
quero poder fazer versos,
livre poder me orgulhar,
correr solto em tua Vargem,
se fosse também açude
sangrando já estaria
vazante, Calango cheio
na mais completa alegria
sábado, 26 de junho de 2010
SEM SINTOMAS DE NARCISO
autor: João Ludugero
observando-me
no espelho d'água,
afoito mergulhei fundo
no açude verde-musgo,
mas não deixo a miragem me levar
eu retorno para respirar ares novos
encho o peito,
estufo a alma
eu pinto o corpo,
dou-lhe cores novas
eu me dou flores em vida
estou cada vez mais vivo,
sou um novo João de cada dia,
renasci sem sintomas de Narciso
não me afoguei no Calango
não me disse adeus tão moço
mesmo entorpecido, sobrevivi
não quis morrer tão cedo
tão moço ainda eu persisto,
estou aqui, de coração inteiro
ora elaboro meu banho
de aromas e cheiros
eu não me canso
de achar bonito
de achar belo
o que antes achava
que fosse feio em mim
observando-me
no espelho d'água,
afoito mergulhei fundo
no açude verde-musgo,
mas não deixo a miragem me levar
eu retorno para respirar ares novos
encho o peito,
estufo a alma
eu pinto o corpo,
dou-lhe cores novas
eu me dou flores em vida
estou cada vez mais vivo,
sou um novo João de cada dia,
renasci sem sintomas de Narciso
não me afoguei no Calango
não me disse adeus tão moço
mesmo entorpecido, sobrevivi
não quis morrer tão cedo
tão moço ainda eu persisto,
estou aqui, de coração inteiro
ora elaboro meu banho
de aromas e cheiros
eu não me canso
de achar bonito
de achar belo
o que antes achava
que fosse feio em mim
SOB O OLHAR DE DEUS
autor: João Ludugero
eu bem sei que existe um olho,
um olhar que a tudo vê
um olhar presente
nas quatro bocas
na boca do mundo
existe um dedo de Deus
existe um olho de Deus
que me estrela o céu
que me firma na imensidão
que me sorri na boca da noite
que me faz ensolarado amanhecer
até mesmo quando a chuva
teima em cair,
sinto-me seguro
desde cedo,
sou menino varzeano
sou guerreiro de luz,
não temo a cheia
nem a correnteza
vou junto a remar
na enchente do rio Joca,
vou junto a sonhar, sem medo,
dentro do meu barquinho de papel
vou direto pra sua boca
ganhar a vida
até chegar ao mar
e-Vapor-ar-me,
enfim, ganhar as nuvens
tocar o céu
somente pra recomeçar,
segurando nas barbas de São Pedro
eu bem sei que existe um olho,
um olhar que a tudo vê
um olhar presente
nas quatro bocas
na boca do mundo
existe um dedo de Deus
existe um olho de Deus
que me estrela o céu
que me firma na imensidão
que me sorri na boca da noite
que me faz ensolarado amanhecer
até mesmo quando a chuva
teima em cair,
sinto-me seguro
desde cedo,
sou menino varzeano
sou guerreiro de luz,
não temo a cheia
nem a correnteza
vou junto a remar
na enchente do rio Joca,
vou junto a sonhar, sem medo,
dentro do meu barquinho de papel
vou direto pra sua boca
ganhar a vida
até chegar ao mar
e-Vapor-ar-me,
enfim, ganhar as nuvens
tocar o céu
somente pra recomeçar,
segurando nas barbas de São Pedro
sexta-feira, 25 de junho de 2010
MINHA VÁRZEA VESTIDA DE FLOR
autor: João Ludugero
ai que saudades que sinto
da minha Várzea das Acácias,
terra de gente feliz,
berço da menina fagueira
que acende o São João
cá estou com minhas cinzas
tal qual fogueira no fim
ainda a queimar resto de toco, tição
brasas suspirando em minhas rimas
entre as asas do bem-querer
e a linha da minha sina
acho até que o meu coração
se enganchou nesse sofrer
que resulta da tua ausência,
espelho quebrado de lembranças
vou atirar-te de vez
nas profundezas do açude
no intuito da sorte aflorar, vir à tona,
vou me amarrar nos teus cabelos
pender na flor de tuas tranças
porque vivendo assim
tão longe do teu cheiro
mais vegeto do que vivo,
só sei mesmo padecer
sou pena de passarinho
atirada ao vento da tarde amena
entre as duas palmeiras de São Pedro
sou aquele colibri sem ter flor
para beijar, solitário
sou rama que se alastra
pelos caminhos agrestes
do meu Itapacurá
sou flor de maracujá
sou penar de cantador
sou seresteiro perdido pelos ariscos
nas sombras de te esperar
mesmo distante, léguas e léguas
é tão bom te ver assim,
menina-flor varzeana,
toda vestida de chita
com sete laços de fita
fazendo até a lua minguar
pra chegar perto e bonita te banhar
toda assim derramada
toda assim refletida
nas águas do meu Calango
que venha a lua de prata
deslumbrante te molhar,
logo depois da quadrilha
que animou o meu lugar
e o povo todo se agita,
a pipocar seus rojões
por causa do teu sorriso
que borda a rua de cores
em lindas flores de fuxico
ah, que saudades que sinto
do anarriê de seu Bita!
ai que saudades que sinto
da minha Várzea das Acácias,
terra de gente feliz,
berço da menina fagueira
que acende o São João
cá estou com minhas cinzas
tal qual fogueira no fim
ainda a queimar resto de toco, tição
brasas suspirando em minhas rimas
entre as asas do bem-querer
e a linha da minha sina
acho até que o meu coração
se enganchou nesse sofrer
que resulta da tua ausência,
espelho quebrado de lembranças
vou atirar-te de vez
nas profundezas do açude
no intuito da sorte aflorar, vir à tona,
vou me amarrar nos teus cabelos
pender na flor de tuas tranças
porque vivendo assim
tão longe do teu cheiro
mais vegeto do que vivo,
só sei mesmo padecer
sou pena de passarinho
atirada ao vento da tarde amena
entre as duas palmeiras de São Pedro
sou aquele colibri sem ter flor
para beijar, solitário
sou rama que se alastra
pelos caminhos agrestes
do meu Itapacurá
sou flor de maracujá
sou penar de cantador
sou seresteiro perdido pelos ariscos
nas sombras de te esperar
mesmo distante, léguas e léguas
é tão bom te ver assim,
menina-flor varzeana,
toda vestida de chita
com sete laços de fita
fazendo até a lua minguar
pra chegar perto e bonita te banhar
toda assim derramada
toda assim refletida
nas águas do meu Calango
que venha a lua de prata
deslumbrante te molhar,
logo depois da quadrilha
que animou o meu lugar
e o povo todo se agita,
a pipocar seus rojões
por causa do teu sorriso
que borda a rua de cores
em lindas flores de fuxico
ah, que saudades que sinto
do anarriê de seu Bita!
quinta-feira, 24 de junho de 2010
ENSAIO PARA UM RECOMEÇO
autor: João Ludugero
eu miro o novo
não quero parâmetros
não careço de espelhos,
muito menos de caras amarradas
nem de paradigmas
quero apenas
minhas marcas novas,
apenas minhas cicatrizes
espero ver meu rosto
de perto, despido
disposto a encarar
o que ora me faz sentido,
desde o novo desatado
ao ex-cara velho
eu miro o novo
não quero parâmetros
não careço de espelhos,
muito menos de caras amarradas
nem de paradigmas
quero apenas
minhas marcas novas,
apenas minhas cicatrizes
espero ver meu rosto
de perto, despido
disposto a encarar
o que ora me faz sentido,
desde o novo desatado
ao ex-cara velho
sexta-feira, 11 de junho de 2010
GENTE DE FIBRA
autor: João Ludugero
essa gente da minha Várzea,
que tem cheiro
de capim de cheiro
tem aromas de ervas finas
de ervas do campo
de cravos e marmeleiros,
tem água benta, tem fé
tem romã, tem pimenta,
tem manjerona, tem alecrim
tem polvilho, goma fresca
para fazer sequilho e tapioca
há varzeanas cheias de prendas
tem Marinam de Lica
a fazer seus quitutes
a fazer suas iguarias
de encomenda
ou pra vender na feira,
elas trazem a vocação
de arar sonhos
de amar e de colher liberdade
ainda ao amanhecer
elas trazem nas costas
o por do sol
nos olhos, na pele
na tez dos ombros
elas trazem a barra do tempo,
desdobram-se
adentram as trilhas
dos dias pesados
tecem
com sisal e fibra
alinhavam, costuram
pintam, bordam
fuxicam colorido
disfarçadas de flores
declaram guerra
ao medo de viver
essa minha gente
traz na face a coragem,
não tem medo da sina
de encarar o batente
gente-gente que arrebenta
e não esmorece na lida
ao dar rasteira na tristeza
num piscar de olhos,
eu boto fé nessa gente,
que não espera a sorte chegar
destemida vai lá, acredita e faz
sem precisar chorar
as favas contadas
nem o leite derramado
essa gente da minha Várzea,
que tem cheiro
de capim de cheiro
tem aromas de ervas finas
de ervas do campo
de cravos e marmeleiros,
tem água benta, tem fé
tem romã, tem pimenta,
tem manjerona, tem alecrim
tem polvilho, goma fresca
para fazer sequilho e tapioca
há varzeanas cheias de prendas
tem Marinam de Lica
a fazer seus quitutes
a fazer suas iguarias
de encomenda
ou pra vender na feira,
elas trazem a vocação
de arar sonhos
de amar e de colher liberdade
ainda ao amanhecer
elas trazem nas costas
o por do sol
nos olhos, na pele
na tez dos ombros
elas trazem a barra do tempo,
desdobram-se
adentram as trilhas
dos dias pesados
tecem
com sisal e fibra
alinhavam, costuram
pintam, bordam
fuxicam colorido
disfarçadas de flores
declaram guerra
ao medo de viver
essa minha gente
traz na face a coragem,
não tem medo da sina
de encarar o batente
gente-gente que arrebenta
e não esmorece na lida
ao dar rasteira na tristeza
num piscar de olhos,
eu boto fé nessa gente,
que não espera a sorte chegar
destemida vai lá, acredita e faz
sem precisar chorar
as favas contadas
nem o leite derramado
quinta-feira, 10 de junho de 2010
A RIQUEZA DE SER VARZEANO
autor: João Ludugero
criei-me entre ventos
ventanias,
rios, riachos de mel
campos e vapor
de tabuleiros,
entre arados de roçados
entre flores e pendões
entre açudes e calangos
por esse motivo,
acho que meu canto traz
sussuro de pássaros
de pintassilgos
de sabiás e bem-te-vis
de canários de chão
a minha poesia
traz as cores vibrantes
do esplendor da aurora
e a partitura adocicada
das frutas bicadas
pelos passarinhos
à sombra dos quintais
da minha pequena Várzea
enquanto o céu
da tua boca sazonal
guardar
o sabor esperado
dos cajus
das mangas dos ariscos,
da resina dos cajazeiros
do caldo de cana dos Marreiros,
desfio estes versos
que instauram paz
de alvoradas preenchidas
sob o clarão
aberto pela luz desse sol
que alumia o sítio dos Quilaras
que caminha por trilhas agrestes
e desce para o Umbu
claridade não há de nos faltar
nem mesmo no chafurdar
das enxadas
a preparar os leirões,
a epiderme da terra,
aonde germinam
adormecidas sementes
que brotam ávidas em espigas
em favas, em ramas
nas roças do rio Joca,
além dos candeeiros enferrujados
pelo mijo insone
de antigos vaga-lumes
do Vapor de seu Zuquinha
é isso que meu canto traz
boas-novas, alvíssaras,
desde ontem
porque
criei-me entre ventanias
bebendo água de cacimba
dos riachos das veredas,
percorrendo tabuleiros em flor,
como quem habita um paraíso,
num lugar que faz o coração
da gente querer muito mais ser
do que apenas ter ou possuir bens
porque o bem maior que a gente tem,
que é de cunho essencial,
mora lá, na vida simples
de quem lá mora, de fato,
e evidencia-se
sob o teto de cada casa caiada,
onde a razão de ser simples
está no provimento de bem-estar
bem no meio desse ambiente
que traz o suficiente
para nos encher o peito
e se orgulhar desse mundo
onde a riqueza maior é
poder dizer: - sou varzeano!
é não cruzar os braços à sorte
é arregaçar as mangas
é lançar o anzol e apanhar o peixe
é poder ser simples assim,
é ainda poder sonhar acordado
e concordar, no final das contas,
e acreditar, pensando bem,
no retinir do martelo,
que nós é que somos
ricos de verdade!
criei-me entre ventos
ventanias,
rios, riachos de mel
campos e vapor
de tabuleiros,
entre arados de roçados
entre flores e pendões
entre açudes e calangos
por esse motivo,
acho que meu canto traz
sussuro de pássaros
de pintassilgos
de sabiás e bem-te-vis
de canários de chão
a minha poesia
traz as cores vibrantes
do esplendor da aurora
e a partitura adocicada
das frutas bicadas
pelos passarinhos
à sombra dos quintais
da minha pequena Várzea
enquanto o céu
da tua boca sazonal
guardar
o sabor esperado
dos cajus
das mangas dos ariscos,
da resina dos cajazeiros
do caldo de cana dos Marreiros,
desfio estes versos
que instauram paz
de alvoradas preenchidas
sob o clarão
aberto pela luz desse sol
que alumia o sítio dos Quilaras
que caminha por trilhas agrestes
e desce para o Umbu
claridade não há de nos faltar
nem mesmo no chafurdar
das enxadas
a preparar os leirões,
a epiderme da terra,
aonde germinam
adormecidas sementes
que brotam ávidas em espigas
em favas, em ramas
nas roças do rio Joca,
além dos candeeiros enferrujados
pelo mijo insone
de antigos vaga-lumes
do Vapor de seu Zuquinha
é isso que meu canto traz
boas-novas, alvíssaras,
desde ontem
porque
criei-me entre ventanias
bebendo água de cacimba
dos riachos das veredas,
percorrendo tabuleiros em flor,
como quem habita um paraíso,
num lugar que faz o coração
da gente querer muito mais ser
do que apenas ter ou possuir bens
porque o bem maior que a gente tem,
que é de cunho essencial,
mora lá, na vida simples
de quem lá mora, de fato,
e evidencia-se
sob o teto de cada casa caiada,
onde a razão de ser simples
está no provimento de bem-estar
bem no meio desse ambiente
que traz o suficiente
para nos encher o peito
e se orgulhar desse mundo
onde a riqueza maior é
poder dizer: - sou varzeano!
é não cruzar os braços à sorte
é arregaçar as mangas
é lançar o anzol e apanhar o peixe
é poder ser simples assim,
é ainda poder sonhar acordado
e concordar, no final das contas,
e acreditar, pensando bem,
no retinir do martelo,
que nós é que somos
ricos de verdade!
PERFUME DE MUÇAMBÊ
autor: João Ludugero
pela estradinha de terra
ali ao lado da Vargem
passei sebo nas canelas
corri junto com os borregos
cheguei ao sítio de Zé Canindé
lá chupei cana-caiana
bebi água de cacimba
namorei com a paisagem
à sombra do juazeiro
sentei para descansar
e admirar a beleza
que se alastra em tons de verde
desde o chão de muçambês
que se expande em minha Várzea
que não se expira no olhar
que encanta o sabiá
meu cantar não é de dor
mas pode ser de saudade
saudade do meu lugar
uma vez que estou distante
léguas e léguas de lá,
mesmo assim, imagino
vejo flores em cada canto
e sinto o cheiro da terra
muito além das macambiras
onde correm os preás
viu meu bem,
o que lhe digo, de fato
o que mais quero lhe mostrar
como é bonita a natureza
que verte, que ganha vida
que muita vida nos dá
coisas simples
casas simples
gente simples
maior riqueza não há
Oh, minha Várzea,
quanta saudade eu carrego
que enche meus olhos d'água
asseguram que homem não chora
esse ditado eu bem nego,
pois já me debulho em lágrimas,
fico assim penduradinho
no desejo de te ver, sempre
de poder te espiar, de perto,
fico troncho é de vontade
de correr pr'o teu abraço
triste o coração lateja,
parece sair do peito,
e apronto uma cantiga
na roça dos teus sobejos
que margeia o rio Joca
nas cacimbas dos teus beijos
doce é pensar em ti,
vê-la de flor em flor Vapor afora
ter a flor e não a colher
resignado, deixá-la em seu lugar
a enfeitar o altar da minha sina
a perfumar a vida do meu lugar
minha Várzea das Acácias,
suplico, dê-me apenas
um bocadinho assim,
um pouquinho ainda que seja
conceda-me um gole d'água
pra amenizar minha sede,
seja na cuia ou cabaça,
pois a sede que me mata
pela estradinha de terra
ali ao lado da Vargem
passei sebo nas canelas
corri junto com os borregos
cheguei ao sítio de Zé Canindé
lá chupei cana-caiana
bebi água de cacimba
namorei com a paisagem
à sombra do juazeiro
sentei para descansar
e admirar a beleza
que se alastra em tons de verde
desde o chão de muçambês
que se expande em minha Várzea
que não se expira no olhar
que encanta o sabiá
meu cantar não é de dor
mas pode ser de saudade
saudade do meu lugar
uma vez que estou distante
léguas e léguas de lá,
mesmo assim, imagino
vejo flores em cada canto
e sinto o cheiro da terra
muito além das macambiras
onde correm os preás
viu meu bem,
o que lhe digo, de fato
o que mais quero lhe mostrar
como é bonita a natureza
que verte, que ganha vida
que muita vida nos dá
coisas simples
casas simples
gente simples
maior riqueza não há
Oh, minha Várzea,
quanta saudade eu carrego
que enche meus olhos d'água
asseguram que homem não chora
esse ditado eu bem nego,
pois já me debulho em lágrimas,
fico assim penduradinho
no desejo de te ver, sempre
de poder te espiar, de perto,
fico troncho é de vontade
de correr pr'o teu abraço
triste o coração lateja,
parece sair do peito,
e apronto uma cantiga
na roça dos teus sobejos
que margeia o rio Joca
nas cacimbas dos teus beijos
doce é pensar em ti,
vê-la de flor em flor Vapor afora
ter a flor e não a colher
resignado, deixá-la em seu lugar
a enfeitar o altar da minha sina
a perfumar a vida do meu lugar
minha Várzea das Acácias,
suplico, dê-me apenas
um bocadinho assim,
um pouquinho ainda que seja
conceda-me um gole d'água
pra amenizar minha sede,
seja na cuia ou cabaça,
pois a sede que me mata
é uma saudade d'ocê!
terça-feira, 8 de junho de 2010
GARAPA
autor: João Ludugero
morena, vida morena,
pele da cor do pecado
de sol a sol
se eu pudesse
longe não existiria
ficaria só na rede
de sisal a balançar
nos alpendres
lá da minha Várzea
enveredar-me
pelos ariscos
nas cacimbas
nos açudes
a gente ia se banhar,
furtar-cores do Calango
depois de mel
lambuzar
teu corpo pelos riachos
me achar na tua
vertente
percorrer as tuas veias
me achar ou me perder
feito borrego
desgarrado
e faminto
dos teus seios
de umbu-cajá
se por acaso eu tivesse
uma bateia dourada
iria te garimpar,
nas águas do rio Joca
que outro ouro eu acharia,
minha estrela-pepita
minha estrela da manhã,
sou rico só de ter
um bocadinho d'ocê
nuns farelinhos de poesia
que acabo de fazer
que caem do firmamento
toda vez que tua boca me guia
toda vez que abres a boca
a me levar direto ao céu
de uma coisa eu sei
é doce ter o teu beijo
é belo te olhar por dentro
ah, se eu pudesse engarrafar
a luz dos teus olhos um dia
junto com a água benta
eu ia fazer uma garapa
bem doce, bem docinha
daquela de arripunar
'pra mode' beber todinha
me consagrar
me embriagar
num manancial de alegria
e aí, morena, vida morena,
não pare pra pensar tanto,
que outra sorte eu queria
se todo dia seria dia santo,
todo santo dia, pra mim
que nunca fui santo!
morena, vida morena,
pele da cor do pecado
de sol a sol
se eu pudesse
longe não existiria
ficaria só na rede
de sisal a balançar
nos alpendres
lá da minha Várzea
enveredar-me
pelos ariscos
nas cacimbas
nos açudes
a gente ia se banhar,
furtar-cores do Calango
depois de mel
lambuzar
teu corpo pelos riachos
me achar na tua
vertente
percorrer as tuas veias
me achar ou me perder
feito borrego
desgarrado
e faminto
dos teus seios
de umbu-cajá
se por acaso eu tivesse
uma bateia dourada
iria te garimpar,
nas águas do rio Joca
que outro ouro eu acharia,
minha estrela-pepita
minha estrela da manhã,
sou rico só de ter
um bocadinho d'ocê
nuns farelinhos de poesia
que acabo de fazer
que caem do firmamento
toda vez que tua boca me guia
toda vez que abres a boca
a me levar direto ao céu
de uma coisa eu sei
é doce ter o teu beijo
é belo te olhar por dentro
ah, se eu pudesse engarrafar
a luz dos teus olhos um dia
junto com a água benta
eu ia fazer uma garapa
bem doce, bem docinha
daquela de arripunar
'pra mode' beber todinha
me consagrar
me embriagar
num manancial de alegria
e aí, morena, vida morena,
não pare pra pensar tanto,
que outra sorte eu queria
se todo dia seria dia santo,
todo santo dia, pra mim
que nunca fui santo!
VÁRZEA: O AMOR QUE FICA
autor: João Ludugero
Várzea
não a Várzea
da mulher que chora infeliz
com uma troucha de roupa na cabeça
e na outra mão a puxar uma criança faminta,
não a Várzea politicamente dividida
de um lado corujões
do outra banda, bacuraus
Várzea de São Pedro
sim a Várzea unida
das quermesses
das fogueiras
das novenas
dos folguedos
das quadrilhas de Seu Bita
do anarriê de dona Conceição Dama
da feirinha livre aos domingos
Várzea que aprendi a amar desde cedo
Várzea do milho e da pipoca
Várzea da minha infância
da sinuca do Salão São Luís
de Seu Lula Florêncio, pai do Silva
do Seu Otávio Gomes, pai do Maninho
da rua grande do mercadinho
onde a gente brincava de tudo
da rua onde morava Seu Walfredo
onde a gente ganhava torrões de açúcar pra fazer puxa-puxa
da rua onde plantadas as duas majestosas palmeiras
do Seu Minô de dona Marina que proseava ali na esquina
sentado numa cadeira de balanço
a espreguiçar a rotina numa pele de carneiro tingida de laranja
depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras
conversas jogadas fora, fiados mexericos
namoros no oitão da igreja, amassos e risadas
um magote de meninos e meninas brincava no meio da rua
um magote de gente de bem com a vida,
gente que não carecia de razão alguma pra ser feliz
porque a felicidade estava o tempo todo ali, de sobra
mesmo que fosse de vidro
o anel que a vida nos desse,
porque brilhante era o sorriso
que ladrilhava nossa rua
e a gente adormecia no colo de Mãe Dalila,
a sonhar com o amanhã,
a pegar com a mão o sol de um novo dia
essa é a Várzea que a gente leva
pra sempre guardada no coração,
relicário do amor que fica
essa é a Várzea que a gente leva
pra sempre guardada no coração,
relicário do amor que fica
segunda-feira, 7 de junho de 2010
VALEU O BOI!
autor: João Ludugero
passeando pela tarde
não me canso de olhar
de ver minha Várzea,
de pisar nos juncos e fedegosos
de sentir o cheiro da terra
de ver o gado a pastar
lá nas margens do Calango
chamei o amor a passear
de pronto ele foi,
segurou minha mão
lançou um olhar assim
e fez-me cara de boi,
boi de vaquejada
ê, boi!
prefiro te ver à solta
além dos jequis
além das cancelas
eu bem que te vi, de fato
mas fingiste que não eras tu
lá no abatedouro municipal
quem mandou seres assim
tão modesto, tão apetitoso
acebolado, na chapa
ou no churrasquinho de gato
a vida tem dessas coisas,
a vida tem dessas cores
um dia todos se vão,
até Seu Beja Anacleto
já foi morar na outra banda
por isso, tenha medo não
um dia tudo se esvai
e o que fica da vida,
o que pende da razão,
é a vida que a gente leva
se a hora é de curtir, de bumbar
pra que chorar o derramado leite
não vamos encurtar a festa,
vamos curtir o que resta,
de camarote te digo
que bom que me ouves atento
logo, logo vêm as moscas
a nos fazer cócegas ...
nem aí, você moscou,
abanou o rabo contente
e depois livre dançou,
lembrei-me do boi-de-reis
a la mateus Joca Chico!
domingo, 6 de junho de 2010
AL DENTE!
autor: João Ludugero
o amor me chegou
sem pedir visita,
invadiu-me
fez-me objeto
nem bateu à porta,
não pediu licença,
ao seu bel-prazer,
entrou, usou e abusou
da minha cara de bom-moço,
escancarou ainda mais
as janelas do meu peito
e, sorrateiro,
sem moderação,
bebeu de copo cheio
toda aguardente
tragou-me, de pirraça,
deixou-me antes do alvorecer,
vazio e com bafo de cachaça
fiquei meio que aturdido,
embriagado, sem norte nem oriente,
ali no meio da praça do encontro
a ver a lua a boiar na noite alta,
que não estava nem aí
para minha ressaca
às favas, com meu orgulho bobo,
ele me atirou num banco de espera,
comeu meu coração al dente,
sem sal nem tempero de qualquer sorte
tripudiou-me sem reservas
e ainda fez questão
de palitar os caninos, de pirraça
pois bem, deixa estar
que a própria vida, a seu tempo,
haverá de lhe dar o melhor revide!
é só apostar que essa hora vai chegar
é só apostar pra ver, menina travessa,
que já estou afiando as presas!
o amor me chegou
sem pedir visita,
invadiu-me
fez-me objeto
nem bateu à porta,
não pediu licença,
ao seu bel-prazer,
entrou, usou e abusou
da minha cara de bom-moço,
escancarou ainda mais
as janelas do meu peito
e, sorrateiro,
sem moderação,
bebeu de copo cheio
toda aguardente
tragou-me, de pirraça,
deixou-me antes do alvorecer,
vazio e com bafo de cachaça
fiquei meio que aturdido,
embriagado, sem norte nem oriente,
ali no meio da praça do encontro
a ver a lua a boiar na noite alta,
que não estava nem aí
para minha ressaca
às favas, com meu orgulho bobo,
ele me atirou num banco de espera,
comeu meu coração al dente,
sem sal nem tempero de qualquer sorte
tripudiou-me sem reservas
e ainda fez questão
de palitar os caninos, de pirraça
pois bem, deixa estar
que a própria vida, a seu tempo,
haverá de lhe dar o melhor revide!
é só apostar que essa hora vai chegar
é só apostar pra ver, menina travessa,
que já estou afiando as presas!
AGUENTA CORAÇÃO!
autor: João Ludugero
Chegou o temido dia,
numa fria manhã de maio findo
eu fui desacordado,
por instantes parei a vida
e tudo pareceu morrendo em lentidão
as horas, o sonho e o pesadelo
tudo engrossou na seiva das minhas veias
eu me olhei no espelho e,
por um instante, tive medo,
achei pesado demais o tranco
minha dor de coágulos inevitáveis
tomou um anestésico geral, um sedativo
adormeci de imediato, perdi o chão
deixei-me levar pelos acordes
da minha vontade enorme de viver
naquele instante acreditei
que retornaria, pois tinha uma missão a cumprir,
ir-me naquela hora a quem interessaria?
não, não ainda,pois havia comigo tanta semente.
tanto sonho a ser plantado
minha voz já cansada ficara rouca,
mas não perdera sua força,
escondera-se apenas no cantar da natureza varzeana
acordei envolto em fuligem de nuvens esfiapadas, imparáveis
agarrei-me nas palavras do meu poema
estas mesmo adormecidas, estancaram o aneurisma
numa plastia aórtica perfeita,
e o sangue percorreu-me as veias
reacendendo meu tambor da vida
meu coração que parecia mudo, parado
gritou no silêncio das noites desesperadas
e rasgou sentimentos com bisturi,
a partir dali aprendi a dar novo sentido à vida
e na ânsia louca de me ver sarado,
agora deixo o tempo correndo na sua lentidão-terapia
agora pretendo tirar o pé do acelerador
quero viver um dia de cada vez, intensivamente
quero tirar sabedorias das coisas simples
quero tirar proveito dessa dádiva, desse presente de Deus
e não abro mais mão de viver a vida
não quero transplante, pois já tenho um coração recauchutado
eu preciso com tamanha força medir as batidas do meu amor,
e, agora doutor, dê-me licença, permita-me dizer
quero viver por muitos muitos anos...
agora que abri meu coração
desatei linhas, costuras, tirei pontos e nós
abri meu coração, sem nenhum medo
de começar de novo a sonhar, nesse mundo de Deus!
Chegou o temido dia,
numa fria manhã de maio findo
eu fui desacordado,
por instantes parei a vida
e tudo pareceu morrendo em lentidão
as horas, o sonho e o pesadelo
tudo engrossou na seiva das minhas veias
eu me olhei no espelho e,
por um instante, tive medo,
achei pesado demais o tranco
minha dor de coágulos inevitáveis
tomou um anestésico geral, um sedativo
adormeci de imediato, perdi o chão
deixei-me levar pelos acordes
da minha vontade enorme de viver
naquele instante acreditei
que retornaria, pois tinha uma missão a cumprir,
ir-me naquela hora a quem interessaria?
não, não ainda,pois havia comigo tanta semente.
tanto sonho a ser plantado
minha voz já cansada ficara rouca,
mas não perdera sua força,
escondera-se apenas no cantar da natureza varzeana
acordei envolto em fuligem de nuvens esfiapadas, imparáveis
agarrei-me nas palavras do meu poema
estas mesmo adormecidas, estancaram o aneurisma
numa plastia aórtica perfeita,
e o sangue percorreu-me as veias
reacendendo meu tambor da vida
meu coração que parecia mudo, parado
gritou no silêncio das noites desesperadas
e rasgou sentimentos com bisturi,
a partir dali aprendi a dar novo sentido à vida
e na ânsia louca de me ver sarado,
agora deixo o tempo correndo na sua lentidão-terapia
agora pretendo tirar o pé do acelerador
quero viver um dia de cada vez, intensivamente
quero tirar sabedorias das coisas simples
quero tirar proveito dessa dádiva, desse presente de Deus
e não abro mais mão de viver a vida
não quero transplante, pois já tenho um coração recauchutado
eu preciso com tamanha força medir as batidas do meu amor,
e, agora doutor, dê-me licença, permita-me dizer
quero viver por muitos muitos anos...
agora que abri meu coração
desatei linhas, costuras, tirei pontos e nós
abri meu coração, sem nenhum medo
de começar de novo a sonhar, nesse mundo de Deus!
sábado, 5 de junho de 2010
VÁRZEA: MEU CANTINHO DA CULTURA
autor: João Ludugero
quem chega à minha Várzea
nunca fica triste, nem pudera
logo se aproxima da alegria
em tons, em coloridos sorrisos
em animações de sons,
na lua a pratear cada recanto
é festa por todo lado, é magia pura
como uma eterna fogueira acesa
no interior da vida da minha gente
a tristeza sai pela porta de trás
debanda junto com as sombras
do "carro encantado"
e até a "mulher que chora" aparece sorrindo,
aquela que chorava com a trouxa na cabeça,
toma logo um chá de sumiço
pela madrugada a fora
ninguém sabe, ninguém viu
que rumo tomou além das quatro bocas da lenda
quiçá cansou de perambular sua alma penada,
diante da alegria que contagia a vida da minha gente
até a meia-lua se abre num sorriso
inteira a se banhar solene
na solidão da rua das pedras,
a alumiar o caminho dos andantes
a trazer saudades de outrora,
saudades das festas do Cruzeiro
aquela saudade gostosa das iguarias típicas,
dos bolos pretos, dos bolos de milho,
de coco e de macaxeira,
tempo dos deliciosos manjares
da inesquecível dona Zidora
saudades das pastorinhas de Joaquim Rosendo
do boi de de reis de Mateus Joca Chico,
do coco de ganzá embolado por Zé Camarão,
da lapinha de Dona Eunice
que trazia como palhaço seu esposo Bita,
do joão-redondo de Joaquim André
da animação das quadrilhas de São João
das vaquejadas de Sao Pedro
da alegria do dedo de prosa
com o ilustre Capitão Gonçalo, filho da terra
puros ares da minha Várzea,
meus pulmões adentram
o sítio dos Marreiros,
Vapor a fora, rosa dos ventos aflora
renovando esperanças
curando meu corpo, minha mente
acalmando de paixão, meus arredores
flor do Maracujá de dona Melisinha
frutos da Marisa de seu Wandick Lopes
bons ares do Itapacurá
lavam minha alma sem trincheira
sopram de verde as margens do rio Joca
purificam meus ariscos
e demarcam ali o espaço da paz verdadeira
lugar aonde o poeta encontra seu refúgio,
diante da alegria que se fez
nesse lindo dia de verão
quem chega à minha Várzea
nunca fica triste, nem pudera
logo se aproxima da alegria
em tons, em coloridos sorrisos
em animações de sons,
na lua a pratear cada recanto
é festa por todo lado, é magia pura
como uma eterna fogueira acesa
no interior da vida da minha gente
a tristeza sai pela porta de trás
debanda junto com as sombras
do "carro encantado"
e até a "mulher que chora" aparece sorrindo,
aquela que chorava com a trouxa na cabeça,
toma logo um chá de sumiço
pela madrugada a fora
ninguém sabe, ninguém viu
que rumo tomou além das quatro bocas da lenda
quiçá cansou de perambular sua alma penada,
diante da alegria que contagia a vida da minha gente
até a meia-lua se abre num sorriso
inteira a se banhar solene
na solidão da rua das pedras,
a alumiar o caminho dos andantes
a trazer saudades de outrora,
saudades das festas do Cruzeiro
aquela saudade gostosa das iguarias típicas,
dos bolos pretos, dos bolos de milho,
de coco e de macaxeira,
tempo dos deliciosos manjares
da inesquecível dona Zidora
saudades das pastorinhas de Joaquim Rosendo
do boi de de reis de Mateus Joca Chico,
do coco de ganzá embolado por Zé Camarão,
da lapinha de Dona Eunice
que trazia como palhaço seu esposo Bita,
do joão-redondo de Joaquim André
da animação das quadrilhas de São João
das vaquejadas de Sao Pedro
da alegria do dedo de prosa
com o ilustre Capitão Gonçalo, filho da terra
puros ares da minha Várzea,
meus pulmões adentram
o sítio dos Marreiros,
Vapor a fora, rosa dos ventos aflora
renovando esperanças
curando meu corpo, minha mente
acalmando de paixão, meus arredores
flor do Maracujá de dona Melisinha
frutos da Marisa de seu Wandick Lopes
bons ares do Itapacurá
lavam minha alma sem trincheira
sopram de verde as margens do rio Joca
purificam meus ariscos
e demarcam ali o espaço da paz verdadeira
lugar aonde o poeta encontra seu refúgio,
diante da alegria que se fez
nesse lindo dia de verão
terça-feira, 25 de maio de 2010
BENZEDEIRAS
autor: João Ludugero
reza, reza benzedeira,
reza na beira do rio Joca
reza forte, com fervor
reza na minha cabeça
revigora minha lida
dá-me novo sentido,
vida nova ao coração
livra-me de mau agouro
dá-me esperança nova,
longe de mim os quebrantos
e as espinhelas caídas
de onde a senhora estiver,
lá do lado do Santíssimo,
me proteja Mãe Claudina,
livre-me do sofrimento
sou paciente, tenho fé,
Mãe Miquil, interceda por mim
perante o pai celestial
dona Elina de pinga-fogo
mantenha acesa a pira
que ilumina cada esquina
que incendeia de amor a minha sina
dona Rosa de Antonio Ventinha
na sua humildade conserte a rosa dos ventos,
dê-me rumo e passo certo, dê-me norte
conduza-me pelos caminhos de luz
dona Onélia, por favor, dê-me sorte
benza logo de uma vez,
esse menino varzeano, e
entre achados e perdidos,
reze forte aquele salmo bendito,
refaça meu coração que precisa de reparos
dona Ana Moita, eu suplico,
traga um ramo bem verdinho
de vassourinha do campo, e incenso
benza-me das dores do dia-a-dia,
feche meu corpo de pragas e febres
dá-me refúgio de maus-olhados
proteja-me das setas
que saem das sombras
do meu destino, oh, Senhor Deus,
seja meu escudo!
benza-me, reza rezadeira,
faça renascer em mim vi(d)a nova,
verde novo traga cura, me conforte
preciso voltar a ser aquela criança
que carregava esperança, nas veias
benzam-me, minhas benzedeiras,
com seus ramos, com seus rosários e terços
rezem cedo na beira do riacho da cruz
ou no rio de Nozinho, à tardinha,
mandem bem depressa todos os males
para as ondas do mar sagrado
pra bem longe da minha casa
pra bem longe da minha Várzea
e os encerrem com as chaves de São Pedro!
venho aqui louvar e agradecer
em nome do meu povo varzeano:
louvo Mãe Claudina
louvo Mãe Miquil
louvo dona Rosa de Antonio Ventinha
louvo dona Onélia de Raimundo Rosa
louvo dona Ana Moita,
sem esquecer de lembrar às mais recentes
que não deixem essa crença se acabar
que persistam a rezar
encantdeiras de dores,
ou parteiras da alegria!
pra fazer a louvação
bato no peito com fé
não esmoreço, acredito
no poder absoluto
do divino Espírito Santo
e da Virgem Mãe Maria!
reza, reza benzedeira,
reza na beira do rio Joca
reza forte, com fervor
reza na minha cabeça
revigora minha lida
dá-me novo sentido,
vida nova ao coração
livra-me de mau agouro
dá-me esperança nova,
longe de mim os quebrantos
e as espinhelas caídas
de onde a senhora estiver,
lá do lado do Santíssimo,
me proteja Mãe Claudina,
livre-me do sofrimento
sou paciente, tenho fé,
Mãe Miquil, interceda por mim
perante o pai celestial
dona Elina de pinga-fogo
mantenha acesa a pira
que ilumina cada esquina
que incendeia de amor a minha sina
dona Rosa de Antonio Ventinha
na sua humildade conserte a rosa dos ventos,
dê-me rumo e passo certo, dê-me norte
conduza-me pelos caminhos de luz
dona Onélia, por favor, dê-me sorte
benza logo de uma vez,
esse menino varzeano, e
entre achados e perdidos,
reze forte aquele salmo bendito,
refaça meu coração que precisa de reparos
dona Ana Moita, eu suplico,
traga um ramo bem verdinho
de vassourinha do campo, e incenso
benza-me das dores do dia-a-dia,
feche meu corpo de pragas e febres
dá-me refúgio de maus-olhados
proteja-me das setas
que saem das sombras
do meu destino, oh, Senhor Deus,
seja meu escudo!
benza-me, reza rezadeira,
faça renascer em mim vi(d)a nova,
verde novo traga cura, me conforte
preciso voltar a ser aquela criança
que carregava esperança, nas veias
benzam-me, minhas benzedeiras,
com seus ramos, com seus rosários e terços
rezem cedo na beira do riacho da cruz
ou no rio de Nozinho, à tardinha,
mandem bem depressa todos os males
para as ondas do mar sagrado
pra bem longe da minha casa
pra bem longe da minha Várzea
e os encerrem com as chaves de São Pedro!
venho aqui louvar e agradecer
em nome do meu povo varzeano:
louvo Mãe Claudina
louvo Mãe Miquil
louvo dona Rosa de Antonio Ventinha
louvo dona Onélia de Raimundo Rosa
louvo dona Ana Moita,
sem esquecer de lembrar às mais recentes
que não deixem essa crença se acabar
que persistam a rezar
encantdeiras de dores,
ou parteiras da alegria!
pra fazer a louvação
bato no peito com fé
não esmoreço, acredito
no poder absoluto
do divino Espírito Santo
e da Virgem Mãe Maria!
segunda-feira, 24 de maio de 2010
MÃE CLAUDINA
autor: João Ludugero
oh,minha Virgem Maria!
vejo que lá do Calango
subiu um corisco
abriu-se um clarão
rasgando o céu
sol sumiu, acho
que se deitou no açude
deixando a tarde toda um breu
o véu do tempo se rasgou
tremeu terra e arvoredo partiu,
tremeu a cruz do rio
parecia mais um rojão
daqueles de festa de São João,
só que de estampido maior
do que fogo de artifício
estremecendo tudo
labaredas tão medonhas
a cortar as nimbos,
bem que vi fogo cair
do céu de São Pedro
a chuva caiu aos cântaros,
choveu noite e dia, sem trégua
feito tromba-d'água
veio a cheia do rio,
trouxe jias, trouxe sapos
a enchente alagou as capoeiras
encharcou os caminhos de Vapor
o Calango sangrou tão bonito
se derramou pela Vargem
o Joca se espraiou pelos roçados
sob o canto mavioso do bem-te-vi
no balanço das duas palmeiras
lembro-me disso muito bem,
a gente tinha receio disso não,
pois o pavor se dissipava ligeiro
sob a reza forte de Mãe Claudina,
benzedeira de mão cheia,
que era também parteira
a gente sempre tinha esperanças novas
ela, tão pequenina, enfrentava
de cabeça erguida, sem assombração,
munida apenas de seus credos,
de baforada em baforada no cachimbo
de fumo de rolo, confiante na fé,
destemida, afastava até mesmo
os perigos da natureza
que viesse raio ou trovão
ela não escondia os espelhos
pegava linha e agulha
e costurava nossos medos
quem foi que disse
que havia tempo ruim
lá pras bandas da minha Várzea?
se ninguém ouviu, eu quero agora
com esses versos simples louvar,
bendizer a ilustre e bondosa Mãe Claudina,
guerreira de luz, saudosa senhora
desatadora de nós,
um pouco mãe
de todos nós varzeanos
oh,minha Virgem Maria!
vejo que lá do Calango
subiu um corisco
abriu-se um clarão
rasgando o céu
sol sumiu, acho
que se deitou no açude
deixando a tarde toda um breu
o véu do tempo se rasgou
tremeu terra e arvoredo partiu,
tremeu a cruz do rio
parecia mais um rojão
daqueles de festa de São João,
só que de estampido maior
do que fogo de artifício
estremecendo tudo
labaredas tão medonhas
a cortar as nimbos,
bem que vi fogo cair
do céu de São Pedro
a chuva caiu aos cântaros,
choveu noite e dia, sem trégua
feito tromba-d'água
veio a cheia do rio,
trouxe jias, trouxe sapos
a enchente alagou as capoeiras
encharcou os caminhos de Vapor
o Calango sangrou tão bonito
se derramou pela Vargem
o Joca se espraiou pelos roçados
sob o canto mavioso do bem-te-vi
no balanço das duas palmeiras
lembro-me disso muito bem,
a gente tinha receio disso não,
pois o pavor se dissipava ligeiro
sob a reza forte de Mãe Claudina,
benzedeira de mão cheia,
que era também parteira
a gente sempre tinha esperanças novas
ela, tão pequenina, enfrentava
de cabeça erguida, sem assombração,
munida apenas de seus credos,
de baforada em baforada no cachimbo
de fumo de rolo, confiante na fé,
destemida, afastava até mesmo
os perigos da natureza
que viesse raio ou trovão
ela não escondia os espelhos
pegava linha e agulha
e costurava nossos medos
quem foi que disse
que havia tempo ruim
lá pras bandas da minha Várzea?
se ninguém ouviu, eu quero agora
com esses versos simples louvar,
bendizer a ilustre e bondosa Mãe Claudina,
guerreira de luz, saudosa senhora
desatadora de nós,
um pouco mãe
de todos nós varzeanos
quinta-feira, 20 de maio de 2010
FAZ MUITO BEM ESTAR EM VÁRZEA
autor: João Ludugero
estar na minha Várzea
é um refrigério para a alma,
é abrir todas as portas e janelas
esquecer abertas as cancelas,
sentir o cheiro das plantas,
esquecer abertas as cancelas,
sentir o cheiro das plantas,
o ar puro, o silêncio, o mato verde
o Vapor, refúgio da agitação
até havia me esquecido
como era bom conversar
em volta da mesa,
beber água de poço do arisco,
tomar banho de rio,
apreciar a paisagem na tarde que cai
e mergulhar no açude do Calango
e mergulhar no açude do Calango
que coisa boa é pisar nesse chão,
mergulhar nas palavras, na poesia
mergulhar dentro de si próprio
sentir o cheiro da terra de São Pedro,
ouvir sons de pássaros pela manhã,
caminhar ao ar livre, libertar-se
livre de tudo que agita,
desnudar-se, interior e mente
desnudar-se, interior e mente
ter paz, simplesmente paz, sem pressa
ali, alimento-me de vida,
as flores são coloridas de dar gosto
de limpar a visão, se encantar
e o açude tem patos a nadar
em sua água verde-musgo
e todos os sonhos
ainda podem ser sonhados
lá, eu me acho
encaixo-me na natureza viva
encontro-me
com o que realmente sou
simples poeta varzeano
que não carece nada não,
pois traz tudo no coração,
isto é cabível, e não cansa,
traz Várzea inteirinha no peito
e isso é não é tudo?
ah, meu recanto abençoado,
minha Várzea amada,
ali, alimento-me de vida,
as flores são coloridas de dar gosto
de limpar a visão, se encantar
e o açude tem patos a nadar
em sua água verde-musgo
e todos os sonhos
ainda podem ser sonhados
lá, eu me acho
encaixo-me na natureza viva
encontro-me
com o que realmente sou
simples poeta varzeano
que não carece nada não,
pois traz tudo no coração,
isto é cabível, e não cansa,
traz Várzea inteirinha no peito
e isso é não é tudo?
ah, meu recanto abençoado,
minha Várzea amada,
pena que a vida,
essa vida que queremos
muitas vezes, passa diante
essa vida que queremos
muitas vezes, passa diante
de nossos olhos
e não a vemos!
e não a vemos!
CONTANDO ESTRELAS
autor: João Ludugero
na minha Várzea
ainda se pode sonhar
contar as estelas
que despencam no azul
do céu dos teus olhos azuis
eu aproveito o ensejo
para tecer meus três pedidos
com afinco
com toda fé
certo de que não importa
chuvas torrenciais ou estio
porque ainda sopram ventos
que serenam nas tardes do Calango
direto no meu rosto
exposto a brisas ligeiras
e cantos breves de bem-te-vis
sóis brotam ávidos
de dentro do meu peito
e nascem girassóis
no céu da minha boca
correm nas minhas veias
lágrimas de sal e mel
vindas do coração
que explode em versos
sou poeta varzeano e canto
a canção dos aflitos
que não sabem cantar
rebrotam esperança
em rios de águas salobras
em riachos do mel
e palavras florescem
em esperanças renovadas
na minha Várzea
ainda se pode sonhar
contar as estelas
que despencam no azul
do céu dos teus olhos azuis
eu aproveito o ensejo
para tecer meus três pedidos
com afinco
com toda fé
certo de que não importa
chuvas torrenciais ou estio
porque ainda sopram ventos
que serenam nas tardes do Calango
direto no meu rosto
exposto a brisas ligeiras
e cantos breves de bem-te-vis
sóis brotam ávidos
de dentro do meu peito
e nascem girassóis
no céu da minha boca
correm nas minhas veias
lágrimas de sal e mel
vindas do coração
que explode em versos
sou poeta varzeano e canto
a canção dos aflitos
que não sabem cantar
rebrotam esperança
em rios de águas salobras
em riachos do mel
e palavras florescem
em esperanças renovadas
quarta-feira, 19 de maio de 2010
E POR FALAR EM FEITIÇO...
autor: João Ludugero
Varzeaninha, varzeaninha,
tu és a dona do feitiço
da alegria sem medida
que envolve as margens
do rio Joca
que irriga o coqueiral
do meu verde habitat
de bons agouros
que abriga a esperança
desde o rio de Nozinho aos campos
do Vapor de seu Zuquinha
tu és da Várzea a rainha,
tu és senhora de mim;
tu matas todos olhares
de amores, de amores
quando passas assim
faceira, tão aprazível
a vender saúde de sobra
com o teu cesto de flores
pra enfeitar o altar de São Pedro,
nosso apóstolo padroeiro
eu queria ser um cravo branco
pra tocar no teu rosado nariz
em riste, perfumar as tuas tranças
embevecê-la de cheiros e lavandas
quando atravessas ligeira
a Brasiliano Coelho de Oliveira
pobre de mim, fazedor de versos
simples vendedor de sonhos
que invento com palavras
tudo tudo o que sinto,
na condição de poeta,
sou varzeano de estirpe
que inventa verdades sem rimas
só pra te ver livre e solta
a correr pelos caminhos
seja do Vapor às quatro bocas,
tu deixas boquiaberta minha gente
e quase todo ser vivente,
a arrancar fartos suspiros
do povo que diz à boca cheia,
parafraseando seu Nenê Tomaz,
essa menina vale um pitéu,
ai, como é bonita a natureza!
és um presente divino
oh, musa do meu sonho
sinto vertigem e encanto
quando tu passas na vargem
ou quando te deitas na areia,
mulher mais linda não há
és a dona desse jardim
que se abre em flor para ti
dona de beleza ímpar
quero moldar um tapete
todo em verde e amarelo
feito de flores de acácias
para a rainha pisar
lá na praça do encontro
e deixar para o bem de todos
só um bocadinho assim
um pouquinho assim do seu cheiro,
do seu cheiro de alecrim!
terça-feira, 18 de maio de 2010
RECADO À LUA
autor: João Ludugero
Quem foi que disse
que espero ser sol,
a te iluminar à distância,
já decidi: quero isso não!
quem pensa que quero viver longe de ti
feito a lua que se contenta
apenas com o clarão solar?
oh, serena lua, peço desculpas,
perdoa-me por pensar assim,
tu que é amante de todo poeta
senhora que faz a chuva de prata
toda se derramar
nas águas da paixão
lua que aparece em altas horas
para banhar a solidão da rua
que assola meu peito
que mais parece rua deserta
portanto, venha, oh, lua,
eu imploro, com todas as letras
peço-te, devolvas-me depressa o coração
que foi levado pra longe de mim,
achando que era somente pro meu bem
ora, ora, vejam só,
por São Jorge em seu cavalo branco
não me interessa transplante
eu careço isto sim, de fato,
do mesmo coração de antes!
Quem foi que disse
que espero ser sol,
a te iluminar à distância,
já decidi: quero isso não!
quem pensa que quero viver longe de ti
feito a lua que se contenta
apenas com o clarão solar?
oh, serena lua, peço desculpas,
perdoa-me por pensar assim,
tu que é amante de todo poeta
senhora que faz a chuva de prata
toda se derramar
nas águas da paixão
lua que aparece em altas horas
para banhar a solidão da rua
que assola meu peito
que mais parece rua deserta
portanto, venha, oh, lua,
eu imploro, com todas as letras
peço-te, devolvas-me depressa o coração
que foi levado pra longe de mim,
achando que era somente pro meu bem
ora, ora, vejam só,
por São Jorge em seu cavalo branco
não me interessa transplante
eu careço isto sim, de fato,
do mesmo coração de antes!
GIZ E POESIA
autor: João Ludugero
eu queria saber desenhar
só pra te pintar na paisagem
no cartão postal
limpar a vista, a visão
na tela da minha saudade
eu queria ser poeta
só pra saber fazer
versos simples
como aqueles de fazer
encantar com palavras
oh, minha Várzea,
como sonhar não custa nada,
eu sonho acordado
e me contento, sem cera
sinceramente
sigo em paz comigo
eu consigo sentir-me
o cara mais rico,
e desperto
tendo de presente
o mundo mais bonito,
o lugar mais belo
não careço de mais tesouros,
não preciso de nada além de tudo isso
que agiganta meu coração de amores
quando tua presença me faz ver de perto
que vale a pena seguir te amando,
até que a vida me dê flores
segunda-feira, 17 de maio de 2010
TARÂNTULA
autor: João Ludugero
juro por Deus
que não fiz mal nenhum à rosa
flor que num puxão arranquei
entre os espinhos,
mesmo com a mão ferida,
não esmoreci
pétala por pétala te desnudei
na intenção de bem me quereres
arregacei as mangas
irriguei teu corpo mudo
plantei outras mudas
do que jaz em mim
acordei girassol, alvoreci
e agora só quero que saibas
de uma vez por todas
que o cheiro de minhas mãos
é um pouco do perfume
que de ti guardei,
só pra servir de alento
quando chegar o momento
de a dama da noite,
querendo me entorpecer
com seu veneno,
vir arrancar minha alma
feito tarântula no cio,
ardente no fogo da paixão!
juro por Deus
que não fiz mal nenhum à rosa
flor que num puxão arranquei
entre os espinhos,
mesmo com a mão ferida,
não esmoreci
pétala por pétala te desnudei
na intenção de bem me quereres
arregacei as mangas
irriguei teu corpo mudo
plantei outras mudas
do que jaz em mim
acordei girassol, alvoreci
e agora só quero que saibas
de uma vez por todas
que o cheiro de minhas mãos
é um pouco do perfume
que de ti guardei,
só pra servir de alento
quando chegar o momento
de a dama da noite,
querendo me entorpecer
com seu veneno,
vir arrancar minha alma
feito tarântula no cio,
ardente no fogo da paixão!
VIVA VÁRZEA!
vim te ver,
visitá-la,
minha Várzea,
meu Vapor vital
ventos de vigor
vim vê-la,
meu vício é
viver você,
vivê-la à vista
vida vertente
vitoriosa vivência
verdejante visão
vivacidade varzeana
vicejantes valores
vou viver vívido
verão
verão
venero-te
sem vertigem
verdadeiramente
versejando você, vejo
vistosa virgem sem véu
verde vargem
vereda viçosa
vale viver a vida,
Varzeamando-te!
domingo, 16 de maio de 2010
MEU ITAPACURÁ
autor: João Ludugero
eu sempre ficava feliz
quando meu pai Odilon
me pegava pela mão satisfeito,
levando-me a visitar o Itapacurá
ali se podia respirar ares puros
com a natureza bafejando bons ventos
aos quatro cantos
enquanto o mormaço,
o cheiro da terra, o sereno
e a brisa da tarde amena
saciavam de paz
o interior da gente
ah, como era gostoso
pisar naquele chão,
se encantar com a vegetação,
contemplar os passarinhos
percorrer seus caminhos
e voltar pra casa, mesmo que fosse
apenas com um saco cheinho de pitombas,
frutas apanhadas ali
no sítio de seu Totita!
eta, tempo bom!
tempo de tomar banho de açude,
de lavar a alma, o espírito,
tempo de mergulhar nas águas
do meu verde Itapacurá...
ai que saudades que eu sinto!
sábado, 15 de maio de 2010
CREPONS
autor: João Ludugero
pelas quatro bocas
por todos os becos
por todos atalhos
ou veredas
pode-se chegar
ao ensejo esperado,
à liberdade de fato,
não apenas ao desejo
em todos os atalhos
e veredas
passeia o apego
das correntes do ego
do ansiado desejo,
aquele que faz o homem ficar cego
e não mais lembrar da senha
que o liberta
aquele que anseia,
que é escravo do desejo,
ganha um cadeado sem segredo
de carcomidas chaves
desdentadas pela ferrugem,
fechadura
que não pode ser aberta
nem mesmo sob o fogo
do mais potente maçarico
e ser assim,
escravo do desejo,
é ser todo atalho e desvio
é se embrenhar pelas veredas
é não ser dono do próprio nariz
diga-se de passagem,
não é ser livre,
é está preso,
ensimesmado
vendo o sol todo quadrado
num beco de uma rua
sem saída
é se encontrar diante de um canteiro
de flores de plástico ou de vidro
flores de papel crepom num vaso
flores que não nasceram
de nenhuma rega
sem nenhum cheiro,
de cores artificiais, sem ânimo
a decorar de natureza morta
o que foi exposto na mesa do desejo
pelas quatro bocas
por todos os becos
por todos atalhos
ou veredas
pode-se chegar
ao ensejo esperado,
à liberdade de fato,
não apenas ao desejo
em todos os atalhos
e veredas
passeia o apego
das correntes do ego
do ansiado desejo,
aquele que faz o homem ficar cego
e não mais lembrar da senha
que o liberta
aquele que anseia,
que é escravo do desejo,
ganha um cadeado sem segredo
de carcomidas chaves
desdentadas pela ferrugem,
fechadura
que não pode ser aberta
nem mesmo sob o fogo
do mais potente maçarico
e ser assim,
escravo do desejo,
é ser todo atalho e desvio
é se embrenhar pelas veredas
é não ser dono do próprio nariz
diga-se de passagem,
não é ser livre,
é está preso,
ensimesmado
vendo o sol todo quadrado
num beco de uma rua
sem saída
é se encontrar diante de um canteiro
de flores de plástico ou de vidro
flores de papel crepom num vaso
flores que não nasceram
de nenhuma rega
sem nenhum cheiro,
de cores artificiais, sem ânimo
a decorar de natureza morta
o que foi exposto na mesa do desejo
DE CORAÇÃO NOVO
autor: João Ludugero
eu abrirei meu coração
não para um transplante
não para ficar longe de ti
ou esquecer-te
não para diluir o mundo que fizemos
não para ficar perdido noite adentro
mas para amanhecer
para ter uma cabeça de pensar sadio
para amanhecer mais que o dia
sem que a noite venha envenenar-me sem ti
vou anestesiar meus sentidos
vou acordar do sono e da paúra
que ora envolve minha alma
meu espírito não se segura em mim
meu corpo vaga pela cidade
quase alheio a tudo
apesar das luzes das vitrines
não sei esconder esse voraz desejo
que se esconde no meu coração
mas não me deixo apegar
preciso ter a porta aberta
quando acordar quero
dar novo sentido ao que sinto
quero pisar no chão,
fugir do movediço
mole e desfeito,
careço começar de novo do zero
e com a mesma pessoa receber o sol
cabeça aberta, amanhecer e acordar mais que a manhã
sem medo de ser feliz, sem culpa e com zelo
eu abrirei meu coração
não para um transplante
não para ficar longe de ti
ou esquecer-te
não para diluir o mundo que fizemos
não para ficar perdido noite adentro
mas para amanhecer
para ter uma cabeça de pensar sadio
para amanhecer mais que o dia
sem que a noite venha envenenar-me sem ti
vou anestesiar meus sentidos
vou acordar do sono e da paúra
que ora envolve minha alma
meu espírito não se segura em mim
meu corpo vaga pela cidade
quase alheio a tudo
apesar das luzes das vitrines
não sei esconder esse voraz desejo
que se esconde no meu coração
mas não me deixo apegar
preciso ter a porta aberta
quando acordar quero
dar novo sentido ao que sinto
quero pisar no chão,
fugir do movediço
mole e desfeito,
careço começar de novo do zero
e com a mesma pessoa receber o sol
cabeça aberta, amanhecer e acordar mais que a manhã
sem medo de ser feliz, sem culpa e com zelo
AVEXADO DESEJO
autor: João Ludugero
apetece-me tanto ir a Várzea
logo em seguida visitar à Marisa,
tomar água de coco verde
emaranhar-me em seus maracujás
e depois, humm...
dar mais uma voltinha
veredas a dentro,
veredas a dentro,
caminhar pro interior
chegar até o Itapacurá,
arrancar macaxeiras no paul,
comer batata-doce assada
por os pés no açude
e de lá não mais arredar o pé
e ao fim do dia,
antes de o sol se deitar,
deixar-me espreguiçar
numa rede de algodão
numa rede de algodão
lá no sítio de tio João Pequeno
e só voltar pra casa
com a alma lavada,
com a alma lavada,
trazendo numa das mãos
uma enfileira de cajus encarnados,
na outra um ramalhete colorido
de flores-do-campo,
cravos silvestres, manjerona
e um cheirinho de alecrim,
que a dona Rosa Cunha me deu de presente
ai que saudades do meu lugar,
ai que saudade danada
da minha Várzea das Acácias
ai coração, não se avexe não,viu?
por Deus do céu, tenha calma,
a paz que corre ali não tem preço
quero ir depressa
quero ir correndo pra lá!
quinta-feira, 13 de maio de 2010
O INTERIOR DA BELEZA
autor: João Ludugero
uma igreja pintada
de azul celeste
na torre um sino
que badala as horas
e acorda palmeiras
que se vestem de verde
são duas as palmeiras
alçadas para o alto
como que a louvar
ao apóstolo São Pedro,
que se encontra no topo
crianças brincam na praça
a pular corda, acordadas
vestidas de sol e sonhos
da alegria da ciranda da vida
de rodar o instante e as catracas
tudo a seu tempo,
sem horas a passar,
sem nenhuma pressa
tudo a seu tempo
devagar
simplesmente
é o tempo a tecer
suas teias sua graça
a fiar suas manhas,
suas aranhas com arte
Jordana e Lila usam brincos
de conchas do mar,
de madrepérolas
e anéis feitos de pedras de seixos
de cascas de árvores
enquanto Teresa Gabriela traz
na face a beleza da terra
perfume de água do açude nos jarros
singelas flores nas janelas das casas caiadas
borboletas verdes e amarelas
no decote das meninas prestes a voar
flores de maracujá pra enfeitar o cabelo.
quem se atreveria a dizer
que isso não é belo?
uma igreja pintada
de azul celeste
na torre um sino
que badala as horas
e acorda palmeiras
que se vestem de verde
são duas as palmeiras
alçadas para o alto
como que a louvar
ao apóstolo São Pedro,
que se encontra no topo
crianças brincam na praça
a pular corda, acordadas
vestidas de sol e sonhos
da alegria da ciranda da vida
de rodar o instante e as catracas
tudo a seu tempo,
sem horas a passar,
sem nenhuma pressa
tudo a seu tempo
devagar
simplesmente
é o tempo a tecer
suas teias sua graça
a fiar suas manhas,
suas aranhas com arte
Jordana e Lila usam brincos
de conchas do mar,
de madrepérolas
e anéis feitos de pedras de seixos
de cascas de árvores
enquanto Teresa Gabriela traz
na face a beleza da terra
perfume de água do açude nos jarros
singelas flores nas janelas das casas caiadas
borboletas verdes e amarelas
no decote das meninas prestes a voar
flores de maracujá pra enfeitar o cabelo.
quem se atreveria a dizer
que isso não é belo?
quarta-feira, 12 de maio de 2010
"CHE PAURA!"
autor: João Ludugero
Meu poema
é um poema assim
um poema-crisálida
feito de palavras
recém-saídas do casulo
um poema como borboleta
que vive a segunda vida
que se mexe em estágios
alando o autor
libertando-o, assim
metálico-dourando suas asas
pra sair do marasmo-segmento
onde poucos se movem
ou não o fazem
simplesmente
por desamor à lida
quiçá por "che paura!"
ah, meu coração,
mesmo com sua aorta insuficiente,
como vou voar até lá
sem ficar preso em sua crisálida
diga-me como, mesmo encarcerado,
gerar seres alado, preciso descobrir
como abrir seu cofre de seda
e revigorar antigas esperanças?
ah, meu coração
não me poupe da beleza
ainda é cedo. sou um ser que sente
careço do que mesmo
para fazer o voo rasante,
se o caminho me chama
se vejo adiante uma estrada
um novo ponto de partida luminoso e transparente,
que me chama a agarrar com toda força em suas tranças
e fazer gangorra no balanço da vida?
entretanto, observo versos vertentes
em seu rastro áureo de inquietudes
que inseminam pupas
que multiplicam borboletas
que dão cor ao unir
versos e mar,
mar e poses, casas e casulos
universo de ovos, larvas, livros
as borboletas sempre voltam
borboletas são eternas?
eu aqui de novo, demente?
só sei que querendo dar novo sentido à vida
reencarnado em pó
pólen, palavras
coração na mão
exposto em poemas
Meu poema
é um poema assim
um poema-crisálida
feito de palavras
recém-saídas do casulo
um poema como borboleta
que vive a segunda vida
que se mexe em estágios
alando o autor
libertando-o, assim
metálico-dourando suas asas
pra sair do marasmo-segmento
onde poucos se movem
ou não o fazem
simplesmente
por desamor à lida
quiçá por "che paura!"
ah, meu coração,
mesmo com sua aorta insuficiente,
como vou voar até lá
sem ficar preso em sua crisálida
diga-me como, mesmo encarcerado,
gerar seres alado, preciso descobrir
como abrir seu cofre de seda
e revigorar antigas esperanças?
ah, meu coração
não me poupe da beleza
ainda é cedo. sou um ser que sente
careço do que mesmo
para fazer o voo rasante,
se o caminho me chama
se vejo adiante uma estrada
um novo ponto de partida luminoso e transparente,
que me chama a agarrar com toda força em suas tranças
e fazer gangorra no balanço da vida?
entretanto, observo versos vertentes
em seu rastro áureo de inquietudes
que inseminam pupas
que multiplicam borboletas
que dão cor ao unir
versos e mar,
mar e poses, casas e casulos
universo de ovos, larvas, livros
as borboletas sempre voltam
borboletas são eternas?
eu aqui de novo, demente?
só sei que querendo dar novo sentido à vida
reencarnado em pó
pólen, palavras
coração na mão
exposto em poemas
segunda-feira, 10 de maio de 2010
OLHOS D'ÁGUA
autor: João Ludugero
e aquelas palavras minhas,
assim feito sementes jogadas ao chão
brotaram ávidas de esperanças novas
assim feito sementes jogadas ao chão
brotaram ávidas de esperanças novas
e o solo da vargem se encheu de verde
soterrando a tristeza do estio
meus versos plantaram ali palavras-desejo
dessas que proliferam alegria aos tufos,
após a travessia de instantes sombrios
quando mostram a cara feliz
quando mostram a cara feliz
da burrinha da felicidade
que sempre chega à vereda
do pretendido destino
no fundo daquela vargem,
da velha vargem,
quase arrastada pela enxurrada
da velha vargem,
quase arrastada pela enxurrada
quase se esvaindo pelos bueiros
pelas cercas, esteios
e seios,
resta uma flor
a flor que vingou
e seios,
resta uma flor
a flor que vingou
e enfrenta toda corrente salobra
da saudade que escorre
no leito do rio Joca
que das tuas lágrimas debulhadas
dos teus vertentes veios,
venhas brotar em sementes
dos teus vertentes veios,
venhas brotar em sementes
de amor que não morre nunca
e que a partir dos meus olhos ermos
eu pinte um quadro
do mais lindo cartão postal
da minha Várzea das Acácias,
da minha Várzea das Acácias,
tingindo de azul a matriz de São Pedro,
duas palmeiras e um tempo bom
tempo do sorriso mais que perfeito
da paz verdadeira,
tudo estampado
no vestido azul de algodão
de dona Maria de seu Odilon,
com seu maternal carinho!
com seu maternal carinho!
domingo, 9 de maio de 2010
ORGULHO SIM, DE SER PAPA-JERIMUM!
autor: João Ludugero
minha Várzea
aquilo é que é terra boa!
a gente lá não cassoa
da sorte desde manhã
desde muito cedo ainda
antes do galo cantar,
a gente pega na rodilha
não tendo medo da lida
porque aprende com o pote
a se equilibrar na vida
lá é terra de muito sol
e calor que faz a tarde amena
na beira do rio Joca
tem muito caçote e jia
as folhas dos juazeiros
quase sempre tão verdinhas
apesar da seca verde
não tenho do que reclamar
do agreste em que nasci
que exala cheiros no ar
um cheiro bom de beiju, de tapioca
que provém lá da casa de farinha
de mandioca torrada
soprando esse ares puros
dos ariscos dos Marreiros
ventos do Itapacurá
ou seria que descem lá do Vapor
tô mentindo não senhor,
não é mesmo seu Zuquinha?
eta povo bom, hospitaleiro
sangue bom que não tem boça
protegido por São Pedro
nosso apóstolo da chuva
que traz tanta vida à roça
pra colheita ser bem farta
dos jerimuns ao feijão
do milho para a canjica
da melancia ao melão
eta, mas que terra fértil,
meu abençoado vale
lá todo mundo acorda cedo
pra tomar seu cafezinho
e comer macaxeira frita,
pra apanhar o algodão
seja ao largo do rio Joca
ou no riacho do mel,
bem ali na terra chã
Retiro do seu Olival
de Pasqualino Teixeira
e do mulato seu Bita!
minha Várzea
aquilo é que é terra boa!
a gente lá não cassoa
da sorte desde manhã
desde muito cedo ainda
antes do galo cantar,
a gente pega na rodilha
não tendo medo da lida
porque aprende com o pote
a se equilibrar na vida
lá é terra de muito sol
e calor que faz a tarde amena
na beira do rio Joca
tem muito caçote e jia
as folhas dos juazeiros
quase sempre tão verdinhas
apesar da seca verde
não tenho do que reclamar
do agreste em que nasci
que exala cheiros no ar
um cheiro bom de beiju, de tapioca
que provém lá da casa de farinha
de mandioca torrada
soprando esse ares puros
dos ariscos dos Marreiros
ventos do Itapacurá
ou seria que descem lá do Vapor
tô mentindo não senhor,
não é mesmo seu Zuquinha?
eta povo bom, hospitaleiro
sangue bom que não tem boça
protegido por São Pedro
nosso apóstolo da chuva
que traz tanta vida à roça
pra colheita ser bem farta
dos jerimuns ao feijão
do milho para a canjica
da melancia ao melão
eta, mas que terra fértil,
meu abençoado vale
lá todo mundo acorda cedo
pra tomar seu cafezinho
e comer macaxeira frita,
pra apanhar o algodão
seja ao largo do rio Joca
ou no riacho do mel,
bem ali na terra chã
Retiro do seu Olival
de Pasqualino Teixeira
e do mulato seu Bita!
sábado, 8 de maio de 2010
O MAIOR AMOR DO MUNDO
autor: João Ludugero
SER MÃE
é estar sempre a renascer em vida
é dar vida a outra vida
é ser muitas em tantas outras
é iluminar o tempo todo, cuidar
de ser todo o tempo acesa candeia
é estar sempre disposta,
mesmo que sonolenta
é não ter vida própria
é ter o paraíso em mãos
e nele padecer sem dó de si
é não se importar com a sua dor
só pra curar toda e qualquer dor alheia
como se fosse sua a dor dos outros
na pressa de conhecer seu grande
AMOR
ser mãe!...
é amar, amar e amar,
incondicionalmente
é dar colo ao seu eterno menino
como se ele nunca fosse crescer
é beijar, abraçar e niná-lo
sem nunca se cansar, sem horas,
é conhecer o infinito amor,
certa de que esse amor nunca se acaba,
seja na alegria
seja na dor,
haverá de estar ali, destemida
senhora de si, sempre acordada
ser mãe!...
é ser muito mais que ser amiga
é se doar em vida,
e permanecer viva
mas não se pertencer mais
ser mãe é ser mãe
é o milagre em se multiplicar,
multiplicar vidas,
sacrificar-se
e com eterna devoção
ela se coloca em lugar do filho
no perene altar, em total dedicação
ela entrega seu coração à cruz,
só para compartilhar
corajosamente da coroa
dos espinhos
do maior amor do mundo
isto é ser Mãe!
SER MÃE
é estar sempre a renascer em vida
é dar vida a outra vida
é ser muitas em tantas outras
é iluminar o tempo todo, cuidar
de ser todo o tempo acesa candeia
é estar sempre disposta,
mesmo que sonolenta
é não ter vida própria
é ter o paraíso em mãos
e nele padecer sem dó de si
é não se importar com a sua dor
só pra curar toda e qualquer dor alheia
como se fosse sua a dor dos outros
na pressa de conhecer seu grande
AMOR
ser mãe!...
é amar, amar e amar,
incondicionalmente
é dar colo ao seu eterno menino
como se ele nunca fosse crescer
é beijar, abraçar e niná-lo
sem nunca se cansar, sem horas,
é conhecer o infinito amor,
certa de que esse amor nunca se acaba,
seja na alegria
seja na dor,
haverá de estar ali, destemida
senhora de si, sempre acordada
ser mãe!...
é ser muito mais que ser amiga
é se doar em vida,
e permanecer viva
mas não se pertencer mais
ser mãe é ser mãe
é o milagre em se multiplicar,
multiplicar vidas,
sacrificar-se
e com eterna devoção
ela se coloca em lugar do filho
no perene altar, em total dedicação
ela entrega seu coração à cruz,
só para compartilhar
corajosamente da coroa
dos espinhos
do maior amor do mundo
isto é ser Mãe!
sexta-feira, 7 de maio de 2010
VÁRZEA, MEU VAPOR VITAL!
autor: João Ludugero
o alpendre, o casarão do Vapor,
a roça, o pátio, o terreiro,
o riacho, o tabuleiro, a coivara
o plantio de feijão, de maxixe,
de milho, de algodão,
de alho, pimenta e cravo,
e o arrebol da cor do favo
de mel pacatos riachos
que beleza é a minha Várzea
desde os tempos dourados da infância
desde Seu Zé Catolé
aos tempos do Seu Zuquinha,
de renovadas esperanças
e maravilhosas penas de pavão
que gostoso o banho de açude,
que maravilha a pescaria no rio
o refresco de cajá da dona Lourdes
doce de jaca, cocada, batata-doce
e macaxeira frita na manteiga de garrafa...
tanta flor de hibisco dobrada
limão, garapa e limonada
canapu da cor de chumbo,
melancia, jatobá,
melão caetano, juá
e outros frutos docinhos,
que se achavam nos caminhos,
que se enfeitavam de cores
e flores de marmeleiros
e flores de mulungu
ali na beira do Joca
onde nasce o ingazeiro
onde se pescava piaba e aratanhas
fosse de landuá fosse de tarrafa,
na manha de cada manhã de ontem,
escutando os passarinhos...
e a pesca, cadê a pesca e o peixe
que estavam ali?
o alpendre, o casarão do Vapor,
a roça, o pátio, o terreiro,
o riacho, o tabuleiro, a coivara
o plantio de feijão, de maxixe,
de milho, de algodão,
de alho, pimenta e cravo,
e o arrebol da cor do favo
de mel pacatos riachos
que beleza é a minha Várzea
desde os tempos dourados da infância
desde Seu Zé Catolé
aos tempos do Seu Zuquinha,
de renovadas esperanças
e maravilhosas penas de pavão
que gostoso o banho de açude,
que maravilha a pescaria no rio
o refresco de cajá da dona Lourdes
doce de jaca, cocada, batata-doce
e macaxeira frita na manteiga de garrafa...
tanta flor de hibisco dobrada
limão, garapa e limonada
canapu da cor de chumbo,
melancia, jatobá,
melão caetano, juá
e outros frutos docinhos,
que se achavam nos caminhos,
que se enfeitavam de cores
e flores de marmeleiros
e flores de mulungu
ali na beira do Joca
onde nasce o ingazeiro
onde se pescava piaba e aratanhas
fosse de landuá fosse de tarrafa,
na manha de cada manhã de ontem,
escutando os passarinhos...
e a pesca, cadê a pesca e o peixe
que estavam ali?
quarta-feira, 5 de maio de 2010
MEMÓRIAS DO RIO JOCA
autor: João Ludugero
gosto de olhar o rio Joca
eu me acho satisfeito em pisar na sua areia
descalço, aprecio a beleza do riacho da cruz
atravesso o leito raso e me sento na margem
a ruminar feito bicho que matou a sede
bem ali no rio de Nozinho,
ali no encontro das águas salobras
ali a ver a paisagem,
do coqueiral ao Vapor
escolho os lugares onde o silêncio
faz-me pensar, redescobrir o sentido da vida
ali naquela areia branca, fina
onde insistem em nascer
canapu e melancias-de-praia
passo a conhecer mais de mim mesmo
é como aprender a ver só agora o belo
que sempre esteve ali no agreste
mas que nunca tive tempo
para contemplar essa beleza,
os lugares onde o silêncio
toca fundo na alma da gente,
potável silêncio puro, branco
cristalino silêncio
que cheio de saudade
se derrama no meu peito
e não termina de bater no coração
e não tem jeito, apanho-me a chorar
ao lembrar das lavadeiras de sol a sol
da roupa a quarar pelas pedras, a clarear
nos arames farpados das cercas
brancas almas estendidas no varal
na brancura dos lençóis
espalhados rio afora
lembro-me de dona Zidora a cantar
a cavar cacimbas nas ribanceiras do Joca
a pitar seu cachimbo de fumo de rolo
enquanto a gente rolava no lodo
no escorrego das pedras do rio,
rio que deu margem para fazer nascer
esse cantinho abençoado
que chamaram de Várzea,
solo onde a gente tem orgulho
de atirar maduras sementes
que germinarão certamente
sob os auspícios de São Pedro apóstolo
gosto de olhar o rio Joca
eu me acho satisfeito em pisar na sua areia
descalço, aprecio a beleza do riacho da cruz
atravesso o leito raso e me sento na margem
a ruminar feito bicho que matou a sede
bem ali no rio de Nozinho,
ali no encontro das águas salobras
ali a ver a paisagem,
do coqueiral ao Vapor
escolho os lugares onde o silêncio
faz-me pensar, redescobrir o sentido da vida
ali naquela areia branca, fina
onde insistem em nascer
canapu e melancias-de-praia
passo a conhecer mais de mim mesmo
é como aprender a ver só agora o belo
que sempre esteve ali no agreste
mas que nunca tive tempo
para contemplar essa beleza,
os lugares onde o silêncio
toca fundo na alma da gente,
potável silêncio puro, branco
cristalino silêncio
que cheio de saudade
se derrama no meu peito
e não termina de bater no coração
e não tem jeito, apanho-me a chorar
ao lembrar das lavadeiras de sol a sol
da roupa a quarar pelas pedras, a clarear
nos arames farpados das cercas
brancas almas estendidas no varal
na brancura dos lençóis
espalhados rio afora
lembro-me de dona Zidora a cantar
a cavar cacimbas nas ribanceiras do Joca
a pitar seu cachimbo de fumo de rolo
enquanto a gente rolava no lodo
no escorrego das pedras do rio,
rio que deu margem para fazer nascer
esse cantinho abençoado
que chamaram de Várzea,
solo onde a gente tem orgulho
de atirar maduras sementes
que germinarão certamente
sob os auspícios de São Pedro apóstolo
IN' AMOR'ATO
autor: João Ludugero
há amores assim
há amores assim e assados
amores calmos sem pressa
amores assanhados
amores de portão
amores de rumos
amores de lua,
de mel e desvãos
outros amassados
de rumores
que nunca têm início
muito menos têm fim
na esquina de uma rua
na praça do encontro
nas quatro bocas do mundo
ou num banco de jardim
quando menos esperamos,
amores de espanto
há amores assim
de presente
de papel passado
amores que duram
sem código de barras
que têm validade
mesmo sem alvará
ou escritura pública
amores que sobrevivem ao tempo,
e até à separação
que se encontram na fé
e não morrem nunca...
um amor assim de almas,
daqueles que vão para além,
muito além, deste corpo fisico!
há amores assim
há amores assim e assados
amores calmos sem pressa
amores assanhados
amores de portão
amores de rumos
amores de lua,
de mel e desvãos
outros amassados
de rumores
que nunca têm início
muito menos têm fim
na esquina de uma rua
na praça do encontro
nas quatro bocas do mundo
ou num banco de jardim
quando menos esperamos,
amores de espanto
há amores assim
de presente
de papel passado
amores que duram
sem código de barras
que têm validade
mesmo sem alvará
ou escritura pública
amores que sobrevivem ao tempo,
e até à separação
que se encontram na fé
e não morrem nunca...
um amor assim de almas,
daqueles que vão para além,
muito além, deste corpo fisico!
A COR DO PARAÍSO
autor: João Ludugero
meu anjo azul
meu pássaro azul,
meu olhar adora sentir
meu olhar adora sentir
o azul do teu olhar,
mergulhar sem medo
no azul piscina do teu éden
tua asa me faz viajar
tua asa me faz viajar
contigo atravesso as fronteiras
do impossível e,
só tu, como ninguém mais sabes
só tu, como ninguém mais sabes
ler-me a alma,
silenciosamente
silenciosamente
ler-me a mão e enxergar
que vai longe a linha
da minha existência
que juntos ainda iremos
rir meu riso, chorar meu pranto
tu, meu anjo, na terra e no céu azul
tu, meu anjo, na terra e no céu azul
seja na chuva ou no estio,
desabafas tuas dores,
enfrentas leões e,
como pedra a cantar no rio,
espantas com toda força
todas as sombras
todas as sombras,
desabafas tuas dores,
enfrentas leões e,
como pedra a cantar no rio,
espantas com toda força
todas as sombras
todas as sombras,
toda e quaisquer sombras
nunca te esqueças,
tens na alma a realeza
e a beleza doce doce
de um lago calmo
de um lago calmo
de um lago calmo
de um lago calmo
acredite,
onde eu estiver
onde o destino possa me levar,
não ficarás ao relento da solidão,
não ficarás ao relento da solidão,
pois terás em ti a essência da vida
respire-a fundo
respire-a fundo
e na velocidade do pensamento
sem contar o tempo,
sem contar o tempo,
seja dia ou noite,
sorria,
sonhe,
acorde
sorria,
sonhe,
acorde
e viva plenamente
a essência do alecrim
que exala do teu sorriso,
meu anjo azul que me dá sorte,
anjo que veio pintar o arco
dando mais cor
ao varzeano paraíso
agreste que só existe no interior
do meu amado Rio Grande do Norte
dando mais cor
ao varzeano paraíso
agreste que só existe no interior
do meu amado Rio Grande do Norte
terça-feira, 4 de maio de 2010
MINHA PEQUENA VÁRZEA
autor: João Ludugero
no meu mundo existe sol
e também existe um açude de nome Calango
e também existem riachos do mel
que levam a um rio chamado Joca
e dele se avista um vapor vital
que serve para me avisar
que a beleza ainda mora lá
no meu mundo existe amor
e muita simplicidade
há uma juventude cheia de vigor
E muita alegria sem medidas
no meu mundo...
existe muita coisa boa,
existe muita gente boa, hospitaleira
só gostaria que houvesse mais
união, solidariedade e menos tristeza
que durasse a paz,
que aflorasse mais essa vertente
beleza que existe ali
e que a gente não encontra
em nenhum outro lugar do mundo
no meu mundo existe sol
e também existe um açude de nome Calango
e também existem riachos do mel
que levam a um rio chamado Joca
e dele se avista um vapor vital
que serve para me avisar
que a beleza ainda mora lá
no meu mundo existe amor
e muita simplicidade
há uma juventude cheia de vigor
E muita alegria sem medidas
no meu mundo...
existe muita coisa boa,
existe muita gente boa, hospitaleira
só gostaria que houvesse mais
união, solidariedade e menos tristeza
que durasse a paz,
que aflorasse mais essa vertente
beleza que existe ali
e que a gente não encontra
em nenhum outro lugar do mundo
sábado, 1 de maio de 2010
EU-QUERUBIM
autor: João Ludugero
Preciso selar meu destino
quero um cavalo de várias cores,
Quero-o depressa que vou partir
lá para minha Várzea
Esperam-me campos
com tantas flores, roçados
roças de milho e feijão de corda
melões e melancias e jerimuns
serei tal qual encarnado querubim
sob o sol amarelo queimado
que só cavalos alados
de várias cores
podem servir, sem pantim
Quero compor um poema
onde vertentes ideias se aflorem
que cante a fé e a vida que brota
do Vapor das águas do rio Joca
e dos ventos que me levam ao Maracujá
Que o meu canto seja sereno
no meio da natureza sem pressa
pleno de vento e mormaço
numa chicotada
que estremeça
o coração da gente
que cadencie estrelas
que atenda meus três pedidos
que desfaça mitos
que me dê verrugas nos joelhos
e rasgue nevoeiros
sob as barbas de São Pedro
escancarando sóis
por toda minha vida!
AINDA ACREDITO
autor: João Ludugero
no meu poema
existe um verso em branco e sem parâmetros,
um corpo que respira a céu aberto,
janela debruçada para a vida
para quem quer viver mais,
sem paradigmas
no meu poema existe
no meu poema existe
a dor calada lá no fundo, insiste
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo,
uma luz no fim do túnel sempre resta
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo,
uma luz no fim do túnel sempre resta
existe a noite, o descanso do guerreiro,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Piedade
existe o refúgio de Seu Olival,
o retiro que afugenta o cansaço
do corpo que adormece no colo
do corpo que adormece no colo
da minha inesquecível mãe Maria,
estrela da manhã da minha vida
existe um rio Joca e suas cacimbas
de águas salobras e cristalinas,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste, não esmorece não se prostra
se levanta e vence a batalha
mas não adormece no ponto
existe um rio Joca e suas cacimbas
de águas salobras e cristalinas,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste, não esmorece não se prostra
se levanta e vence a batalha
mas não adormece no ponto
que luta em obter o êxito antes da sorte
que não espera de braços cruzados
que vai à luta sem trégua
que não espera o manjar cair do céu
no meu poema
existe o signo da mulher-coragem,
a força de Gabriela Pontes,
intermédio entre o grito e o eco da esperança
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos
de quem ainda acredita
no meu poema
existe um corajoso menino varzeano,
a rua e o beco que levam à praça do encontro
e um Antonio Lunga a vender seus caranguejos
no meu poema
existe um coração vertente
que vai à luta sem trégua
que não espera o manjar cair do céu
no meu poema
existe o signo da mulher-coragem,
a força de Gabriela Pontes,
intermédio entre o grito e o eco da esperança
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos
de quem ainda acredita
no meu poema
existe um corajoso menino varzeano,
a rua e o beco que levam à praça do encontro
e um Antonio Lunga a vender seus caranguejos
no meu poema
existe um coração vertente
de renovadas esperanças
existe um Itapacurá
de esperanças acesas no interior
de esperanças acesas no interior
da minha Várzea das Acácias,
que unem bacuraus e corujões,
que derruba o existente muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro!
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro!
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