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domingo, 20 de julho de 2014

RESENHA DO MADURO MENINO JOÃO LUDUGERO, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESENHA DO MADURO MENINO JOÃO LUDUGERO,
por João Maria Ludugero.


Em minha vida, eu aprendi a ser esse menino João
Ludugero maduro, levado da breca, sem nenum medo da cuca,
Num dado instante em que a memória estreita se alarga a contento
Para conter a Várzea das Acácias, o rio Joca, o Vapor, o açude do Calango, 


Dentre tantos outros riachos do Mel e Lagoas compridas,

Sob a penumbra iridescente do agreste verde do chão-de-dentro,
A espairecer meu instante de nudez perfeita pela astuta seara
Dos bem-te-vizinhos e dos fartos pitéus da Várzea 

De Seu Plácido 'Nenê Tomaz' de Lima...

VÁRZEA EM ACORDES DE SONHOS, por João Maria Ludugero

 

VÁRZEA EM ACORDES DE SONHOS,
por João Maria Ludugero.


Ah, se tu viesses ver-me hoje varzeaninha,
A essa hora da tarde que me nina em saudades,
Quando a noite de manso ainda se avizinha,
E me prendesses inteiro nos teus braços…
Quando me recordo do sabor que tinha
A tua boca… o eco do teu andar ao desvario...
O teu sorriso de fonte além do Vapor…
As tuas vertentes ao riacho do Mel,
Os teus cafunés na minha cuca, teus abraços…
A tua mão na minha…oh, astuta varzeaninha!

Se tu viesses para mim, risonha, linda e faceira,
A amortecer as linhas doridas com um beijo,
Estivesses de seda ou de chita colorida vestida,
Ainda assim estarias em meu trono, princesa!

Depois de tantos sóis, depois de tantas luas,
E é como um colibri ao vasto lume com fulgor,
Quando os olhos se me cerram em tal lampejo
E os meus laços se desatam em teus acordes,
Eu assim feito os Antonios Gomes e Euzébio
A tecer suas belas tarrafas e redes de pescador...
Mas não para deter tua prendada liberdade
E sim na intenção de oásis-mear o nosso amor!


sábado, 19 de julho de 2014

QUEM É JOÃO MARIA LUDUGERO?

 
 
 
 
 
QUEM É JOÃO MARIA LUDUGERO?

Adelson Ribeiro, um sensato varzeano, morando longe da sua Várzea, retornou à seara de Ângelo Bezerra, do pastoril de Joaquim Rosendo, do João-Redondo mambembe de Pedro Calixto, do Clube Recreativo Varzeano de Manoel de Ocino, da seara do boi-de-reis de Mateus Joca Chico, do singelo refúgio de Capitão Gonçalo, das rezas e benzeduras de dona Elina de Pinga-fogo e de dona Ana Moita, da peleja de Vira de Lucila de Preta para sustentar sua vasta família...

Reencontrando amigos e famiiares, visitou cada recanto do seu lugar desde as quatro bocas até ao Riacho do Mel, ele se reencontrou afoito, a correr dentro da Várzea de Joaninha Mulato. Em uma paragem na praça do Encontro, bem de frente ao Recanto do Luar de Raimundo Bento, entreteu-se em conversa com um magote de meninos e indagou aquele inquieto bando de crianças em estripulias, como que num desafio, ele perguntou: - Quem conhece e quem é João Maria Ludugero? Um esperto menino varzeano depressa respondeu: - O João Maria Ludugero é um homem que, desde a velha infância, ama muito sua Várzea das Acácias!

Gostei da resposta do moleque levado da breca, o que me deu grande contentamento. Ele sabia do João Maria Ludugero, apesar de não conhecê-lo pessoalmente. Os entes são aquilo que eles amam. Mas o menino varzeano não sabia que sou um homem de muitas andanças, de muitas viagens e de muitos amores... Amo muito minha Várzea das Acácias, assim como aprecio também trilhar feito sanhaço-sozinho outros destinos, tal qual um astucioso bem-te-vizinho. Muitos seres levam suas crias a passear na lida. Eu levo meus olhos a se recrear, a recriar outros roteiros de espairecimento. E como eles gostam! Encantam-se em demasia, com tudo. Para eles o mundo é medonho e os acordes de sonhos não se estancam, pois João Maria Ludugero persevera na vida, sem nenhum rabugento medo da cuca.

Contento-me também com banhos de mar, mergulhos de rio, quedas d'água, riachos e retiros a correr dentro do verão, da sensação do vento do estio na pele, de assanhar até os pelos da venta, do barulho das folhas dos jasmineiros lá da Escola Dom Joaquim de Almeida , dos hibiscos em flor de Maria Orlanda de Seu Nestor de Alexandria, das bungavílias, dos flamboyant's, do cheiro das damas-da-noite, de música popular brasileira ou clássica, de cantigas de alegria, de cordas de violão ou de viola, de poemas, de observar a estrela Dalva, de admirar o céu cheio de estrelas, de esculturas, de pinturas, de livros, das regalias dos bolos-pretos, de sequilhos, de brotes de fubá, de coalhada com mel de abelhas europeias, de queijo-de-coalho assado na grelha da brasa, de farofa de cebola-roxa com carne-de-sol, de grudes de macaxeira, de beiju e de tapioca, de cocadas, puxa-puxas de rapadura e outros quebra-queixos, de cores e perfumes essencializados da alma em flor, do toque de flautas, de sambas, de canteiros de frutos e jardins, de comidas típicas, de conversar sentado numa espreguiçadeira, bem próximo a um canteiro de onze-horas, lanças-de-ogum, melancias-da-praia, canapus, espadas-de-São Jorge e melões-de-São-Caetano.

Uma vez alguém já disse com entusiasmo que o mundo é para ser visto, e não para pensarmos nele. Os olhos abrem as cancelas pelas quais a beleza entra na alma. Meus olhos se espantam com tudo que veem, a partir do interior.

Sou um homem de fé, um maduro menino místico. Eu abro bem os meus olhos para ver as folhas, frutas, raízes e legumes nas bancas das feiras-livres. Cada maracujá é um assombro, cada jabuticaba é um milagre. Uma pitanga é uma senha para adentrar nos pomares da vida em néctares e despertares. Tanto assim que me dá água na boca só de contemplá-las e lembrar com afinco da minha Várzea de Olival Oliveira de Carvalho.

Adoro escrever, almejar as coisas da vida, sem alvoroço: observo e espero que os outros vejam comigo. Por isso versejo. Componho um monte de retratos com palavras. De repente, meus versos tecem poemas que são cenas num elenco que rabisco para fazer ver espostas ou compostas as minhas alegrias, dia-após-dia.

Daí, então,o que escrevo são assim feito pitéus e aperitivos pelas bermas de renovadas e consentidas esperanças, tanto assim que gosto até do verde-musgo dos limos dos ariscos lajedos e dos seixos.

Eu bem sei que ainda me resta muito tempo. Ainda é laranja o lusco-fusco do meu crepúsculo. Não tenho medo do adeus, apesar de marejar os olhos de saudades daqueles todos que foram embora mais cedo. O que sinto, na verdade, não é tristeza, é saudade a correr dentro e alto a contemplar a terra que me completa, a Várzea de Mãe Claudina, de Ana do Rego, de dona Maria Maroca, de Marica de Otávio Gomes de Moura, de Júlia de Seu Lula Florêncio, de dona Inês, de Onélia de Raimundo Rosa, de Cila de Maria Marreiros, de Mãe Dalila Maria da Conceição, de Seu Nezinho, de Seu Bita, de Maria Do Carmo, de Nina de Madrinha Joaninha Mulato, da alegria que nos envolvia Seu Plácido 'Nenê Tomaz' de Lima, dentro da sua padaria de tantos biscoitos, pães, bolachas, roscas, dentre tantas e outras regalias..., sem nunca esquecer de lembrar de tanta gente que sempre haverei de guardar no meu oásis-meado coração varzeano.

O mundo é gigante, muito bonito... Mas a minha singela Várzea tem uma rua grande, que ampara São Pedro Apóstolo no topo da igreja-matriz, com duas belas palmeiras imperiais postas de sentinela ao santo padroeiro! Gostaria de ficar por lá... Escrever é o meu jeito de ficar perto de Várzea. Cada poema meu é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão no interior ou além das leiras da Várzea do Vapor de Zuquinha. Quem sabe se transformarão nas árvores do meu lugar! Torço para que sejam juazeiros, pés de ingás e graviolas, limões, mexericas, laranjas, juncos, beldroegas, fedegosos, marmeleiros, mulungus, jasmim-manga e outras flores a tecer mais amores pelo chão de dentro da nossa Várzea das Acácias, bendita seara da Cultura Potiguar, tão idealizada pela ilustre professora Gabriela Pontes!

(Autor: João Maria Ludugero).

segunda-feira, 14 de julho de 2014

RISOLITA, MULHER-CORAGEM, SIM, SENHORA!, por João Maria Ludugero

RISOLITA, MULHER-CORAGEM, SIM, SENHORA!, 
por João Maria Ludugero

Eu sou poeta – nasci para ser poeta,
tenho mil e uma palavras, e mais se preciso for,
mesmo assim, muitas vezes, confesso,
não sei por onde onde começar
tenho mil e um sonhos e uma plantação de outros
e várias vezes não sei o que se pode sonhar
tenho quimeras, ilusões, devaneios e sementes.
Eu sou poeta – disso eu tenho certeza!

Eu tenho força, desde cedo,
desde a hora em que acordo
eu tenho a alma infinda de ansiedade
eu tenho sempre mais um anseio
posso dormir nas estrelas e acordar na lua
posso fazer do sol o meu recreio
e brincar com seus raios até no meio do gado bravo
como se fossem um feixe de lenha lá dos Seixos
ou brincar com seus raios em qualquer rua lá da minha Várzea
ou lá na beira do Calango, açude de muitas lembranças.

Eu vivo a vida com todos os sentidos,
fazendo de todos um só para amar
e ter Amor pelo simples viver
e viver só por um simples olhar
e num simples olhar ver a alma engrandecer…

Eu sou poeta. Alguém duvida?
Eu não tenho dúvida!
Eu conheço uma mulher-coragem
Eu conheço esta grande mãe chamada Risolita
Eu conheço esta paraibana que veio de Araçagi
aos 20 de novembro de 1967,
para cuidar de terras neste solo potiguar.
Uma senhora naturalizada varzeana,
uma proprietária de terras do infinito da beleza
uma cidadã chamada de
Risolita Ribeiro Ferreira...


Sem ela a definição do que é belo ficaria ‘viúva’,
pois é uma criatura de beleza ímpar,
um espelho de exemplar grandeza
grande mãe de Rosa, da graciosa Nena,
da alegre Riselda, da bela Neta
da meiga Lena e da amiga Rosimere Queiroz.
Senhora de seriedade, braço firme e forte!
Risolita, de força indomável
grande mãe de Reginaldo (nosso ‘Ré’)
de Nô, dos inesquecíveis Naldo e do Rosalvo "Xinxa"
(que foram morar lá em Cima);
Mãe do Zé Hernandes e
do nosso querido Ramos (Ramonilson).

Risolita, nunca é demais repetir
Não é rasgação de seda,
não é chover no molhado,
Senhora de pulso forte, de laços
de uma grande família.
Risolita, mulher-coragem, de fibra,
fogo que atenua o gelo
da dor na hora da dor,
sabendo ser doce e amável
na medida exata, sensata
a alimentar-se de tamanha fé
em São Pedro apóstolo!

Risolita, senhora de dotes e certeza
do esplendor alcançado da vitória
de estar aqui na aridez do agreste,
sem nunca ter perdido a batalha da vida!
Risolita, mãe e rainha,
do riso e da dor
que fez do coração a sua muralha, seu escudo
e tem como única arma todo o seu Amor.

Além de carregar a coragem no peito,
é dona de bondade, bravura e humildade
Senhora paraibana, mulher de verdade
Sim, senhor! Sim Senhora!
Somos testemunhas dessa realidade.
E este poeta varzeano
acaba de fazer esta mais justa homenagem
A esta grande mulher, mãe, avó e bisavó
que nos deu de presente
um Calango, um açude de muitas memórias,
Não tenho mais palavras…
Obrigado, Deus, por ter criado pessoas
feito Dona Risolita!
Justiça seja dita,
feita e ponto!

VÁRZEA-RN: O VELHO FLAMBOYANT DO VAPOR, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
VÁRZEA-RN: O VELHO FLAMBOYANT DO VAPOR,
por João Maria Ludugero

A brisa da tarde amena que acaricia o rosto, 
remete-me ao passado, à nossa velha infância varzeana…
Meu coração se enche de saudades daqueles dias de outrora 
em que, à sombra do flamboyant do Vapor, 
nós aos magotes de meninos levados da breca, 
passávamos horas, deitados sob sua galhada florida 
a espiar a revoada de passarinhos, saltitando de galho em galho…

Suas ramas coloridas pelo amarelo, vermelho e laranja de suas flores, 
desciam até o chão e dançavam ao vento, 
como a querer brincar também…
Hoje, fecho os olhos e ainda posso ouvir o farfalhar das folhas secas, 
caídas e varridas pelo vento da tarde varzeana.
O mesmo vento que cantava por entre as árvores,
forrando o chão com um lindo tapete de flores…

E o entardecer, como era belo!
O sol, a se por no horizonte, lançava 
por entre os galhos suas frestas douradas, matizadas de vermelho…
Na minha ideia inocente, eu não queria que o dia acabasse.
Mas noite insistia em chegar…E ela vinha impiedosa, de mansinho, 
cobrindo com seu negro véu, todo aquele colorido que eu tanto amava…

Os pássaros se recolhiam aos seus ninhos,
o orvalho começava a umedecer as folhas, as flores…
E mais um dia se findava…
Ao longe, a voz de dona Lourdes do Vapor que me chamava ao recolhimento:
“- Menino, já é tarde, está ficando escuro, venha tomar café com tapioca de coco
para seguir o rumo de sua casa!”
Eu me achegava à sala das guloseimas e delícias, 
dentre tapiocas, beijus, coalhada, cuscuz, queijo de coalho, ovos estrelados e cocadas… 
Após, pegava o rumo de casa lá na Várzea das Acácias… 
E aguardava com ansiedade a chegada de um novo dia…
Como eu gostaria de poder reviver aquele tempo…
Oh, quanta saudade do Vapor!

domingo, 13 de julho de 2014

VÁRZEA-RN: O NINHO DA MEMÓRIA NA POESIA DE LUDUGERO, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
VÁRZEA-RN: 
O NINHO DA MEMÓRIA NA POESIA DE LUDUGERO,
por João Maria Ludugero

E assim sendo, e bem porque o maduro poeta menino João Maria Ludugero faz-se também de memória, em tempo de memória, o arteiro menino levado da breca enceta a viagem das flores sem moldura, recupera o manjar do tempo, os redemoinhos de cor e de regresso. Não se julgue, porém, que este retorno ao passado é feito de passividade: não há imobilismo nesta poesia, mas reminiscências, cintilações, inclinações do corpo, uma oração até às mãos afoitas aos gestos perdidos no espaço da memória.

Daí, então, em paralelo ao vento, caracterizam-se e questionam-se os anos plácidos, fulvos,que luz ainda perdura a correr dentro e alto na lida? Que sanfona guarda ainda uma nota grave, cintilante e pura da sua Várzea das Acácias?
A demanda seguiria as trilhas escaldantes onde há um bem-te-vizinho que faz o ninho na memória: Ouço-o agora.
Canta a flor dos mulungus, ingás, juazeiros e dos jasmineiros da Escola Dom Joaquim de Almeida, bem ali na rua do Cruzeiro, de quina para a rua da Pedra, oitão das quatro bocas espairecidas.

Esses dias enxutos instigam, a tecer e amortecer desvarios ao nome da sua Várzea, sua rosa-dos-ventos da velha infância, onde cabiam todos os lugares e todas as direções até aonde se achegassem os canários-de-chão.

Cinge-se que se reitera, na sua singular poesia de excelência, o mel das animadas e luminosas abelhas europeias de Zé Miranda, a conversar com Joaquim Horácio, dispondo-se atendo aos enlevos de conversas afiadas com Joaquim Rosendo das pastorinhas, com seu Geraldo "Bita" Anacleto, com as onze-horas a florir incandescente metáfora na praça das espadas-de- São-Jorge de Maria Orlanda de Seu Nestor, o aveludado perfume das beldroegas e melões-de-São-Caetano do açude do Calango até a vargem, recorrências que palmilham e dinamizam todo o trabalho poético de João Maria Ludugero.

Eis, então, como tudo se reduz a isso: sua literatura viva é aquela em que o poeta João Maria Ludugero insuflou a sua própria vida, e que por isso mesmo passa a viver de vida própria. Sendo esse artista um homem superior pela sensibilidade, pela inteligência e pela imaginação, a literatura que ele produza será superior; inacessível, portanto, às condições do tempo e do espaço.

Assim vemos a poesia de João Maria Ludugero; um hausto íntimo que atinge o interior e sua intemporalidade varzeana; uma orquestração de palavras que depois de nos deixarem todos os jardins da Várzea do agreste nos incitam e ensinam a plantar uma flor no vazio que aparece e se expande quando ele se deixa ficar longe de sua Várzea das Acácias!

sábado, 12 de julho de 2014

VÁRZEA-RN EM FOGÃO À LENHA, por João Maria Ludugero


VÁRZEA-RN EM FOGÃO À LENHA,
por João Maria Ludugero

Vem tudo de quina pra cozinha.
Como se de dentro da casa se traçasse um roteiro
e um telhado se abrisse do céu de São Pedro apóstolo
e as pedras de lajedos todas se atirassem, uma a uma;
como se do centro, levantadas, num arrimo
todas rochas se emparedassem em cimento…

E, bem no cerne da crista de um fogão – tudo
de repente se inclina, tudo arde sem alvoroço
nesta fogão-à-lenha aceso na lida sem alarde
com uma bagatela de cascas-de-laranja-pera
a se dependurar no teto a esfumaçar a tarde.


sexta-feira, 4 de julho de 2014

EM RESPOSTA À CARTA DO INTERIOR, por João Maria Ludugero

 
 
EM RESPOSTA À CARTA DO INTERIOR, 
por João Maria Ludugero


E daí, por onde minha boa notícia manja?

Por onde anda que não chega até mim?
Estará voando nos bicos dos bem-te-vizinhos
Ou ficando presa em cachos de jasmim-manga?

Sanhaço tão sozinho, voe até mim
Venha sorrindo, me traga um sinal,
Eu já pouco esbanjo, careço de sorrir
Sem boas notícias, irei de uma vez ruir ou me esbaforir
Junto com as andorinhas da torre da igreja
Do padroeiro São Pedro Apóstolo?

Num bater de asas, em resposta ao vento,
Da janela, em seu parapeito, são expostas
Doces palavras consentidas ao relento do que sonhas...
Em suas mãos e em seu peito recém-minado
Existe desde sempre tudo ao contentado timbre.

Remetente misterioso do sítio do Vapor,
Que com rimas ávidas escreve em primazia,
Que queres que eu entenda, pombo-correio?
Que queres que eu enleve em palavras medonhas?

O tempo passou e a pergunta letras rabiscou,
Fiz o que o bilhete me mandou redigir em lavras,
Fitei minhas mãos, revi meu coração partido...
Então, me expus em versos de astuta rima,
Uma vez que ambos só sabem viver afoitos,
A partir do interior, a correr dentro e alto, sem selo,
Num vagão de eiras, leiras e beiras sem desmuniciamento,
Sem medo da cuca maluca, sem compostura e zelo,
Sem medo de assanhar até os pelos da venta!

domingo, 29 de junho de 2014

AMIGA VIRGÍNIA ZERBA GRASSO, A MÃO DA DOÇURA! por João Maria Ludugero

 
 
 
AMIGA VIRGÍNIA ZERBA GRASSO, A MÃO DA DOÇURA!
por João Maria Ludugero

Virgínia Zerba Grasso,
uma grande AMIGA em minha vida,
aquela pessoa com quem conversamos sem reservas,
independente da hora ela sabe oferecer
o aconchego do seu coração
sem pedir nada em troca, e quando ela precisa
sabe que pode fazer o mesmo sem objeção,
não importa o tempo
que estejamos distantes fisicamente,
pois amizade é irmã do amor e não tem cara,
tem reciprocidade, afetividade, respeito,
carinho, confiança e alegria.

Porque amigo de verdade é aquela pessoa
que nos diz o que acha ser correto,
mesmo não sendo o que gostaríamos de escutar,
mas sabe respeitar a decisão do outro sem censuras.
Amigo sincero nos avisa do perigo
quando não conseguimos enxergar,
sem contrapor nas decisões tomadas.

Sim, 'Gina' é uma amiga que sabe dar e receber
o ombro amigo sem pré-requisitos,
ela sabe ouvir, tanto quanto escutar...
Amiga naturalmente se comporta
com aceitação mil e ameaça zero.
Não existe escola para formação de amigos,
eles por si já nascem aptos,
por isto não impomos regras
dentro de uma amizade,
elas se compatibilizam sem invasões,
unindo os verdadeiros amigos,
sem maldades, sem segredos, sem interesses,
a felicidade de um, é a felicidade do outro.
Sem esforço, sabemos distinguir nossos amigos,
hoje, eu te procurei Virgínia, simplesmente para dizer:
- Estou feliz porque te amo,
minha estimada amiga de sempre,
és muito importante para mim!