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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A CÓPIA, DE FRENTE E VERSO

Quem é essa estranha
que se olha no espelho
e não se acha, de pronto,
senão noutra pessoa em tela
que não se aceita,
que não permite
ser ela mesma
e quer porque quer
ser a outra de qualquer jeito
em face, pele, coxas,
nádegas, peitos, cabelo
Quem é essa mulher
que alheia desfila na esteira
esticada numa beleza efêmera
qual moça que se transfigura,
que encera a cara de pintura
tentando se esconder na cela
por trás de outra miragem
quem é essa criatura
que rejeita sinais de nascença
que anda em cada falso passo,
vestindo a moda imposta assim
num molde que não lhe cabe
tal qual maria-vai-com-as-outras,
rezando a mesma ladainha,
tentando se equilibrar sem prumo
num salto que não sabe usar
e acaba uma pilha de nervos,
querendo abotoar-se em rosa
quando nasceu jasmim?

11 comentários:

  1. Maria do Rosário Araujo,
    da Casa da Poesia disse:
    Menino...Você é perfeito!
    Lendo seu poema consegui ver o amontoado de mulheres iguais que andam por aí...mesmo corte de cabelo chapado, mesma roupa, bolsa e sapatos da moda, mesmo peito siliconado...Tão plural que podemos ser, enquanto mulher...Mas muitas preferem a mesmice...
    Maria do Rosário

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    1. Andreza Mariane Braga16 de janeiro de 2012 11:28

      Realmente Maria do Rosário,
      É verdade que no universo feminino há certa produção extra do componente inveja! Se vocês acharam o fim do mundo Abel ter sido morto pela inveja de Caim é porque não imaginaram o que aconteceria se, ao invés de irmãos, fossem irmãs. A morte seria considerada uma libertação, provavelmente uma aleijaria a outra por achar-se menos bonita ou formosa, mesmo que fossem gêmeas idênticas.
      Belo e reflexivo texto, viu João Ludugero? És im grande poeta, um escritor de peso, já se consagrando na blogosfera. Loas! para ti, que és
      mesmo um poeta do balacobaco!
      Gostei muito do teu blog. Vou te seguir, agora-já! Estou a ler e reler com amigos, entramos numa ferrenha discussão... Este blog é demais! E você, poeta, sai com cada uma, a nos instigar a pensar, a melhorar, a crescer. Parabéns! Belo texto. Me empolguei.
      Andreza Mariane Braga,
      Socióloga.

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    2. Olá poeta João Ludugero, boa tarde!

      Belo, belo poema. Gostei, há muito não lia algo assim tão bem bolado, conjugando imagem com poesia. Que ideia boa!
      Quanto ao tema, em resumo, não dá para generalizar, mas geralmente existe muita inveja no universo feminino porque ele é composto por mulheres, seres de natureza competitiva! O que nem é tão mal assim, afinal a inveja pode fazer com que a pessoa queira melhorar.
      Já vou avisando, se alguém vier com “olho gordo” para cima de mim, meto o dedo nele, oras!
      Ester Nunes Morais Cavalcanti,
      De bem com a vida e tudo que nela há!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Cara Simone,
    Nada contra desde que não perca a si mesma, pois quando se deixa levar ser o outro ao extremo, invejando até seus reflexos, quebra-se o salto e, de tanto olhar o abismo, acaba se confundindo em essência. Agota, em se tratando de imitar as coisas boas, ah, sim, nem se cogita de máscaras, pois a beleza aflora, de certo! Ótima semana! Abraços.

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  4. Maria Eudália Nunes Cortez16 de janeiro de 2012 06:24

    É desse jeito, tem gente que nem tomando chá de 'semancol'!
    Conheci uma pessoa que de tanto querer ser a Madonna, acabou encontrando-se com Jesus!
    Adorei seu poema.Muito bem bolado, forte, inteligente. PARABÉNS! Eu também tenho meus espelhos em casa. E amor-próprio. Abraços,
    Maria Eudália Nunes Cortez,
    Universitária - Psicologia - UnB.

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  5. O seu poema com a devida ilustração demonstra o refazer da imagem física! Muitas pessoas, pensam tão somente na estética esquecendo-se da ética a que vieram ao mundo. Tentam mudar a paisagem periférica, mas no interior há total incoerência! Estereótipos de humanos que renegam o hereditário: seu gene!
    Bela reflexão em seu poema.
    Abraço, Célia.

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  6. Helvécio Nóbrega Maia16 de janeiro de 2012 12:05

    Caro poeta Ludugero,
    Boa tarde!
    Parabéns pelo excelente blog!
    Eu te digo mais: conheço vários homens e mulheres invjosos. E mostram isso abertamente,basta estarmos atentos. Uma coisa eles têm em comum: péssima auto-estima. Não se dão valor, querem o que outros possuem, são eternos insatisfeitos. E uma das coisas que mais provoca inveja nessas pessoas é perceber a felicidade alheia. Não importa tanto o bem material que o invejado possui, mas sua alegria de viver. O(a) invejoso(a) quer destruir a alegria do outro,mesmo sabendo que isso não lhe trará nada de bom. Pessoas felizes, e bem resolvidas, jamais são invejosas. Só há uma maneira de lidar com invejosos: fugindo deles. Inveja não significa competitividade; pode-se ser competitivo sem querer destruir o outro. A inveja é um sentimento que maltrata muito mais o invejoso do que o invejado. Ele é pobre de espírito,mal resolvido, infeliz, amargo e de mal com a vida.E isso se dá,tanto com mulheres quanto com homens,infelizmente.
    Abraços. Sucesso e felicidades!
    Helvécio Nóbrega Maia,
    Jornalista.

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  7. Poxa!! Até que enfim consegui uma resposta sua...Adorei te cutucar e confesso: Adorei teu poema, descrição perfeita de quem sente inveja e nao se assume nem perante o espelho...Desculpe, mas queria uma resposta tua, afinal, vivo e respiro tuas poesias e nunca me visitas...Novamente agradeço e retiro meu primeiro comentario e saiba, te admiro muito, e quem sabe te invejo nas tuas formas de escritas...Obrigada! Abraços

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    1. Simone, eu quase sempre visito teu blog... Gosto do que postas, me apanho a viajar em tuas linhas, letras, entrelinhas. Vou aprender a deixar meus coments. É mania minha ler e reler, fuçar e não deixar rastros. Mas saiba que também sou teu fã de carteirinha, viu? TE curto de montão, mesmo e adoro ver que estais sempre dando as caras, a tua cara, teu presente luminoso quando apareces, mesmo quando não há sol... Basta que te achegues e causes luminoso bem-estar com tua carinhosa visita. És estelar, luminosa, de grandeza ímpar! Beijão. Obrigado por me aturares. Volte sempre, pois te gosto muito! João Ludugero, eterno aprendiz de poeta. Apareça, chova ou faça sol, sua presença basta!

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