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sexta-feira, 25 de junho de 2010

MINHA VÁRZEA VESTIDA DE FLOR

autor: João Ludugero

ai que saudades que sinto
da minha Várzea das Acácias,
terra de gente feliz,
berço da menina fagueira
que acende o São João

cá estou com minhas cinzas
tal qual fogueira no fim
ainda a queimar resto de toco, tição
brasas suspirando em minhas rimas
entre as asas do bem-querer
e a linha da minha sina

acho até que o meu coração
se enganchou nesse sofrer
que resulta da tua ausência,
espelho quebrado de lembranças
vou atirar-te de vez
nas profundezas do açude
no intuito da sorte aflorar, vir à tona,

vou me amarrar nos teus cabelos
pender na flor de tuas tranças
porque vivendo assim
tão longe do teu cheiro
mais vegeto do que vivo,
só sei mesmo padecer
sou pena de passarinho
atirada ao vento da tarde amena
entre as duas palmeiras de São Pedro

sou aquele colibri sem ter flor
para beijar, solitário
sou rama que se alastra
pelos caminhos agrestes
do meu Itapacurá
sou flor de maracujá
sou penar de cantador
sou seresteiro perdido pelos ariscos
nas sombras de te esperar

mesmo distante, léguas e léguas
é tão bom te ver assim,
menina-flor varzeana,
toda vestida de chita
com sete laços de fita
fazendo até a lua minguar
pra chegar perto e bonita te banhar
toda assim derramada
toda assim refletida
nas águas do meu Calango

que venha a lua de prata
deslumbrante te molhar,
logo depois da quadrilha
que animou o meu lugar
e o povo todo se agita,
a pipocar seus rojões
por causa do teu sorriso
que borda a rua de cores
em lindas flores de fuxico
ah, que saudades que sinto
do anarriê de seu Bita!

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