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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

EU SOU JOÃO MARIA LUDUGERO: O POETA MAIS RICO DO MUNDO


EU SOU JOÃO MARIA LUDUGERO:
O POETA MAIS RICO DO MUNDO

Não é só de manjar, 
Eu sou João Maria Ludugero,
Poeta, menino medonho 
E arteiro em acordes 
De sonhos renovados...
Eu me acho inteiro, rico,
Ponderado em dádivas:
Se nada tivesse, teria tudo 
Se ainda me restasse 
A capacidade de sentir, criar e amar.
Escrever me completa com gosto,
Fazer versos me fascina, 
Seja com peso ou sem rima,
Passo aos quilates, contemplativo,
Sem carecer ser cabotino,
A converter a matéria-prima 
Em obra repleta de essência
Que aromatiza a alma em flor, 
Sou tal qual um astuto colibri 
Atravessando meu coração passarinheiro.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O COLIBRI E A FLOR-SERPENTE, Por João Maria Ludugero

O COLIBRI E A FLOR-SERPENTE,
Por João Maria Ludugero.


Azula que azuleja a flor de lis...
Linhas soltas pelas cancelas abertas
Da cantiga do bem-te-vizinho
Que não se ouve em nenhuma rádio
E fora dos arredores da Várzea
Não quer chegar
Ao fim

Verde lume que vaga, perfuma e diz
Na seda da tez do colibri astuto
Em semblante de poesia
Dentro da tarde amena
Que me nina; que o
Corpo dos versos
Se refaz incontido
No avesso desse
Bico; serpente
Mais de uma vez

E assim, genuinamente persiste
Pela cor indefectível
Da pétala da flor reverdecida,
Mas que insiste a adejar
Em letras de paixão
Onde se esboroa
E chega a cair a coroa da alma

Até mesmo no chão
Há emoção compartilhada
Pelo rastejo de palavras
E no espairecimento
Da ilusão com afinco

Não dá para resistir
E os versos ficam por aqui;
Nu recôncavo aberto
Das mãos tenazes,
Rumo ao coração
Por todas as vidas

Vai agrisalhando os sonhos
Na cor fendida ao estágio
De uma dor amor/tecida
Ludibriando o acaso
Em acordes sonhados,
Como se pecado fosse o cio
O Amor sem estio não se esvai,
Que não mais quer se apagar nas linhas
Desenhadas de uma flor
Nascida ao cunho do giz
Mas se emoldura,
Continua a azular
Toda a flor de lis.
Mas, ao juízo da verde cobra,
Ressalte-se o bote ao vão da meretriz.
E, agora, como deixar o coração partido?

domingo, 10 de novembro de 2013

A ESTRELA-MÃE, MARIA DALVA! por João Maria Ludugero

A ESTRELA-MÃE, MARIA DALVA!
por João Maria Ludugero. 

E nas idas e vindas pelas bermas da lida,
De certa vez um poeta já disse: 
“Palavra mãe não dá rima”,
Mas só de manjar quanta beleza a poesia nos ensina:
Mãe é obra-prima que rima com ternura, 
Matéria que brota do interior da alma.
Sua fala tão doce e pura, meus devaneios acalma.
Mãe obra que rima com vida plena,
Dentro do laranja da tarde amena
A correr dentro e alto pelos atalhos 
Da vida que advém das entranhas,
Nela se vê resumida, a mais bonita de todas façanhas.
Mãe rima com alegria, ação que contente se produz,
E faz sair da agonia, o ente que levará sua cruz.
A alma de Mãe rima com flores, no jardim da essência,
Exalando seus aromas, tão puros por excelência.
Mãe rima com vitória, que vem seguida da batalha,
Trazendo consigo a glória de quem luta resoluta.
Mãe rima com esperança, estandarte que fascina,
Inspira no filho confiança e seus passos ilumina.
Mãe rima com carinho, aconchego, fé, segurança,
Que faz prosseguir no caminho o filho que nela descansa.
Mãe rima com brilho, alvorecer, calor, poente e doçura,
Lume que irradia no filho, raios de cores tão puras.
Mãe rima com sonho, sonho de acordes ditosos,
Emoldurada na face risonha dessa mulher venturosa.
Mãe rima com lapidação, lapidação do possante diamante
O qual por todos os prismas, empresta seu brilho radiante.
Mãe também rima com rosa, a rainha de todos jardins,
Tu és a mulher mais formosa: rainha tu és pra mim,
Estrela luminosa de todas as horas, minha estrela Dalva,
A adejar minha alma em flor, a se esbugalhar de amor/tece/dores
Feito um multicolorido colibri a provar perfumes em néctares
Desde a arco-irizada essência do porvir, 
Nem que seja quando me benzas direto do céu
De São Pedro Apóstolo!

ENREDO, por João Maria Ludugero

ENREDO,
por João Maria Ludugero.

Solenemente discorrem os pensamentos,
Respiram as letras em lavras de palavras,
Cabendo na inspiração das ideias, 
Vão-se unindo uma a uma,
Como que se somatizando
A tingir o céu da boca,
Investindo de cabo a rabo,
Dentre eiras e beiras,
Na distinta coragem de dar seguimento
Ao que consente o coração alado…

Dia-após-dia, num instante
Conjugam-se verbos,
Adjetivos, superlativamente relativos,
Advérbios de modo se instalam, 
Impropérios a rodear ações

De repente se pintam as telas,
As frases, as prosopopeias,
As interessantes melodias,
As teias da imaginação

Esbanjam, sem ser cabotinas,
Discorrem escorrendo, arteiras,
Entre penadas de vento da canção,
Pelos nichos dos bem-te-vizinhos
Pelo interior dos textos moldados,
Pelo vão do sentimento aberto
Dando rasteira nas tristezas da lida,
Dentro e fora da asa do passarinho

Expedem-se mensagens pertinentes,
Constroem-se página a página,
Frase a frase se alinham,
Por fios de meadas inertes ou atrozes,
Por vezes esbugalhados em êxtase

E assim, repletos de tudo,
Ou de nada, pelas bermas 
A ganhar o mundo inteiro
Ou a estrada em cada pincelada

Ninhos, regalias e relíquias 
Dos nossos benditos relicários,
Alegorias desta vida em lume
De sonhos, desejos e edições
Sem o prelo do escancarado enfado

sábado, 9 de novembro de 2013

GRANDE SENHOR ODILON LUDUGERO, MEU PAI! por João Maria Ludugero

GRANDE SENHOR ODILON LUDUGERO, MEU PAI!
por João Maria Ludugero.

Odilon Ludugero da Silva:
Este homem que eu admiro tanto,
Com todas as suas virtudes e também com seus limites.
Este homem com olhar de menino varzeano, 
Sempre pronto e atento, mostrando-me o caminho da vida, 
Que está pela frente, disposto a correr dentro e alto.

Este mestre contador de histórias
Traz em seu coração tantas memórias,
Espalha no meu caminhar firmes esperanças,
Coragem, certezas e confiança.

Este homem destemido soldado, alegre e brincalhão,
Mas também, às vezes, silencioso e pensativo,
Homem de Fé e grande luta, de uma alma imensa,
Sensível, generoso e filho da ilustre benzedeira
Dona Dalila Maria da Conceição!

O abraço aconchegante a me acolher, este Homem,
Meu pai, com quem aprendo a viver.
Pai, grande amigo de todas as horas, paizão…
Meu velho, engenheiro das minhas raízes, conselheiro leal:
Como é infinito teu coração varzeano.

Seu Odilon Ludugero da Silva, 
Esposo da ilustre e inesquecível 
Dona Maria Dalva, minha Mãe querida.
Agradeço, Pai, por orientar o meu caminho,
Feito de lutas, incertezas e glórias,
Mas também de valiosos acordes 
De muitas esperanças e sonhos!

sábado, 2 de novembro de 2013

A LENDA DA MULHER QUE CHORA(va), por João Maria Ludugero

A LENDA DA MULHER QUE CHORA(va),
por João Maria Ludugero. 

As ruas eram meus brinquedos, 
Passava pelos becos e seus segredos
Defronte às duas palmeiras de São Pedro,
Embora num tanto de esperanças renovadas, 
Meus braços ainda respondiam com afinco
Meu coração partido não rompeu laços varzeanos,
Muitos nas calçadas se esconderam, muito menos reverdecidos
Do que eu, um menino medonho levado da breca em seu apogeu;
Um amante da lida que enxerga além da sombra das horas… 
Depois de tantos sóis, depois de tantas luas…
Havia uma senhora acordada, com sua expressão 
Esboçada ao seu interior, de corpo e alma,
Passando-me a divagar num labirinto… 
Meada sem fio, sugerindo uma partida,
Sua fronte apagava candeeiros da Várzea,
Era mínima sua respiração à meia luz postiça;
Um vestido tentava proteger seu corpo, 
Mas havia um chorar enrustido, um rosto marejado de fome…
Que sua própria expressão mostrava apesar de estanque a estação,
Talvez o calor a possuísse sem temperança, amiúde,
Talvez encontrasse um sentido aloprado do Vapor ao rio Joca, 
Antes da ironia de um tal destino de outrora, 
Um ser às vezes atordoado, resolvia dar uma passeada 
Supostamente para lhe realçar alguns mistérios da vida
Ou apenas para ser chamada de lenda esbugalhada! sim, destino,
Não se faça de desavisado… ou choramingado!
Pois a mulher que lacrimejava suas dores sedentas
De batente e eiras pela Várzea de outro dia distante
Desencantou o enredo da lenda que subiu ao céu azul,
Esfiapando em nuvens seus quereres afoitos e trancosos!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ALQUIMIA EM QUILATES DE SAUDADES, por João Maria Ludugero

ALQUIMIA EM QUILATES DE SAUDADES,
por João Maria Ludugero. 

Saudade pode também ser 
Os dedos no caderno, papel ou pano, 
Agitando as teclas de um coração ao léu, 
Nas vozes altas do sonho acordado…. 
Provisórias margens da saudade 
Na intimidade líquida da emoção, 
Corando os rostos fosforescentes, 
Saciando a alma em flor 
Num diamante de intensa razão, 
A gorjear em asas de passarinhos, 
Bem-te-vizinhos, pintassilgos e tetéus. 
A coragem dilatada na inquietude do espírito… 
Os lumes ao desvão de perfumes e imagens… 
Os balanços num vai-e-vem a abordar 
Na mente os cafunés de fazer adormecer 
Em colos ao sereno 
Nos sorrisos de brisa 
Na tarde amena que alaranja o poente... 
Todos os fascínios que nos ninam meninos… 
Todos os sítios e riachos do Mel, 
Que nos mostram os caminhos pra cavalgar… 
A Vargem verde de juncos e beldroegas, 
A saia de chita das meninas parecendo seda, 
As andanças pelas trilhas sem temores 
Pela Várzea das Acácias... 
A carroça de boi de manivas e macaxeiras, 
A pele molhada de lágrimas em versos, 
Os amores em devaneio pelas lagoas compridas… 
Os amigos nunca perdidos com o passar do tempo. 
Toda alquimia que emoldura a vida numa rítmica promessa.

VOO EM CORPOS, LETRAS E MADEIRA DE DEMOLIÇÃO, por João Maria Ludugero


VOO EM CORPOS, LETRAS E MADEIRA DE DEMOLIÇÃO,

por João Maria Ludugero.

Passatempo, vai esbugalhar as ventanias
E amadurecer as pitombas, cajus e mangas.
Debaixo das cerdas do dia há restos do ontem,
No bolso direito da camisa guardo o ruído 
Das tramelas das portas se abrindo...
Faz bem ao coração um avental de cores 
Ajudando as flores a se sentirem sagradas no amar-elo
E o esconderijo do balaio cheio de mangas mordidas pelos pássaros 
E o fojo no fundo de um armário de madeira maciça 
Na casa de uma desconhecida ao lado do vidro de aplausos 
Em conserva trazidos de uma antigo jirau...
Foi abri-lo e um corpo de baile invadir a sala de estar em desate
Derramando-se pelas prateleiras cada um dos corpos 
Como que saídos de uma terna árvore cinza de outono. 
Um bosque sendo montado a partir de seus fragmentos;
Membros saltitantes, silhuetas encorpadas 
Na perfeição austera dos nichos dos colibris;
O meu desejo contagiado pelos vastos murmúrios 
Que dialogavam entre si, abismados com a realidade 
Repentina diante dos olhos ainda se entregando 
À dramaturgia das mudanças no chão de máscaras descascadas
Em faces recaídas que se refazem ao desvão da tarde amena,
A cada papel ensaiado e nas letras dos títulos o ingresso 
À verossimilhança de libélulas brilhantes e fosforescentes
Sobrevoando os cabelos fartos das ventas e tranças,
Enredo a partir das manhãs reverdecidas que rondam a fruteira 
E os insetos coloridos dançantes debaixo das axilas das meninas 
Num coro de ninfas esvoaçando os ramos de teu mistério... 
O capinzal do Vapor guarda uma tigela de incontáveis vertentes
Renomeio os temperos para que o milagre não se perca 
Enquanto vestes uma nudez que soletra todos os voos.
Eu me aproximo sorrateiro de penumbras 
Que são vestes de um espanto que se renova 
A cada movimento de tuas nádegas a declarar!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

JOÃO MARIA LUDUGERO, POETA E AMANTE DAS PALAVRAS, por João Maria Ludugero

João Maria 2013-
Como é bom lembrar dos meus primeiros anos
lá na minha querida Várzea-RN, 

nas Escolas Pe. João Maria, Escola São Pedro 
e Escola Dom Joaquim de Almeida... 
Recordo com muito carinho e gratidão 
das Professoras Maria Fernandes (Dona Marica), 
Vilma e Dezilda Anacleto, Dona Zilda Roriz de Oliveira..
.Quantas saudades! 

Quando finalmente comecei a ler, 
virei um devorador de livros e gibis. 
Nada saciava minha imensa sede. 
Minhas primeiras vítimas foram as enciclopédias 
Lello Universal e Tesouro da Juventude,
 ambas da Biblioteca Ângelo Bezerra. 
Eu tenho muito carinho por elas. 
Eram o meu Google e Internet 
naqueles tempos da década de 1970. 
Verdadeiras chaves para a Terra da Fantasia 
e do Conhecimento. 
E eu me raspava para lá freqüentemente, 
aquilo fazia a diferença entre meus amigos de rua e eu.
A palavra falada também me encantou sempre. 
Ir ao cinema de José Honório nos fins de semana, 
ouvir um texto sendo magnificamente pronunciado 
e interpretado tem para mim um valor incalculável. 
Gostava de ver e admirar o teatro de boneco
 de Mamulengo de Seu Pedro Calixto. 

Adorava ver e ler as inúmeras revistas lidas 

pela minha querida irmã Lúcia de Fátima. 
Também sempre adorei música. 
Se a música é a fala divina, 
a palavra dita, própria, medida, cabida, ressoada, 
é praticamente uma sinfonia.
Nesta ocasião, quero saudar a palavra. 

Essa minha velha companheira de folguedos, 
amiga confidente em meus silêncios, 
parceira em arroubos, sempre junto a mim. 
É você, palavra, tão presente e importante em minha vida, 
que até o amor pela poesia me chegou por seu intermédio. 
E é você que leva o meu sentimento 
dia-após-dia, todo santo dia, 

em letras, palavras, poemas 
que escrevo com afinco, 
a desopilar o medo da cuca.

E para celebrar a flor-palavra, 
exalto um de seus maiores jardineiros, 
que a cultivava com seu jeito simples,
 mas com a enaltecida sabedoria dos simples. 
Eu o celebro e louvo, amigo Mario Quintana, 
pelos mais de 100 anos que ele teria 
se não tivesse se encantado. 
Foi você quem me ensinou que
“o amor é quando a gente mora um no outro”. 
Você também me mostrou 
o que fazer com meu coração 
de menino adolescente, arteiro e medonho. 
Isso porque você também o era, 
como pude ver nestas suas linhas:

"Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube
 o que dizer-te e este poema vai morrendo, 

ardente e puro, ao vento da Poesia... 
como uma pobre lanterna que incendiou!"

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

MEU CASTELO INTERIOR DE SAUDADES, por João Maria Ludugero

búzio e menino
MEU CASTELO INTERIOR DE SAUDADES,
por João Maria Ludugero.

- Dona Maria, minha estrela Dalva,
Eu queria estar sempre ao teu lado,
Pertinho bem próximo,
A correr dentro e alto...
Assim poderíamos construir
Muitos castelos de areia na beira do rio Joca,
Sem, contudo, querermos ser o rei, o imperador
Ou a rainha que moram lá dentro dos cômodos.
As paredes impõem limites, prendem, isolam, sufocam...
Edificaríamos apenas para continuar os acordes
De sonhos de estarmos lado a lado e rirmos juntos
A desaguar afoitos pelos arredores da Várzea das Acácias,
Quando a água destruísse a construção “desimponente”,
Fortalecendo, com isso, os laços invisíveis e possantes
Que nos uniam até fora de casa pelo interior...
Que nenhum poderoso mar seria capaz de marear!
Mas o Supremo Arquiteto te chamou mais cedo
E eu fiquei a marejar é de saudades!

terça-feira, 29 de outubro de 2013

VARZEÂNIMO, por João Maria Ludugero

VARZEÂNIMO,
por João Maria Ludugero.

Sim, tenho fama de medonho, de menino peralta
verdadeiro
E pra esse mundo inteiro 
Sou um adulto-menino
Varzeano, afoito levado da breca,
Varze-ânimo com toda garra e desempenho,
Tenho o sol da alegria, tenho o dom da estripulia 
A correr dentro e alto,
Com fortuna ou sem dinheiro, estou satisfeito a contento, 
Sou o homem mais rico do mundo e mais feliz,
Tranquilo, sem pavor, não guardo medo da cuca,
Mas se invadem minha casa, atravessam meu caminho, 
Aí eu mexo os alguidares e giro a pomba, com afinco,
Posso parecer “pequeno”, mas brigo bem,
Boto Fé na lida, dou sugestão, aconselho,
Mas nunca dou rasteira atrevida
E tenho um bom coração, 
Felicidade é meu lema;
Todos sabem que eu sou Potiguar
Lá da gema varzeana,
Filho de Seu Odilon de dona Dalila,
Filho da estrela Dalva, dona Maria, 
Sonhador de bonitos acordes no chão de dentro, 
Minha cidade é um poema,
Todos sabem que eu sou, sou potiguar -
Comedor de camarão, graças a Deus,
E me orgulho de ser papa-jerimum,
Que paga promessa, de votos de Fé 
E devoção, faz novena…

Mas se preciso for,
Bato o tambor na casa de Ana Moita,
E vou que voo aos Ariscos e ao Itapacurá,
Que cavalgo no Vapor de Zuquinha
E renovo esperanças no meu lugar…
É maravilhoso, não me leve a mal,
Minha Várzea é bonita, é cartão-postal,
Povão varzeano que nasce e renasce
Além do tempo de São João e São Pedro,
Ou na Semana da Cultura, no dia-após-dia,
Varzeano das quatro bocas e do rio Joca,
Da canção de saudade de dona Zidora Paulino
E de dona Maria de Seu Odilon,
Do feijão verde e da galinha caipira
Lá dos Seixos de dona Santina,
Mas que saudade que finca as raízes
Na querida terra de Joaninha Mulato!

domingo, 27 de outubro de 2013

O HOMEM MAIS RICO DO MUNDO, por João Maria Ludugero

O HOMEM MAIS RICO DO MUNDO
por João Maria Ludugero. 


Para que servem meus pés, 
Pernas, pra que as quero? 
Para que sandálias e sapatos, 
Para que servem minhas mãos e braços, 
Se tenho asas para voar reluzente 
Inteira a mente, dentro e alto, 
Sem medo da cuca pegar os diamantes, 
Aos solavancos de qualquer maneira. 
Sou rio a desaguar potável pelo interior 
A desvendar a beleza do chão mais rico... 
Voar é viajar em ideias inspiradas 
Pelos belos ares na linha do eu-lírico, 
Advinda da imaginação arrimada, dia-após-dia, 
Em verso e anverso, lado e banda, eira e beira! 
Eu sou João Ludugero, filho de Seu Odilon 
E da inesquecível estrela Dalva, Dona Maria! 
E o orgulhoso Pai da Jordana Majella e do Igor Gabriel! 
Eis o meu terno selo de garantia, 
Com validade para sempre!!!

CAJU: A FRUTA-SEMENTE, por João Maria Ludugero.

O tempo fluiu em acessório fruto
A correr dentro e alto
No lapso entre o vão
E a castanha
Do lado de fora do interior 
Da fruta a ganhar forma
Na tênue carne verde, amarela,
Laranja ou vermelha
Onde semeio sustentado sonho, 
Que já vingou pseudofruto,
Onde o pedúnculo 
Assenta a semente 
Onde a fruta em si é o caroço 
Em forma de meia-lua no seu ápice!

SOB OS ACORDES DE SONHOS, por João Maria Ludugero


SOB OS ACORDES DE SONHOS,
por João Maria Ludugero.

Sob a mira do interior, os passarinhos cantam…
Longe os escuto, mas os trago aninhados no meu coração… 
O horizonte azul só é o nicho de um novo porvir, 
se o povoamos em acordes de sonhos. 
Na penumbra da noite escura, estrelas cintilantes o guardam… 
Nos dias de chuva, o esplendor de um arco-íris o revela…
Tecer sonhos é cavar na lida o alvorecer de um novo tempo…
É preciso sonhar… É preciso lutar…
Sonhar, lutando é navegar, a correr dentro e alto, sem medo da cuca.
Navegar é viver na loucura de ser e estar, na necessária peleja
buscando, dia-após-dia, um sorriso além…
Além do suor e das lágrimas salobras.
Além do tédio e do desalento… há um disparado sorrir, 
Um sorriso tecido de palavras e silêncios… Rio a desaguar 
em cantos e poesias… de travessuras, travesseiros e travessias… 
Um sorriso levantado pela vida que é feito de alvoradas, de amanhãs 
que desejam quebrar o relógio e renasceram no aqui e agora do nosso tempo…
Nosso tempo é frágil, volúvel e cruel…
Outros tempos teimam e almejam a poeira do mundo, 
as pedras do caminho, pois, sonham com a vida transformada…
Outros tempos querem ser paridos…a contento.
Um tempo de ternura e não-violência…
Um tempo de solidariedade e justiça social…
Um tempo de trovas, serestas e cantigas; campinas floridas 
e riachos cantantes no caminho onde água, terra, fogo e ar 
perambulam para o mar abraçando e triscando 
a incendiarem de sonhos o horizonte azul…
Viver é perigoso, canta o poeta João Ludugero…
A vida endureceu, petrificou-se e, demente, agoniza…
Disseram e acreditamos: no poder absoluto do agora…
Mas, ninguém vive alijado do canto das manhãs 
que são profecias encantadas do amanhã
que engravida a vida, sendo, contudo, abortados
pelas cinzas que eternizam as dores do presente, 
excluindo do horizonte as estripulias da História…
Deixemos a vida seguir para o mar…
Abramos as cancelas do destino…
Sonhemos. Lutemos… Acordemos.
Naveguemos: navegar é preciso…
Embora, não baste navegar à deriva… 
Naveguemos, cultivando no hoje os brotos do amanhã… 
Assim, seguiremos… Seguiremos sabendo que sonhamos 
e lutamos por um outro mundo possível… 
Pois, já não conseguimos viver sem o cais da alegria geral… 
Alegria que se achegue na primavera de todos 
e para todos os acordes de sonhos inenarráveis…
Só, assim, a vida deixará de lastimar pelos sonhos 
que lhe são diuturnamente furtados… Acorde e lute…
Avante! Ainda há chance!!!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A REDE DA AMIZADE, por João Maria Ludugero

Dantes cantava-se que 
Até os mortos vão ao nosso lado, 
Mas o problema hoje são os vivos 
Que se esquecem que o são... 
Portanto, caros amigos, 
Sinceros, sem cera mesmo! 
Cravos ou (es)cravos da vida, 
Dentro e fora da alma em flor, 
Maior que o pensamento porvir 
Por esse destino amigo, venha logo! 
Não percas tempo que a ventania 
Dia-após-dia, é minha amiga também! 
Em terras firmes, a correr dentro, 
Em todas as fronteiras da lida, 
Seja bem-vindo quem vier por bem... 
Se alguém houver que não queira 
Traga-o contigo aos magotes 
E aqueles com medo da cuca, 
Ó Santa Maria, Mãe de Deus! 
Aqueles que ficaram com os vaga-lumes 
Com o pisca-pisca ligado na bunda 
(Em toda a parte todo o mundo tem) 
Risonhos bem venham me visitar, também... 
Traga esses outros benditos a mim, 
Porque a casa é nossa 
E o alpendre nos chama, 
Bem-nos-querendo na rede 
Em acordes movidos de sonhos!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

JORDANA MAJELLA LUDUGERO, MINHA FILHA!, por João Maria Ludugero

Só de manjar abro a cuca,
A observar minha filha Jordana,
Que alma pacífica e delicada
Que vida pura e formosa
És a estrela d'alva do alvorecer!
Alvissareira em verso e prosa
Dentro dum botão de rosa.

E, enquanto acordas tranquila,
Vejo o divino esplendor
Da alma a voar na lida,
Da estrela Majella a sair da flor.
Anjos libertos no azul do céu,
Sobre o teu hábito leve de voar
Com os pés no radiante chão
Desdobram candidamente,
Em pálio, as asas ao léu...

E eu, dentro e alto articulado,
Sinto o dever sagrado em prenda
De te beijar- de mãos postas!
De te abençoar - ajoelhado!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

CANTO DE PASSARINHO, por João Maria Ludugero

Ao lusco-fusco, costurei a rima 
De um poema ao teu sorriso 
Só pra te mostrar como é belo 
O despertar da saudade arisca 
Que dá sentido às trilhas da lida 
Não sei como tudo principiou, 
Mas afirmo que um estrondo 
De radiante e eufórica ternura 
Esbugalhou as nossas estruturas… 
Numa avalanche que catapultou 
Uma soma duplicada de doçura 
Que se alastrou em nosso interior. 
Apareceste na minha vida 
Como um sol do amar-elo 
Raiando meu ávido destino 
Colorindo os meus passarinhos 
Ajustados ao cio da cantiga. 
Apareci na tua corte solene 
Como um rei-menino arteiro 
Semeando recados de amor, 
Pedindo ao Supremo Arquiteto 
Um regador de estrelas cadentes 
Para chorar no teu colo de arrimo 
- Sou rio a desaguar com afinco 
No manjar de um real firmamento.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

LIÇÃO EM AULA DE SAUDADE. ÀS MESTRAS, COM CARINHO! por João Maria Ludugero.

LIÇÃO EM AULA DE SAUDADE.
ÀS MESTRAS, COM CARINHO!
por João Maria Ludugero. 

O poema não vive em cela 
Acorrentado à celulose 
Quer ser rezado, expandido a giz,
Rezemos a correr dentro e alto:
Ave, poesia das mínimas perdas 
Rosas do rosário de nossas Marias 
Clareando as camisas de volta-ao-mundo 
(A)batidas no quadro-negro
Sem  o pulso das boas regalias,
Crias afoitas na coragem 
Ave, rezemos de uniformes,
Rezemos sem medo da cuca,
Ao pé da letra, a tabuada
Desde os nove-fora zero,
Das lavras bem(ditas) no coração 
Das professorinhas da lida
E das boas mães curtidas 
A fiar as tranças e os medos 
Em cada passo, outra vez 
Engomadas as vestes
Um, dois, três
Amarelinhas 
Rezemos a composição
Rezemos as palavras bonitas
No be-a-bá do ABC
Na rede de algodão 
A semente rebuscada 
Nas ciências da vida 
Os astros infindos ao borrão
Nas aulas de geografia
O sol, a lua, a via-láctea 
A sopa de feijão de corda
Feita por dona Maria Gomes,
Comida servida, mais de uma vez
A bem dizer
A merenda que comemos
Repetimos ao recreio
As brincadeiras em estripulias
Sem esquecer do asseio com afinco
Da inesquecível dona Suzéu…Ai, meu Deus!
Repetimos,
Rezemos,
Oremos, dia-após-dia, 
A partir das tripulações de corais 
Inventariadas 
Entre as amadas forças escolares 
Desarmadas tais como:
Dona Marica Fernandes,
Dona Eunice Marreiros,
Da dona Vilma e Dezilda Anacleto,
Dona Maria José Alves,
Dona Arlete, Dona Conceição,
Dona Graça de Zé Baixinho,
Dona Hernocite Maurício e Eliete,
Dona Terezinha Bento Ribeiro,
Dona Zilda Roriz de Oliveira,
Dona Gabriela Pontes,
Dentre tantas outras mestras
Das primeiras letras…etc. 
Lembremos 
Dos amigos, os tesouros
Pequeninos
Pontilhados nas memórias 
Das boas aulas de História
Santa Maria, Pinta, Nina
E os destinos 
Da última catequese de São Pedro 
E seus dízimos 
Assim nos dizia a proteção
Do Santo Anjo do senhor
Tão zeloso e guardador 
Rezemos 
Nesta ocasião
De corpo e alma 
Salve lindo o hino à bandeira
Este poema guardai, com Fé,
Oremos o ato de contrição,
Rezemos a poesia,
Por intermédio 
Da Ave-Maria Desatadora dos nós, 
Do trovador da felicidade nacional
No claustro das horas solenes,
Sem palmatórias nem sentença,
A desapear no ditado verbal
A bem da verdade lavrada
A recitar-se em terno poema 
Na troça de um magote 
De meninos levados da breca,
Pois no rabisco dos cadernos 
Onde escrevemos a novidade 
A voz ressoa seu grito composto: Ave-Maria!
Não há penas em todo poema agora rezado,
Ave, voemos, fora da prova final 
Ave, voemos, dentro da saudade!