Seguidores

sábado, 21 de dezembro de 2013

PÉ NA JACA! por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
 
 
 
 
PÉ NA JACA,
por João Maria Ludugero

A Jaca me dá vontade de comer
A sua polpa ávida me insulta
Atrás da burrinha da felicidade
Eu passo a correr dentro e alto
E a resposta astuta
Disso que eu sinto
Disso que eu vejo,
O que me impulsiona e
Me faz avançar ao sol
Aos solavancos pela Várzea
Em busca de meter o pé na Jaca...

Mas como é que a jaca me entende
A jaca me sacia
A jaca me deixa em viço
A Jaca me espairece as cores do dia
O que parece que vem daqui de dentro
A Jaca sabe me deixa de pé
Na jaca resguardo a minha intenção,
Meu coração se desmantela
E me esfarela as ideias adiante 

A Jaca, agora me deixa medonho!
Mas como é que parada daí me alerta
Me faz arteiro menino levado da breca
Me concede caderno e lápis em punho
Me deixa de sentinela ao ponto maduro
No acorde do sonho alvissareiro
Que me dá amor pr’eu fazer!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

MARIA FERNANDES (85 ANOS): UMA LIÇÃO DE AMOR! por João Maria Ludugero.

Maria Fernandes, dona Marica 85 anos
MARIA FERNANDES (85 ANOS): UMA LIÇÃO DE AMOR!
por João Maria Ludugero.

Que saudade que sinto 
Da professora Maria Fernandes, 
A Dona Marica, que me ensinou 
A ler e escrever as primeiras letras e números,
Entre cartilhas, ditados, palavras e tabuadas, 
Ela sabia contar histórias.
Tinha a meiguice da flor.
Tinha o dom de encantar,
Sem usar da palmatória,
Gostava muito de ensinar,
Minha professorinha do interior.
Ela irradiava tanta magia,
Esse anjo de quem falo,
Rasgo meu peito e não calo,
Habita o meu coração.
É dona Marica de Otávio
Que ainda vive e reside
Lá na minha Várzea das Acácias,
Onde tem a sua casa.
Ela que teve um bonito caminho,
Enquanto pode lecionou.
E a essa doce criatura varzeana
Que viveu em prol da cultura,
Com carinho e gratidão,
Ofereço estes meus versos de amor.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

ASAS DE COR, por João Maria Ludugero


ASAS DE COR,
por João Maria Ludugero.

Passos de outrora
Passos de presente
Passos de porvir
Renovados em esperanças
E sempre recriados agora
No transformar da lida
Vida que se recria
Vida que se inova
Vidas que se fundem
Em uma e outras vidas 
A correr dentro e alto
Num solene esvoaçar 
De asas multicoloridas 
Que passam e que revoam
Além das nuvens esfiapadas,
Além dos riachos do mel
Além da Várzea das Acácias,
Além dos rios
Além dos mares,
Asas douradas destemidas
Que passam e que revoam
Radiantes em disparada
Além de mim
Além de nós
Além do/ente!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

LUDUGERO + MANDACARU + XIQUE-XIQUE, por João Maria Ludugero

mandacaru - fruta na baciamandacaru1fruto mandacarucactos2013mandacarupássaro no cactofruto do cactoflor do mandacaru
LUDUGERO + MANDACARU + XIQUE-XIQUE,
por João Maria Ludugero

A estação a criou por ensejo,
Para viver, com o estio nordestino.
E na vida semi-árida impera a beleza,
Do nascer como flor entre os espinhos...

E assim um Cristo em forma de flor,
Colorindo a vida, na fornalha da seara...
No solo arisco, desabrocha entre a dor,
Com a cor rubra pura da paixão...

Assim num gesto impoluto, amiúde,
Trazendo nova germinação à semente,
Que caiu pela terra seca e ardente,
Elevada pelo suor do amor astuto,
Até se transformar novamente em flor...
E, de repente, vingar de novo tangente,
Até se tornar num magnífico fruto!

NO COLO DA ESTRELA, por João Maria Ludugero

Maria Dalva, Mãe!

NO COLO DA ESTRELA, por João Maria Ludugero

Quando eu era pequeno
Minha mãe Maria
Já me vestia de poesia.
Me banhava na bica do quintal
Com o despontar da estrela matutina.
Eu escovava os dentes com raspas de juá.
Eu sorria tão bonito e feliz, 
Lavava a alma, sem queixas,
Apesar da água fria.
Da vida que me levava
Não tinha do que reclamar.
Ficava até sem palavras,
Mas de ouvidos bem limpos.
Só na escuta, contemplativo,
Aprendendo a mais ver,
Vivendo a observar dali
O horizonte que se estendia acima
Do alpendre da nossa casinha
E o que também via o bem-te-vi,
Sem me pre-ocupar com o bicho
Da goiaba nem com a vida-papão.
Se já era meio-dia ou
Se o sol estava a pino
Se o sol estava alto,
Com o canto da cigarra,
Se havia chuva ou estio.
Assim, nesse diapasão, 
A vida tanto me encantava
E me fazia adormecer 
Logo cedo com as galinhas,
Ao cair da tarde amena,
Deitado no colo da minha mãe, 
Que me ninava na lida do lar,
Como quem recita uma cantiga,
Como quem reza baixinho
Para espantar papa-figos.
Hoje estou gente grande,
Escrevinho meus poemas
De vestígios, sombras e ruídos
De vestes e luzes não postiças
Que me acompanham dia-após-dia.
Mas como se escreve carinho, 
Conforto, descanso, ternura, 
Meiguice, aconchego e doçura?
Ora me visto dos versos que invento,
Ora me reinvento, exponho-me 
Desnudo não me acanho, me pego 
Ao chorar solitário no escuro,
Sempre que a saudade me bate,
Toda tarde quando o sol se põe. 
E ela, que me ensinou o ato de contrição,
Nem mais está para me apanhar
No colo – Minha estrela Vesper,
Que voltou pro seu lugar no azul,
De onde permanece toda firme
A me fitar, a me ninar os sonhos.
O tempo passou. Ganhei espaço. 
Continuo a ser eterno menino 
Travesso, metido a ser gente grande,
Mas que ainda se veste de poesia, 
E passou a escrevê-la no papel,
Só pra acordar, ver de longe e perto 
Sua estrela D’alva, altiva a brilhar
No céu de toda saudosa manhã.
Hoje eu sei como escrever Amor.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

LUDUGERO: URUCUM, por João Maria Ludugero

 
  
 
 
 
 
 
 
 
 
LUDUGERO: URUCUM, por João Maria Ludugero.

Plena natureza viva
Em bons ares ao sol avanço
É boca com sorriso estrelado
Olhar de esperança renovada,
Pés com rumo certo: Ludugero.
Solavancos dentro e alto,
Dentro de uma cor encarnada
De um eu que renasceu.
Nasci de novo, viu?
Hoje sou feito urucum:
Cor da vida,
Cor da terra,
Encanto explosivo natural,
Tinta sagrada do guerreiro atento,
De assanhar até os pelos da venta,
Em segredos de astuto poeta ávido.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

MINHA VÁRZEA-RN: 54 PRIMAVERAS, por João Maria Ludugero

 

MINHA VÁRZEA-RN: 54 PRIMAVERAS, por João Maria Ludugero

Banhada és tu pelas águas do rio Joca, 
Donde, ao findar a tarde, tens um pôr-do-sol exuberante. 
Mãe de uma gente que te admira em belas cantigas, 
E, não te esquece, mesmo quando em terra tão distante. 

Orgulho puro o de quem nasceu de tuas entranhas, 
Por ver-te fortalecida, mesmo ferida pelo mão do estio. 
Sobrevivente da ambição da lida, não te estranhas, 
Nem a quem te feriu como num corte em carne viva. 

Em cada esquina de tuas quatro bocas há magia. 
E na tua praça do encontro, vês nascer novos amores. 
Mavioso encanto e inspiração na minha poesia, dia-após-dia,
És uma das mais belas dentre todas outras flores potiguares. 

Enamorado, apaixonado, te declaro: 
Que infinito é o que tenho ao coração. 
Como poeta, nos meus versos deixo claro. 
Todo o amor por ti: Várzea das Acácias!

PITOMBAS, por João Maria Ludugero

 
 
 

PITOMBAS,
por João Maria Ludugero.

Olá, menina venha me comprar pitombas,
Olá, faceira menina venha se deliciar na feira!

Tem da verde e da madura,
Tem cacho doce e de arretar;
Traga ligeiro sua mãe, menina-moça,
Sei que você quer me chupar pitomba.

Olá, contente menina alegre a vida,
Venha bem-querendo chupar pitomba!
Compre um cacho de pitomba madura,
Só não engula o caroço, por favor;
Que o danado pode entupir na saideira,
E assim vai sair fazendo aquele alvoroço.
Mas, não se demore na lida,
Venha que venha me chupar pitomba!