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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

VÁRZEA-RN: PELAS QUATRO BOCAS DO AGRESTE VERDE, por João Maria Ludugero

VÁRZEA-RN: PELAS QUATRO BOCAS DO AGRESTE VERDE,
por João Maria Ludugero

São Pedro Apóstolo saudou a todos e disse atento: 
- Paz seja convosco, esforçai-vos pela minha paz. 
Sede vigilantes para que ninguém vos engane, a correr dentro,
Com possante lavra de palavras feito 'vede aqui' ou 'vede acolá',
Sem carecer de ser cabotino pela seara da Várzea das Acácias, 
Pois o Filho do Homem está no seu interior mais profundo,
Além das entranhas dos Ariscos de cajás, cajus e mangas,
Além dos Seixos de lajedos verde-musgados até às Formas,
A ganhar os canteiros em flores de mulungu, jasmim-manga
E onze-horas, antes de esbaforir as astutas damas-da-noite
Dentre lumes, candeias e perfumes a correr dentro da lida e 
Bem assanhar até mesmo os pelos da venta pelas quatro-bocas 
Do belo agreste verde da Várzea de madrinha Joaninha Mulato!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Mas o que vem a ser a VARZEANIDADE? por João Maria Ludugero

 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mas o que vem 
a ser a 
VARZEANIDADE?

por 
João Maria Ludugero


É o estado 
de a gente 
correr 
dentro e alto

pelo 

agreste verde 
da Várzea 
das Acácias,

a 
assanhar 

até 
mesmo 
os pelos 
da 
venta!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

VARZEANIDADE II, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
VARZEANIDADE II,
por João Maria Ludugero

Então, 
num acorde 
de sonho, 
Deus me disse:
-Menino João maduro, 
nada lhe posso dar
que já não exista 
em você mesmo, poeta!
Não posso abrir-lhe outro mundo de varzeamares,
A correr dentro e alto, sem que assanhes até os pelos da venta,
Além daquele que há em sua própria alma nunca esbaforida.
Nada lhe posso dar a não ser a varzeanidade de escrever,
Sem medo da cuca ou a astuta necessidade de querer ser cabotino,
Fazer versos oportunos, com todo o impulso, sem morrer à míngua.
Eu lhe darei a chave das trilhas 
da seara de São Pedro Apóstolo,
Eu o ajudarei a tornar visível 
a sua própria Várzea, e isso é tudo.

VÁRZEA-RN: O INTERIOR DO CORAÇÃO, por João Maria Ludugero

 
 

VÁRZEA-RN:
O INTERIOR DO CORAÇÃO,
por João Maria Ludugero

O
que
importa
não é a Várzea
onde moramos,
mas onde, em nós,
a Várzea tem habite-se.

domingo, 16 de novembro de 2014

VERDADE, A PARTIR DA ILUSÃO, por João Maria Ludugero

 
 VERDADE, A PARTIR DA ILUSÃO,
por João Maria Ludugero

Não só de manjar na lida,
Em vias de tornar-se poesia,
O que realmente experenciamos
Na alma como verdade já se esvai, a correr dentro e alto;
Ainda não fenece completamente no engenhoso contexto,
Mas já se escapole numa leira de palavras consentidas...
Portanto, ademais, a verdade consiste da ilusão advinda
Em que ficamos cônscios de que, profundamente, sem desvario,
Com cada frase em lavra tendemos a nos afastar da verdade,
Mas, sem se esbaforir, pegamos novas bermas com todo afinco,
E, sem medo da cuca, mesmo que se de coração partido,
A gente tentar reabrir as cancelas,
Sem receio de vir a assanhar
Até mesmo os pelos da venta!

BEM-TE-KIRO EM FOLHAS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
  
 
 
 
 
 
BEM-TE-KIRO EM FOLHAS,

por João Maria Ludugero



Desde longe, a correr dentro e alto,
Eu observo a faceira menina da cantiga.
Bem olho para Kiro, mas olho para o interior!
Tu mesma, por imergires nas fontes da ávida lida,
Deves conquistar o que te faz menina-moça-mulher atenta,
Tornando-te sobremaneira uma musa que me nina assim tão bela,
Disposta, de sentinela espairecida, pela bonita seara de Nova Canaã.

SÉRIE: UM CAÇUÁ DE SAUDADES (TOTAL: 3.554 POEMAS ESCRITOS ATÉ ESTA DATA) - O MEDONHO MENINO DA VÁRZEA DAS ACÁCIAS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
  
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SÉRIE: UM CAÇUÁ DE SAUDADES
(TOTAL: 3.554 POEMAS ESCRITOS ATÉ ESTA DATA)
- O MEDONHO MENINO DA VÁRZEA DAS ACÁCIAS,
por João Maria Ludugero

Eu só quero
O cheiro das manipueiras, das farinhadas
Dos Ariscos ou dos Seixos de dona Santina,
O aroma dos beijus, dos grudes de coco,
Um singelo babau de batata-doce e macaxeiras
Com uma caneca-de- ágata de café em coador de pano,
Alguns ovos estrelados na manteiga-de-garrafa,
Um bocado de tapiocas na folha de bananeira
Lá da casa de farinha do Vapor de Zuquinha...
Quero jogar uma pelada lá na beira da Vargem,
Andar descalço a caminho do açude do Calango
De água verde-musgo nas terras de Ré da Viúva.
Eu quero mais que a cantiga dos galos-de-campina
DO sítio de Zé Canindé, 
Ou o mormaço de volta
Pelos caminhos dos lajedos e vertentes do interior:
Solavancar-me a correr pelo chão-de-dentro do Riacho do Mel,
Até me achar no Maracujá varzeano ou no Umbu dos Quilaras
Ou ainda no Itapacurá de Tio João Pequeno e de dona Julieta Alves.