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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

PLENA DEDUÇÃO, por João Maria Ludugero

 
  
PLENA DEDUÇÃO,
por João Maria Ludugero

Não só de cubar a lida,
Mas não acabarão nunca com o amor,
Nem as rusgas,
Nem as partidas
Nem a distância,
Tudo ainda fica
Aos bons ares em prumo
A correr dentro e alto.
E no pensar consentido,
Está mais que provado,
Pensado,
Verificado...
Não exaurido.
A manjar a obra-prima
Minha autêntica estrofe
Aqui levanto sem rima
Que medita a sentir
E faço um juramento:
- Amo de verdade
Firme, sem quebra,
Ávido, fiel, animado
E o amor tecido em cores
De renovadas esperanças
Para todo o sempre!

VÁRZEA-RN: UMA VERTENTE DE SAUDOSAS LEMBRANÇAS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 





VÁRZEA-RN: 
UMA VERTENTE 
DE SAUDOSAS LEMBRANÇAS,

por João Maria Ludugero

Saudosos momentos da Várzea das Acácias,
saudosos amigos que inventaram o olhar espairecido
direto ao Vapor de Zuquinha, berço dos canários-de-chão
longas eram as rodas-de-conversa no banco de Nina,
longos eram os papos pelas calçadas da igreja-matriz
do padroeiro de São Pedro Apóstolo, ilustre pescador
as peles tinham o bronze radiante em cor tão bonita,
as tearas cintilantes nas tranças dos cabelos das meninas
entrelaçados pelas mudas de flores de jasmim-manga,
as bocas enfeitadas num sorriso de açucena,
os perfumes em almas de flores e alfazemas,
toda menina varzeana a brincar na amarelinha
e as moças faceiras a pular corda e rodopiar ao abundante
apelo em atiçar a beleza natural estampada ao almejo dos olhos
do inesquecível homem do pitéu, Seu Plácido 'Nenê Tomaz' de Lima,
a nos contemplar com seus balaios de tantas regalias, pães e bolachões
sob o digno talento e em boas, bem apanhadas e engenhosas mãos
do padeiro Zé Epifânio...

POETA JOÃO LUDUGERO AO DESENCOSTO DA LIDA, (por João Maria Ludugero)

POETA JOÃO LUDUGERO AO DESENCOSTO DA LIDA,
(por João Maria Ludugero)

Desde que me entendo por Ludugero,
Sou apenas um cantigueiro pelas andanças da lida
Sem se esbaforir feito sanhaço só na peleja 
Disposto pelas bermas de tantos horizontes
O menino João maduro e tão arteiro se vai
A correr dentro e alto, sem medo da cuca,
Que até perdeu o medo de se perder, 
Mas, entretanto entretido, se preciso for, 
É mesmo de assanhar até os pelos da venta!
Estou seguro de que sou astuto e levado da breca
E podem me chamar de louco...não me importo.
Podem zombar das minhas ideias, também não me atento!
O que me interessa é que tenho os olhos doidos, 
Feito um anjo que vende a verdadeira ilusão do sonho 
Para os transeuntes pelos canteiros laranjas ao arrebol...
Não tenho bússola, mas sei o norte a tomar, sem desvario,
E também sei que tenho acordes do que careço pra sonhar...
Tenho as palavras das quais sou escravo, sem carecer sê-lo,
Sem necessitar de ser cabotino, mas por tal vontade própria,
Porque elas me libertam pelas viagens ao infinito do imaginário!
Sou apenas um poeta que ora chora, ri e sente
À procura de mim mesmo, oásis-meado na vida,
Sem nenhum medo de quebrar o pote da fantasia
Ou até desencostar almas sedentas ao exorcismo,
Desapeando-me na compostura dos cabrestos da sina,
Sem carecer de nenhum veneno ou vidro de estricnina!





quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

VÁRZEA-RN: UMA VERTENTE DE SAUDOSAS LEMBRANÇAS, por João Maria Ludugero

 
 
VÁRZEA-RN: UMA VERTENTE DE SAUDOSAS LEMBRANÇAS,
por João Maria Ludugero

Saudosos momentos da Várzea das Acácias,
saudosos amigos que inventaram o olhar espairecido

direto ao Vapor de Zuquinha, berço dos canários-de-chão

longas eram as rodas-de-conversa no banco de Nina,
longos eram os papos pelas calçadas da igreja-matriz
do padroeiro de São Pedro Apóstolo, ilustre pescador
as peles tinham o bronze radiante em cor tão bonita,
as tiaras cintilantes nas tranças dos cabelos das meninas
entrelaçados pelas mudas de flores de jasmim-manga,
as bocas enfeitadas num sorriso de açucena,
os perfumes em almas de flores e alfazemas,
toda menina varzeana a brincar na amarelinha
e as moças faceiras a pular corda e rodopiar ao abundante
apelo em atiçar a beleza natural estampada ao almejo dos olhos
do inesquecível homem do pitéu, Seu Plácido 'Nenê Tomaz' de Lima,
a nos contemplar com seus balaios de tantas regalias, pães e bolachões
sob o digno talento e em boas, bem apanhadas e engenhosas mãos
do padeiro Zé Epifânio...



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

VÁRZEA-RN: EM FLAMEJANTE SAUDADE, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VÁRZEA-RN: EM FLAMEJANTE SAUDADE,
por João Maria Ludugero


Se você deseja
com seu coração de menino medonho
ou se é com seus acordes de sonhos
— sua inspiração —
o que mais almeja em se achar entretido,
se é com sua alma disposta
e sua peleja sem tamanho
que realmente quer chegar
a habitar sua Várzea das Acácias,
não importa as Formas
que ela possa ter,
pois a Várzea de madrinha Joaninha Mulato
é muito mais que para ser sentida pelo chão-de-dentro
do Maracujá aos Umbus,
dos Seixos ao Itapacurá
de Tio João Pequeno,
para ser vivida em chama interior,
sem flamejantes coivaras na roça
desde o Vapor de Zuquinha,
para ser varzeamada
e ser possuída, leira por beira,
em renovadas esperanças
não somente para se ver
na bicada do sanhaço só 
ou ouvida em plena cantiga
de pintassilgo, sabiá ou bem-te-vizinho!





AGRESTE CANÇÃO DA VÁRZEA DAS ACÁCIAS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRESTE CANÇÃO DA VÁRZEA DAS ACÁCIAS,
por João Maria Ludugero

Não só de manjar,
A correr dentro e alto,
Eu chego a ter vidência
Do abstrato a caminho do açude do Calango,
Consigo desenhar os lajedos dos Seixos em verde-musgo
Até alcançar o invisível além do Novo Retiro,
A tomar o rumo dos sítios do Maracujá aos Umbus
E a seara que pende do Vapor de Zuquinha
Me enfeitiça e me eleva até o vão do Riacho do Mel
Que me chama sem coivaras ao interior
(Não tenho medo da cuca esbaforida,
Chego a assanhar até os pelos da venta,
Entretido em sortilégios diversos
Que sempre se mostrarão inteiros
Aos loucos, sérios ou sãos).
No decorrer da tarde amena,
Meu substrato é flamejante no azul,
É leve e transparente nuvem esfiapada
Acima das palmeiras de São Pedro Apóstolo...
Bem sei que me nina tudo aquilo por lá,
Desde o mulungu em flores alaranjadas pelos Ariscos.
E que aquilo que insisto em escrever não se encerra
Nem mesmo o tempo me pode furtar as cores do Itapacurá,
Eu exorcizo todos os bichos encostados pelas Formas
E até cavalgo em galopes pelo chão-de-dentro
Da Várzea das Acácias de Ângelo Bezerra!