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quinta-feira, 26 de maio de 2011

AS SANDÁLIAS QUE FICAM

 Meus pés de moleque não me abandonam
Sempre que recorro a eles, 
Toda vez que teimo em esmorecer.  
E, logo logo me reanimo,
Redobrando o vigor das canelas. 
Meu tio João Pequeno,
Fiteiro de aresias, já conversava:
Esse menino ainda me ganha o mundo!
Recordo de sua fala mansa, 
Quando profetizava essas coisas.
O tempo passou, passei sebo nas canelas.
Arrebentei as cordas e os cucos,
Quebrei meus cabrestos, 
Reviravoltei as ampulhetas,
Arregacei os punhos e as mangas,
 Desgarrei-me no real da vida.
Mas ainda choro ao lembrar do chão
Dos corredores da minha casa,
Da gaitada de meus irmãos
A zombar de mim, dessas miudezas
Em laços que me acompanham.
Como esquecer das podas
Tão necessárias às roseiras,
Dos botões arrancados do tergal,
 Do linho da minha camisa
De tecido volta-ao-mundo,

E das transparentes-sandálias-verdes-bala-soft
Da minha avó Maria Chiquinha da Conceição,  
Que ficaram esquecidas, largadas num canto, 
Num escaninho da estante da sala de estudos, 
Depois que ela embora se foi morar com Deus?
Só sei que deve ter um anjo-da-guarda
A me calçar o destino
Que me protege à sombra dos abrigos.
E eu sigo sempre alerta, de mãos dadas

Com  a lida, apesar dos perigos
E das cotidianas aleivosias.
Porque aprendi a segurar

Essa mão invisível.

28 comentários:

  1. Que momentos deliciosos temos ao entrar aqui, desfrutando de seus belos poemas!

    Beijocas super em seu coração João!

    Verinha

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  2. Lembrar da infância e reviver todas essas coisas miúdas e tão grandiosas no seu coração e realmente dar um tombo na ampulheta.
    Muito gostoso tua poesia.
    Beijos

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  3. Só tu para um lirismo assim: "E das transparentes-sandálias-verdes-bala-soft"

    :)


    Olha que o teu tio tem razão:)

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  4. Muito bom, uma deliciosa descoberta cair aki no seu blog!
    de verdade, admirável..
    Parabéns! ~

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  5. Gostei muito do teu cantnho por isso venho a seguir se gostar do meu te convido a seguir...Bjus

    http://wwwpoesias-quegosto.blogspot.com/

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  6. Obrigado por ser o primeiro a me seguir...Bjus

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  7. E com as recordações que carregamos, revivemos momentos que o tempo jamais apagará.
    Abraço poeta.
    oa.s

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  8. Oi,João!
    Nossa memória,nos traz recordações maravilhosas!Acredito,tb, em memória genética
    Deixo-lhe um abraço,cheio de boas energias!
    bjs!
    Mari

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  9. Simplesmente perfeito, eu também carrego dentro do meu peito a saudade das que me deram a vida e a vida me ensinaram a viver.
    Francisco Diniz (Olho no olho).

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  10. Obrigada pela visita.
    Vim conhecer o seu cantinho.
    Um encanto.
    Felicidades.
    Beijos com carinho.

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  11. Olá João
    Vim retribuir a visita e agradecer pelas palavras carinhosas deixadas lá no blog, aliás mais que isso palavras que incentivam-me a não desistir de desabafar no meu cantinho.Obrigada de verdade!
    Não tenho dom para a poesia, mas leio-as com paixão e admiro todos que se expressam através dos versos tanto que sigo diversos blogs de poesias.
    Este será mais uma página especial que virei de vez em quando me deliciar.
    Abraço fraterno.
    Rosa

    P.S. não lhe vi entre os seguidores, só gostaria de confirmar por que os blogs estão dando uns pitis técnicos e não sei se é por isso. Bjs.

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  12. Nobre irmão das letras, que alegria pouco antes de sair para labuta desta manhã do meu escritório - no momento encaminhou-me para outra cidade - e ver seu comentário. Senti-me honrado com a sua presença e palavras tão gentis quanto aos meus pobres rabiscos. Hoje infelizmente estarei em alguns momentos ausente do escritório onde trabalho – único local que tenho acesso a Internet — mas dou minha palavra que ao longo da próxima semana, estarei iniciando apreciação e com carinho da sua obra aqui exposta, que desde já percebo, tem inúmeros admirados e deve estar inspirando muitos dos nossos amigos literários. Deixo aqui minha palavra. Por hora, enorme abraço e agradecimentos desejando muita inspiração. Ricardo Steil

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  13. de certa forma encontramos as pessoas em seus objetos quando eles não estão mais aqui...

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  14. Gostei tanto do teu blog e de tuas poesias! Muito bom te ler!

    Aparece lá no meu, e segue se quiser... do teu já sou seguidora.

    Um abraço!

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  15. é aí onde o pé é o do moleque e o moleque é o dos pés que andam em nós agora; aí é onde somos todos o horizonte do possível, e do impossível.
    saudações,
    luis

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  16. Espero não ter interpretado incorretamente o teu poema:
    http://inverno-em-lisboa.blogspot.com/2011/05/eu-careco-urgente-de-um-fruto.html

    Abraço

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  17. Amei... me inspiraste... O ultimo post do Diário da Kiro, é teu!!!

    Te adoro, Lud...

    Bjss ♥

    Kiro... to com problemas no meu perfil!!!

    ^_^•

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  18. a calçada

    da

    memória


    (assente em
    fino mármore)


    *abraço*

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  19. Este comentário foi removido pelo autor.

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  20. Eu já te sigo, tb gosto muito do seu blog, sempre visito, mas nunca deixo coment´rio. Agora vou deixar sempre. Abraço

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  21. valeu pela visita. e estarei sempre seguindo a poética que há aqui, que tambem é nossa.
    abração ae.

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  22. olá, querido. então vim agradecer sua visita e descobri um ótimo blog. parabéns pela indicação aos top blogs 2011. bjs e bom final de semana.

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  23. menino do céu !
    Agradeço sua visita lá no meu cantinho,e os elógios tbm...passa sempre por lá que sempre estará de cara nova,kkkkkkkkkk,é verdade,kkkkkkk,já entendi que vc é um cara cômico,vamos nos dá muito bem,espero...na próxima visita me add por favor...se não farei comentários no seu cantinho,kkkkkkkkkk
    Bjs para aquecer até sua volta lá no meu cantinho...

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  24. Olá João,
    Estou muito feliz que tenha gostado do meu blog. Como você notou, este é um blog que foi criado para divulgar artistas de todo o mundo.
    Visitei seu blog e eu gostei muito! Seus poemas lindos! Divulgar na Itália e na web.
    Um abraço. Perdoem a minha tradução para o Português.
    Alex

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  25. Luiz Mário da Costa disse:

    - Estimado Ludugero, essas coisas que escreveste, na verdade não acontece só contigo, as lembranças de coisas e momentos, que a memória nunca apaga, porém descreveste com tanta habilidade que estou emocionado, pela capacidade que seu poema teve de fazer-me retroagir aos tempo saudoso do cerne do convívio,familiar: "Fiteiro de aresias", esta expressão foi supimpa demais, meu pai criou praticamente toda família com um fiteiro exposto a uma pequena parede, e o que chamas de aresias, meu pai chamava bugigangas. Um abraço e parabéns pela inspiração.
    Mário Bróis.
    (Luiz Mário da Costa fez um comentário sobre sua postagem no blog "AS SANDÁLIAS QUE FICAM" em Casa da Poesia)

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  26. Márcia Fernandes Vilarinho Lopes fez um comentário sobre sua postagem no blog "AS SANDÁLIAS QUE FICAM" em Casa da Poesia
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    Absolutamente lindo. Na medida em que fui lendo o seu poema, amigo, foi como se me transportasse à força que nos encaminha, como se verdadeiros mentores, anjos, antepassados queridos, aqui e de lá, nos dessem, em soma, o aprendizado e o apoio, verdadeiros alimentos para o crescimento do ser. Lindo, mesmo, tanto quanto o acrescer da vida. Abraços

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