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quinta-feira, 18 de julho de 2013

MENINO MEDONHO, por João Maria Ludugero.

Eu que ando nas rajadas do vento.
Ando curando as feridas...
Me ninando às brisas amenas,
Colhendo dádivas da vida.
Torno-me imenso
Ao me levar no infinito azul 
Pelos ares afoitos e medonhos,
Com o sangue encarnado, às escâncaras.
Não me estanco pela ventania,
Vejo o tempo passando.
E eu o queria lento, sem me exaurir...
Ele descamba pelos cata-ventos inflamados
E nem sabe como sou apaixonado!
Como tenho sonhos acordados!
Como me envolvo em abraços 
Que não se extinguem 
Quando se dão aos meandros 
Ao desvão, a divagar no pensamento.
Eu sei por quais caminhos me abranjo e ando.
Permaneço em meus voos arteiros, 
Dentro e alto com minhas asas coloridas...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

ACHADO, por João Maria Ludugero.

Aprendi com um importante achado:
Felicidade é a combinação 
De sorte com escolhas bem feitas. 
A partir daí a gente se encaixa de vez, 
Dentro e alto, sem esquecer das tintas 
Nem dos pincéis que nos destinam 
Ao essencial encontro das graças, 
Até mesmo sob as dádivas 
De se esbugalhar aos solavancos, 
Sem medo de ser feliz, 
Aos trancos e barrancos!

SOBREVIVENTE, por João Maria Ludugero.

Eram cócegas na ponta da língua. 
Eram borboletas pelos ares,
Tendo me revirado a visão na penumbra.
Era um calafrio a aquecer a espinha. 
Eram palavras em letras repetidas.
Era o vento a escapulir os cabelos da venta... 
E ainda havia um receio gigante da cuca
Por não saber onde tudo acabaria aos estanques.
Para onde eu estava indo, a correr dentro, eiras e beiras,
O que estava acontecendo na lida consentida ao tormento.
Fechei os olhos e deixei aquele momento todo me abraçar. 
A vontade de sobreviver tudo aquilo me fazia confiar e,
Perseverante, fiquei maior que todas as dores do mundo.

terça-feira, 16 de julho de 2013

EU DO VAZIO CHEIO, por João Maria Ludugero

Sobretudo
Quando tudo sobra 
Na estripulia
Que verte e surpreende
Feito balão colorido
Que esvoaça,
Mas se não abrigasse 
Um vazio cheio
Não subiria tão dentro 
E alto aos céus
Para fazer esbugalhar 
A contento
Meus olhos arteiros 
De menino medonho.

PERA, UVA OU MAÇÃ? BRINCADEIRA SERELEPE, por João Maria Ludugero

Eu não deixo que a vida leve 
De mim as coisas boas, 
Por um punhado de outras 
Que não deram certo. 
Não me assusto à toa,
Passo a correr dentro, 
A me bulir sem bulas, breve,
Sem medo da cuca pegar... 
Há sempre recomeços 
Para continuar a viver. 
Eu pego essa trilha e zás!
Estou vivo e cheio de vontade
De me esbugalhar em aventuras.
Porque a vida tem um bonito raio solar... 
E o entardecer não vai me alardear em laranjas,
Mas vou abocanhar doces peras e maçãs
Ou quem sabe me entregar às uvas!

quinta-feira, 11 de julho de 2013

UMA ESTRELA CHAMADA JORDANA MAJELLA, por João Maria Ludugero.

Jordana, minha filha, sejas assim
Sempre uma pessoa inteira
Luminosa estrela 
De primeira grandeza
Eterna candeia a ofuscar as sombras
E prevalecer acesa sem medos do escuro
Sem jamais temer aos calafrios 
Que dão na espinha quando 
Ganhas espaço e acabas voando
A acordar teus sonhos e alvo
E que ainda plena e verdadeira
Afugentes do teu caminho
A linha do impossível
Que debeles o arco do invisível
E na aventura, ainda vestida 
No teu maiô azul, por mim antevisto,
Faças dos sonhos a arma mais certeira

Que tu , ó Majella, venças assim
Sem receio aos mitos do invencível 
Fazendo bom uso da força e munição
Do teu coração gigante, tua arma maior,
Sem nunca deixar se apagar esse ávido pavio,
Essa chama perene, infalível, esse amor
Que derrete qualquer iceberg
E ainda aquece, feito ardente fogueira,
A alma da gente que carece de tua mão 
Que jamais abandona aos que estão 
Prestes a morrer de frio no abismo 
Ou afogando-se nas ondas de um mar bravio
Como bem lembrado do episódio da Redinha
Em que, no uso de tua coragem, salvaste um amigo!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

MINHA VÁRZEA, MEU AMOR! por João Maria Ludugero.

A Várzea alvorecida,
No coração do poeta,
Entre pregões matinais, 
Subitamente, desperta. 
Para trás das margens do rio Joca, 
Nasce a manhã, no Vapor, 
No verde dos juazeiros, 
Nas águas doces e salobras. 
Canários de chão alçam voo 
Nos riachos varzeanos. 
Pescadores de jacundás a landuá 
Pescam o silêncio do rio da Cruz. 
Num bosque de mata-pasto, 
Atrás do rio de Nozinho, 
Desabrocha o bom algodão 
Em brancos cachos de fibras 
Ao toque de ideias movidas ao vento, 
Nas tardes do açude do Calango. 
O sol se pondo ameniza a tarde, 
Entre a Vargem e os bueiros, 
Repõe laranjas ao lusco-fusco, 
Desde a praça do encontro. 
A noite cai. Cães vadios pelas quatro bocas, 
Ladram nas ruas e becos, à distância. 
Deslizam sombras esquivas, 
Nas esquinas da lembrança. 
Todos os que se mudaram 
Para a outra banda da vida... 
E dormem, no campo santo 
Da cidade reverdecida. 
Vêm a mim, me cumprimentam, 
Comovo-me ao recebê-los, 
Baila uma fina poeira ao horizonte, 
Em torno dos meus cabelos. 
Converso com Seu Plácido Nenê Tomaz de Lima, 
Despachado em regalias e brotes de araruta. 
Abraço dona Maria Dalva, 
Minha doce mãe querida, 
Que agora virou estrela na minha lida. 
Passeio no Retiro de Seu Olival, 
Conduzo-me a uma Nova Esperança, à Forma, 
Da rua grande me atravesso inteiro, 
De frente para a Brasiliano Coelho. 
Moças varzeanas debruçadas na janela. 
A Professora Dona Marica me inspira 
E me dita a lição no Educandário Pe. João Maria, 
Em plena tabuada e ABC. 
Começa tudo de novo, 
Pela estrada do aprender. 
Ouço as valsas dos Ariscos de água doce, 
nas tardes de antigamente. 
Entre Seixos, Itapacurá 
E o Maracujá de dona Melizinha... 
Aboio um boi-de-reis feito Mateus Joca Chico, 
Sou eterno menino varzeano novamente. 
As ruas se embandeiraram de contentes, 
Há lanternas pelas portas destrancadas, 
E São Pedro Apóstolo do topo da igreja 
Acorda Bita Mulato, entre o riso e a saudade 
De pessoas que já foram morar no reino de Deus. 
Meus pés de menino varzeano vão que se vão, 
A correr dentro e alto, nessas ruas do sem-fim… 
O tempo não conta mais, 
Partiu-se, dentro de mim. 
Nesse baú de lembranças, 
Guardado pela memória em jasmins, 
Minha vida se inicia, escrevo versos até sem rima, 
Recomeçando minha história varzeana desde as raízes. 
Adeus, até outro dia!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

A MÃO DE DEUS, por João Maria Ludugero

Passo a passo, 
Dia após dia, 
Arquiteto sonhos acordados a contento,
E acredito numa das minhas certezas mais bonitas:
A de que o tempo de Deus se encarrega 
De colocar cada uma das coisas 
Em seu devido lugar, 
A correr dentro e alto,
Bem usando a palma 
De suas próprias mãos.

REENCONTRO AO AMANHECER, por João Maria Ludugero

De um sonho de primavera,
Acordo antes do amanhecer 
Em um mundo repleto 
Do canto dos passarinhos.

Chegou-me assim, de repente,
Depois de um tempo de tempestade,
Vento e chuva na terapia eu lembro, 
De dez mil flores dentro da minha alma...
Daí perguntei-me quantas 
podem ter caído na penumbra.
Mas, sem perder a compostura, 
sobrevivi ao pavor...
E, longe da maldição, contento-me.
Deixando-me bem-querer o reencontro.
Afoito, persisto no voo, já atento e reverdecido!

sábado, 6 de julho de 2013

PELEJANTE SINA, por João Maria Ludugero

Não importa o descaminho 
onde a lida te fez parar.... 
Em que momento da vida 
esmoreceste às encruzilhadas. 
O que vale a pena é que sempre 
é possível recomeçar. 
É que tem outras formas 
de se deixar levar a correr dentro. 
Que não seja apenas o grito 
que te chame a um afoito pelejar 
feito sanhaço só 
depois de tantas luas, 
Que não seja apenas o vento 
que te mova além da folhagem. 
Que a coragem te alcance inteiro, 
sem medo da cuca pegar. 
Que te permitas se alastrar 
às coisas simples, a contento, 
De tal sorte possíveis de mostrar 
a leveza dessa vida.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

VOO A PARTIR DE DENTRO DA POESIA, por João Maria Ludugero.

Eu menino varzeano
já nasci pássaro liberto ao voo.
Corri dentro em alto voo pra fora das gaiolas.
A Várzea me deu asas dentro do sítio do Vapor.
Nunca me prostrei às gaiolas,
desde cedo me adaptei à arte do voo.
Pássaros engaiolados são pássaros sob controle.
Presos numa cela, seu dono pode
levá-los para onde quiser.
Pássaros na gaiola sempre têm um dono.
Deixaram de ser pássaros. 
São da posse do/ente.
Porque a essência dos pássaros é levantar voo.
Eu sou poeta-pássaro sem amarras, freios ou laços.
Eu sou pássaro a voar pelo interior
da imensidão do mundo.
Escrever me dá coragem para voar, animado.
Aprendi esse voo intenso disparado nas letras
Porque só de manjar descobri asas e fôlego,
Uma vez que o voo já nasce dentro dos pássaros.
Daí, só alcanço esse voo tecendo os versos que invento.
O voo não pode ser ensinado, mas consentido,
Tendo em vista que só pode ser encorajado, a contento.
E, a partir daí, sinto-me dentro com afinco.

terça-feira, 2 de julho de 2013

A PARTIR DAS COISAS SIMPLES, por João Maria Ludugero

E agora, nos achados e perdidos, 
Encontrei um riso que não soltei, 
Uma chance ávida que se partiu, 
Uma oportunidade disposta ao acaso,
Que me passou de uma vez batida. 
Encontrei uma forma empoeirada, 
Um sonho esquecido nas cinzas.
Então, reverdecido na Fé,
Peguei tudo de volta,
Renovei as esperanças com afinco 
E disse à vida, a correr dentro e alto,
Sem medo da cuca pegar:
- Nada vai me fazer perder o tino 
Das oportunidades novamente.
E, num instante, só de manjar,
Esbugalhei os dentes ao céu da boca...
E, de uma vez por todas, soltei-me à língua
Ao desvendar que a imensidão se escancara 
A partir das coisas mais simples...
E é a partir delas que viver vale a pena!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

SOU MENINO VARZEANO, por João Maria Ludugero.

Fogo abrasador da minha lida
que habita alto meu coração,
chama eloquente, flamejante
mantém-te em mim, acesa
em viva e permanente poesia.
Aquece meu corpo de bom varzeano,
purifica minha mente de todos os lados,
ilumina meus caminhos por dentro,
orienta meus estimados afetos,
encoraja minhas forças a correr dentro,
disciplina meus intentos, dia após dia,
faz-me irmão de meus irmãos.
Sol purificador da existência,
seiva da fraterna convivência,
alimento dos que têm a vida,
dos que a vivem dignamente amparados,
mormente nesse lugar abençoado
por São Pedro Apóstolo.
Faz-me consequente guerreiro da paz,
intrépido, valente, senhor de sonhos acordados,
solidário combatente dos infortúnios,
das nobres e mais justas causas advindas
desses brilhantes e pacíficos ideários,
dessa profética aliança varzeana escrita.
Dela, faz-me eterno operário...digno batalhador, 
sou menino varzeano, de Vapor a Vapor,
repleto de amores!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

PORVIR, por João Maria Ludugero

E agora é todo dia 
a brincar de viver!
Há sol a se irradiar 
dentro da minha alegria 
e eu já o sabia vertente, exposto 
a raiar, a decolar sob do sol: aurora. 
Há braços afoitos 
a se inquietar com o vento 
a partir do tamanho do mundo 
e é dia no mundo de ideias. 
Há uma rua grande de base 
(debaixo dum dia aberto em amar-elo) 
e um toque de alma 
de flor a girar o sol 
Mas agora é meu dia 
que se arriba radiante disposto 
liberando-se de todas as bandas 
a tanger girassóis.

INSISTO, por João Maria Ludugero.

Eu vou como eu vou
dentro do alto, disposto a tudo
voo de jeito ao vento num salto
reinvento-me num instante ao instinto
recrio asas na própria poesia que inicio 
imensurável na medida do impossível
armo voo arteiro acima dos pontos
de partida e chego ao que sou de uma vez
nas infinitas artimanhas do agora 
sem grandes segredos do ente em solo
sem novos secretos cascos tangentes
pendentes nesta hora de aventura 
eu sou como eu sou possante
desde o presente porvir de antes
renovado em reverdecidas esperanças 
desferrolhadas de repente ao léu
feito um bocado de mim 
eu sou como eu sou possante
manjo só de olhar, poeta vidente 
e vivo tranquilamente no azul do céu
boquiaberto muito além do jasmim 
levando todas as essências sem me exaurir.

ALEGRES ENTARDECERES, por João Maria Ludugero.

Uma árvore reverdecida.
Uma ave entoa grave cantiga. 
Que alaranja o Vapor 
Ao por-de-sol disposto. 
Há brisa no terno outono 
Da Várzea das Acácias. 
Folhas caídas. Sereno. 
Ventania na praça do encontro. 
Cheirosos cajus se despencam nus 
Dentro e alto nos ariscos Seixos: 
Amar-elos encarnados a manjar 
Corpos com almas fora do ente 
Sob o afoito lusco-fusco 
Que me nina o dia exposto 
Sob o ameno crepúsculo.

ACORDES AO INTERIOR DA MINHA VÁRZEA, por João Maria Ludugero

Estou longe pensando nela, cá dentro,
meu coração de menino varzeano
bate forte como um sino de igreja 
que anuncia procissão de São Pedro. 
ê minha rua grande meu povo 
ê gente que mora lá nos arredores 
às margens do rio Joca, 
vivendo a escutar o canário da terra 
na cantiga pelo chão de dentro da Várzea. 
Lembro do sorriso de Ana Moita 
a curar as dores de quem ali vive, 
Maria não se perdeu a se achar no riacho do Mel 
Marivam de Lica atiça as regalias e os brotes, 
fumegam as doces cocadas, 
os sequilhos e o bolo preto 
E esse menino crescido 
que tem o peito ferido, revirado, 
repleto de saudades do Vapor de Zuquinha. 
O sítio do Retiro de seu Olival de dona Penha 
ainda batuca no meu tempo de brincar... 
Já me vou embora tomar banho de rio. 
Ê rio, é riachão dos Marreiros, 
passando pela rua da pedra 
até agora eu chego lá 
às quatro bocas da rua, 
agora por aqui estou a me ninar, 
com vontade de abraçar 
dona Anatilde, mãe da amiga Tereinha Tomaz 
e a dona Neve Mulato, filha da madrinha Joaninha, 
e eu vou e volto para matar toda essa saudade 
de ficar sentado no banco de Nina. 
Ê São João, ê Bita Mulato, 
ê rua que leva ao Riachão.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

PELA VÁRZEA ADENTRO, por João Maria Ludugero.

Não posso perder o tino ao pincelar tintas
em poemas feito de palavras até sem rima.
Trago um menino em mim que me observa
e ele tem nos olhos reverdecidos (qual a cor?)
todas as auroras bem como as tardes laranjas 
dentre outras manhãs varzeanas abertas ao Vapor. 
E eu ainda menino, que me alumia sereno, encantado,
tenho um moleque serelepe em mim 
e ele é que deveras me revela:
por isso circulo de costume sob o paredão 
do açude do Calango de água verde-musgo
e nos olhos banzos: tenho a alma de flor
e um corpo encarnando de permanente procura
e meu olhar apenas toca, de leve, as achas dos Seixos
e me afago na exata matriz da calça jeans tão desbotada, 
molhada em festa vespertina sem censura, de ralar o umbigo,
na descida dos ariscos sítios do Itapacurá.
E assim me bate uma saudade danada de Bita Mulato,
ao adentrar na quadrilha junina da Várzea das Acácias.

domingo, 9 de junho de 2013

A VÁRZEA QUE ME NINA! por João Maria Ludugero


Minha Várzea das Acácias, 
Esse teu interior me faz menino,
És uma copa de juazeiro em flor,
És uma brisa de vapor no coração,
És feito um jeito adocicado que apaga amarguras,
És um raio de sol em dia de chuva,
És uma esperança nova na tarde amena,
És um lenço macio do mais puro algodão,
Que seca o nosso salobro chorar.
Esse teu confeito de açúcar mascavo,
É como um puxa-puxa de cana-caiana
É milho a pipocar no jardim encantado,
De portas escancaradas ao retiro,
E que todos querem ver aos seixos,
Percorremos todo a cerca viva do Maracujá,
Só para encontrar um açude do Calango cheio
Um furo cavado à margem do rio Joca, 
Uma potável água de cacimba 
Para nesse fonte poder beber e matar a sede,
Tocar nas belas flores do Itapacurá a dentro,
Lindas e tão bem cuidadas acácias da rua São Pedro,
Nascidas para serem varzeamadas,
Com a essência do amor-elo,
Protegidas de toda a dormência fugaz
E de quem só as querem usar em perfume.
Essa tua cara que me nina integral,
Coberta de pétalas tão delicadas,
Pelo teu sorriso de princesa varzeana,
A tua maior beleza, assim seja bendita,
É a que o coração tem para doar de presente.
Esse teu doce sorriso de riacho de mel,
Esconde a garra de uma feliz cidade,
De uma menina assim com alma a desvendar,
De uma propulsora das grandes lutas de ontem,
Eu acredito no teu chão, Varzeão de corajosos amores, 
Às tuas vitórias eu sempre baterei palmas a contento!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

VÁRZEA MINHA, por João Maria Ludugero

Hoje é dia de lembrança, Várzea minha
Sempre é dia de louvação a São Pedro Apóstolo
Mesmo longe dos amigos mais antigos 
Já cheio de tanta saudade, 
Ora me dás Fé e consolação 
Já passaram muitas luas, Várzea minha, 
Muitas ruas já cruzei pelo caminho de jasmim 
Fiz promessa para o magote de teus meninos, 
Por isso que ora eu te encontrei tão perto 
Acho cedo muito cedo, Várzea minha, 
Pra dizer que a tarde anoiteceu, 
Mas não escureceu tuas candeias... 
Foi a noite dos teus olhos, Várzea minha, 
Que acordou meus olhos aos sonhos teus 
Foi teu riso encantado, Várzea minha, 
Que laçou o meu bem-querer no Vapor de Zuquinha 
Se eu correr dentro até chegar o fim do mundo, 
Num segundo, voltarei pra te rever... 
Abre o riacho do mel desta alma, Várzea minha, 
Que eu preciso me abrigar amparado ao estio 
Se a chuva demorar a chegar, como penso, 
Muito vazio no meu peito vou deixar 
Hoje é dia de saudade, Várzea minha, 
Sempre é dia de louvação a São Pedro Apóstolo, 
O grande chaveiro sagrado das nossas alegrias.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

S.O.S. VIDA!, por João Maria Ludugero


Sem meio não há ambiente inteiro. 
O homem muda o mundo. Evolução? 
Não adianta camuflar os sentidos aos choques, 
tapar os ouvidos, fechar os olhos à situação 
onde imperam as afiadas e cegas 
serras elétricas do progresso. 
E a boca calada provoca desequilíbrio. 
Silêncio que cala consente a derrubada da mata. 
Se a boca é muda, desmata-se, a mata é morta. 
Morre o rio assoreado, estanca o ribeiro. 
E adeus ao mel do riacho, 
que perde seu curso, eiras e beiras. 
É morte certa. O rio seca. Catástrofe. 
Impacto ambiental. 
A natureza poluída chora suas perdas. Efeito? 
Então, respire fundo... inspire essa ideia, estufe o peito, 
abra os pulmões, abrace essa causa, agora-já! 
Mexa-se e grite: alto lá, carecemos salvar 
o que resta do resto do mundo!

CÉU DA BOCA


Aquele abraço era o lado bom da vida, 
que me fazia uivar de alegrias acesas,
um abraço assim 
que me alucinava inteiro, 
um abraço que me fazia afoito, 
a me fazer sobejar inenarráveis dádivas,
dessas que nos desatam a liberdade
e nos nos fazem dependurar nas nuvens,
tocando dentro e alto o céu da boca...
E quanta imensidão isso nos dimensionava.
E quanta loucura nos rodopiava e erguia
para valorizar o que de fato se vive fora do ente.
Mas que irônico: pra viver, 
eu precisava desatar-me...
E assim fiquei só, cheio de céu, 
somente após perder-me em tua boca!

terça-feira, 21 de maio de 2013

EM CARTAZ, O HOMEM DE TINTAS, por João Maria Ludugero

Moço de faces em essências pintadas
Encarnado no nariz de rubi-bola-vermelho
Não bastava ares de graça do Homem de Tintas 
Ainda perambulas a esculpir 
nem que seja tuas pernas-de-pau... 
-Como é a vista daí, arribas ao namoro? 
Porque tencionas a vida liberta em cartaz 
a ser posta em multicores afins e outras mais? 
É saga de astuto homem da morada do Park Way, 
Que anda na rua de aclives de alinhados sabores 
Catando alegrias espalhadas aos meios-fios em riste 
Buscando sorrisos perdidos nas tardes amenas: 
Atrás dos vidros das janelas fechadas ao longe 
Aos pés dos pacientes antes do transe e das cancelas 
Nos pneus das bicicletas em tráfego alheio pela Vargem Bonita 
(Em tuas mãos cabe tanta alegria de perto, Poeta de Tintas?) 
Será quantas destas ruas se filtram em becos de luas, 
Quantos tantos destes veículos em candeias 
Correm pra dentro das tuas veias-aquarelas? 
Será que é teu coração-estrada-caminho ou asfalto? 
Há que se colorir...e colores a estrada ao descaminho. 
E outros tantos pintados homens pintores ao desvão se curvam 
Costuram o ciclo da gente em seus monociclos 
-Arte de coser fuxicos em colcha de retalhos coloridos. 
E repintam-se fascinados, e recriam-se altos, 
E riem-se reinventados por cima 
e por dentro, sem quebras nem podas, 
a ofuscar a penumbra, chegando 
a acordar o devaneio aberto ao mundo. 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

SAUDADE


Saudade é feita em aquarela 
de um amor multicolorido 
que o vento conseguiu carregar... sem dó. 
Faz sentido consenti-la 
em qualquer lugar, 
na brisa, em um olhar profundo de dor 
por dentro do tempo do coração 
do que era bonito completar 
e agora jaz em mim, de resto 
querendo pra sempre ficar...

quinta-feira, 16 de maio de 2013

QUANDO SE DESATA A BELEZA


Quando se desata a beleza,
sinto-me bem à vontade 
para fazer o que pretendo,
pois assim, simplesmente, 
posso e devo ser um motivo 
de orgulho superior ao meu talento.
Sinto-me dentro e alto,
mais próximo do céu da poesia
que me extasia a contemplar
o que mais completa meu ser,
sem nós que não possam
ser desatados.