Seguidores

terça-feira, 14 de setembro de 2010

ARAUTO DA VÁRZEA

Autor: João Ludugero

Bem sabias, varzeaninha,
que eu viria aqui pra te ver
entoar aquela doce cantiga
que outrora um sabiá me ensinou.
só pra encantar luas meninas
mergulhadas no verde-musgo
do açude do Calango

E a gente se esquecia das horas
quando ia lá roubar estrelas cadentes,
sem receio das verrugas
que porventura viessem a aflorar
se alastrando pelos braços,
rótulas e joelhos desse menino verde
de olhar e coração que não envelhecem nunca

Na ilusão de voar, desconsidero Ícaro,
na invenção de amar, de novo, de sonhar alto,
arauto de renovadas esperanças
decolo sobre a floração da roça de mel
que plantei na minha Várzea,
enquanto a roda do tempo
vai moendo meus bagaços
nesse engenho de lembranças

Eu, menino velho peregrino,
sigo no desvão do vento moleque,
agarro-me no teu olhar-querubim,
refaço o passo, sem pena de mim,
só pra ganhar um bocadinho
da sua garapa de colibri,
provar do néctar dos deuses,
criar asas e avoar afim de chegar lá
perto do teu bebedouro colorido, menina caiana,
só pra purgar minha estranha dor,
mergulhando no melaço quente
da tua boca de céu aberto

Um comentário:

  1. Poeta João Ludogero, adorei achar seu site. De verdade, és merecedor de aplausos, pois trazes em teus poemas o saber sentir e dar vazão ao que teu coração aponta - encanto e uma simplicidade que tanto agrada aos nossos ouvidos e sentidos os mais diversos. Tua escrita soa bem, nem precisa de rima. E lhe digo mais, você deve ir longe. Acredite nos seus sonhos. "Não abandones as tuas ilusões. Sem elas podes continuar a existir, mas deixas de viver" (Mark Twain).
    Fortíssimo abraço,
    Marina de Sena Barreto
    UnB - Brasília.

    ResponderExcluir