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domingo, 8 de março de 2015

PURA VARZEANIDADE, por João Maria Ludugero

VARZEANIDADE,
por João Maria Ludugero

Eu tenho minha afoita varzeanidade,
os raios do sol de São Pedro Apóstolo
não me derreteram ou tragaram
além das nuvens esfiapadas
e a seara não me tragou
ao estio do agreste de Ângelo Bezerra.

Agora, os bons ares me iluminam o espírito,
refaço o caminho ascendente de regresso
ao antigo Vapor de Zé Catolé,
ora sob o comando de Seu Zuquinha,
sem medo da cuca esbaforida,
mas se preciso for, sem dúvida,
sou astuto menino João maduro
Ludugero Tão levado da breca,
sou sanhaço só a apreciar o mamão formoso,
sou curió, canário-de-chão, sabiá ou pintassilgo,
sou bem-te-vizinho, tetéu ou galo-de-campina,
sou de assanhar até mesmo
os pelos da venta!

SUPREMA VARZEANIDADE, por João Maria Ludugero

 

SUPREMA VARZEANIDADE,
por João Maria Ludugero

Varzeamarei a vida toda e...
tantas outras que me forem dadas a andar,
a correr dentro e a voar alto,
sem medo da cuca esbaforida,
mas se preciso for, sem sombra de dúvida,
vou além das quatro-bocas ao Riacho do Mel,
vou além da praça do Encontro Cleberval Florêncio,
vou além da vargem até chegar 
ao paredão do açude do Calango,
vou além da lenda da mulher que chorava 
e foi embora num carro encantado 
que partiu, de carona, lá do Vapor de Zé Catolé,
antes estando com uma trouxa-de-roupa 
na cabeça rumo à Nova Esperança,
e bem ganhou o mundo a assanhar 
até mesmo os pelos da venta... 
e deixou a transbordar meu coração partido, 
a chorar de verdade,
a marejar meus olhos d'água 
em vertentes saudades,
vou além das Formas do Gado Bravo,
vou além dos Seixos de dona Santina,
vou além do Itapacurá da casa-de-farinha 
de tio João Pequeno,
vou além da seara das mangas, dos cajus, 
das jacas e das pitombas
lá do sítio da inesquecível dona Julieta Alves...
Vou que vou além dos Ariscos de dona Beatriz,
dos Marreiros, de Antônio Belo, 
de dona Clarisse de Seu Milton,
vou além das canas-caianas e curimbatórias 
lá do Arisco de Virgílio Pedro
e nunca encontrarei razão para não pensar 
em amortecer as dores
do peito, pois varzeamar vale a pena
 e que a peleja deste amor não é,
nunca foi nem será em vão 
e que bem se apanhem todas as lembranças
da terra de Ângelo Bezerra, Olival de Carvalho 
e de Seu Raimundo Rosa.


INFINITA VARZEANIDADE PLENA, Autor: João Maria Ludugero

 
 

 
 
 
 
 

INFINITA VARZEANIDADE PLENA,
Autor: João Maria Ludugero

Sem sombras de dúvidas, ao Vapor,
Bem apanhado, completo e contemplativo,
Tenho certeza que devo ser uma espécie
de eterno menino João maduro Ludugero:
não tenho medo nenhum de andar, a correr dentro
e a voar alto nas profundezas da varzeanidade:
Sinto-me um verdadeiro agreste em vida rasa,
sem medo nenhum da cuca esbaforida, mas se preciso for,
Nunca se meta a duvidar disso, pois sou mesmo inteiro assim
de assanhar até os pelos da venta, sem calar a voz nem apagar
meus clamores, sem cancelas desde a estrela Dalva da manhã
ao arrebol da tarde laranja sob a seara do açude do Calango...

Quero olhar hoje a ti, ó querida Várzea,
com olhos cheios de amor, ser paciente, compreensivo,
manso, destemido, irmão da coragem e prudente.
Ver, além das aparências, teus filhos,ó Várzea amada,
Assim como tu mesma os vês, e assim não ver senão
o bem em cada um, além do jasmim-manga em flor e acima
do destemido tô-fraco dos guinés ou galinhas-d'Angola!

Cerro meus ouvidos a qualquer tristeza.
Guardo minha língua de toda maldade.
Que só de bênçãos se enche meu espírito.
Que eu seja tão bondoso e alegre, que todos
quantos se achegarem a mim, sintam a tua presença,
ó sagrada Várzea de Ângelo Bezerra.
Cidade da cultura revestida em singela beleza.
E que, no decorrer da minha vida, dia-após-dia,
eu te revele em Formas, Seixos, Maracujás, Umbus,
Riacho do Mel, Lagoa Comprida, Gado Bravo, Ariscos de Virgílio Pedro,
Além das quatro-bocas da rua Grande aberta a todos,
Além da verde algarobeira da Praça do Encontro Cleberval Florêncio,
Além do Recanto do Luar de Raimundo Bento,
Além da preserVARZEAção de renovadas e antigas esperanças,
Além dos beijus, das tapiocas e farinhas do Itapacurá de Tio João Pequeno
E das carregados cajueiros, mangueiras e pitombeiras lá do sítio da inesquecível Senhora Julieta, Avó de Edileusa Alves da Cunha...

Minha Várzea de São Pedro Apóstolo padroeiro, seara do Retiro de Seu Olival de dona Penha, chão-de-dentro da rezadeira Dalila Maria da Conceição, das louceiras de alguidares, potes, panelas e chaleiras feitos por dona Ana de Manoel de Anísio, das cargas, balaios e caçuás de bugigangas, dendês, favas, feijões, milhos, aguardentes-de-cana, mel de abelhas, ovos caipiras, queijos, coalhadas, farinhas e cocadas das redondezase recantos do interior trazidos por Seu Zé Borges de dona Di...

Ainda agora que as vozes não silenciaram nem os clamores se apagaram,
aqui do pé da cama minha alma se eleva a Ti, para dizer: Varzeamo-te! Escrevo versos para ti, com ou sem carecer de rimas, e varzeamando-te com todas as minhas forças, ao Várzea/enaltecê-la, sem me encostar ou buscar amparos cabotinos!

Amorteço as dores da saudade que transborda em meus olhos d'água, Deposito em escritos consentidos as mãos, as fadigas da luta, sem esmorecimento, no intuito de quebrar até mesmo o pote da fantasia, libertando o coração repleto de alegrias e encantos de um futuro presente passado a limpo, dia-após-dia, ao vão da Várzea agreste de Seu Odilon Ludugero.

Se as letras ávidas me atraem, se os impulsos poéticos me dominam,
se dou lugar ao amor, à paz, à Fé sem meros entristecimentos,
persevero em minha batalha a honrar teu nome,
Ó Várzea da estimada Madrinha Joaninha Mulato!

Tenha confiança em mim. Se fui incompleto,
se pronunciei cantigas em vão, se me deixei levar
pela impacto das palavras, se fui um espinho afoito
a desolar as ervas-daninhas da seara varzeana,
perdão, ó Várzea dos Caicos!

Nesta data não quero entregar-me ao sonho
sem sentir o acordar na minha alma a segurança dessa varzeanidade,
a Tua doce cordialidade inteiramente gratuita. Várzea! Eu te agradeço, minha terna seara do boi-de-reis de Mateus Joca-Chico, porque és a sombra fresca do juazeiro que me cobriu tantas vezes durante tantos reencontros do riachão ao Retiro de Seu Olival Oliveira de Carvalho.

Eu te agradeço porque, simplesmente, carinhosa e envolvente seara
do rio Joca, bem cuidaste de mim como uma mãe, em todas suas horas.
Várzea! Ao redor de mim tudo já é silêncio e calma, apesar da saudade que se alastra em meu peito.
Envia, ó meu Supremo Arquiteto do Universo,
o anjo da paz à nossa Várzea de Ângelo Bezerra.

Escuta meus versos, sossega o meu espírito, solta as minhas tensões, inunda meu ser de silêncio e de serena varzeanidade.
Vela por mim, Deus querido, enquanto eu me entrego confiante a escrever, como uma criança que acorda contente,
tão feliz da vida em teus braços.
Em teu nome, Várzea das Acácias
de Severino 'Silva' Florêncio Sobrinho,
descansarei tranquilo, até que me chegue a vindoura eternidade.

Assim seja, minha amada Várzea de Xibimba,
irmão de Vira de Lucila de Preta, habitantes do torrão
do estimado João Redondo de Seu Pedro Calixto
e do Pastoril de Joaquim Rosendo,
das animadas festanças e quadrilhas juninas
de Seu Geraldo 'Bita Mulato' Anacleto de Souza,
das soldas e dos sequilhos de dona Carmozina,
dos bolos-pretos, beijus, tapiocas, raivas,peitos-de-moça,
puxa-puxas, línguas-de-sogra, babaus de batata-doce, sonhos,
papos-de-anjos, mungunzás, canjicas, pamonhas, paçocas,
quebra-queixos, cuscuz de milho-zarolho, papas, brotes,
babaus-de-batata-doce feitos por dona Zidora Paulino,
dos beijus, tapiocas e cocadas de dona Tonha de Pepedo,
dos siris, camarões e caranguejos dos Antonios Lunga e Rodrigues,
dos pastéis de Xinene, mãe de Picica de Cícero Paulino,
dos hibiscos-rosas dobrados, das onze-horas multicoloridas
de dona Maria Orlanda de Seu Nestor, pai do Oliveira de Alexandria,
dos jogos de dama e dominó de Seu Antonio Coelho,
das vaquejadas de Djalma Cruz e do inesquecível Reginaldo Ferreira
de Queiroz, o 'Ré da Viúva', dos papos-cabeça
de Seu Minor de dona Marina, das peladas e outros jogos
na Vargem, dos banhos e pescarias no rio Joca,
da bodega dos quebra-queixos e das rapaduras
de Seu Zé Anjo lá na rua do Arame, das gostosas merendas
feitas por dona Suzéu, Benedita e dona Maria Gomes
junto às Escolas Pe. João Maria e a Dom Joaquim de Almeida,
das tarrafas dos engenhosos e arteiros Antonios Gomes e Euzébio,
dos landuás de dona Neda a pescar graúdos jacundás,
piabas, aratanhas, muçuns e carás lá no rio de Nozinho,
dos picadinhos de dona Sinhá, das macaxeiras,
do milho-assado ou cozido de dona Alice de Abílio,
da frequência do banco de Nina em roda-de-conversa,
dos fuxicos multicoloridos de dona Neves,
do cafuné, do abraço e dos sensatos conselhos
de Dona Do Carmo, das rezas e orações de dona Onélia
de Seu Raimundo Rosas, com o fito de se achar objetos furtados
ou sumidos, das ornamentadas e benditas novenas e anjos
das noites de Maio de Nossa Senhora da Conceição, na igreja-matriz
de São Pedro Apóstolo, do constante pedalar nas bicicletas de Zé de Estevão, do circo de dona Nanuca de Palito, dos torresmos suínos
feitos com maestria por dona Rosa de Antonio Ventinha,
dos galões e litros de leite lá na casa de Seu Arnor Coelho,
bem-apanhados e distribuídos por dona Albanita 'Alba' Guimarães,
dos deliciosos bolos, pastéis, galinhadas, paçocas de carne
com cebola-roxa, farofas, grudes e caldos-de-cana do Bar de Biga,
dos pães, bolachões, biscoitos, bolachas em regalias de Zé Epifânio
lá na padaria dos faceiros pitéus do saudoso Plácido 'Nenê Tomaz'
de Lima, das eficientes e primorosas aulas das professoras
Maria 'Marica' Fernandes, Wilma e Dezilda Anacleto,
Rosa Marreiros, Terezinha Bento Ribeiro, Zilda Roriz de Oliveira;
da animada semana da cultura bem-conduzida e alinhada pela ilustre Professora Gabriela Pontes, pelos bailes e rela-buchos do Adauto do Vapor de Zé Catolé, entre as melodias 'Fernando' de Perla,
do Faro-fa-fá ao bilu-teteia do Mauro Celso, Feiticeira
de Carlos Alexandre, Asa branca de Luiz Gonzaga, do Grupo 'Tigres'
de Zé Albano a tocar a canção 'Aline' no Clube Recreativo varzeano
de Manoel de Ocino de dona Santina, da sanfona de Cícero Cego,
das sinucas de Seu Lula e de Seu Otávio Gomes de Moura, pai do Maninho, do cinema de Zé Honório de Goianinha, que vinha a Várzea passar o filme em delicadas e singelas películas de Tarzan/Jane/Chita, Ringo, Conde Drácula, Django, Faroestes Caboclos, Zorro, Durango Kid, Rin-Tin-Tim, etc...São tantas e infindas lembranças a correr dentro da Várzea das comadres Oneide Maurício de Queiroz, Hernocite e Eliete
de Pedro de dona Sinhá, terra das luzes, amanheceres e esplêndidos arrebóis de dona Carminha e da eterna Mãe Claudina, umbilicalmente ligadas à nossa possante e destemida gente varzeana, assim como
a forte e tão-bondosa Soledade (Suli) de Seu Nezinho Anacleto...Etc.


sexta-feira, 6 de março de 2015

VÁRZEA-RN VAPORIZANDO EM SAUDADES Autor: João Maria Ludugero

 
 
 
 
VÁRZEA-RN VAPORIZANDO EM SAUDADES
Autor: João Maria Ludugero

O vento passa, esvoaça dentro e alto,
O tempo passa e repassa pela Várzea das Acácias.
Tudo passa além do medo da cuca esbaforida,
Nas eiras, leiras e beiras do coração.
Lá dentro, perdura a beleza plena
Que nos faz assanhar até mesmo
Os pelos da venta, aproximando-nos
Do amor, reflorescido na animação
Das multicoloridas onze-horas.

O tempo nos traz as rugas,
Cada vez mais, rusguento nos reduz
A um só verso em eufórica cantiga
Feito afoito bem-te-vizinho ao Vapor de Zé Catolé,
Hoje sob o comando de Seu Zuquinha...

Há um tempo redobrado a correr 
Pelas bermas do Itapacurá
De Tio João Pequeno, além da seara 
Das pitombas de dona Julieta Alves.
Bom tempo a economizar, 
Além do relicário de memórias vivas.
Mas o tempo é passado a limpo, 
Além da sinfonia dos sabiás e das patativas,
Sem esquecer das cancelas e dos fojos de apanhar preás,
Depois de há tempos vestido de volta-ao-mundo ou chita
Em flores miúdas dispostas nas proezas 
Do agreste de Ângelo Bezerra
Bem assim, na avidez de varzeamar 
O interior de Madrinha Joaninha Mulato.

O meu tempo e o teu, ó rezadeira Dalila,
Ó Mãe Claudina, varzeana senhora da Luz,
Ó Carminha, que também tantos umbigos elevou,
Suas experiências transcendem qualquer medida.

Além do amor, não há nada,
Varzeamar é o sumo da vida,
Além do chão-de-dentro 
Dos galos-de-campina, dos tetéus,
Dos anuns, dos canários, dos sebitos, 
Das andorinhas e dos pintassilgos.

São mitos de arribação em tantas horas extintas
Ao deslinde da paixão renovada em esperanças
Que já trouxeram tanto verde musgo aos Seixos
Na frutífera estação dos cajus e das castanhas
Pelo vão das mangas dos Ariscos de Virgílio Pedro,
Pelo Umbu e pelo Maracujá dos cocos, 
Canas-caianas ou curimbatórias
Pela bem apanhada colheita 
Dos cajás-mangas, tamarindos e pitangas
Ou pelo desvão do carro encantado,
tanto o ontem como o agora,
Em teus alvissareiros caminhos,
São um não deixar morrer o sonho,
Desde a lenda da mulher que chora...

E nosso amor, que já brotou sem esmorecimento
Do tempo dos queijos, das coalhadas, 
Dos beijus e das tapiocas
De dona Tonha de Pepedo, 
Enquanto isso tudo não tem idade,
Pois só quem varzeama escutou
O apelo da eterna varzeanidade
Na abençoada seara potiguar de dona Zidora Paulino,
Engenhosa dona-de-casa, arteira 
E bem-feitora de tantas iguarias,
Comidas típicas inesquecíveis assim 
Como brotes, cuscuz-de-milho-zarolho, bolo-preto,
Raivas, carrapichos, línguas-de-sogra, 
Peitos-de-moça, puxa-puxas, quebra-queixos
Em sonhos de dar água na boca 
De qualquer menino levado da breca pela Várzea
Da praça do Encontro Cleberval Florêncio, 
Neto de dona Júlia Rosa e de Seu Lula,
Inesquecíveis Mãe e Pai 
De Severino 'Silva' Florêncio Sobrinho!

terça-feira, 3 de março de 2015

INFINITA VARZEANIDADE PLENA, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

INFINITA VARZEANIDADE PLENA,
Autor: João Maria Ludugero

Sem sombras de dúvidas, ao Vapor,
Bem apanhado, completo e contemplativo,
Tenho certeza que devo ser uma espécie
de eterno menino João maduro Ludugero:
não tenho medo nenhum de andar, a correr dentro
e a voar alto nas profundezas da varzeanidade:
Sinto-me um verdadeiro agreste em vida rasa,
sem medo nenhum da cuca esbaforida, 
mas se preciso for,
Nunca se meta a duvidar disso, 
pois sou mesmo inteiro assim
de assanhar até os pelos da venta, 
sem calar a voz nem apagar
meus clamores, sem cancelas 
desde a estrela Dalva da manhã
ao arrebol da tarde laranja 
sob a seara do açude do Calango...

Quero olhar hoje a ti, ó querida Várzea,
com olhos cheios de amor, ser paciente, compreensivo,
manso, destemido, irmão da coragem e prudente.
Ver, além das aparências, teus filhos,ó Várzea amada,
Assim como tu mesma os vês, e assim não ver senão
o bem em cada um, além do jasmim-manga em flor e acima
do destemido tô-fraco dos guinés ou galinhas-d'Angola!

Cerro meus ouvidos a qualquer tristeza.
Guardo minha língua de toda maldade.
Que só de bênçãos se enche meu espírito.
Que eu seja tão bondoso e alegre, que todos
quantos se achegarem a mim, sintam a tua presença,
ó sagrada Várzea de Ângelo Bezerra.
Cidade da cultura revestida em singela beleza.
E que, no decorrer da minha vida, dia-após-dia,
eu te revele em Formas, Seixos, Maracujás, Umbus,
Riacho do Mel, Lagoa Comprida, Gado Bravo,
 Ariscos de Virgílio Pedro,
Além das quatro-bocas da rua Grande aberta a todos,
Além da verde algarobeira da Praça 
do Encontro Cleberval Florêncio,
Além do Recanto do Luar de Raimundo Bento,
Além da preserVARZEAção 
de renovadas e antigas esperanças,
Além dos beijus, das tapiocas e farinhas 
do Itapacurá de Tio João Pequeno
E das carregados cajueiros, mangueiras e pitombeiras 
lá do sítio da inesquecível Senhora Julieta, 
Avó de Edileusa Alves da Cunha...

Minha Várzea de São Pedro Apóstolo padroeiro, 
seara do Retiro de Seu Olival de dona Penha,
 chão-de-dentro da rezadeira Dalila Maria da Conceição, 
das louceiras de alguidares, potes, panelas e chaleiras 
feitos por dona Ana de Manoel de Anísio, 
das cargas, balaios e caçuás de bugigangas, 
dendês, favas, feijões, milhos, aguardentes-de-cana, 
mel de abelhas, ovos caipiras, queijos, 
coalhadas, farinhas e cocadas das redondezas 
e recantos do interior trazidos 
por Seu Zé Borges de dona Di...

Ainda agora que as vozes não silenciaram 
nem os clamores se apagaram,
aqui do pé da cama minha alma se eleva a Ti, 
para dizer: Varzeamo-te! Escrevo versos para ti, 
com ou sem carecer de rimas, 
e varzeamando-te com todas as minhas forças, 
ao Várzea/enaltecê-la, sem me encostar 
ou buscar amparos cabotinos!

Amorteço as dores da saudade 
que transborda em meus olhos d'água, 
Deposito em escritos consentidos as mãos, as fadigas da luta, sem esmorecimento, no intuito de quebrar 
até mesmo o pote da fantasia, libertando o coração
 repleto de alegrias e encantos 
de um futuro presente passado a limpo, 
dia-após-dia, ao vão da Várzea agreste 
de Seu Odilon Ludugero.

Se as letras ávidas me atraem, 
se os impulsos poéticos me dominam,
se dou lugar ao amor, à paz, à Fé 
sem meros entristecimentos,
persevero em minha batalha a honrar teu nome,
Ó Várzea da estimada Madrinha Joaninha Mulato!

Tenha confiança em mim. Se fui incompleto,
se pronunciei cantigas em vão, se me deixei levar
pela impacto das palavras, se fui um espinho afoito
a desolar as ervas-daninhas da seara varzeana,
perdão, ó Várzea dos Caicos!

Nesta data não quero entregar-me ao sonho
sem sentir o acordar na minha alma 
a segurança dessa varzeanidade,
a Tua doce cordialidade inteiramente gratuita. 
Várzea! Eu te agradeço, minha terna seara 
do boi-de-reis de Mateus Joca-Chico, 
porque és a sombra fresca do juazeiro 
que me cobriu tantas vezes durante 
tantos reencontros do riachão ao Retiro 
de Seu Olival Oliveira de Carvalho.

Eu te agradeço porque, simplesmente, 
carinhosa e envolvente seara
do rio Joca, bem cuidaste de mim como uma mãe, 
em todas suas horas.
Várzea! Ao redor de mim tudo já é silêncio e calma, 
apesar da saudade que se alastra em meu peito.
Envia, ó meu Supremo Arquiteto do Universo,
o anjo da paz à nossa Várzea de Ângelo Bezerra.

Escuta meus versos, sossega o meu espírito, 
solta as minhas tensões, inunda meu ser 
de silêncio e de serena varzeanidade.
Vela por mim, Deus querido, 
enquanto eu me entrego confiante a escrever,
 como uma criança que acorda contente,
tão feliz da vida em teus braços.
Em teu nome, Várzea das Acácias
de Severino 'Silva' Florêncio Sobrinho,
descansarei tranquilo, até que me chegue 
a vindoura eternidade.

Assim seja, minha amada Várzea de Xibimba,
irmão de Vira de Lucila de Preta, habitantes do torrão
do estimado João Redondo de Seu Pedro Calixto
e do Pastoril de Joaquim Rosendo,
das animadas festanças e quadrilhas juninas
de Seu Geraldo 'Bita Mulato' Anacleto de Souza,
das soldas e dos sequilhos de dona Carmozina,
dos bolos-pretos, beijus, tapiocas, raivas,peitos-de-moça,
puxa-puxas, línguas-de-sogra, babaus de batata-doce, sonhos,
papos-de-anjos, mungunzás, canjicas, pamonhas, paçocas,
quebra-queixos, cuscuz de milho-zarolho, papas, brotes,
babaus-de-batata-doce feitos por dona Zidora Paulino,
dos beijus, tapiocas e cocadas de dona Tonha de Pepedo,
dos siris, camarões e caranguejos 
dos Antonios Lunga e Rodrigues,
dos pastéis de Xinene, mãe de Picica de Cícero Paulino,
dos hibiscos-rosas dobrados, das onze-horas multicoloridas
de dona Maria Orlanda de Seu Nestor, 
pai do Oliveira de Alexandria,
dos jogos de dama e dominó de Seu Antonio Coelho,
das vaquejadas de Djalma Cruz 
e do inesquecível Reginaldo Ferreira
de Queiroz, o 'Ré da Viúva', dos papos-cabeça
de Seu Minor de dona Marina, das peladas e outros jogos
na Vargem, dos banhos e pescarias no rio Joca,
da bodega dos quebra-queixos e das rapaduras
de Seu Zé Anjo lá na rua do Arame, das gostosas merendas
feitas por dona Suzéu, Benedita e dona Maria Gomes
junto às Escolas Pe. João Maria e a Dom Joaquim de Almeida,
das tarrafas dos engenhosos e arteiros Antonios Gomes e Euzébio,
dos landuás de dona Neda a pescar graúdos jacundás,
piabas, aratanhas, muçuns e carás lá no rio de Nozinho,
dos picadinhos de dona Sinhá, das macaxeiras,
do milho-assado ou cozido de dona Alice de Abílio,
da frequência do banco de Nina em roda-de-conversa,
dos fuxicos multicoloridos de dona Neves,
do cafuné, do abraço e dos sensatos conselhos
de Dona Do Carmo, das rezas e orações de dona Onélia
de Seu Raimundo Rosas, com o fito de se achar objetos furtados
ou sumidos, das ornamentadas e benditas novenas e anjos
das noites de Maio de Nossa Senhora da Conceição, 
na igreja-matriz de São Pedro Apóstolo, do constante pedalar 
nas bicicletas de Zé de Estevão, 
do circo de dona Nanuca de Palito, dos torresmos suínos
feitos com maestria por dona Rosa de Antonio Ventinha,
dos galões e litros de leite lá na casa de Seu Arnor Coelho,
bem-apanhados e distribuídos por dona Albanita 'Alba' Guimarães,
dos deliciosos bolos, pastéis, galinhadas, paçocas de carne
com cebola-roxa, farofas, grudes e caldos-de-cana do Bar de Biga,
dos pães, bolachões, biscoitos, bolachas em regalias de Zé Epifânio
lá na padaria dos faceiros pitéus do saudoso Plácido 'Nenê Tomaz'
de Lima, das eficientes e primorosas aulas das professoras
Maria 'Marica' Fernandes, Wilma e Dezilda Anacleto,
Rosa Marreiros, Terezinha Bento Ribeiro, Zilda Roriz de Oliveira;
da animada semana da cultura bem-conduzida e alinhada pela ilustre Professora Gabriela Pontes, pelos bailes e rela-buchos 
do Adauto do Vapor de Zé Catolé, 
entre as melodias 'Fernando' de Perla,
do Faro-fa-fá ao bilu-teteia do Mauro Celso, Feiticeira
de Carlos Alexandre, Asa branca de Luiz Gonzaga, do Grupo 'Tigres'
de Zé Albano a tocar a canção 'Aline' no Clube Recreativo varzeano
de Manoel de Ocino de dona Santina, da sanfona de Cícero Cego,
das sinucas de Seu Lula e de Seu Otávio Gomes de Moura, 
pai do Maninho, do cinema de Zé Honório de Goianinha, 
que vinha a Várzea passar o filme em delicadas e singelas películas de Tarzan/Jane/Chita, Ringo, Conde Drácula, Django, 
Faroestes Caboclos, Zorro, Durango Kid, Rin-Tin-Tim, etc...
São tantas e infindas lembranças a correr dentro 
da Várzea das comadres
Oneide Maurício de Queiroz, Hernocite e Eliete
de Pedro de dona Sinhá, terra das luzes, 
amanheceres e esplêndidos arrebóis 
de dona Carminha e da eterna Mãe Claudina, 
umbilicalmente ligadas à nossa possante e destemida 
gente varzeana, assim como a forte 
e tão-bondosa Soledade (Suli) 
de Seu Nezinho Anacleto...Etc.