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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

SURTO

Hoje tive um surto,
sem carecer de quebrar nada,
cortar impulsos nem os pulsos
ou desafiar camisas-de-força à exaustão,
um desses que vão fundo ao extremo da alma,
dão choque e ficam evidentes à flor da pele,
que dão comichão desde o couro cabeludo,
que viram poesia pelos poros, pele, carne e osso,
que viram do avesso, inspiram ideias
piram e transpiram de senso a suores,
numa vontade danada de cometer versos,
vicejar ou enlouquecer de vez
até atingir o ápice da lucidez
que insiste sem delongas ou tréguas
a me fazer ter/ser poemas.
Ciente me consinto a curtir esse surto,
onde me deparo sem me estranhar, de pronto,
boquiaberto, a mostrar os dentes,
de cara com tudo que pulsa na alma
em transe diante do espelho,
não me enlevo a mais turbar a mente
em face do impermanente estado
que só me retrata num curto espaço
 entre o eu moldado e a massa.
E de tal modo, acabo a rutilar
por me achar bonito poeta,
sem a pecha de cabotino,
arteiro ou traquina,
de cabeça feita
num surto de repente,
munido de eiras e beiras,
sem precisar de rimas.

7 comentários:

  1. Un bon verre de lait de chèvre et tout ira mieux...
    Gros bisous

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  2. Olá, poeta Ludugero,
    Boa tarde!
    Que coisa boa poder entrar aqui no seu sítio, no sentido mais aconchegante que essa palavra possui... Ainda mais por ser um espaço gostoso onde a gente bebe palavras quentes para assim aquecer o frio que por vezes nos distancia da beleza.
    Belíssimo poema!
    Que surto sensacional.
    Abraço,
    Vander Luiz Bragança.

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  3. Deusdeth Lear Monteiro26 de janeiro de 2012 08:52

    João Ludugero, um grande poeta.
    E que belo blog que possuis! Respeito tanto esses pequenos templos!
    Que essas casas que construímos, repletas de poesia e questionamentos sirvam para abrigar almas inquietas que precisam de acalanto e aconchego.
    Lindo o seu espaço, lindos os seus pensamentos.
    Te seguirei. Abraços.
    Deusdeth Lear Monteiro.

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  4. Bruno Gaspari
    da Casa da Poesia disse:

    Amigo e poeta João Maria, tua poesia de versos impactantes nos leva do sorriso de identificação com algumas reflexões ao alívio da não identificação de outras rs... Ou seja, tua poesia instiga ao mesmo tempo que transgride e vira o certo pelo avesso e o avesso pelo certo rsrs ao menos é assim que eu a sinto, curto e te admiro por escrevê-la sempre com tanta autenticidade. Parabéns! Abraço
    Bruno Gaspari

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  5. Cícero Heitor Dantas26 de janeiro de 2012 12:53

    Que beleza:
    "Hoje tive um surto,
    sem carecer de quebrar nada,
    cortar impulsos nem os pulsos
    ou desafiar camisas-de-força à exaustão,
    um desses que vão fundo ao extremo da alma,
    dão choque e ficam evidentes à flor da pele,
    que dão comichão desde o couro cabeludo,
    que viram poesia pelos poros, pele, carne e osso,
    que viram do avesso, inspiram ideias
    piram e transpiram de senso a suores,
    numa vontade danada de cometer versos".

    Muito dez!!!! Belíssimo poema. Parabéns!
    Cícero Heitor Dantas.

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  6. Magna Helena Cunha26 de janeiro de 2012 12:56

    É lindo o teu jeito de poetizar:
    "vicejar ou enlouquecer de vez
    até atingir o ápice da lucidez
    que insiste sem delongas ou tréguas
    a me fazer ter/ser poemas."

    Muito lindo. Como sempre, uma maravilha em versos de muita reflexão. Abraços,
    Magna Helena Cunha,
    UnB - Brasília-DF.

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  7. João Ludugero,
    É mesmo fantástico teu modo de fazer poesia. Parabéns! Grande poeta!
    Nice Valadares Fuína

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