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domingo, 18 de agosto de 2013

DOCE VÁRZEA, por João Maria Ludugero.

Eu andava sem rumo,
Mascando puxa-puxa,
Em liberdade pela rua grande.
Vaguei pelo beco de Antonio Duaca 
E pelas ruas da pedra,
Rua do arame e quatro bocas,
A caminho da tarde amena 
Até chegar a madrugadas...
E repousar sob o cafuné de Dona Maria Dalva,
Minha doce e encantadora Mãe...
Encontrava-me a ganhar o mundo,
A correr dentro e alto, num salto
Querendo achar o sabor da vida
No gosto da garapa do caldo-de-cana...
Perambulei pelos arredores 
Do açude do Calango,
Montado num magote de brinquedos
Desde carrinhos de rolimãs a cavalos-de-pau
Arrastando as danadas das cabras
Pela Vargem dos juncos a dentro...
E eu me sentia caminhando com a Várzea,
E agora,
Nesse jardim de saudades,
Sinto-me antigo menino varzeano,
Levado da breca, solto pela lida,
Que adoça minha vida inteira...

UMA JANELA PARA O INTERIOR, por João Maria Ludugero.

Escolho o meu lugar para ficar
Como na Vargem dos tempos
E entrelaço nas lembranças
Os afetos ávidos de quem avoa
Disposto a inteirar o interior...
Das asas com que esvoaço,
A correr dentro e alto, resplandeço,
Imbuído em esperanças novas,
Em dias de alado alvorecer
Se eleva todo um céu azul
Que me retorna ao caminho 
Da manhã varzeana, a contento.

UM NO OUTRO, DENTRO E ALTO, por João Maria Ludugero.

A criatura está aos Seixos
Como uma coisa está em outra.
E na Vargem está o homem
Que está em outro Retiro...
Mas variadas são as formas
Como uma coisa amiúde
Está em outra destroçada:
O homem, por exemplo, não está no Vapor
Como uma árvore está quaresmeira 
Em qualquer outra reverdecida
Nem como uma árvore antiga
Está em qualquer uma de suas folhas
(mesmo revoltada longe dela)
O homem não está no lugarejo
Como um flamboyant está reciclado
Dentro das páginas de um brinquedo
Quando um vento ali o desfolha num livro.

O DESENHO POÉTICO DA NOSSA HORA, por João Maria Ludugero.

É nesta hora de fim de tarde que te alcanço na Várzea
Por entre os raios em que se quebra o dia exposto
E por entre essa Vargem que me traz o Vapor de Zuquinha
Desenhando na margem do rio Joca o teu passo afoito

É nesta hora que amanheces dentro e alto a correr
E te revelas na claridade vertente do meu querer
E te anuncias no olhar que estendo pelos Ariscos
E te guardo nas pálpebras que fecho para te sonhar

É nesta hora em que tanto tardas em chegares
Que mais te tenho num Retiro a mim próprio
Onde te concebo e apenas existes só para me clarear,
Permanecendo sem que a noite jamais te esconda
Depois de tantas luas numa chuva de prata
A serenar a torre azul da igreja de São Pedro Apóstolo

É nesta hora a nossa hora de terno descanso
Onde deitamos todas as cinzas e penumbras 
Bem lá no fundo do açude do Calango...

POEMA DO INESQUECÍVEL CENÁRIO, por João Maria Ludugero.

Que apenas assim seja.
Um dia ao desvão não me poderia esvaziar de mim,
dos poemas tecidos sem rima, com rasgos e prumos
no horizonte, com estrelas anunciadoras de terra firme,
ou, das margens inenarráveis do rio Joca
a banhar a nossa Várzea de dona Zidora Paulino...
E, mesmo que tudo se esbugalhasse dentro do tempo,
nomes nunca esquecidos, faces jamais irreconhecíveis,
convulsões me diriam das esperas pelo nascer da aurora,
apenas.
E, falam-me dos preás do Vapor 
e dos galos-de-campina 
dos Seixos de dona Santina 
que não ficaram para trás no passado,
dos silêncios que os ecos repetem sem parar, 
dessas lembranças de algum destemido varzeano 
que acompanhou viagens intermináveis dos sonhos
de outros acordados sonhadores 
escondidos entre as arestas das noites,
dos clarões de um novo sol de esperanças reverdecidas,
nomes configurados, que sejam nunca entardecidos.
Abrir-se-ão janelas pelo sopro do cavalo do vento,
retendo caçadores de preás, agonizando pelo vazio
de redemoinhos, dentre as macambiras e juncos
e os riachos abrirão outros caminhos ao gado-bravo,
como um bocejo de alvorecer no Itapacurá
nesse mesmo dia de toadas e cantigas pra fora do ninho...
Restarão Vapor, Seixos, esperanças novas em vertentes alinhadas
ou ainda bem-te-vizinhos, pintassilgos e sabiás 
que costumam migrar pelos juazeiros e lajedos amplos, 
procurando novos pousos pelo chão de dentro do sítio de Seu Tida,
cenário de sempre dos canários de chão...

VARZEAMADA POESIA, por João Maria Ludugero.

Porque depois de tantos sois risonhos 
Só me trazem sonhos
Do lugar que eu soube varzeamar;
E as estrelas de bons ares 
Refletidas depois de tantas luas,
Só me lembram olhares despertos
Da linha que eu soube varzeamar;
E assim estou deitado toda a noite ao lado
Do meu lugar, meu contentamento, 
meu sonho acordado aquarelado, 
Com o ânimo a correr dentro e alto, 
Feito um bem-te-vizinho assanhado
Num jirau às margens do rio Joca, 
Sorrindo ao Vapor de Zuquinha
Ao pé do vigoroso reverdecer 
Da minha Várzea das Acácias.

MARCHA, por João Maria Ludugero.

Todos numa só marcha,
carregados pela sagrada Fé,
Aos magotes de crianças
Meninas e meninos
Levados da breca,
Mulheres que não mais choram solitárias,
Pelas ruas dos braços abertos
Às grandes aspirações do/ente,
Lembrar-me-ei agora,
Das escolas da vida,
Dos bares da rua grande,
Das janelas das casas caiadas,
Das tábuas de pirulitos nas ruas,
Dos adeuses da rua da pedra…
Dos adeuses que não foram ditos,
Das palavras de bocas benditas,
Das palmeiras da igreja de São Pedro Apóstolo,
De Bênçãos ao povo da Várzea das Acácias,
Das donas-de-casa, Joaninhas e Xinenes…
Da feirinha-livre aos domingos
Repleta de beijus, tapiocas e farinhas...
Lembrar-me-ei de ti, varzeaninha benzedeira,
Que passou por mim com um ramo de vassourinha
e me disse a palavra que ainda me cura…
Fui destemido à marcha constante e eterna,
Porém levanto agora o olhar atento
Para um lampejo de luz bem do alto:
São Pedro me abençoa de todas as bandas,
De sentinela, no topo da igreja azul...

POEMA AMAR/ELO, por João Maria Ludugero.

Ao amanhecer,
Cantarei um canto de glória 
Ao meu amor que renasce… 
Beberei a poesia como néctar de pitanga; 
Observarei o sol radiante ao imenso Amar-Elo 
E brotarei a alma em flor de cajá-manga... 
Ao entardecer, 
Tomarei doces goles de laranja... 
A me ninar na tarde amena. 
Ao anoitecer, 
Cantarei uma toada estrelado, 
Assim emendarei o amor com afinco 
A inteirar meu coração partido… 
Derramarei lágrimas alegres, 
Sobreviverei para ver o amor tecer a dor 
E dourarei doses de ânimo 
Prestes a cancelar as bulas.. 
E estarei pronto, iluminando a cura, 
Para dar uma acertada rasteira 
No desesperado medo da cuca.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

ENLUARADO, DE AMANTE À LUZ DO SOL, por João Maria Ludugero.

Dores,
Arco-íris
Amor ao vivo e em cores 
De todas as bandas, 
Depois de tantos sois, 
Tarde amena a me ninar 
Em amar-elos laranjas, 
Depois de tantas luas 
Reverdecer 
Dar flor à alma, 
Amante da prata... 
Redemoinhos 
Cataventos 
Bulas douradas 
Comprimidos 
Ficar dentro e alto 
A partir do coração 
Ser retrato e remédio 
Renovar esperanças, 
Madrugar a contento, 
Sorrir ou chorar, revelar-se... 
Nunca é tarde pra recomeçar 
A enfrentar seus medos, 
Mas vou te contar um segredo: 
A vida não pode esperar!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

MÃE, QUE SAUDADES DE TI, DONA MARIA! por João Maria Ludugero.

 
Jura-me de uma vez por todas, 
Eu ainda quero bem-te-vizinhos na nossa janela, 
Brisa primaveril acordando as cancelas do quintal, 
Cheiro de cuscuz de fubá de milho zarolho ao leite, 
Sobressaltando as minhas narinas à ventania 
Ou o cheiro do bule de café na mesa da cozinha 
Repleta de bolachas regalias, soldas e sequilhos, 
Lembrando-me que as nove horas teriam um fim. 
Prometias-me: 
A tua mão na minha mão; 
O teu cafuné na minha cabeça, 
A tua cantiga que me acalmava 
Até espinhela caída em algaravia... 
Tua canção que me ninava, 
Teu beijo que me consolava, 
Tua palavra que me animava... 
Mas que saudades de ti, dona Maria!

quarta-feira, 31 de julho de 2013

A CORRER DENTRO E ALTO, por João Maria Ludugero.

Eu caminho em liberdade 
Pela estrada afora, 
A correr dentro e alto,
Pelo mundo me acrescento
E, vez por outra, desperto,
Realizando pequenas pausas 
Para um inteiro sonhar 
Acordado... 
Na presença 
De café, livros e poesia,
Lembro deliciosamente o caminho 
Que me leva 
À Várzea das Acácias!

terça-feira, 30 de julho de 2013

LUME DE POETA, por João Maria Ludugero.

Mil e um versos libertos,
Uma candeia flamejante
Além dos três pedidos,
A estrela cadente 
Um tapete mágico
Um príncipe poeta sedento,
Uma estrada ao desvão.
Efeito colateral da solidão:
O poeta chora poesia,
O cantor chora cantiga,
O amante se despe no amor investido,
A lua pingente se entrega ao ávido sol.
O sonho acordado em palavras se apraz,
Repleto de esperanças renovadas
A despojar-me das alegorias,
Mergulhando afoito no riacho do Mel.
Desabotoando a saudade da Várzea das Acácias,
Desatando dores em buquê de jasmim 
Ao desabrochar a avidez da flor 
Feito um colibri apaixonado.

domingo, 28 de julho de 2013

ADEUS, DONA MORTE! por João Maria Ludugero.

E o Supremo Arquiteto disse:
- Olha aqui, dona morte,
Queira recolher sua foice!
E foi-se…
Esbugalharam-se 
Os tempos de amargura
E os ventos do rancor exauriram-se. 
No meu coração possuo 
Uma flor de jasmim-manga...
Tenho um sorriso, a correr dentro,
Um riso que nunca previ…alto, radiante.
Porém, não gargalho a mangar da lida,
Crescem sorrisos de todas as bandas,
Tenho sementes 
Pela vida a dentro.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

DIVAGAÇÕES, por João Maria Ludugero.


Que canção há de desencantar o inenarrável,
Que verso há de vislumbrar o indefinível?
Como contemplar um sossegado encanto 
Se antes não houve um toque 
Sem tocar, um olhar sem ver 
A alma exposta ao amor, 
Entrelaçada dos indescritíveis. 
Como vai alguém te amar, 
Sem nunca mereceres? 
Amar o perecível 
Que cai ao redemoinho, 
O nada a correr ao desvão 
De um enlevo esbugalhado, 
Virado em pó, a poeira soprada 
Ao toque da célere ventania, 
É sempre um despedir-se, 
Um correr a divagar 
Por fora do/ente.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O PAVÃO AO POR-DO-SOL, por João Maria Ludugero

O pavão abriu a cauda 
Tipo um arco-íris
Sobre o açude do Vapor, 
Levado da breca, 
Arteiro e medonho, 
Disputando com o poente 
Pra ver de quem era 
A cor mais viva e bonita 
Lá da Várzea das Acácias... 
Puá! riu o sol poente alaranjado 
E clamou a correr dentro e alto: 
- Tu és apenas a beleza ao Vapor! 
E eu sou o rei Sol, 
Dono de todas as cores 
Que correm dentro da Várzea!

terça-feira, 23 de julho de 2013

DIRETO DO INTERIOR DA RUA GRANDE, por João Maria Ludugero.

Toda rua tem seu curso,
Tem seus becos e arestas 
Por onde passam a memória 
Lembrando histórias de um tempo 
Que nunca se acaba... 
De uma rua, de uma rua grande 
Eu recordo agora dessa rua 
Que o tempo ainda ventila, 
Mas quase ninguém mais canta, 
Ninguém mais se acalenta, 
Nem mesmo a Mulher que Chora... 
Muito embora eu insista em lembrar 
Desse espaço de cordas 
E de cirandas em festas 
(E quantas cordas apimentadas pulamos?), 
E de um magotes de meninos correndo 
Atrás de cocadas, pirulitos e pitombas 
A adentrar pela feira de domingo, 
Atrás de rolimãs a correr dentro, 
A tocar bandas no dia 7 de setembro, 
E com o rio Joca do verde coqueiral, 
Rio manso e de cacimbas 
Que passava abaixo da rua 
E molhava seu lajedos, 
Onde a noite refletia 
O brilho manso da rua, 
No tempo claro da lua de São Jorge... 
E na fogueira de São João era bom demais 
Com as quadrilhas de Seu Bita Mulato... 
Eita rua grande do bar de Biga, da papa em bar. 
É Várzea passeando em acesos folguedos, 
Separando a minha rua grande 
Das outras da seara potiguar, 
Mesmo de longe, vivo pensando nela 
Meu coração de menino medonho 
Bate forte como um sino 
Que anuncia procissão com o andor 
De São Pedro Apóstolo... 
É a rua do meu povo, 
É gente que ali nasceu 
Pelas mãos de Mãe Claudina... 
É meu pai Odilon, é Cícero Paulino, pai do Picica, 
É Dona Zilda Roriz que já foi morar com Deus, 
É Silva Florêncio que plantou acácias na Várzea, 
É João Maria Ludugero, este menino varzeano 
Que teve o peito ferido 
Anda vivo, não morreu... 
É Xibimba de Lucila de Preta, 
É Manoel de Ocino de Santina, 
E o meu tempo de brincar nas sinucas de Seu Lula... 
Já se foi embora, não ainda não! 
É rua da pedra, rua do arame, 
É Travessa Brasiliano Coelho, 
É rua da Matança, que me lembra da carne de sol, 
E tudo passando pela rua grande 
Até agora... 
Agora por aqui estou 
Com uma vontade danada, 
E já me volto ao lugar pra matar 
Essa saudade tamanha de Várzea, Cidade da Cultura. 
É oração a São Pedro Apóstolo, é tremenda devoção... 
É a rua do coração!

AVIDEZ DE POETA, por João Maria Ludugero.

Eu sou como eu sou
Ávido poeta, com ânimo 
Criatura renovada a perseguir 
Desde o dia a raiar 
Em presentes esperanças, 
A partir da pessoa que iniciei 
Na medida do impossível 
Eu sou como eu sou 
Dono de um coração partido 
Imenso assim mesmo, inteiro, 
Agora, já sobreposto além das arestas, 
Sem maiores mistérios dantes 
Sem novos discretos dentes 
Expostos ao céu vertente 
Neste instante avanço 
Pelas quatro bocas, 
Adianto-me a andar 
A levar os andores 
Pela praça do encontro, 
Consigo ir além do/ente. 
Eu sou como eu sou 
Dadivoso presente 
Exposto a desferrolhar o tempo 
Feito um bocado sem fim... 
Eu sou como eu sou, 
Arteiro menino de janeiro a janeiro, 
Abençoado vidente poeta a manjar 
A ventilar além dos pelos da venta, 
Que vive tranquilamente afoito aprendiz 
Sem medo da cuca pegar, 
Todas as horas da lida, 
Nesse pátio de jaz/mim.

sábado, 20 de julho de 2013

RANCHO DE AMOR À VÁRZEA DE ÂNGELO BEZERRA, por João Maria Ludugero.

Um pedacinho de terra
À beira do rio Joca 
Num bocadinho de Vapor,
De beleza simples sem par...
Jamais a natureza de São Pedro Apóstolo
Apostou nessa serena beleza,
Jamais algum menino medonho
Teve tanto para cantar e ralaxar
Num pedacinho de terra
De beleza tão singular!
Seara da moça faceira,
Da velha dona Suzéu,
Várzea da praça do Encontro,
Da velha algarobeira 
Da professora Zilda Roriz de Oliveira,
Onde em tarde fagueira,
Vou à lida reverdecido a contento...
Teu açude do Calango,
De água verde-musgo
É ternura de beldroegas,
É poema de passagem ao luar,
Lugar onde a lua vaidosa
Sestrosa, dengosa à varzeana,
Vem se espelhar prateada!

VÁRZEA NAS TINTAS DO MEU DESENHO, por João Maria Ludugero.


Muitas vezes o mesmo rascunho, 
Os mesmos desenhos!
Deposito fuligens como uma palpitação 
Até às margens do rio Joca,
Como se eu estivesse vivendo, certamente, sou eu.
É o que ora sinto, a correr dentro das tintas.
Consigo manter-me inteiro, 
Até displicente, mas não alheio ao interior.
Deixo registros aqui e ali, 
Que não se perdem com a mesma pressa 
Com que se materializam – há sustento 
E que seja esta a verdade...
Por vezes tornam-se desenhos, lembranças consentidas...
Bendito é o meu coração independente, 
Louvável coração apaixonado que deixa registrado 
O que eu quero Varzeamar...
Vou sentindo, pensando e mostrando, 
E com certeza sendo o que sou.
Sou do vento, do tempo do redemoinho.
Rascunhos e desenhos varzeanos,
Derretendo ao sol, dia após dia...
Não sucumbindo enfim à fuligem do jasmim-manga,
Que com toda força do abraço apertado,
Não se perde de mim... dentro da Várzea!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

AOS MOLDES DA FÊNIX, por João Maria Ludugero.

Ciente eu desperto meus sentidos 
Para que não desmorone tudo 
De belo e formoso que me molda. 
Não apago as cinzas da vida, 
Pois a partir delas me ventilo, 
Vislumbro os pelos da venta, 
Não entrego os pontos de partida, 
Aprendo a renascer com afinco, 
Ao me reacender nas cores vibrantes 
Que me carregam a correr dentro. 
Porque o homem sábio não se entristece 
Com as tintas que não possui, 
Mas rejubila-se com as que tem.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

CUCA LEGAL, por João Maria Ludugero

Dia após dia, 
Aprendi a viver de verdade,
Procurando ser humilde 
Para evitar o orgulho, 
Mas sobrevoando dentro e alto 
para alcançar a sabedoria. 
E assim vou direto ao ponto 
Capaz de desvendar o labirinto, 
Sem medo da cuca pegar!

MENINO MEDONHO, por João Maria Ludugero.

Eu que ando nas rajadas do vento.
Ando curando as feridas...
Me ninando às brisas amenas,
Colhendo dádivas da vida.
Torno-me imenso
Ao me levar no infinito azul 
Pelos ares afoitos e medonhos,
Com o sangue encarnado, às escâncaras.
Não me estanco pela ventania,
Vejo o tempo passando.
E eu o queria lento, sem me exaurir...
Ele descamba pelos cata-ventos inflamados
E nem sabe como sou apaixonado!
Como tenho sonhos acordados!
Como me envolvo em abraços 
Que não se extinguem 
Quando se dão aos meandros 
Ao desvão, a divagar no pensamento.
Eu sei por quais caminhos me abranjo e ando.
Permaneço em meus voos arteiros, 
Dentro e alto com minhas asas coloridas...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

ACHADO, por João Maria Ludugero.

Aprendi com um importante achado:
Felicidade é a combinação 
De sorte com escolhas bem feitas. 
A partir daí a gente se encaixa de vez, 
Dentro e alto, sem esquecer das tintas 
Nem dos pincéis que nos destinam 
Ao essencial encontro das graças, 
Até mesmo sob as dádivas 
De se esbugalhar aos solavancos, 
Sem medo de ser feliz, 
Aos trancos e barrancos!

SOBREVIVENTE, por João Maria Ludugero.

Eram cócegas na ponta da língua. 
Eram borboletas pelos ares,
Tendo me revirado a visão na penumbra.
Era um calafrio a aquecer a espinha. 
Eram palavras em letras repetidas.
Era o vento a escapulir os cabelos da venta... 
E ainda havia um receio gigante da cuca
Por não saber onde tudo acabaria aos estanques.
Para onde eu estava indo, a correr dentro, eiras e beiras,
O que estava acontecendo na lida consentida ao tormento.
Fechei os olhos e deixei aquele momento todo me abraçar. 
A vontade de sobreviver tudo aquilo me fazia confiar e,
Perseverante, fiquei maior que todas as dores do mundo.

terça-feira, 16 de julho de 2013

EU DO VAZIO CHEIO, por João Maria Ludugero

Sobretudo
Quando tudo sobra 
Na estripulia
Que verte e surpreende
Feito balão colorido
Que esvoaça,
Mas se não abrigasse 
Um vazio cheio
Não subiria tão dentro 
E alto aos céus
Para fazer esbugalhar 
A contento
Meus olhos arteiros 
De menino medonho.

PERA, UVA OU MAÇÃ? BRINCADEIRA SERELEPE, por João Maria Ludugero

Eu não deixo que a vida leve 
De mim as coisas boas, 
Por um punhado de outras 
Que não deram certo. 
Não me assusto à toa,
Passo a correr dentro, 
A me bulir sem bulas, breve,
Sem medo da cuca pegar... 
Há sempre recomeços 
Para continuar a viver. 
Eu pego essa trilha e zás!
Estou vivo e cheio de vontade
De me esbugalhar em aventuras.
Porque a vida tem um bonito raio solar... 
E o entardecer não vai me alardear em laranjas,
Mas vou abocanhar doces peras e maçãs
Ou quem sabe me entregar às uvas!