AUTOR: JOÃO MARIA LUDUGERO.
Várzea já nasceu bonita, às margens de um rio chamado Joca.
Em 20 de dezembro de 1959,
veio a e emancipação política(Lei de nº 2.586).
Grandiosa conquista:
desmembrou-se do município de Goianinha.
Tornou-se mais uma estrela no mapa do nosso valoroso Rio Grande do Norte.
Graciosa terra de Ângelo Bezerra,
de Minervino, de Genésio Coelho,
de José Anacleto e de tantos outros
que chegaram primeiro e se banharam nas águas do rio Joca.
Foi lá que meu avô José Ludugero da Silva
conheceu dona Dalila Maria da Conceição.
O lugar era aprazível - Chamaram-lhe de Várzea!
Que terra ditosa! Cheia de ternura e bênçãos!
Que amada seara, que dá doces batatas e alvas macaxeiras, além de leite e mel!
Que torrão de tanta fé verdadeira.
Acho que Várzea me ensinou a ser um Homem de muita fé!
Desde criança minha avó me ensinava a rezar
e a admirar o nosso divino São Pedro.
E eu sempre recordo da vida do domingo daquele lugar.
Belas tardes no Estádio João Aureliano
Relembro-me do sino da torre da igreja
que ouvia tocar, da armação do presépio de Natal
Da catequese das tardes dos anos da minha infância!
Lembro-me de dona Maria Orlanda de Seu Nestor,
De Dona Marina de Seu Minor e seus carneiros bem cuidados.
Da casa do Seu Walfredo, ali na esquina da Igreja
De dona Suli, mãe de Dona Wilma Anacleto a fazer seus bolos e seus quindins.
Lembro-me dos borregos do Seu Nezinho, Pai do Joca e do Quincas.
Lembro-me de tanta gente insequecível:
De Dona Risolita Ferreira, Mãe do Ramos, do Reginaldo (Ré das vaquejadas), Mãe de Rosa, mulher de Humberto de Dona Noilde, Mãe de Sônia, Galego e Paulírio Gomes e Dona Palmira, esposa de Seu Adalberto, o Homem do Arisco dos cajus e das mangas.
Lembro-me do Seu Olival e de Sua querida dona Penha, pais de Wilma, Willyane e Marcos.
Lembro-me de Seu Antonio Belo, ferreiro de mão cheia, das brasas, torquês, acendedor de fole,
Ferros e ferraduras.
Lembro-me de dona Lídia, de Seu 'Louro', das quatro bocas da rua.
Lembro-me do Seu Nenê Tomaz, Plácido em sua lucidez tão sublime,
dizendo da formosura das meninas varzeanas: "Essa menina dá um pitéu!"
Quanta sabedoria e bondade na vida dessa nossa gente.
Quantos amigos, quantas famílias, quantos filhos da Várzea,de histórias bem-vividas.
São Bitas Mulatos, Maricas de Otávio, Ninas, Tidas, Totas, Ticas, Totitas, Anas do Rego,Gabrielas, Maurícios, Antônios, Belos, Duacas, Coelhos, Rodrigues, Pereiras, Virgílios, Pedros, Ocinos, Bentos, Oneides, Jandiras, Zildas, Vilmas, Dezildas, Dalvas, Anacletos, Tomazes, Limas, Carvalhos, Florêncios, Dalilas, Beatrizes, Santinas, Ribeiros, Paulinos,Lulas, Claudinas, Carminhas, Marreiros,Conceições, Júlias, Rosas, Piedades,Palmiras, Julietas, Chicos, Graças, Carmosinas, Cíceros, Severinos, Arletes, Dores, Albanitas, Olivais, Oliveiras, Louros, Cíceros, Glórias, Manos, maninhos, Betos etc, etc, etc.
Citei apenas alguns nomes. Peço perdão, pois aqui não caberiam todos os lembrados e jamais esquecidos.Páginas vivas da História de Várzea.
Lembro-me de tanta gente, parece que passa um filme na minha cabeça,
como um magote de gente em procissão pela cidade.
São pessoas que, no seu ritmo, dão passos adaptados para realizar desde
pequenas a grandes coisas, estando a felicidade em cada passo dado,
em cada momento, em cada reza, em cada novena, não no fim, mas nos passos para se chegar lá.
Parece ser esse o segredo da felicidade humana: o passo e o ritmo, a razão e a emoção.
O objetivo: Juntos estarem a fazer a festa na cidade de São Pedro.
E a vida acordava de mansinho, meu Santo Deus, nestas doces campinas do riacho do mel!
Benditas terras do Excelentíssimo primeiro prefeito, Pasqualino Gomes Teixeira.
Benditas águas, terra e ar e céu ...
Lembre-se: a gente ama, a gente cuida!
O céu de Várzea é mais azul,
erguido de nuvens que mais parecem de algodão. Algodão doce?
O cheiro da terra é como um perfume que se evapora das flores do Maracujá, dos marmeleiros,
Das flores de algodão em flor.
Várzea, terra propícia ao cultivo do milho, feijão e mandioca.
Acorda, Várzea, e mostra em toda a natureza seu encanto!
Ali há tanta magia que pelo céu flutua,
sem nunca renegar o pão nosso de cada dia aos filhos teus.
Realmente: "...Ali, em se plantando, quase tudo dá".
O ardente coração varzeano bate suave e valente entre os coqueiros,
Ao vento da manhã de um novo tempo,
de esperanças novas, de Titos, Quincas, Mandus, Tonhas e Pepedos.
Vento que enche os pulmões de alegria, de ar puro,
na certeza de colorir a juventude que brota
desde a Escola Plácido Tomaz de Lima aos muros, ruas,casas e janelas
que acordam cheias de graciosas meninas
E corajosos meninos apanhadores de sonhos e de amores.
Várzea, doce Várzea, da força da União, do recanto do luar
Ainda mais doce é o teu matutino orvalho, tuas baladas
Tuas jovens tranças, tua juventude na praça do encontro
que reluz sem receio, sem temor pelas praças e escolas.
Hoje estou distante,
E pelos 'ais' da minha alma
dá para ouvir meu lamento (baixinho)
que passeia pelo cemitério da saudade
Lembrando de dona Maria de Seu Odilon Soldado
E de tantas outras pessoas queridas
que já partiram da Cidade de Várzea,
para morar num outro paraíso.
Quando minha voz perder-se, à noite,
Quando eu derramar a minha alma
Quero vagar em teus jardins, às margens do rio Joca
ou nas verdes campinas do Vapor varzeano,
que o coração melhor perfuma.
Açude do calango, a lavar meus pés,
em doce engano quero me banhar.
Quero derramar em ti a minha alma!
Só para lembrar de Madrinha Joaninha,
Só para lembrar da minha estrela D'alva,
Dona Maria, que no seu seio de Mãe,
que a noite embala,
eu, eterno menino deitado no seu colo,
Pulsando quente e febril com a maior ternura!
Aquele anjo querido, minha Mãe Maria,
Que a minha dor de filho ausente lhe revela.
Várzea, hoje eu morro de saudades!
E o que me nutre, na minha tristeza ainda,
De corpo e alma, por entre vasos e capilares,
É o sangue do passado e da esperança
que corre muito ávido em minhas veias
rumo a este meu imenso coração tão varzeano.
AUTOR: JOÃO MARIA LUDUGERO DA SILVA
Texto de João Maria Ludugero para o VNT Online,em 19/11/2008
“Se não levarmos a poesia e a beleza conosco, é inútil percorrermos o mundo. Em nenhum lugar as encontraremos.” (Emerson)
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quarta-feira, 17 de março de 2010
FELIZ DA VIDA - O SONHADOR
Autor: João Maria Ludugero.
Vou agora lá pra Várzea,
aquele é o meu lugar!
lá tem batidas de coco,leite de onça,
lá tem garapa, caldo de cana-caiana,
tem suco de umbu-cajá, doce de jaca,
tem rapadura batida, castanha assada
tem cocadas da branca e da preta!
Lá tem licor de jenipapo, doce de caju e jaboticaba,
tem raiva, carrapicho e bolo preto de Marinam,
tem queijo-de-coalho assado na brasa,
tem macaxeira frita na manteiga de garrafa,
tem torresmo de porco, picadinho e sarapatel.
Tem coalhada e tapioca de coco ralado.
Lá no seu Tida, avô de Tereza Gabriela,
lá tem leite de vaca tirado na hora, na caneca de ágata.
Lá tem o cantar do galo a abrir o sol, a alvorada.
Lá temos banho de açude e cavalgada.
Na minha Várzea das Acácias
tem felicidade a perder de vista.
Ah, isso tem mesmo, sim, senhor!
Lá tem muita moça bonita pra se espiar.
E a gente fica só cubando, sem pigorar...
Quem é besta, atreva-se só pra ver no que dá!
Lá tem muita gente boa e hospitaleira.
Lá tem isso tudo e muita simplicidade.
Diga-me uma coisa, quem carece de mais nada?
Lá temos tudo isso, de sobra,
além de uma rede de algodão
armada no alpendre ao sol descambando
onde a gente se deita sem aperreio
só pra fazer um balanço da vida,
Só pra sonhar acordado e ser feliz!
Vou agora lá pra Várzea,
aquele é o meu lugar!
lá tem batidas de coco,leite de onça,
lá tem garapa, caldo de cana-caiana,
tem suco de umbu-cajá, doce de jaca,
tem rapadura batida, castanha assada
tem cocadas da branca e da preta!
Lá tem licor de jenipapo, doce de caju e jaboticaba,
tem raiva, carrapicho e bolo preto de Marinam,
tem queijo-de-coalho assado na brasa,
tem macaxeira frita na manteiga de garrafa,
tem torresmo de porco, picadinho e sarapatel.
Tem coalhada e tapioca de coco ralado.
Lá no seu Tida, avô de Tereza Gabriela,
lá tem leite de vaca tirado na hora, na caneca de ágata.
Lá tem o cantar do galo a abrir o sol, a alvorada.
Lá temos banho de açude e cavalgada.
Na minha Várzea das Acácias
tem felicidade a perder de vista.
Ah, isso tem mesmo, sim, senhor!
Lá tem muita moça bonita pra se espiar.
E a gente fica só cubando, sem pigorar...
Quem é besta, atreva-se só pra ver no que dá!
Lá tem muita gente boa e hospitaleira.
Lá tem isso tudo e muita simplicidade.
Diga-me uma coisa, quem carece de mais nada?
Lá temos tudo isso, de sobra,
além de uma rede de algodão
armada no alpendre ao sol descambando
onde a gente se deita sem aperreio
só pra fazer um balanço da vida,
Só pra sonhar acordado e ser feliz!
terça-feira, 16 de março de 2010
CAVALGADA
Autor: João Maria Ludugero.
Eu sei que sou moço bom
De linhagem de estirpe
Eu sou mesmo sangue bom,
Com toda modéstia.
Sou filho de Várzea
Gosto de cavalgadas,
Gosto de gente feliz,
de festejar a vida do meu lugar.
Gosto mesmo é de estar
Bem próximo à natureza,
Amansar meus bichos, com garra
domar meus receios e ir à luta.
Sou da terra do Calanguim, meu açude
Sou da laia de Joaninha Mulato
Sou da laia de Ana do Rego
Sou neto de dona Dalila Maria da Conceição
E afilhado de São Pedro, Apóstolo.
Eu sou filho de dona Maria Dalva
E Odilon Ludugero.
Quem mexe comigo, já sabe como é,
Não sou de pisar no calo nem de negar cafuné
Mas cuidado, desavisado camarada, fique atento,
pois se precisar, salto de banda e de lado,
Sou de dar nó em pingo d'água, driblo a sorte
E num piscar de olhos, faço da jia um pitéu
Melhor não pagar pra ver! Pode acreditar.
Também posso destilar venenos, se necessário.
Sou cobra de água salobra do rio Joca, não nego minhas origens,
Não fujo dos meus enredos, posso até perder a rima,
Mas não arredo o pé, tenho a mão pesada, tenho raízes
Se quer pagar para ver, cuidado, com a encruzilhada
Posso amarrar suas mãos, desarmar cabra da peste,
Só com a força do pensamento, dou rasteira na tristeza
Desbloqueio seus segredos, desato os nós sem cortá-los
Sou filho de Santa Bárbara, não tenho medo de invernada,
Muito menos de trovão ou do raio que o parta.
O rio que trago no peito não é efêmero
É caudal de sofrimento e de Amores
Que seguem entre secas e cheias,
Mas não arrastam minha alma a cavalgar
nas torrentes de águas turvas!
Na Várzea onde me acho sou feliz
Viro rio, volto a ser riacho, eu sigo
Se for preciso eu ataco, eu consigo
Sou rocha irregular, sou pedra
Quebro-me em outras tantas pedras
Para aprender me virar, viro Seixos.
E a vida continua a me levar... Seixos
Rio acima rio abaixo, rio arriba
Rio que descamba até encontrar o mar.
Eu sou Vapor, vou às nuvens e faço a chuva cair!
Eu sei que sou moço bom
De linhagem de estirpe
Eu sou mesmo sangue bom,
Com toda modéstia.
Sou filho de Várzea
Gosto de cavalgadas,
Gosto de gente feliz,
de festejar a vida do meu lugar.
Gosto mesmo é de estar
Bem próximo à natureza,
Amansar meus bichos, com garra
domar meus receios e ir à luta.
Sou da terra do Calanguim, meu açude
Sou da laia de Joaninha Mulato
Sou da laia de Ana do Rego
Sou neto de dona Dalila Maria da Conceição
E afilhado de São Pedro, Apóstolo.
Eu sou filho de dona Maria Dalva
E Odilon Ludugero.
Quem mexe comigo, já sabe como é,
Não sou de pisar no calo nem de negar cafuné
Mas cuidado, desavisado camarada, fique atento,
pois se precisar, salto de banda e de lado,
Sou de dar nó em pingo d'água, driblo a sorte
E num piscar de olhos, faço da jia um pitéu
Melhor não pagar pra ver! Pode acreditar.
Também posso destilar venenos, se necessário.
Sou cobra de água salobra do rio Joca, não nego minhas origens,
Não fujo dos meus enredos, posso até perder a rima,
Mas não arredo o pé, tenho a mão pesada, tenho raízes
Se quer pagar para ver, cuidado, com a encruzilhada
Posso amarrar suas mãos, desarmar cabra da peste,
Só com a força do pensamento, dou rasteira na tristeza
Desbloqueio seus segredos, desato os nós sem cortá-los
Sou filho de Santa Bárbara, não tenho medo de invernada,
Muito menos de trovão ou do raio que o parta.
O rio que trago no peito não é efêmero
É caudal de sofrimento e de Amores
Que seguem entre secas e cheias,
Mas não arrastam minha alma a cavalgar
nas torrentes de águas turvas!
Na Várzea onde me acho sou feliz
Viro rio, volto a ser riacho, eu sigo
Se for preciso eu ataco, eu consigo
Sou rocha irregular, sou pedra
Quebro-me em outras tantas pedras
Para aprender me virar, viro Seixos.
E a vida continua a me levar... Seixos
Rio acima rio abaixo, rio arriba
Rio que descamba até encontrar o mar.
Eu sou Vapor, vou às nuvens e faço a chuva cair!
segunda-feira, 15 de março de 2010
TROMBETAS
Autor: João Maria Ludugero.
Que venha meu anjo com seus cântaros.
Venha me dar banho de cuia, ao ar livre
Venha me lavar com seus bálsamos a céu aberto
Venha cantar-me uma canção que toque na alma, no espírito
Venha fazer teus sinais, soprar com toda força uma música
Que possa ensolarar minhas sombras
E acalmar meus desassossegos.
Venha me levar para o paredão do açude de água verde-musgo
Do Calango quero toda brisa, ser anjo bendito
Do Calango quero todo vapor da tarde amena, acolhedor
Venha me tirar do labirinto de lembranças tantas...
Quero me aquietar no seu abraço caloroso, apertado
Mesmo que seja necessário um osso oculto
cravejado em minhas costas, que seja assim,
Mesmo que me careça uma asa calada, esvoaçante.
Reza-me em ti, aos pés de São Pedro no altar
Ornamenta-me o peito com tuas relíquias e credos
Quero teus incensos, quero me sentir a salvo
julga-me no teu passo rápido até o Cruzeiro
Amansa-me no teu colo aquecedor, dá-me paz
Faze-me sentir todo dominado, de fato.
Ilumina-me os passos e o caminhar,com devoção
Abre-me um clarão, uma clareira que seja
Prova-me o sal na pele, o suor vertente, batiza-me
0stenta-te além dos precipícios abundantes, nos lajedos
nos Seixos e descansa nas margens serenas do rio Joca.
Rasga-me o céu em arco e flecha na carne,
Mostra-me que serás flor de Maracujá na primavera,
Que serás meu solo preparado no estio à espera da chuva
Que não és fogo de coivaras ao vento,
Que tens sementes férteis guardadas a sete chaves.
E com elas teremos muito mais que mãos calejadas,
Seremos um só arado ao Vapor, um bonito campo, um roçado
Em todos os outros dias de Amor e fartura, anuncia-me.
Que venha meu anjo com seus cântaros.
Venha me dar banho de cuia, ao ar livre
Venha me lavar com seus bálsamos a céu aberto
Venha cantar-me uma canção que toque na alma, no espírito
Venha fazer teus sinais, soprar com toda força uma música
Que possa ensolarar minhas sombras
E acalmar meus desassossegos.
Venha me levar para o paredão do açude de água verde-musgo
Do Calango quero toda brisa, ser anjo bendito
Do Calango quero todo vapor da tarde amena, acolhedor
Venha me tirar do labirinto de lembranças tantas...
Quero me aquietar no seu abraço caloroso, apertado
Mesmo que seja necessário um osso oculto
cravejado em minhas costas, que seja assim,
Mesmo que me careça uma asa calada, esvoaçante.
Reza-me em ti, aos pés de São Pedro no altar
Ornamenta-me o peito com tuas relíquias e credos
Quero teus incensos, quero me sentir a salvo
julga-me no teu passo rápido até o Cruzeiro
Amansa-me no teu colo aquecedor, dá-me paz
Faze-me sentir todo dominado, de fato.
Ilumina-me os passos e o caminhar,com devoção
Abre-me um clarão, uma clareira que seja
Prova-me o sal na pele, o suor vertente, batiza-me
0stenta-te além dos precipícios abundantes, nos lajedos
nos Seixos e descansa nas margens serenas do rio Joca.
Rasga-me o céu em arco e flecha na carne,
Mostra-me que serás flor de Maracujá na primavera,
Que serás meu solo preparado no estio à espera da chuva
Que não és fogo de coivaras ao vento,
Que tens sementes férteis guardadas a sete chaves.
E com elas teremos muito mais que mãos calejadas,
Seremos um só arado ao Vapor, um bonito campo, um roçado
Em todos os outros dias de Amor e fartura, anuncia-me.
domingo, 14 de março de 2010
VÁRZEA E SEUS QUINTAIS
Autor: João Maria Ludugero.
Na minha Várzea,minha terra boa,
Há ruas de casarios coloridos,
Casas caiadas, casas simples, vidas simples
Ali a gente não tem pressa de andar, e voa.
Voa junto com a imaginação, longe-longe.
Voa pelos Seixos, pelas esperanças renovadas
Voa pelos ariscos, pelos Itapacurás, voa que voa.
No quintal das casas há hortas e pomares,
Há frutos caindo de maduros, ao vento,
Há pés de pau de graviolas, pitangas e siriguelas
Há pés de goiabas brancas e vermelhas
Há mamoeiros carregadinhos e Maracujá,
há um cheiro bom de erva-doce no ar.
Sem nunca esquecer das flores
dos hibiscos-rosa dobrados
Que enchiam nossos olhos na casa de seu Nestor.
Eram flores cultivadas pela dona Maria Orlanda,
que vida, que saudade, que cheirinho bom!
Sem contar com as belas româs
de dona Inês Rosa
que a gente insistia em colher,
às escondidas sem culpa.
E a gente nem corava a face,
sem vergonha de viver.
Sem contar com os umbus-cajás
Lá do quintal de dona Maria Marreiros...
Só de pensar pego-me a salivar,
Que tempo bom de alegria,
de dar água na boca!
Na minha Várzea,minha terra boa,
Há ruas de casarios coloridos,
Casas caiadas, casas simples, vidas simples
Ali a gente não tem pressa de andar, e voa.
Voa junto com a imaginação, longe-longe.
Voa pelos Seixos, pelas esperanças renovadas
Voa pelos ariscos, pelos Itapacurás, voa que voa.
No quintal das casas há hortas e pomares,
Há frutos caindo de maduros, ao vento,
Há pés de pau de graviolas, pitangas e siriguelas
Há pés de goiabas brancas e vermelhas
Há mamoeiros carregadinhos e Maracujá,
há um cheiro bom de erva-doce no ar.
Sem nunca esquecer das flores
dos hibiscos-rosa dobrados
Que enchiam nossos olhos na casa de seu Nestor.
Eram flores cultivadas pela dona Maria Orlanda,
que vida, que saudade, que cheirinho bom!
Sem contar com as belas româs
de dona Inês Rosa
que a gente insistia em colher,
às escondidas sem culpa.
E a gente nem corava a face,
sem vergonha de viver.
Sem contar com os umbus-cajás
Lá do quintal de dona Maria Marreiros...
Só de pensar pego-me a salivar,
Que tempo bom de alegria,
de dar água na boca!
sexta-feira, 12 de março de 2010
TEMPO DE QUINTAIS
Autor: João Maria Ludugero.
No quintal das casas há frutos
caindo de maduros ao vento,
Pés de pau de graviolas, de goiabas brancas e vermelhas
Sem esquecer das flores dos hibiscos-rosa dobrados
Que enchiam nossos olhos na casa de seu Nestor
Flores cultivadas pela dona Maria Orlanda, que cheiro bom!
Sem contar com as belas româs de dona Inês Rosa
que a gente insistia em colher, às escondidas sem culpa,
E a gente nem corava a face, sem vergonha de viver,
Sem contar com os umbus-cajás do quintal dos Marreiros...
Só de pensar pego-me a salivar,
Que tempo bom de alegria, de dar água na boca!
E pelos caminhos corre a beleza
que o vento não leva
Que surge em cada olhar,
sem nada pedir, sem nada cobrar
E por cima dos ombros vejo os telhados cinzentos
Interessante mas a gente ia ao rio pescar
E já voltava para casa com o peixe
E com outros ingredientes para temperá-lo,
desde o coco fresco ao tomate-cereja colhidos ali na beira
nas ribanceiras do rio Joca, a gente parecia que voltava da feira.
Observo o mormaço, o vapor vital
Que convida todos os amigos varzeanos
a viver a vida, a se envolver de corpo e alma
A se saciar em seus peitos fartos de mãe gentil.
Minha amada cidade da felicidade,
Minha Várzea, meu recanto da simplicidade,
Minha mina d'água doce,
Meu arisco, meu riacho do mel
Minha doce cacimba cavada no coração
do rio que fertiliza nossos sonhos acordados.
No quintal das casas há frutos
caindo de maduros ao vento,
Pés de pau de graviolas, de goiabas brancas e vermelhas
Sem esquecer das flores dos hibiscos-rosa dobrados
Que enchiam nossos olhos na casa de seu Nestor
Flores cultivadas pela dona Maria Orlanda, que cheiro bom!
Sem contar com as belas româs de dona Inês Rosa
que a gente insistia em colher, às escondidas sem culpa,
E a gente nem corava a face, sem vergonha de viver,
Sem contar com os umbus-cajás do quintal dos Marreiros...
Só de pensar pego-me a salivar,
Que tempo bom de alegria, de dar água na boca!
E pelos caminhos corre a beleza
que o vento não leva
Que surge em cada olhar,
sem nada pedir, sem nada cobrar
E por cima dos ombros vejo os telhados cinzentos
Interessante mas a gente ia ao rio pescar
E já voltava para casa com o peixe
E com outros ingredientes para temperá-lo,
desde o coco fresco ao tomate-cereja colhidos ali na beira
nas ribanceiras do rio Joca, a gente parecia que voltava da feira.
Observo o mormaço, o vapor vital
Que convida todos os amigos varzeanos
a viver a vida, a se envolver de corpo e alma
A se saciar em seus peitos fartos de mãe gentil.
Minha amada cidade da felicidade,
Minha Várzea, meu recanto da simplicidade,
Minha mina d'água doce,
Meu arisco, meu riacho do mel
Minha doce cacimba cavada no coração
do rio que fertiliza nossos sonhos acordados.
metAMORfose
Autor: João Maria Ludugero.
Eu subi apressado a rua grande
Eu desci muito espantado
E quase sem ação
pasmado, estupefacto
Com as idéias confusas,
Atordoado, perturbado, atônito
Eu atravessei a Brasiliano Coelho.
Eu vejo a imagem de São Pedro
No topo da igreja-matriz,
Sem reparar que o Santo está
De costas para a rua do arame.
Mesmo assim, ele olha por todos!
Eu sigo pelos becos
Eu chego à rua da pedra
Eu entro na barbearia do Arlindo
Eu me vejo forte e belo, não fraquejo
Diante do espelho,
Eu comigo, de frente e verso,
Cara a cara
Ante a indefinição
Da imagem,
Em face da dubiedade
Nele refletida.
Num abrir e fechar de olhos,
Num curto espaço de tempo
Num átimo,
tornei-me velho, de repente
No preciso instante dos fogos
De artifício em dia de veneração
Entre o fim da procissão
E o acender
Das luzes da da minha Várzea.
E agora, onde vou, o que sou
Eu?
Marcho adiante
Rezo baixinho a São Pedro
Olhando para o topo da igreja,
Vejo o santo apóstolo pescador
Com as chaves nas mãos
Pronto para abrir as portas
Do meu coração de poeta.
E lá vou eu segurando o andor
transportando a mãe de Deus.
Eu sigo pelas ruas de Várzea,
Atravesso a multidão
E sozinho
deixo aos pés do altar,
Sob o olhar da Virgem Maria,
A minha velha face.
E a esperança amiga se renova.
E, então, cadê o vigor que era verde?
O vapor desabou em mim, evaporou-se.
Meu coração antigo e a velha face exposta
Ambos caíram de maduros aos pés do santo
Que, de pronto, abençoou o cortejo.
E assim segue a procissão.
Prossegue a vida numa série de pessoas
que seguem umas atrás das outras.
Eu subi apressado a rua grande
Eu desci muito espantado
E quase sem ação
pasmado, estupefacto
Com as idéias confusas,
Atordoado, perturbado, atônito
Eu atravessei a Brasiliano Coelho.
Eu vejo a imagem de São Pedro
No topo da igreja-matriz,
Sem reparar que o Santo está
De costas para a rua do arame.
Mesmo assim, ele olha por todos!
Eu sigo pelos becos
Eu chego à rua da pedra
Eu entro na barbearia do Arlindo
Eu me vejo forte e belo, não fraquejo
Diante do espelho,
Eu comigo, de frente e verso,
Cara a cara
Ante a indefinição
Da imagem,
Em face da dubiedade
Nele refletida.
Num abrir e fechar de olhos,
Num curto espaço de tempo
Num átimo,
tornei-me velho, de repente
No preciso instante dos fogos
De artifício em dia de veneração
Entre o fim da procissão
E o acender
Das luzes da da minha Várzea.
E agora, onde vou, o que sou
Eu?
Marcho adiante
Rezo baixinho a São Pedro
Olhando para o topo da igreja,
Vejo o santo apóstolo pescador
Com as chaves nas mãos
Pronto para abrir as portas
Do meu coração de poeta.
E lá vou eu segurando o andor
transportando a mãe de Deus.
Eu sigo pelas ruas de Várzea,
Atravesso a multidão
E sozinho
deixo aos pés do altar,
Sob o olhar da Virgem Maria,
A minha velha face.
E a esperança amiga se renova.
E, então, cadê o vigor que era verde?
O vapor desabou em mim, evaporou-se.
Meu coração antigo e a velha face exposta
Ambos caíram de maduros aos pés do santo
Que, de pronto, abençoou o cortejo.
E assim segue a procissão.
Prossegue a vida numa série de pessoas
que seguem umas atrás das outras.
quinta-feira, 11 de março de 2010
DÁDIVA
Autor: João Maria Ludugero.
Ah, minha Várzea,
Minha amada terrinha do agreste
Ah se eu pudesse, e posso,
Desde logo te asseguro,
Ao meu coração eu daria de presente
Passar o resto dos meus dias, de certo,
No teu seio, no teu ventre, no teu cerne.
Oh, minha dádiva, minha afeição, meu carinho
Por quem tanto sonho, meu apreço, meu tesouro,
Por quem faço versos e poesia, sem me cansar,
Por quem trago sentimento de apego sincero.
Alguém até pode me achar piegas, sentimental demais,
Mas se amar é ridículo prefiro morrer amando,
A ter que passar o resto dos meus dias em brancas nuvens,
Ou no baldio terreno sem cultivo algum, na aridez,
Quiçá na lama ou a rastejar pelos muros alheios.
Portanto, ciente estais de que a nossa ligação
vem desde o berço, minha terra da cultura.
Eu digo de rastro: EU TE AMO!
Com todas as letras,
Pois a ti dedico todo carinho,
bem como respeito, amizade e valor.
E se hoje o mundo acabasse pra mim,
se acaso eu morresse do coração,
De uma coisa poderias ter absoluta certeza:
Ainda assim eu seria mais que um astro a te alumiar,
Minha pequena estrela da vida inteira,
Minha Várzea das Acácias!
Ah, minha Várzea,
Minha amada terrinha do agreste
Ah se eu pudesse, e posso,
Desde logo te asseguro,
Ao meu coração eu daria de presente
Passar o resto dos meus dias, de certo,
No teu seio, no teu ventre, no teu cerne.
Oh, minha dádiva, minha afeição, meu carinho
Por quem tanto sonho, meu apreço, meu tesouro,
Por quem faço versos e poesia, sem me cansar,
Por quem trago sentimento de apego sincero.
Alguém até pode me achar piegas, sentimental demais,
Mas se amar é ridículo prefiro morrer amando,
A ter que passar o resto dos meus dias em brancas nuvens,
Ou no baldio terreno sem cultivo algum, na aridez,
Quiçá na lama ou a rastejar pelos muros alheios.
Portanto, ciente estais de que a nossa ligação
vem desde o berço, minha terra da cultura.
Eu digo de rastro: EU TE AMO!
Com todas as letras,
Pois a ti dedico todo carinho,
bem como respeito, amizade e valor.
E se hoje o mundo acabasse pra mim,
se acaso eu morresse do coração,
De uma coisa poderias ter absoluta certeza:
Ainda assim eu seria mais que um astro a te alumiar,
Minha pequena estrela da vida inteira,
Minha Várzea das Acácias!
quarta-feira, 10 de março de 2010
"DES-MUNICIA-MENTO"
Autor: João Maria Ludugero.
Eu disparo palavras de carinho,
Feito uma clavina ou clavinote,
mas sem nenhuma munição, sem pólvora
Eu miro tua retina, desarmado, sem balas.
Eu atiro setas a indicar o caminho, o alvo
Eu acerto teu coração, na mosca, num pinote.
Eu converso, eu faço poesia, eu faço versos.
Eu acordo no meio da noite pensativo
Digo acordo no modo de falar,não me abalo,
Pois passo a noite em claro, a piscar
Sob o sol do teu olhar, dois sóis,
Sem pregar a pestana, eu insisto,
A chorar de contente, eu pelejo,
Eu continuo a teimar, sem queixas.
Sabia que homem também chora?
Sem disfarçar, como gosto de falar
Eu descubro caminhos desconhecidos,
Finco minha bandeira de sonhos, de amores,
de bobeiras e outras coisas mais.
E ainda assim a gente concorda
Em ir lá pra ver o que será,
Por não achar sonho besteira.
Só pra ti, menina-moça faceira,
Por tudo isso é que venho aqui
Afoito a crescer, por tua causa,
Só pra te entregar de bandeja meu coração.
Já sei que és a dona dos meus olhos,
Por isso rogo a Santa Luzia, é claro,
Que proteja minha visão dia e noite,
Que sejas minha Salomé e eu, são João Baptista,
Que dances para mim, astuta odalisca,
Já não me assusta perder a cabeça!
Quero te dar todo meu Amor e carinho,
com raça, com força e determinação.
Chega de rusgas e ressentimentos,
Chega de me atirar no obscuro, quero me declarar.
Quero descambar no teu abraço, beijar tua boca
E morrer de paixão, minha flor do maracujá,
Entregando-te veias, capilares e coração.
Pouco importaria viver
senão fosse pra morrer de amor!
Tudo em razão de teres me mostrado, de fato,
Com todas as letras, com todas as palavras,
o que é viver a vida de verdade.
Viver mais e melhor, a um passo
do paraíso do teu nome, sem desatino,
que une versos em poesia,
sem pecado nem juízo.
Tu que me conduzes ao retiro de seu Olival,
Onde mergulho em águas límpidas, cristalinas.
Tu que és da minha Várzea, meu aconchego,
Tu que és a flor da minha Cidade da Cultura e da simplicidade,
Terra tão repleta de Marias, tão cheia de graças!
Eu disparo palavras de carinho,
Feito uma clavina ou clavinote,
mas sem nenhuma munição, sem pólvora
Eu miro tua retina, desarmado, sem balas.
Eu atiro setas a indicar o caminho, o alvo
Eu acerto teu coração, na mosca, num pinote.
Eu converso, eu faço poesia, eu faço versos.
Eu acordo no meio da noite pensativo
Digo acordo no modo de falar,não me abalo,
Pois passo a noite em claro, a piscar
Sob o sol do teu olhar, dois sóis,
Sem pregar a pestana, eu insisto,
A chorar de contente, eu pelejo,
Eu continuo a teimar, sem queixas.
Sabia que homem também chora?
Sem disfarçar, como gosto de falar
Eu descubro caminhos desconhecidos,
Finco minha bandeira de sonhos, de amores,
de bobeiras e outras coisas mais.
E ainda assim a gente concorda
Em ir lá pra ver o que será,
Por não achar sonho besteira.
Só pra ti, menina-moça faceira,
Por tudo isso é que venho aqui
Afoito a crescer, por tua causa,
Só pra te entregar de bandeja meu coração.
Já sei que és a dona dos meus olhos,
Por isso rogo a Santa Luzia, é claro,
Que proteja minha visão dia e noite,
Que sejas minha Salomé e eu, são João Baptista,
Que dances para mim, astuta odalisca,
Já não me assusta perder a cabeça!
Quero te dar todo meu Amor e carinho,
com raça, com força e determinação.
Chega de rusgas e ressentimentos,
Chega de me atirar no obscuro, quero me declarar.
Quero descambar no teu abraço, beijar tua boca
E morrer de paixão, minha flor do maracujá,
Entregando-te veias, capilares e coração.
Pouco importaria viver
senão fosse pra morrer de amor!
Tudo em razão de teres me mostrado, de fato,
Com todas as letras, com todas as palavras,
o que é viver a vida de verdade.
Viver mais e melhor, a um passo
do paraíso do teu nome, sem desatino,
que une versos em poesia,
sem pecado nem juízo.
Tu que me conduzes ao retiro de seu Olival,
Onde mergulho em águas límpidas, cristalinas.
Tu que és da minha Várzea, meu aconchego,
Tu que és a flor da minha Cidade da Cultura e da simplicidade,
Terra tão repleta de Marias, tão cheia de graças!
CORAÇÃO AGRESTE
CORAÇÃO AGRESTE
Autor: João Maria Ludugero.
O tempo passa, a ferrugem emperra as catracas
As portas rangem ao se abrirem ao vento
Eu destravo trancas, ferrolhos e tramelas
Eu abro todas as janelas para o sol entrar.
Por um instante eu sonho acordado,
Eu fecho os olhos e me vem à mente um filme
Um magote de meninos a correr pela vargem
atrás dos borregos e dos cabritos
E a minha alma desgarrada ovelha
Segue sua sina a trilhar estradas de chão
A sentir o cheiro da terra molhada,
A sentir o aroma das flores silvestres
A percorrer o leito seco do rio Joca
A repousar junto com o sol na sua areia morna.
E segue em paz meu coração agreste, nunca morno
Porque tenho o sangue quente, vertente de amores
Porque sou aquele eterno menino da Várzea
Que não desatina ao seguir seu destino, sua sina.
Porque trago no peito não uma ferida de saudades,
Mas a marca perene de viver a vida contente,
Com a certeza de que sei muito bem, de fato,
o que signifca a felicidade de ali ter nascido
E ter bebido das águas do açude do Calango!
Autor: João Maria Ludugero.
O tempo passa, a ferrugem emperra as catracas
As portas rangem ao se abrirem ao vento
Eu destravo trancas, ferrolhos e tramelas
Eu abro todas as janelas para o sol entrar.
Por um instante eu sonho acordado,
Eu fecho os olhos e me vem à mente um filme
Um magote de meninos a correr pela vargem
atrás dos borregos e dos cabritos
E a minha alma desgarrada ovelha
Segue sua sina a trilhar estradas de chão
A sentir o cheiro da terra molhada,
A sentir o aroma das flores silvestres
A percorrer o leito seco do rio Joca
A repousar junto com o sol na sua areia morna.
E segue em paz meu coração agreste, nunca morno
Porque tenho o sangue quente, vertente de amores
Porque sou aquele eterno menino da Várzea
Que não desatina ao seguir seu destino, sua sina.
Porque trago no peito não uma ferida de saudades,
Mas a marca perene de viver a vida contente,
Com a certeza de que sei muito bem, de fato,
o que signifca a felicidade de ali ter nascido
E ter bebido das águas do açude do Calango!
terça-feira, 9 de março de 2010
BAGATELAS
Autor: João Maria Ludugero.
Eu já cometi tantas pequenas loucuras, bagatelas.
Em sã consciência, é claro, roubei tantos beijos em tantas bocas
Eu roubei teu olhar que me ofuscava, guardei na retina lembranças
E no fim das contas, sequer me culpei por ter te dado esperanças vãs.
Fui 'ladrão' de castanhas de caju, umbus e tamarindos
Só pra te ofertar, fazer teu gosto atento a delícias, de fato.
Fui 'ladrão' de flores da paixão-maracujá, relaxei teus sentidos,
Só pra poder vê-la atravessar a Brasiliano Coelho, toda faceira.
Eu furto-cores feito camaleão, roubo sonhos acordados,
Simplesmente para torná-los possíveis, apesar dos pesares,
Apesar das cancelas e dos arames farpados,
Eu me enveredo Vapor a dentro, apaixonadamente,
carro encantado que aparece e some, inexplicavelmente
Feito a lenda da mulher que chora a duras penas.
Sou um Calango que não tem medo do sol
Enfrento altas temperaturas de seixos a lajedos
Não quero outra coisa nem aprisionar tua liberdade
Venho roubar teu coração-vertente de amores
Não venho roubar teus sentimentos
Nem fazer para ti mil juramentos
De amor por toda a eternidade, não, isso não!
Vim colher um ramalhete das flores que plantei.
Se o espinho me ferir, ferido sangrarei feliz,
Por ter um coração que sempre amou.
Vim ocupar tua mente com meus versos simples,
Fazer-te sentir o que há de bom na nossa Várzea
Não estou aqui apenas de passagem, digo,
Que fosse, mas não te faria sofrer nenhum desgosto.
Eu te faço canções, escrevo poemas assim
Muitas vezes sem rima, palavras suaves
Que cantam dizendo que te amo, Várzea,
A fim de que percebas de uma vez por todas,
Que estou deveras dominado, não apenas ofuscado.
És minha dona, estou algemado sem algemas
Vim roubar e fui roubado, na margem do açude
Menino solto na vargem a driblar a bola da vida
Mas não estou ferido, tristonho ou cabisbaixo
Apenas arrodeado de beleza e simplicidade.
Nunca serei pobre coitado, nem me escapulir de ti
Sem deixar sequer um recado:
Fui para longe de ti, minha Várzea,
mas nunca arredei meu coração
deste abençoado solo de São Pedro Apóstolo.
Eu já cometi tantas pequenas loucuras, bagatelas.
Em sã consciência, é claro, roubei tantos beijos em tantas bocas
Eu roubei teu olhar que me ofuscava, guardei na retina lembranças
E no fim das contas, sequer me culpei por ter te dado esperanças vãs.
Fui 'ladrão' de castanhas de caju, umbus e tamarindos
Só pra te ofertar, fazer teu gosto atento a delícias, de fato.
Fui 'ladrão' de flores da paixão-maracujá, relaxei teus sentidos,
Só pra poder vê-la atravessar a Brasiliano Coelho, toda faceira.
Eu furto-cores feito camaleão, roubo sonhos acordados,
Simplesmente para torná-los possíveis, apesar dos pesares,
Apesar das cancelas e dos arames farpados,
Eu me enveredo Vapor a dentro, apaixonadamente,
carro encantado que aparece e some, inexplicavelmente
Feito a lenda da mulher que chora a duras penas.
Sou um Calango que não tem medo do sol
Enfrento altas temperaturas de seixos a lajedos
Não quero outra coisa nem aprisionar tua liberdade
Venho roubar teu coração-vertente de amores
Não venho roubar teus sentimentos
Nem fazer para ti mil juramentos
De amor por toda a eternidade, não, isso não!
Vim colher um ramalhete das flores que plantei.
Se o espinho me ferir, ferido sangrarei feliz,
Por ter um coração que sempre amou.
Vim ocupar tua mente com meus versos simples,
Fazer-te sentir o que há de bom na nossa Várzea
Não estou aqui apenas de passagem, digo,
Que fosse, mas não te faria sofrer nenhum desgosto.
Eu te faço canções, escrevo poemas assim
Muitas vezes sem rima, palavras suaves
Que cantam dizendo que te amo, Várzea,
A fim de que percebas de uma vez por todas,
Que estou deveras dominado, não apenas ofuscado.
És minha dona, estou algemado sem algemas
Vim roubar e fui roubado, na margem do açude
Menino solto na vargem a driblar a bola da vida
Mas não estou ferido, tristonho ou cabisbaixo
Apenas arrodeado de beleza e simplicidade.
Nunca serei pobre coitado, nem me escapulir de ti
Sem deixar sequer um recado:
Fui para longe de ti, minha Várzea,
mas nunca arredei meu coração
deste abençoado solo de São Pedro Apóstolo.
segunda-feira, 8 de março de 2010
MINHA VÁRZEA EM PRECIOSOS FAVOS
Autor: João Maria Ludugero.
Eu quero o que tens de mais precioso
Não quero diamantes nem tesouros,
Eu não quero ouro, nem botijas assombradas,
Quero tua paisagem, sentir tua natureza sem igual
Quero o todo, não quero aparte,
Não quero passar por ti a vegetar apenas
Não quero viver mais longe de ti,
A perambular pela vida feito alma penada.
Quero ver de perto o verde varzeano
em típicos ariscos de Seu Virgílio
Quero teu solo propício às bananeiras e seus cachos
Teus olhos d'água teus riachos teu rio Joca
Tuas minas d'água tuas cacimbas azuis
Quero mergulhar em tuas vertentes
Em tuas lagoas compridas teus vapores
Quero degustar teus pomares, à mancheia
entrar no mato, correr com os preás nas macambiras.
Quero ver a beleza das flores dos mulungus-em-flor
Enveredar-me em tuas entranhas,
Encher balaios de feijão de corda e arrancar favas
Colher potes e potes de mel, de súbito,
Sem temer aos ferrões das abelhas-europa,
Feito Zé Miranda com seus baldes repletos de favos.
Quero de novo me achar ao desfrute
dessas coisas simples, com gosto de fruta mordida.
Fui audacioso ladrão de graviolas
Fui também inocente ladrão de pitombas,
Apanhei cajás no Itapacurá, a gosto,
no sítio da Vó da Edileusa Cunha, dona Julieta.
Fui inocente ladrão de mangas lá no Jundiá.
Lá as frutas caíam de maduras no leito do riacho
Enquanto minha saudosa mãe Maria me dava banho de cuia.
Furtei carambolas no pé, com rubor na face, que nada!
Fui caipira, sim senhor,
corri atrás de galinhas-d'angola
Vi o jasmim-manga florescer, exalar seu cheiro
e agora sinto saudades daquele tempo bom
Em que morei no Jundiá de Cima.
Comprei muita araruta na bodega de Joaquim Dedé,
Andei em carro-de-boi, acompanhei meu pai Odilon
Nas idas ao roçado apanhar jerimuns
lá no sítio de Seu Manuel Pupu.
Pulei muitos muros, cercas vivas, aveloses,
Só pra pegar frutas maduras, jabuticabas no pé,
No quintal vizinho, sem vergonha nenhuma,
de roubar laranjas-da-terra, sem vergonha
de ser uma criança de bem com a vida,
Sem vergonha de ser um moleque feliz!
Eu quero o que tens de mais precioso
Não quero diamantes nem tesouros,
Eu não quero ouro, nem botijas assombradas,
Quero tua paisagem, sentir tua natureza sem igual
Quero o todo, não quero aparte,
Não quero passar por ti a vegetar apenas
Não quero viver mais longe de ti,
A perambular pela vida feito alma penada.
Quero ver de perto o verde varzeano
em típicos ariscos de Seu Virgílio
Quero teu solo propício às bananeiras e seus cachos
Teus olhos d'água teus riachos teu rio Joca
Tuas minas d'água tuas cacimbas azuis
Quero mergulhar em tuas vertentes
Em tuas lagoas compridas teus vapores
Quero degustar teus pomares, à mancheia
entrar no mato, correr com os preás nas macambiras.
Quero ver a beleza das flores dos mulungus-em-flor
Enveredar-me em tuas entranhas,
Encher balaios de feijão de corda e arrancar favas
Colher potes e potes de mel, de súbito,
Sem temer aos ferrões das abelhas-europa,
Feito Zé Miranda com seus baldes repletos de favos.
Quero de novo me achar ao desfrute
dessas coisas simples, com gosto de fruta mordida.
Fui audacioso ladrão de graviolas
Fui também inocente ladrão de pitombas,
Apanhei cajás no Itapacurá, a gosto,
no sítio da Vó da Edileusa Cunha, dona Julieta.
Fui inocente ladrão de mangas lá no Jundiá.
Lá as frutas caíam de maduras no leito do riacho
Enquanto minha saudosa mãe Maria me dava banho de cuia.
Furtei carambolas no pé, com rubor na face, que nada!
Fui caipira, sim senhor,
corri atrás de galinhas-d'angola
Vi o jasmim-manga florescer, exalar seu cheiro
e agora sinto saudades daquele tempo bom
Em que morei no Jundiá de Cima.
Comprei muita araruta na bodega de Joaquim Dedé,
Andei em carro-de-boi, acompanhei meu pai Odilon
Nas idas ao roçado apanhar jerimuns
lá no sítio de Seu Manuel Pupu.
Pulei muitos muros, cercas vivas, aveloses,
Só pra pegar frutas maduras, jabuticabas no pé,
No quintal vizinho, sem vergonha nenhuma,
de roubar laranjas-da-terra, sem vergonha
de ser uma criança de bem com a vida,
Sem vergonha de ser um moleque feliz!
sábado, 6 de março de 2010
JÓIA RARA (HOMENAGEM A TODAS AS VARZEANAS NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER)
JÓIA RARA
(HOMENAGEM A TODAS AS VARZEANAS
NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER)
Autor: João Maria Ludugero.
Menina-moça-mulher varzeana
Quando criança, não esmorece,
Repleta de novas esperanças
E ela nunca se cansa
De no amanhã acreditar,
Descobre como a vida pode ser simples
Quando se tem um sonho uma causa
Uma razão para continuar
Quando adolescente,
Uma princesa em flor
Do amanhã, faz o presente.
E quase sempre se sente
pronta pra despertar.
Quando adulta, mulher-coragem,
Depois de muita luta,não se escora,
Depois de arregaçar as mangas,
Acredita num futuro
de alicerce e prumo
Algumas dizem: a partir de amanhã!
Ela proclama: juro que vai ser agora!
E quase sempre sonha mais seguro.
Mas sentindo como é duro,
Ver o outro dia chegar,
Vai caminhando,altiva,
De cabeça sempre erguida
Seguindo em frente, otimista,
Seus problemas enfrentar.
E acorda pronta para a lida
Quando idosa, fica prosa
Cheia de experiência.
E com muita paciência,
Aos trancos e barrancos,
Pode a todos ensinar, tão sábia,
Que a essência de viver a vida
É pela vida não passar em branco.
Mulher varzeana,
Mulher destemida, de pulso
De garra, desdobra fibra por fibra
São elas Claudinas, Divas, Marias,
São Ninas, Elbas, Albanitas,
São Anas, Júlias, Penhas, Rosas
São Dalilas, Rosildas, Nenas, Terezinhas
São Eugênias, Jandiras, Lucilas, Joanas
São Carminhas, Querubinas, Zidoras
São Tantas mulheres que não cabe
Citar aqui no meu poema, mas todas elas,
Estão bastante vivas na minha Várzea das Acácias.
Parabéns, Mulher Varzeana,
Pelo seu dia, por todos os dias
Em que lapidas essa beleza de ser
Mulher-mãe-avó e para sempre amiga
De todas as horas, jóia rara de viver!
(HOMENAGEM A TODAS AS VARZEANAS
NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER)
Autor: João Maria Ludugero.
Menina-moça-mulher varzeana
Quando criança, não esmorece,
Repleta de novas esperanças
E ela nunca se cansa
De no amanhã acreditar,
Descobre como a vida pode ser simples
Quando se tem um sonho uma causa
Uma razão para continuar
Quando adolescente,
Uma princesa em flor
Do amanhã, faz o presente.
E quase sempre se sente
pronta pra despertar.
Quando adulta, mulher-coragem,
Depois de muita luta,não se escora,
Depois de arregaçar as mangas,
Acredita num futuro
de alicerce e prumo
Algumas dizem: a partir de amanhã!
Ela proclama: juro que vai ser agora!
E quase sempre sonha mais seguro.
Mas sentindo como é duro,
Ver o outro dia chegar,
Vai caminhando,altiva,
De cabeça sempre erguida
Seguindo em frente, otimista,
Seus problemas enfrentar.
E acorda pronta para a lida
Quando idosa, fica prosa
Cheia de experiência.
E com muita paciência,
Aos trancos e barrancos,
Pode a todos ensinar, tão sábia,
Que a essência de viver a vida
É pela vida não passar em branco.
Mulher varzeana,
Mulher destemida, de pulso
De garra, desdobra fibra por fibra
São elas Claudinas, Divas, Marias,
São Ninas, Elbas, Albanitas,
São Anas, Júlias, Penhas, Rosas
São Dalilas, Rosildas, Nenas, Terezinhas
São Eugênias, Jandiras, Lucilas, Joanas
São Carminhas, Querubinas, Zidoras
São Tantas mulheres que não cabe
Citar aqui no meu poema, mas todas elas,
Estão bastante vivas na minha Várzea das Acácias.
Parabéns, Mulher Varzeana,
Pelo seu dia, por todos os dias
Em que lapidas essa beleza de ser
Mulher-mãe-avó e para sempre amiga
De todas as horas, jóia rara de viver!
quinta-feira, 4 de março de 2010
VÁRZEA:SORTE DE QUEM NASCE ALI!
VÁRZEA: SORTE DE QUEM NASCE ALI!
AUTOR: João Maria Ludugero.
Na mesa farta, repleta de respeito
todos unem as mãos e rezam.
Agradecimento sincero, solene,
todos os destinos junto ao pão.
Pão de trigo, pão de sal e outros brotes.
Tudo quentinho a sair da padaria
dos Tomaz de Lima (que saudades do seu Nenê!).
Eta tempo bom!
Tempo de tantas lembranças,
de cheiros e ruídos
Onde a sorte entrava sutil
pela porta da frente, gentil
Junto com um magote de crianças
Que embalavam sonhos e outras regalias.
E o mundo descansava na rede,
Rede de sisal ou de algodão
Rede armada no alpendre
De casas simples, coloridas, caiadas,
A indicar que o paraíso fica(va) logo ali,
Onde a paz faz/fez sua morada, de fato.
Ali onde mora o sol a tingir
De laranja o mais belo poente do agreste
a decorar a tarde do açude do Calango
de aves e pássaros de maviosos cantos
que vão surgindo em bandos, de súbito,
Como que a fazer uma comemoração de costume
Na dança majestosa do crepúsculo.
AUTOR: João Maria Ludugero.
Na mesa farta, repleta de respeito
todos unem as mãos e rezam.
Agradecimento sincero, solene,
todos os destinos junto ao pão.
Pão de trigo, pão de sal e outros brotes.
Tudo quentinho a sair da padaria
dos Tomaz de Lima (que saudades do seu Nenê!).
Eta tempo bom!
Tempo de tantas lembranças,
de cheiros e ruídos
Onde a sorte entrava sutil
pela porta da frente, gentil
Junto com um magote de crianças
Que embalavam sonhos e outras regalias.
E o mundo descansava na rede,
Rede de sisal ou de algodão
Rede armada no alpendre
De casas simples, coloridas, caiadas,
A indicar que o paraíso fica(va) logo ali,
Onde a paz faz/fez sua morada, de fato.
Ali onde mora o sol a tingir
De laranja o mais belo poente do agreste
a decorar a tarde do açude do Calango
de aves e pássaros de maviosos cantos
que vão surgindo em bandos, de súbito,
Como que a fazer uma comemoração de costume
Na dança majestosa do crepúsculo.
quarta-feira, 3 de março de 2010
BONS VENTOS DA MINHA VÁRZEA...
BONS VENTOS DA MINHA VÁRZEA...
Autor: João Maria Ludugero.
Eu atravesso
a Brasiliano Coelho de Oliveira
Eu Sinto aromas e ruídos.
Pressinto cheiro de esperanças novas no ar
Eu sinto o vento bater na minha cara
Eu sinto o mormaço do rio Joca a evaporar-se.
E venta que venta
ao sol do meio-dia a pino
Sopra o vento com toda força.
Eu ouço a cigarra a cantar ao longe,
Eu ouso um passo de dança ao ar livre
Eu invento, eu teço meus versos ao relento
Eu vejo nuvens se dissiparem no céu aberto
E o vento dos ariscos a sacudir a poeira.
Venta pela rua da pedra,
Apagam-se as velas do Cruzeiro.
Avivam-se as cercas verdes, pelos quintais a fora.
E em meio a tudo isso, eu observo Seu Antonio Ventinha
A tanger seus porcos prontos para o próximo abate.
Eu faço este poema trazido pelo vento-brisa,
onde as palavras rodopiam, driblam mata-burros.
As palavras seguem por recantos
de chão de terra molhada
por retiros de mato verde.
Eu me lembro de Seu Olival,
Eu me lembro de Dona Penha.
Eu me lembro do açude do Itapacurá
Eu bem me lembro das flores do Maracujá.
Eu vou junto com a ventania pelo Vapor a dentro.
E assim, suave como a brisa que passa eu me atiro
Com a leveza intensa do orvalho que fica
que nos remete a uma bonita ciranda.
Imagino quanta palavras,
pequenas ou não, o vento leva,
quantas ele traz direto ao meu poema.
Vento propício, lindo, profundo, forte.
Indo e vindo, melancólico, belo e favorável
A trazer boas novas!
Ventos inesperados de um novo tempo
Venha e venta assim um vento bom pela varanda
A abrir portas e janelas da minha Várzea.
Chega perto e vem feito vento bom a balançar
as tranças das meninas-moças, contentes
Venha desfolhar as palhas dos coqueiros
e das palmeiras de São Pedro apóstolo.
Ah, como eu gosto desse vento
que desalinha minhas palavras.
Vento que me atiça a memória, dando-me norte,
E nas entrelinhas bafeja meus versos
Evaporando pra longe a tristeza da vida.
Venta e traz ares mais puros
numa brisa amena, calorosa,
que avança pelas quatro bocas
das crianças saudáveis, espertas,
que pintam o sete na minha Várzea,
numa lição de amor que vira crença.
Vento que não desbota o verde-compromisso
Com o meio ambiente, com a natureza
Que bem começa no meio da gente.
Só pra o nosso bem-estar, bem-querer-viver,
apesar de toda aridez, apesar das pedras,
Só pra despertar, no meio de nós,
a alegria de ser varzeano, de fato.
Autor: João Maria Ludugero.
Eu atravesso
a Brasiliano Coelho de Oliveira
Eu Sinto aromas e ruídos.
Pressinto cheiro de esperanças novas no ar
Eu sinto o vento bater na minha cara
Eu sinto o mormaço do rio Joca a evaporar-se.
E venta que venta
ao sol do meio-dia a pino
Sopra o vento com toda força.
Eu ouço a cigarra a cantar ao longe,
Eu ouso um passo de dança ao ar livre
Eu invento, eu teço meus versos ao relento
Eu vejo nuvens se dissiparem no céu aberto
E o vento dos ariscos a sacudir a poeira.
Venta pela rua da pedra,
Apagam-se as velas do Cruzeiro.
Avivam-se as cercas verdes, pelos quintais a fora.
E em meio a tudo isso, eu observo Seu Antonio Ventinha
A tanger seus porcos prontos para o próximo abate.
Eu faço este poema trazido pelo vento-brisa,
onde as palavras rodopiam, driblam mata-burros.
As palavras seguem por recantos
de chão de terra molhada
por retiros de mato verde.
Eu me lembro de Seu Olival,
Eu me lembro de Dona Penha.
Eu me lembro do açude do Itapacurá
Eu bem me lembro das flores do Maracujá.
Eu vou junto com a ventania pelo Vapor a dentro.
E assim, suave como a brisa que passa eu me atiro
Com a leveza intensa do orvalho que fica
que nos remete a uma bonita ciranda.
Imagino quanta palavras,
pequenas ou não, o vento leva,
quantas ele traz direto ao meu poema.
Vento propício, lindo, profundo, forte.
Indo e vindo, melancólico, belo e favorável
A trazer boas novas!
Ventos inesperados de um novo tempo
Venha e venta assim um vento bom pela varanda
A abrir portas e janelas da minha Várzea.
Chega perto e vem feito vento bom a balançar
as tranças das meninas-moças, contentes
Venha desfolhar as palhas dos coqueiros
e das palmeiras de São Pedro apóstolo.
Ah, como eu gosto desse vento
que desalinha minhas palavras.
Vento que me atiça a memória, dando-me norte,
E nas entrelinhas bafeja meus versos
Evaporando pra longe a tristeza da vida.
Venta e traz ares mais puros
numa brisa amena, calorosa,
que avança pelas quatro bocas
das crianças saudáveis, espertas,
que pintam o sete na minha Várzea,
numa lição de amor que vira crença.
Vento que não desbota o verde-compromisso
Com o meio ambiente, com a natureza
Que bem começa no meio da gente.
Só pra o nosso bem-estar, bem-querer-viver,
apesar de toda aridez, apesar das pedras,
Só pra despertar, no meio de nós,
a alegria de ser varzeano, de fato.
segunda-feira, 1 de março de 2010
PARA SEMPRE, VÁRZEA!
PARA SEMPRE, VÁRZEA!
Autor: João Maria Ludugero.
Se acaso eu morrer do coração,
Não fique triste não chore a minha partida.
Eu vivi, eu tive tudo o que sempre quis
Eu vivi de verdade a vida mais bonita.
Por isso mesmo, acredite, eu fui feliz!
Eu tive tempo e ele foi precioso
Eu fui preciso, eu aprendi a ver as coisas simples
Eu aprendi a conversar com a paisagem,
E os ventos, as folhas, o açude do Calango nunca me silenciaram!
Se acaso eu morrer do coração
E os céus chorarem águas na minha despedida,
Veja que serão as lágrimas de São Pedro apóstolo
A mostrar que a natureza tem seus olhos d'água
Que se debulham a chorar de felicidade,
Por alguém que viveu intensamente, não apenas vegetou.
Se o sol se eclipsar, e as aves, nesse dia, não cantarem;
Não fique triste, amanhã renascerei
com os primeiros raios do sol
E vestirei o dia de cores brilhantes,vivas, intensas.
Eu pintarei uma tela gigante com a minha cara de contente,
Porque continuarei vivo e presente no coração de cada varzeano.
Com a minha ida, não haverá um vácuo no tempo,
Ficarei repleto em cada sorriso,
dando alegria a um magote de gente,
Pois tristeza é rima fácil
e pouco sentida em meus versos simples.
Não tenho tempo pra chorar feito um réu lastimoso.
Confesso, a vida é boa demais pra mim, sou um ser abençoado,
Nasci na terra de Joaninha Mulato, grande mulher varzeana
Que um dia se foi, mas deixou seu exemplo
e um legado de fé na vida, esperança e Amor.
Desde logo antecipo, com toda modéstia,
Quero que minha ausência possa ser sentida
Em lugares por onde se alastre a minha poesia.
Queria estar presente no meio dos seus livros, de fato.
Eu queria ver minha gente a ler meus versos,
sentir alento em meus poemas, entender-me, falar de mim.
Queria ver minha gente pra frente, sonhando acordada
com a crença de que Várzea é mesmo uma dádiva, uma bênção.
Se acaso eu morrer do coração,
permanecerei mais vivo do que nunca, acredito.
Levarei o deslumbre e a poesia do teu sorriso.
Verás meu rosto em todos os lugares, nos ariscos, nos seixos, nos retiros
Nas pedras, nos lajedos, nas lagoas, no Vapor, nas nuvens,
Nas flores e até mesmo nas águas verde-musgo do açude do Calango.
Tua lembrança, minha Várzea das Acácias, tua alma estará comigo.
Quero que saibas disso: Eu te amarei sempre, até depois da vida!
Autor: João Maria Ludugero.
Se acaso eu morrer do coração,
Não fique triste não chore a minha partida.
Eu vivi, eu tive tudo o que sempre quis
Eu vivi de verdade a vida mais bonita.
Por isso mesmo, acredite, eu fui feliz!
Eu tive tempo e ele foi precioso
Eu fui preciso, eu aprendi a ver as coisas simples
Eu aprendi a conversar com a paisagem,
E os ventos, as folhas, o açude do Calango nunca me silenciaram!
Se acaso eu morrer do coração
E os céus chorarem águas na minha despedida,
Veja que serão as lágrimas de São Pedro apóstolo
A mostrar que a natureza tem seus olhos d'água
Que se debulham a chorar de felicidade,
Por alguém que viveu intensamente, não apenas vegetou.
Se o sol se eclipsar, e as aves, nesse dia, não cantarem;
Não fique triste, amanhã renascerei
com os primeiros raios do sol
E vestirei o dia de cores brilhantes,vivas, intensas.
Eu pintarei uma tela gigante com a minha cara de contente,
Porque continuarei vivo e presente no coração de cada varzeano.
Com a minha ida, não haverá um vácuo no tempo,
Ficarei repleto em cada sorriso,
dando alegria a um magote de gente,
Pois tristeza é rima fácil
e pouco sentida em meus versos simples.
Não tenho tempo pra chorar feito um réu lastimoso.
Confesso, a vida é boa demais pra mim, sou um ser abençoado,
Nasci na terra de Joaninha Mulato, grande mulher varzeana
Que um dia se foi, mas deixou seu exemplo
e um legado de fé na vida, esperança e Amor.
Desde logo antecipo, com toda modéstia,
Quero que minha ausência possa ser sentida
Em lugares por onde se alastre a minha poesia.
Queria estar presente no meio dos seus livros, de fato.
Eu queria ver minha gente a ler meus versos,
sentir alento em meus poemas, entender-me, falar de mim.
Queria ver minha gente pra frente, sonhando acordada
com a crença de que Várzea é mesmo uma dádiva, uma bênção.
Se acaso eu morrer do coração,
permanecerei mais vivo do que nunca, acredito.
Levarei o deslumbre e a poesia do teu sorriso.
Verás meu rosto em todos os lugares, nos ariscos, nos seixos, nos retiros
Nas pedras, nos lajedos, nas lagoas, no Vapor, nas nuvens,
Nas flores e até mesmo nas águas verde-musgo do açude do Calango.
Tua lembrança, minha Várzea das Acácias, tua alma estará comigo.
Quero que saibas disso: Eu te amarei sempre, até depois da vida!
domingo, 28 de fevereiro de 2010
BEM-TE-QUERO, VÁRZEA!
BEM-TE-QUERO, VÁRZEA!
AUTOR: João Maria Ludugero.
Confesso que sinto saudade
do tempo do candeeiro,
do namoro da praça da matriz,
das brincadeiras de criança
e das morenas de trança.
a despetalar seus bem-quereres.
Cadê as pastorinhas
De seu Joaquim Rosendo
Cadê o cordão azul de areia brilhante
E as lantejoulas do cordão encarnado
Cadê os poetas e seresteiros
Que já não cantam na madrugada,
sendo a lua testemunha entre as palmeiras
de São Pedro apóstolo,
Cadê o violão companheiro de Seu Luciano
Dos Correios, que encantava sua linda Lucila?
Ai que saudade daquele tempo
Das minhas professorinhas Dona Marica Fernandes.
Da Dona Wilma e Dona Dezilda Anacleto
Da abnegada Zilda Roriz de Oliveira,
Das Escolas Dom Joaquim de Almeida,
do Educandário Pe. João Maria
E do festivo salão da Escola São Pedro.
Que saudade do amor sem dinheiro,
do cheiro forte de terra molhada,
da paquera da rua do Cruzeiro,
do bar do Seu Biga, do caldo de cana caiana
E do refresco Q-Suco lá do Seu Olival.
Que saudade do banho de rio,
de acordar cedo e ir pescar no rio de Nozinho.
Isso é muito gratificante. Ter ali vivido, de fato
Faz muito bem ao ego, essa alegria carrego comigo
Castigo? não! ali aprendi a amar as coisas simples
E delas nunca me separei.
Hoje acordo e me olho no espelho
Sinto-me belo, sou varzeano
Desde cedo aprendi a ouvir a voz do coração
E sei que vou partir um dia, mas irei feliz
Porque irei VARZEAMANDO!
AUTOR: João Maria Ludugero.
Confesso que sinto saudade
do tempo do candeeiro,
do namoro da praça da matriz,
das brincadeiras de criança
e das morenas de trança.
a despetalar seus bem-quereres.
Cadê as pastorinhas
De seu Joaquim Rosendo
Cadê o cordão azul de areia brilhante
E as lantejoulas do cordão encarnado
Cadê os poetas e seresteiros
Que já não cantam na madrugada,
sendo a lua testemunha entre as palmeiras
de São Pedro apóstolo,
Cadê o violão companheiro de Seu Luciano
Dos Correios, que encantava sua linda Lucila?
Ai que saudade daquele tempo
Das minhas professorinhas Dona Marica Fernandes.
Da Dona Wilma e Dona Dezilda Anacleto
Da abnegada Zilda Roriz de Oliveira,
Das Escolas Dom Joaquim de Almeida,
do Educandário Pe. João Maria
E do festivo salão da Escola São Pedro.
Que saudade do amor sem dinheiro,
do cheiro forte de terra molhada,
da paquera da rua do Cruzeiro,
do bar do Seu Biga, do caldo de cana caiana
E do refresco Q-Suco lá do Seu Olival.
Que saudade do banho de rio,
de acordar cedo e ir pescar no rio de Nozinho.
Isso é muito gratificante. Ter ali vivido, de fato
Faz muito bem ao ego, essa alegria carrego comigo
Castigo? não! ali aprendi a amar as coisas simples
E delas nunca me separei.
Hoje acordo e me olho no espelho
Sinto-me belo, sou varzeano
Desde cedo aprendi a ouvir a voz do coração
E sei que vou partir um dia, mas irei feliz
Porque irei VARZEAMANDO!
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
AVE-CORAÇÃO
AVE-CORAÇÃO
Autor:João Maria Ludugero.
Eu viajo pelo Vapor
Eu passeio na tarde sem pressa
Eu curto a paisagem
Eu me atiro pelos caminhos áridos
Eu vou em busca de um olho d'água
Eu me banho na cacimba cavada na areia
Eu tomo um banho no poço de Nozinho
Eu mergulho no resto do rio Joca
Eu jogo a rede e o landuá no que sobrou do rio
E ainda fisgo carás e algumas aratanhas.
Eu observo aves a cortar o céu
Elas voam alto direto ao meu pensamento
Meu coração-sabiá canta com pena de mim
Ele bate descompassado a entoar uma canção de Amor
Seu tum-tum me arremessa
feito um canário de chão
Que se encontra escondido
entre as ramas do roçado
Que voa vertiginoso
com receio de algum laço feito de crinas de cavalo
a levá-lo à prisão, sancionada a duras penas.
Prefiro ser livre e solto
feito aquele pintassilgo a cantar,
a afastar minha dor, minha saudade.
Prefiro a paisagem aberta, o risco do estilingue
Do que morrer patativa na redoma da gaiola.
Triste sina a do azulão arrancado da sua senda.
Assim é a minha vida, que fica pela metade,
se estou longe longe da minha Várzea.
Hoje sinto o meu coração-galo de campina
A carregar grande dor, mas ninguém tem dó de mim!
Sou passarinho bem distante do meu ninho, triste fardo,
Minha saudade-condor voa alto tão rasante
Que parte rumo ao infinito, apesar dos pesares.
Mas voa que voa alto,
Não voa só meu coração-não-sebito
Plaina levemente, além do rio da Cruz
Suavemente sobre as nuvens azuis
Sobre o tempo, sobre o espaço
carrega suas lembranças,tantas-tantas
Sobre o pó das estradinhas de chão.
Voa livre em meu olhar
Que busca um Itapacurá.
O inquire, flor da paixão-maracujá,
Mas ele nada responde, fruta mordida,
Bicado caju não poupado pelo afoito periquito.
Mas sinto que meu coração-gavião
É pássaro liberto e segue inquieto
Longe vai, busca caminhos e destino.
Nada teme, seu reino é o imenso céu,
Onde apenas o ar o envolve solene,
Depois plaina devagarzinho, meu coração-quero-quero
Bravo coração-tetéu, de volta vem pro seu ninho
Em busca do seu Amor, insubstituível
Em busca da sua amada terra do agreste
Em busca da sua Várzea das Acácias.
Porque lá é a minha casa, meu retiro
Onde a gente vai andar e voa,
Voa sem medo de ser feliz, simplesmente.
É lá aonde eu tenho ariscos de sombra e água fresca!
Que dádiva posso eu querer mais da vida? Me diga!
Autor:João Maria Ludugero.
Eu viajo pelo Vapor
Eu passeio na tarde sem pressa
Eu curto a paisagem
Eu me atiro pelos caminhos áridos
Eu vou em busca de um olho d'água
Eu me banho na cacimba cavada na areia
Eu tomo um banho no poço de Nozinho
Eu mergulho no resto do rio Joca
Eu jogo a rede e o landuá no que sobrou do rio
E ainda fisgo carás e algumas aratanhas.
Eu observo aves a cortar o céu
Elas voam alto direto ao meu pensamento
Meu coração-sabiá canta com pena de mim
Ele bate descompassado a entoar uma canção de Amor
Seu tum-tum me arremessa
feito um canário de chão
Que se encontra escondido
entre as ramas do roçado
Que voa vertiginoso
com receio de algum laço feito de crinas de cavalo
a levá-lo à prisão, sancionada a duras penas.
Prefiro ser livre e solto
feito aquele pintassilgo a cantar,
a afastar minha dor, minha saudade.
Prefiro a paisagem aberta, o risco do estilingue
Do que morrer patativa na redoma da gaiola.
Triste sina a do azulão arrancado da sua senda.
Assim é a minha vida, que fica pela metade,
se estou longe longe da minha Várzea.
Hoje sinto o meu coração-galo de campina
A carregar grande dor, mas ninguém tem dó de mim!
Sou passarinho bem distante do meu ninho, triste fardo,
Minha saudade-condor voa alto tão rasante
Que parte rumo ao infinito, apesar dos pesares.
Mas voa que voa alto,
Não voa só meu coração-não-sebito
Plaina levemente, além do rio da Cruz
Suavemente sobre as nuvens azuis
Sobre o tempo, sobre o espaço
carrega suas lembranças,tantas-tantas
Sobre o pó das estradinhas de chão.
Voa livre em meu olhar
Que busca um Itapacurá.
O inquire, flor da paixão-maracujá,
Mas ele nada responde, fruta mordida,
Bicado caju não poupado pelo afoito periquito.
Mas sinto que meu coração-gavião
É pássaro liberto e segue inquieto
Longe vai, busca caminhos e destino.
Nada teme, seu reino é o imenso céu,
Onde apenas o ar o envolve solene,
Depois plaina devagarzinho, meu coração-quero-quero
Bravo coração-tetéu, de volta vem pro seu ninho
Em busca do seu Amor, insubstituível
Em busca da sua amada terra do agreste
Em busca da sua Várzea das Acácias.
Porque lá é a minha casa, meu retiro
Onde a gente vai andar e voa,
Voa sem medo de ser feliz, simplesmente.
É lá aonde eu tenho ariscos de sombra e água fresca!
Que dádiva posso eu querer mais da vida? Me diga!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
ATÉ QUANDO DURMO EU FAÇO VERSOS
ATÉ QUANDO DURMO EU FAÇO VERSOS
Autor: João Maria Ludugero.
Da vida, bem sei o que quero
Sei do que gosto
E do que desgosto,
Sei o que me dá gosto
de viver a vida.
Eu sou humano, de carne e osso,
Eu corro e canso, eu acerto.
Talvez até canso em um canto
Mas do teu encanto não me canso
Não me dá cansaço nem enfado
nesse passeio feliz
No teu bosque de lembranças.
Com toda certeza, eu também erro
Eu não morro no teu manso carinho
Eu acordo junto com a coragem aflorada
Em meus poros, veias e capilares.
Se precisar, eu grito, eu berro.
Eu sigo adubando o teu solo,
Sou guardião deste mundo
Eu respeito a tua natureza
Eu me enramo em tua roça,
Eu me enrosco em tuas ramas,
Sou capitão da minha saudade.
Eu persigo um certo Vapor vital,
Que hoje me faz falta.
Eu não me arretiro e durmo,
Desperto e durmo, em claro
Sonho e durmo, acordado,
Desejo e durmo, não exausto,
Sofro e durmo, não desisto.
Conquisto e durmo, aos murros,
Levo foras e durmo, paciente,
Amo e durmo, simplesmente.
Quando as coisas não caminham muito bem,
Eu rezo e durmo, Várzea a dentro,
Quando as coisas estão ótimas,
Eu agradeço, rezo e durmo, de certo.
Autor: João Maria Ludugero.
Da vida, bem sei o que quero
Sei do que gosto
E do que desgosto,
Sei o que me dá gosto
de viver a vida.
Eu sou humano, de carne e osso,
Eu corro e canso, eu acerto.
Talvez até canso em um canto
Mas do teu encanto não me canso
Não me dá cansaço nem enfado
nesse passeio feliz
No teu bosque de lembranças.
Com toda certeza, eu também erro
Eu não morro no teu manso carinho
Eu acordo junto com a coragem aflorada
Em meus poros, veias e capilares.
Se precisar, eu grito, eu berro.
Eu sigo adubando o teu solo,
Sou guardião deste mundo
Eu respeito a tua natureza
Eu me enramo em tua roça,
Eu me enrosco em tuas ramas,
Sou capitão da minha saudade.
Eu persigo um certo Vapor vital,
Que hoje me faz falta.
Eu não me arretiro e durmo,
Desperto e durmo, em claro
Sonho e durmo, acordado,
Desejo e durmo, não exausto,
Sofro e durmo, não desisto.
Conquisto e durmo, aos murros,
Levo foras e durmo, paciente,
Amo e durmo, simplesmente.
Quando as coisas não caminham muito bem,
Eu rezo e durmo, Várzea a dentro,
Quando as coisas estão ótimas,
Eu agradeço, rezo e durmo, de certo.
BICHO SOLTO NA VÁRZEA
BICHO SOLTO NA VÁRZEA
Autor: João Maria Ludugero.
Mugem os bois no pasto do Calango,
Berram os cabritos soltos na Vargem
Fuçando capim e juncos à cata de alimento.
O vento, velho companheiro,
uiva pelas quatro bocas
a bafejar a tarde varzeana.
Meu rugido se corta além do paredão
Do açude, enquanto tudo se derrama
Em ávido e ácido lume, de sobejo
A escoar pelos bueiros
Das estradas de chão
que levam ao sítio de Zé Canindé.
Corro terra-a-dentro:
dou de cara com a saudade,
Atravesso cercas de arames farpados,
Abro um clarão na árida mata,
O sol queima meu rosto sem pena.
Eu percorro longo campo de mata-pasto.
Eu me acho defronte ao carro encantado,
Eu estou dentro da lenda,
Vejo diante de mim a mulher que chora,
E descendo a Brasiliano Coelho de Oliveira
Eu mais pareço um cigano ao trilhar esse chão
Como se fosse o traçado das minhas mãos
como que a ler a própria sorte, ali escrita.
Eu sou filho de Várzea,
Eu tenho um sonho acordado,
prestes a fazer desabar por inteiro
Sobre a cabeça de cada varzeano, de súbito,
A tão sonhada felicidade, de fato.
Porque minha poesia não tem muros,
Minha poesia tem janelas e versos.
Porque minha Várzea me fez assim,
Fez fértil o terreno do meu coração
E nele plantei sementes do bem, do amor e da paz.
Logo, sempre que preciso acho socorro em cada beco.
Assim sendo, não morro
feito semente em solo seco.
Sou filho de Várzea,
sou filho da terra agreste.
Sou filho do semi-árido.
Posso até ser árido, no cerne,
mas tenho um olho d'água em cada arisco.
Autor: João Maria Ludugero.
Mugem os bois no pasto do Calango,
Berram os cabritos soltos na Vargem
Fuçando capim e juncos à cata de alimento.
O vento, velho companheiro,
uiva pelas quatro bocas
a bafejar a tarde varzeana.
Meu rugido se corta além do paredão
Do açude, enquanto tudo se derrama
Em ávido e ácido lume, de sobejo
A escoar pelos bueiros
Das estradas de chão
que levam ao sítio de Zé Canindé.
Corro terra-a-dentro:
dou de cara com a saudade,
Atravesso cercas de arames farpados,
Abro um clarão na árida mata,
O sol queima meu rosto sem pena.
Eu percorro longo campo de mata-pasto.
Eu me acho defronte ao carro encantado,
Eu estou dentro da lenda,
Vejo diante de mim a mulher que chora,
E descendo a Brasiliano Coelho de Oliveira
Eu mais pareço um cigano ao trilhar esse chão
Como se fosse o traçado das minhas mãos
como que a ler a própria sorte, ali escrita.
Eu sou filho de Várzea,
Eu tenho um sonho acordado,
prestes a fazer desabar por inteiro
Sobre a cabeça de cada varzeano, de súbito,
A tão sonhada felicidade, de fato.
Porque minha poesia não tem muros,
Minha poesia tem janelas e versos.
Porque minha Várzea me fez assim,
Fez fértil o terreno do meu coração
E nele plantei sementes do bem, do amor e da paz.
Logo, sempre que preciso acho socorro em cada beco.
Assim sendo, não morro
feito semente em solo seco.
Sou filho de Várzea,
sou filho da terra agreste.
Sou filho do semi-árido.
Posso até ser árido, no cerne,
mas tenho um olho d'água em cada arisco.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
CICATRIZES
CICATRIZES
Autor: João Maria Ludugero.
Dentro das minhas lembranças
Eu trago um velho baú cheio
de memórias indissolúveis, arquivo vivo,
que guarda sonhos, pessoas, lugares
que guarda desejos, abraços e prazeres.
Eu acordo no meio da noite
Eu vejo na sala-de-estar
ou no quarto de dormir um sol
que não deixa logo o dia vir,
Ou melhor eu passo a noite em claro.
Eu sonho acordado, de fato,
Iluminado pelo sol amarelo e radiante
Que carrego comigo, dentro do peito.
Um sol que traz a alvorada
Com esperanças renovadas,
A me trazer um amanhecer mais bonito
A me trazer uma mesa farta, de pronto,
A me trazer uma tarde bonita e amena
com seu cheiro de mato e passarinhos.
Há nessas memórias dias felizes
Há também aqueles cinzentos, gris.
Há o registro dos momentos inesquecíveis,
Mas que foram passageiros,
que se foram com o vento.
Há lembranças tantas tantas
do brilho dos olhos teus, vertentes
dos prazeres compartilhados,
das lágrimas de alegria,
da felicidade repartida.
Minha sina é passar isso para o papel,
Fazer simples versos, eu-contente-da-vida
Conversando com meu coração,
Escutando a poesia que brota dele,
Como se fosse feito um talho, um corte
direto no meu peito, que faz bem doer
Pois alivia o corpo e a alma,
Como se desse corte brotasse resina
como aquela que aflora no cajueiro
Como que para aliviar a dor da saudade
Que foi esculpida no tronco de uma árvore,
erupindo como se fôssemos um rio cheio,
Quiçá um Calango, um açude a sangrar
A transbordar tudo que vivemos ali,
Bem ali na nossa Várzea das Acácias!
E essas marcas são como uma tatuagem
gravada em carne viva, a ferro e a fogo,
Que dilacera o coração por dentro, em brasa,
que aprendi a carregar comigo vida a fora,
Por toda minha vida, além dos muros da minha casa,
sem mesmo cogitar de fazer uma plástica.
E assim vou vivendo a vida, sem muitas cobranças.
Agora, mais do que antes, aprendi
a gostar das minhas cicatrizes.
Assim vai o tempo passando, as horas
a bater o sino da igreja.
E eu na peleja a lubrificar portas e dobradiças,
A tanger tudo que seja triste,
a levantar o astral, pois sou varzeano
e habito a terra da felicidade.
Autor: João Maria Ludugero.
Dentro das minhas lembranças
Eu trago um velho baú cheio
de memórias indissolúveis, arquivo vivo,
que guarda sonhos, pessoas, lugares
que guarda desejos, abraços e prazeres.
Eu acordo no meio da noite
Eu vejo na sala-de-estar
ou no quarto de dormir um sol
que não deixa logo o dia vir,
Ou melhor eu passo a noite em claro.
Eu sonho acordado, de fato,
Iluminado pelo sol amarelo e radiante
Que carrego comigo, dentro do peito.
Um sol que traz a alvorada
Com esperanças renovadas,
A me trazer um amanhecer mais bonito
A me trazer uma mesa farta, de pronto,
A me trazer uma tarde bonita e amena
com seu cheiro de mato e passarinhos.
Há nessas memórias dias felizes
Há também aqueles cinzentos, gris.
Há o registro dos momentos inesquecíveis,
Mas que foram passageiros,
que se foram com o vento.
Há lembranças tantas tantas
do brilho dos olhos teus, vertentes
dos prazeres compartilhados,
das lágrimas de alegria,
da felicidade repartida.
Minha sina é passar isso para o papel,
Fazer simples versos, eu-contente-da-vida
Conversando com meu coração,
Escutando a poesia que brota dele,
Como se fosse feito um talho, um corte
direto no meu peito, que faz bem doer
Pois alivia o corpo e a alma,
Como se desse corte brotasse resina
como aquela que aflora no cajueiro
Como que para aliviar a dor da saudade
Que foi esculpida no tronco de uma árvore,
erupindo como se fôssemos um rio cheio,
Quiçá um Calango, um açude a sangrar
A transbordar tudo que vivemos ali,
Bem ali na nossa Várzea das Acácias!
E essas marcas são como uma tatuagem
gravada em carne viva, a ferro e a fogo,
Que dilacera o coração por dentro, em brasa,
que aprendi a carregar comigo vida a fora,
Por toda minha vida, além dos muros da minha casa,
sem mesmo cogitar de fazer uma plástica.
E assim vou vivendo a vida, sem muitas cobranças.
Agora, mais do que antes, aprendi
a gostar das minhas cicatrizes.
Assim vai o tempo passando, as horas
a bater o sino da igreja.
E eu na peleja a lubrificar portas e dobradiças,
A tanger tudo que seja triste,
a levantar o astral, pois sou varzeano
e habito a terra da felicidade.
SEM ARREDAR O CORAÇÃO DA MINHA VÁRZEA
Autor: João Maria Ludugero.
Imerso em meus pensamentos
Mergulhava nas águas do Calango,
E já me dizia o açude, de súbito,
que eu haveria de partir, galgar outro lugar,
como se dissesse eu ter sede de viagens.
Eu via a leveza das aves,
E isso muito me aprazia.
O canário-de-chão já me dizia
Que eu precisava respirar outros ares.
Mas o ar dali não se detinha no cálice das mãos.
As pedras, os Seixos de arestas polidas, já me diziam,
E eu bem sabia das areias movediças,
nos jardins fora da minha Várzea.
Nos umbrais das esperas,
nas soleiras das portas,
As sementes germinaram,
os frutos maduraram, de cair no chão,
E aquele magote de crianças cresceu.
Já era velha a tarde varzeana,
As andorinhas em bando se dirigiam à torre de São Pedro
E as estradinhas de chão me pegaram os passos,
Foi quando a poeira e o pó foram sacudidos ao vento
Foi quando lágrimas se debulharam no meu rosto.
Eu botei a saudade no embornal, uma a uma,
Abracei minha mãe, pedi a bença a meu pai
Peguei a camioneta do seu Tida e rumei à Nova Cruz
E com o coração despedaçado, segui minha sina
Em busca de uma esperança nova, eu me partir.
Eu vi minha Várzea ficando distante,
Naquela tarde eu vi no céu uma meia-lua inteira,
uma lua de prata presa ao meu peito.
Eu sabia que era chegada a hora
de aprender com o adeus novo ofício
de se lançar vida a fora, de fato,
pela vastidão de outros campos
e o breve breve tempo do Verão.
Mas de uma coisa posso ter certeza:
Eu, feito andorinha só, vim para Brasília.
Eu vim. Eu vi. Eu venci.
Mas sair de Várzea, disso certeza não tenho,
Uma vez que da minha Várzea
nunca arredei o coração,
Nunca me vi ausente dela,
da minha amada cidade da cultura,
Minha Várzea das Acácias!
Autor: João Maria Ludugero.
Imerso em meus pensamentos
Mergulhava nas águas do Calango,
E já me dizia o açude, de súbito,
que eu haveria de partir, galgar outro lugar,
como se dissesse eu ter sede de viagens.
Eu via a leveza das aves,
E isso muito me aprazia.
O canário-de-chão já me dizia
Que eu precisava respirar outros ares.
Mas o ar dali não se detinha no cálice das mãos.
As pedras, os Seixos de arestas polidas, já me diziam,
E eu bem sabia das areias movediças,
nos jardins fora da minha Várzea.
Nos umbrais das esperas,
nas soleiras das portas,
As sementes germinaram,
os frutos maduraram, de cair no chão,
E aquele magote de crianças cresceu.
Já era velha a tarde varzeana,
As andorinhas em bando se dirigiam à torre de São Pedro
E as estradinhas de chão me pegaram os passos,
Foi quando a poeira e o pó foram sacudidos ao vento
Foi quando lágrimas se debulharam no meu rosto.
Eu botei a saudade no embornal, uma a uma,
Abracei minha mãe, pedi a bença a meu pai
Peguei a camioneta do seu Tida e rumei à Nova Cruz
E com o coração despedaçado, segui minha sina
Em busca de uma esperança nova, eu me partir.
Eu vi minha Várzea ficando distante,
Naquela tarde eu vi no céu uma meia-lua inteira,
uma lua de prata presa ao meu peito.
Eu sabia que era chegada a hora
de aprender com o adeus novo ofício
de se lançar vida a fora, de fato,
pela vastidão de outros campos
e o breve breve tempo do Verão.
Mas de uma coisa posso ter certeza:
Eu, feito andorinha só, vim para Brasília.
Eu vim. Eu vi. Eu venci.
Mas sair de Várzea, disso certeza não tenho,
Uma vez que da minha Várzea
nunca arredei o coração,
Nunca me vi ausente dela,
da minha amada cidade da cultura,
Minha Várzea das Acácias!
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
SEM ARREDAR O CORAÇÃO DA MINHA VÁRZEA
SEM ARREDAR O CORAÇÃO DA MINHA VÁRZEA
Autor: João Maria Ludugero.
Eu imerso em pensamentos
Nas águas do Calango,
Já me dizia o açude,
que eu haveria de partir,
como se dissesse sede de viagens.
Eu via a leveza das aves,
O canário de chão já me dizia
Que eu precisava respirar outros ares.
Mas o ar dali não se detinha no cálice das mãos.
As pedras, os Seixos
de arestas polidas, já me diziam,
E eu bem sabia das areias movediças,
nos jardins fora da minha Várzea.
Nos umbrais das esperas,
nas soleiras das portas
As sementes germinaram,
os frutos maduraram,
E aquele magote de crianças cresceu.
Já era velha a tarde varzeana,
quando a estrada de chão me pegou os passos,
quando a poeira e o pó foram sacudidos ao vento
quando lágrimas se debulharam no meu rosto
Eu botei a saudade no embornal, uma a uma,
Abracei minha mãe, pedi a bença a meu pai
Peguei a camioneta do seu Tida e rumei à Nova Cruz
E com o coração despedaçado, segui minha sina.
Eu vi minha Várzea ficando distante,
Naquela tarde eu vi no céu uma lua,
uma lua de prata presa ao meu peito.
Eu sabia que era chegada a hora
de aprender com o adeus o ofício
de cantar mundo a fora, de fato,
pela vastidão de outros campos
e o breve breve tempo do Verão.
Mas de uma coisa posso ter certeza:
Eu vim para Brasília. Eu vim. vi e venci.
Mas sair de Várzea, disso certeza não tenho,
Uma vez que da minha Várzea
nunca arredei o coração,
Nunca me vi ausente dela,
da minha amada cidade da cultura,
Minha Várzea das Acácias!
Autor: João Maria Ludugero.
Eu imerso em pensamentos
Nas águas do Calango,
Já me dizia o açude,
que eu haveria de partir,
como se dissesse sede de viagens.
Eu via a leveza das aves,
O canário de chão já me dizia
Que eu precisava respirar outros ares.
Mas o ar dali não se detinha no cálice das mãos.
As pedras, os Seixos
de arestas polidas, já me diziam,
E eu bem sabia das areias movediças,
nos jardins fora da minha Várzea.
Nos umbrais das esperas,
nas soleiras das portas
As sementes germinaram,
os frutos maduraram,
E aquele magote de crianças cresceu.
Já era velha a tarde varzeana,
quando a estrada de chão me pegou os passos,
quando a poeira e o pó foram sacudidos ao vento
quando lágrimas se debulharam no meu rosto
Eu botei a saudade no embornal, uma a uma,
Abracei minha mãe, pedi a bença a meu pai
Peguei a camioneta do seu Tida e rumei à Nova Cruz
E com o coração despedaçado, segui minha sina.
Eu vi minha Várzea ficando distante,
Naquela tarde eu vi no céu uma lua,
uma lua de prata presa ao meu peito.
Eu sabia que era chegada a hora
de aprender com o adeus o ofício
de cantar mundo a fora, de fato,
pela vastidão de outros campos
e o breve breve tempo do Verão.
Mas de uma coisa posso ter certeza:
Eu vim para Brasília. Eu vim. vi e venci.
Mas sair de Várzea, disso certeza não tenho,
Uma vez que da minha Várzea
nunca arredei o coração,
Nunca me vi ausente dela,
da minha amada cidade da cultura,
Minha Várzea das Acácias!
MEMÓRIAS DA CASA VELHA DO VAPOR
MEMÓRIAS DA CASA VELHA DO VAPOR
Autor: João Maria Ludugero.
No outro lado do rio Joca,
Lá no alto aonde a vista podia alcançar
Estava a casa velha, a casa do Vapor,
Ladeada pelo lindo flamboyant
que dava flores alaranjadas na primavera.
Muitos vasos de gerânios nas janelas,
Algumas espreguiçadeiras de panos de tear coloridos
e redes de algodão espalhadas por todo o alpendre.
E no meio da plantação de sisal
podíamos apreciar belos pavões a cortejar suas fêmeas
ou um bando de gansos e patos a matar a sede
Nos veios d'água que circundavam a velha casa.
Não muito longe dali, do outro lado do curral,
A casa de farinha, de onde provinha o cheiro
de beiju da última fornalha.
E quase sempre um magote de menibos
e meninas a sonhar com seus puxa-puxas,
Com seus confeitos de açúcar mascavo
feitos no pé do forno, no fogo de chão entre a lenha e o tição.
E no centro de tudo, a cantiga alegre
das rapadeiras de mandioca
Com seus lenços amarrados na cabeça,
e o suor a escorrer pelo rosto.
E no tempo, o vento a exalar seus cheiros e manipueiras.
No oitão da casa velha, as trepadeiras
a florescer brincos de princesa.
Na cumeeira, andorinhas que sempre voltam
Espreitadas pelo gato dourado de dona Lourdes.
No fogão a lenha, a chaleira de ferro sob as labaredas
E o cheiro de café a tomar conta do desvão da tarde amena.
No alguidar, a goma fresca, o polvilho
Tudo pronto para a tapioca e os beijus.
E em nossa face a vontade de não sair mais dali.
Ali mesmo na terra da simplicidade, nossa Várzea amada.
E agora só nos resta os restos teimosos dessa saudade
Uma vez que derrubaram a casa velha e suas paredes.
E ali nas ruínas o sol sempre volta a aquecer
A fazer respirar suas lagartixas.
Lá dentro do peito, percorre um vazio, persistente,
ou um ranger de portas empenadas pela ferrugem.
Nada de talheres a tilintar na mesa, só o silêncio.
Só o abafar de suspiros de outros tempos,
ou os gritos amordaçados que não tiveram ecos.
Mas ainda se ouve o canto mavioso
do pintassilgo nas algarobeiras.
E tão só o piar do galo de campina,
E nada de correrias de crianças,
nem mesmo a toada das mulheres
a descascar mandiocas na casa de farinha.
Só resta agora a saudade a nos apanhar,
a nos acompanhar vida a fora, pra sempre.
Ali existiu a casa do Vapor do seu Zuquinha.
Dentro das nossas memórias varzeanas
uma casa ainda habitada
a alimentar as ruínas de um tempo bom
que o vento não leva jamais.
Autor: João Maria Ludugero.
No outro lado do rio Joca,
Lá no alto aonde a vista podia alcançar
Estava a casa velha, a casa do Vapor,
Ladeada pelo lindo flamboyant
que dava flores alaranjadas na primavera.
Muitos vasos de gerânios nas janelas,
Algumas espreguiçadeiras de panos de tear coloridos
e redes de algodão espalhadas por todo o alpendre.
E no meio da plantação de sisal
podíamos apreciar belos pavões a cortejar suas fêmeas
ou um bando de gansos e patos a matar a sede
Nos veios d'água que circundavam a velha casa.
Não muito longe dali, do outro lado do curral,
A casa de farinha, de onde provinha o cheiro
de beiju da última fornalha.
E quase sempre um magote de menibos
e meninas a sonhar com seus puxa-puxas,
Com seus confeitos de açúcar mascavo
feitos no pé do forno, no fogo de chão entre a lenha e o tição.
E no centro de tudo, a cantiga alegre
das rapadeiras de mandioca
Com seus lenços amarrados na cabeça,
e o suor a escorrer pelo rosto.
E no tempo, o vento a exalar seus cheiros e manipueiras.
No oitão da casa velha, as trepadeiras
a florescer brincos de princesa.
Na cumeeira, andorinhas que sempre voltam
Espreitadas pelo gato dourado de dona Lourdes.
No fogão a lenha, a chaleira de ferro sob as labaredas
E o cheiro de café a tomar conta do desvão da tarde amena.
No alguidar, a goma fresca, o polvilho
Tudo pronto para a tapioca e os beijus.
E em nossa face a vontade de não sair mais dali.
Ali mesmo na terra da simplicidade, nossa Várzea amada.
E agora só nos resta os restos teimosos dessa saudade
Uma vez que derrubaram a casa velha e suas paredes.
E ali nas ruínas o sol sempre volta a aquecer
A fazer respirar suas lagartixas.
Lá dentro do peito, percorre um vazio, persistente,
ou um ranger de portas empenadas pela ferrugem.
Nada de talheres a tilintar na mesa, só o silêncio.
Só o abafar de suspiros de outros tempos,
ou os gritos amordaçados que não tiveram ecos.
Mas ainda se ouve o canto mavioso
do pintassilgo nas algarobeiras.
E tão só o piar do galo de campina,
E nada de correrias de crianças,
nem mesmo a toada das mulheres
a descascar mandiocas na casa de farinha.
Só resta agora a saudade a nos apanhar,
a nos acompanhar vida a fora, pra sempre.
Ali existiu a casa do Vapor do seu Zuquinha.
Dentro das nossas memórias varzeanas
uma casa ainda habitada
a alimentar as ruínas de um tempo bom
que o vento não leva jamais.
SOLTANDO OS BICHOS
SOLTANDO OS BICHOS
Autor: João Maria Ludugero.
Estou no paredão
Não tenho medo algum, da vida
Não tenho receio de perder o chão
Não é movediço o meu lugar
Minha Várzea é movida de Amor à vida.
Ela me fez eterno-aprendiz do Calango
Estou no paredão do açude
Com o vento no rosto
e as mãos despidas,
detenho-me e escuto
um murmúrio de vozes antigas.
Aos meus pés tombam palavras
nunca fatigadas de saberem tantas águas.
Cai a tarde amena, ao passo que o vento beija o açude.
É quando as aves saem da paisagem, sem pressa.
Nesse instante, um manto verde-musgo cobre o espelho d'água
e uma janela no meio do peito se abre sobre o tempo
que somos, porque somos o que somos, filhos de Várzea,
sem negar a raça, com graça e real beleza.
O corpo esse nos sobra e se mostra todo
a esbanjar de natural orgulho
que somos nascidos da mesma laia,
persistentes guardadores
de sonhos acordados, possíveis
Desbravadores da sonhada felicidade, de fato
Senhores das marcas de água ou do nosso rastro,
Ainda deixamos pelo caminho sementes prontas,
Capazes de germinar esperanças adormecidas,
Afinal moramos aqui na terra de Ângelo Bezerra!
Somos varzeanos e não temos tempo
Para cultivar tristeza.
Eu lhes digo e asseguro,
Estou no paredão do açude,
Eu bem me equilibro, bicho solto,
Com a devida coragem e sensatez,
Sou rico, sim senhor,
Sou dono do meu nariz!
Pobre de quem ficar em cima do muro
Aguardando o manjar cair do céu!
Eu sou varzeano, arregaço as mangas,
Começo de novo, dou rasteira no bicho-papão,
Dobro a esquina e, se preciso for,
Dou até nó em pingo d'água. Acredite!
E, faça-me um favor, caro varzeano,
Não fuja da raia, mulher ou homem,
Nunca entregue os pontos, não morra na praia,
Pois temos Vapor de sobra e vital energia,
Somos feijão, e que sejamos gato, lobo ou vovozinha,
Que sejamos até farinha do mesmo saco.
Afinal, já se deparou que somos nós
quem pagamos as nossas contas?
De uma coisa eu tenho certeza,
Nós temos um sonho nas mãos
e aprendemos desde cedo, com garra,
a não levar desaforo pra casa,
A não morrer na praia. Você sabia?
Sejamos patinho feio a virar cisne
Sejamos Calango ou lagartixa ao sol
ou qualquer outro bicho, de fato,
Pois a gente nasce pra ser o que se é.
Se não enfrentarmos a fera-vida, menino ou menina,
Qual seria a razão de você ter nascido;
Vai encarar ou vai ficar debaixo da saia,
A cochichar a vida alheia com o rabo a espichar,
Ou vai viver sentado em cima do próprio rabo,
Tomando conta de migalhas, pro resto da vida?
Pense nisso!
Autor: João Maria Ludugero.
Estou no paredão
Não tenho medo algum, da vida
Não tenho receio de perder o chão
Não é movediço o meu lugar
Minha Várzea é movida de Amor à vida.
Ela me fez eterno-aprendiz do Calango
Estou no paredão do açude
Com o vento no rosto
e as mãos despidas,
detenho-me e escuto
um murmúrio de vozes antigas.
Aos meus pés tombam palavras
nunca fatigadas de saberem tantas águas.
Cai a tarde amena, ao passo que o vento beija o açude.
É quando as aves saem da paisagem, sem pressa.
Nesse instante, um manto verde-musgo cobre o espelho d'água
e uma janela no meio do peito se abre sobre o tempo
que somos, porque somos o que somos, filhos de Várzea,
sem negar a raça, com graça e real beleza.
O corpo esse nos sobra e se mostra todo
a esbanjar de natural orgulho
que somos nascidos da mesma laia,
persistentes guardadores
de sonhos acordados, possíveis
Desbravadores da sonhada felicidade, de fato
Senhores das marcas de água ou do nosso rastro,
Ainda deixamos pelo caminho sementes prontas,
Capazes de germinar esperanças adormecidas,
Afinal moramos aqui na terra de Ângelo Bezerra!
Somos varzeanos e não temos tempo
Para cultivar tristeza.
Eu lhes digo e asseguro,
Estou no paredão do açude,
Eu bem me equilibro, bicho solto,
Com a devida coragem e sensatez,
Sou rico, sim senhor,
Sou dono do meu nariz!
Pobre de quem ficar em cima do muro
Aguardando o manjar cair do céu!
Eu sou varzeano, arregaço as mangas,
Começo de novo, dou rasteira no bicho-papão,
Dobro a esquina e, se preciso for,
Dou até nó em pingo d'água. Acredite!
E, faça-me um favor, caro varzeano,
Não fuja da raia, mulher ou homem,
Nunca entregue os pontos, não morra na praia,
Pois temos Vapor de sobra e vital energia,
Somos feijão, e que sejamos gato, lobo ou vovozinha,
Que sejamos até farinha do mesmo saco.
Afinal, já se deparou que somos nós
quem pagamos as nossas contas?
De uma coisa eu tenho certeza,
Nós temos um sonho nas mãos
e aprendemos desde cedo, com garra,
a não levar desaforo pra casa,
A não morrer na praia. Você sabia?
Sejamos patinho feio a virar cisne
Sejamos Calango ou lagartixa ao sol
ou qualquer outro bicho, de fato,
Pois a gente nasce pra ser o que se é.
Se não enfrentarmos a fera-vida, menino ou menina,
Qual seria a razão de você ter nascido;
Vai encarar ou vai ficar debaixo da saia,
A cochichar a vida alheia com o rabo a espichar,
Ou vai viver sentado em cima do próprio rabo,
Tomando conta de migalhas, pro resto da vida?
Pense nisso!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
QUANDO O CORAÇÃO DESPENCA
QUANDO O CORAÇÃO DESPENCA
Autor: João Maria Ludugero.
Eu estive a visitar o rio Joca
Vi o rio seco ali quase abandonado
Um resto de água parada, o que restou do rio
Eu voltei ao passado com meus pensamentos,
Remeti-me a outros verões, divaguei
Feito uma andorinha só no desvão do tempo
Tempo de outrora, tempo de cacimbas
De água potável e banhos de cuia.
Eu vi a tarde derramar sombras
Nas ribanceiras do rio, eu vi os juazeiros
Vi e ouvi os anus-brancos e pretos
A gravetar seus ninhos nas verdes copas
Dos arbustos agrestes espalhados ao largo
Do caminho que leva ao Vapor de Zuquinha.
Vi a imensa areia branca do rio,
Uma praia fluvial onde me deitei
e junto comigo desabaram as lembranças
Do tempo em que éramos crianças e íamos pescar
Ali nas pedras e locas do rio de Nozinho.
Pisei na areia morna, espiando ao redor
Estive inteiro, situado ali no leito seco do rio
E senti o coração apertar, senti a vida pela metade
Bateu uma saudade do tempo em que a gente ficava ali
Zambeteando na beira do rio sem pensar na ilusão do mundo
Sem pressa para o dia encontrar a noite e a gente ver as estrelas.
Eu pisei na areia do rio
E mais ninguém pisou como eu pisei.
Eu senti a brisa gangorrando as frondes
Do coqueiral, o vento alisando as folhas,
os galhos dos marmeleiros, ruídos de preás.
Eu pude sentir o aroma das flores do mato
Meu coração parecendo cair e se espatifar
Meu corpo beirando o rio, minha alma lá no fundo
do poço do rio da Cruz, onde mergulhei fundo
sob o crepúsculo a bafejar suas sombras mais cedo.
De repente, senti no peito uma ausência: a de Dona Neda.
Ela não mais estava ali com seu landuá.
E chegou a noite. E com ela dormiram as lembranças.
E com a noite chegaram os vagalumes e os grilos a trilar
E meu coração parecia cair e se espatifar nas pedras,
os seixos a rolar pela vida se espatifando na desilusão do mundo.
Acordei quando a noite chegou.
E voltando para casa, ainda sonhava
e coloria aquelas coisas sentimentais.
Ia pensando em lavrar meus poemas,
plantar e colher meus versos simples
Não em terreno alheio, mas como bom varzeano
a melhorar de vida, no murro pesado de sonhar acordado
e acreditar na fartura da minha lavoura de poesias.
Amanhã quero acordar cedo e ver o sol varzeano
A despejar seus raios no amanhecer.
Quero ver cores vibrantes e ainda acreditar
que a burrinha da felicidade vai chegar lá só pra ver
A cara da minha gente despencando de contente, de verdade.
Amanhã quero renovar minhas esperanças,
viver o presente sem me lembrar de esquecer
de cultivar minhas raízes.
Quero poder me vestir de sonhos possíveis
e ainda acreditar na força
e na vida do rio Joca.
Quero ver pássaros a voar, voar
Quero ver o rio deixar-me encher
o samburá tomado de carás e outros peixes.
Essas maravilhas que só o Joca tem para oferecer
a este humilde e rico poeta andarilho.
Autor: João Maria Ludugero.
Eu estive a visitar o rio Joca
Vi o rio seco ali quase abandonado
Um resto de água parada, o que restou do rio
Eu voltei ao passado com meus pensamentos,
Remeti-me a outros verões, divaguei
Feito uma andorinha só no desvão do tempo
Tempo de outrora, tempo de cacimbas
De água potável e banhos de cuia.
Eu vi a tarde derramar sombras
Nas ribanceiras do rio, eu vi os juazeiros
Vi e ouvi os anus-brancos e pretos
A gravetar seus ninhos nas verdes copas
Dos arbustos agrestes espalhados ao largo
Do caminho que leva ao Vapor de Zuquinha.
Vi a imensa areia branca do rio,
Uma praia fluvial onde me deitei
e junto comigo desabaram as lembranças
Do tempo em que éramos crianças e íamos pescar
Ali nas pedras e locas do rio de Nozinho.
Pisei na areia morna, espiando ao redor
Estive inteiro, situado ali no leito seco do rio
E senti o coração apertar, senti a vida pela metade
Bateu uma saudade do tempo em que a gente ficava ali
Zambeteando na beira do rio sem pensar na ilusão do mundo
Sem pressa para o dia encontrar a noite e a gente ver as estrelas.
Eu pisei na areia do rio
E mais ninguém pisou como eu pisei.
Eu senti a brisa gangorrando as frondes
Do coqueiral, o vento alisando as folhas,
os galhos dos marmeleiros, ruídos de preás.
Eu pude sentir o aroma das flores do mato
Meu coração parecendo cair e se espatifar
Meu corpo beirando o rio, minha alma lá no fundo
do poço do rio da Cruz, onde mergulhei fundo
sob o crepúsculo a bafejar suas sombras mais cedo.
De repente, senti no peito uma ausência: a de Dona Neda.
Ela não mais estava ali com seu landuá.
E chegou a noite. E com ela dormiram as lembranças.
E com a noite chegaram os vagalumes e os grilos a trilar
E meu coração parecia cair e se espatifar nas pedras,
os seixos a rolar pela vida se espatifando na desilusão do mundo.
Acordei quando a noite chegou.
E voltando para casa, ainda sonhava
e coloria aquelas coisas sentimentais.
Ia pensando em lavrar meus poemas,
plantar e colher meus versos simples
Não em terreno alheio, mas como bom varzeano
a melhorar de vida, no murro pesado de sonhar acordado
e acreditar na fartura da minha lavoura de poesias.
Amanhã quero acordar cedo e ver o sol varzeano
A despejar seus raios no amanhecer.
Quero ver cores vibrantes e ainda acreditar
que a burrinha da felicidade vai chegar lá só pra ver
A cara da minha gente despencando de contente, de verdade.
Amanhã quero renovar minhas esperanças,
viver o presente sem me lembrar de esquecer
de cultivar minhas raízes.
Quero poder me vestir de sonhos possíveis
e ainda acreditar na força
e na vida do rio Joca.
Quero ver pássaros a voar, voar
Quero ver o rio deixar-me encher
o samburá tomado de carás e outros peixes.
Essas maravilhas que só o Joca tem para oferecer
a este humilde e rico poeta andarilho.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
CANDEIA DE TODAS AS HORAS
CANDEIA DE TODAS AS HORAS
Autor: João Maria Ludugero.
Sinto teu olhar a me acompanhar
Mesmo não estando em tua presença
O teu olhar entra na minha vida
E me cobra coisas que não vivemos
Ele vaga pelo silêncio de agora
Ele só insiste e não quer afastar a ferrugem
Que corrói a catraca das horas.
Já se foi o tempo, bem sabemos.
E ainda assim me persegue o teu olhar
Mas não me lamento nem choro mais o leite derramado
A vida tem dessas cores, é tudo aprendizado
Cada obstáculo, cada pedra, cada espinho
Fez-me acreditar mais em mim, recomeçar
Sem olhar para trás, pois se isso acontece
Deixa marcada uma promessa.
Em sendo assim, chega de saudade!
Vou sacudir a poeira, o pó das coisas de outrora.
Não fica bem chorar o que já foi sepultado
Vez ou outra vou recordar a face tua,
Mas já pálida,ingênua,fria e nua.
Inteiramente fora do alcance da minha mão.
Lembre-se que o vento nos levou pra longe de nós.
Agora há outros olhos sonhadores,olhos de luz
Que me seguem dentro da luz
que ora me alumia, feito dois sóis.
Eu sinto uma realidade à toda prova,concreta,
Que me faz chegar ao céu com os pés no chão
E há tanta luz além das luzes da cidade
Que nunca mais senti medo de escuro, de fato.
Porque tenho comigo uma nova candeia, perene
Que iluminou de vez as minhas esperanças.
Aprendi a perdoar e dei a volta por cima.
Isso me basta, e assim sigo o meu destino,
Sou Varzeano, homem feito, mas com um coração de menino.
Sou feliz.o que mais posso querer da vida?
Autor: João Maria Ludugero.
Sinto teu olhar a me acompanhar
Mesmo não estando em tua presença
O teu olhar entra na minha vida
E me cobra coisas que não vivemos
Ele vaga pelo silêncio de agora
Ele só insiste e não quer afastar a ferrugem
Que corrói a catraca das horas.
Já se foi o tempo, bem sabemos.
E ainda assim me persegue o teu olhar
Mas não me lamento nem choro mais o leite derramado
A vida tem dessas cores, é tudo aprendizado
Cada obstáculo, cada pedra, cada espinho
Fez-me acreditar mais em mim, recomeçar
Sem olhar para trás, pois se isso acontece
Deixa marcada uma promessa.
Em sendo assim, chega de saudade!
Vou sacudir a poeira, o pó das coisas de outrora.
Não fica bem chorar o que já foi sepultado
Vez ou outra vou recordar a face tua,
Mas já pálida,ingênua,fria e nua.
Inteiramente fora do alcance da minha mão.
Lembre-se que o vento nos levou pra longe de nós.
Agora há outros olhos sonhadores,olhos de luz
Que me seguem dentro da luz
que ora me alumia, feito dois sóis.
Eu sinto uma realidade à toda prova,concreta,
Que me faz chegar ao céu com os pés no chão
E há tanta luz além das luzes da cidade
Que nunca mais senti medo de escuro, de fato.
Porque tenho comigo uma nova candeia, perene
Que iluminou de vez as minhas esperanças.
Aprendi a perdoar e dei a volta por cima.
Isso me basta, e assim sigo o meu destino,
Sou Varzeano, homem feito, mas com um coração de menino.
Sou feliz.o que mais posso querer da vida?
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
E, NUM ESTALAR DE DEDOS...
E,NUM ESTALAR DE DEDOS...
AUTOR: JOÃO MARIA LUDUGERO.
Ainda menino eu gostava de ver o Calango.
Muito me aprazia correr todo seu paredão e ver o céu no açude.
Eu gostava de ver os reflexos do sol no espelho d'água.
Aquele brilho todo não me cegava, nem me deixava a vista inocente doer
As horas soluçavam sob o canto mavioso do bem-te-vi,
E o tempo como um passarinho, um canário a me dar chão
Eu tinha todo o tempo do mundo, eu tinha o tempo nas mãos,
Sequer cogitava pensar que o tempo não se prende,
E que tão de repente, ele nos escapa de sopetão!
É sabido que a gente cresce,
E se o sujeito não abrir o olho,
e deixar a vida passar em branco,
Chega-nos o punhal das horas, e de pronto,
arranca-nos a vez e a voz,
num único e certeiro golpe,
Como que a nos mostrar que cada minuto da vida,
desde o instante em que se nasce, desde o choro primeiro,
já se começa a morrer, de fato,
nunca é mais, é sempre menos, sem dúvida.
Mas muita gente só descobre isso
quando é chegado o crepúsculo, a hora do parto.
E ainda tem gente que vive a vida toda a vegetar,
ou a rezar pela cartilha de outrem, à míngua, feito erva-daninha,
ou feito parasita a correr pela cabeça dos outros feito piolho,
que morre na unha, num estalo.
Mas a quem agradecer pelo eu-não-vivido, pelo eu-não-ter-sido?
De que adianta a boca perfeita se o grito entardecido está de língua presa?
Portanto, vamos soltar o verbo, e ir à luta
Arregaçar as mangas, e viver a vida.
Afinal, quem foi que disse que estamos aqui
de passagem a aguardar o sobejo dos outros?
A vida é nossa. Deus nos deu de presente, de graça.
E agora, vais ficar aí ao vento esperando o manjar cair do céu?
Vamos à luta que a vida é curta demais para ser pequena.
Lembre-se de que nem todo filho é só os da mãe.
Há os filhos de Deus, além dos filhos da outra.
Logo, se das coisas boas da vida se dispôs,
Então depois não reclama!
AUTOR: JOÃO MARIA LUDUGERO.
Ainda menino eu gostava de ver o Calango.
Muito me aprazia correr todo seu paredão e ver o céu no açude.
Eu gostava de ver os reflexos do sol no espelho d'água.
Aquele brilho todo não me cegava, nem me deixava a vista inocente doer
As horas soluçavam sob o canto mavioso do bem-te-vi,
E o tempo como um passarinho, um canário a me dar chão
Eu tinha todo o tempo do mundo, eu tinha o tempo nas mãos,
Sequer cogitava pensar que o tempo não se prende,
E que tão de repente, ele nos escapa de sopetão!
É sabido que a gente cresce,
E se o sujeito não abrir o olho,
e deixar a vida passar em branco,
Chega-nos o punhal das horas, e de pronto,
arranca-nos a vez e a voz,
num único e certeiro golpe,
Como que a nos mostrar que cada minuto da vida,
desde o instante em que se nasce, desde o choro primeiro,
já se começa a morrer, de fato,
nunca é mais, é sempre menos, sem dúvida.
Mas muita gente só descobre isso
quando é chegado o crepúsculo, a hora do parto.
E ainda tem gente que vive a vida toda a vegetar,
ou a rezar pela cartilha de outrem, à míngua, feito erva-daninha,
ou feito parasita a correr pela cabeça dos outros feito piolho,
que morre na unha, num estalo.
Mas a quem agradecer pelo eu-não-vivido, pelo eu-não-ter-sido?
De que adianta a boca perfeita se o grito entardecido está de língua presa?
Portanto, vamos soltar o verbo, e ir à luta
Arregaçar as mangas, e viver a vida.
Afinal, quem foi que disse que estamos aqui
de passagem a aguardar o sobejo dos outros?
A vida é nossa. Deus nos deu de presente, de graça.
E agora, vais ficar aí ao vento esperando o manjar cair do céu?
Vamos à luta que a vida é curta demais para ser pequena.
Lembre-se de que nem todo filho é só os da mãe.
Há os filhos de Deus, além dos filhos da outra.
Logo, se das coisas boas da vida se dispôs,
Então depois não reclama!
VÁRZEA E O VAPOR DE UMA SAUDADE
VÁRZEA E O VAPOR DE UMA SAUDADE
Autor: João Maria Ludugero.
Eu gostava de ir ao Vapor de Zuquinha.
Ia lá quase sempre em busca de ovos caipiras
E lá encontrava tantas delícias que poderia aqui
desfiar um rosário de pratos e ainda não terminaria a reza.
Dona Lourdes quase sempre nos esperava com um formoso cuscuz
De milho zarolho e coalhada, café num bule de ágata
com tapiocas quentinhas e beijus de coco na palha da bananeira.
Tudo era tão gostoso
que dava para lamber os beiços.
Mesa farta, broas de milho
e diversas outras iguarias de dar água na boca,
pratos caseiros, com gosto de fogão a lenha.
E sem gosto de fumaça.
Antes do meio-dia, já estava o frango caipira
a borbulhar em panelas de ferro,
com o caldo avermelhado pelo urucum,
pelo colorau e pelo cheiro verde - e,
de vez em quando, se fosse época,
o impagável milho verde,
desde a canjica à pamonha.
Hoje, salivo gratuitamente apenas
com essa poética descrição.
Esse varzeano aqui foi tomado
pelo falta dessas delícias tão varzeanas.
Tanto que precisou escrevinhar essas palavras simples,
para saciar um pouco sua fome de lembranças
E deixar tudo registrado no escaninho das memórias,
uma vez que o casarão do Vapor foi demolido,
Mas quem foi que disse que essa página
não vai ficar na história?
Pode apostar. O Vapor ainda nos faz inspirar
e respirar bons ares até hoje.
Quem duvida dessa dádiva,
a vida quando bem vivida nunca
se apaga tão facilmente, pois o vento
não leva o coração da gente, nem o tempo
apesar da ferrugem rasura
ou apaga da história essas nossas raízes.
Estou certo disso? Acredite,
pois sou varzeano de estirpe!
Autor: João Maria Ludugero.
Eu gostava de ir ao Vapor de Zuquinha.
Ia lá quase sempre em busca de ovos caipiras
E lá encontrava tantas delícias que poderia aqui
desfiar um rosário de pratos e ainda não terminaria a reza.
Dona Lourdes quase sempre nos esperava com um formoso cuscuz
De milho zarolho e coalhada, café num bule de ágata
com tapiocas quentinhas e beijus de coco na palha da bananeira.
Tudo era tão gostoso
que dava para lamber os beiços.
Mesa farta, broas de milho
e diversas outras iguarias de dar água na boca,
pratos caseiros, com gosto de fogão a lenha.
E sem gosto de fumaça.
Antes do meio-dia, já estava o frango caipira
a borbulhar em panelas de ferro,
com o caldo avermelhado pelo urucum,
pelo colorau e pelo cheiro verde - e,
de vez em quando, se fosse época,
o impagável milho verde,
desde a canjica à pamonha.
Hoje, salivo gratuitamente apenas
com essa poética descrição.
Esse varzeano aqui foi tomado
pelo falta dessas delícias tão varzeanas.
Tanto que precisou escrevinhar essas palavras simples,
para saciar um pouco sua fome de lembranças
E deixar tudo registrado no escaninho das memórias,
uma vez que o casarão do Vapor foi demolido,
Mas quem foi que disse que essa página
não vai ficar na história?
Pode apostar. O Vapor ainda nos faz inspirar
e respirar bons ares até hoje.
Quem duvida dessa dádiva,
a vida quando bem vivida nunca
se apaga tão facilmente, pois o vento
não leva o coração da gente, nem o tempo
apesar da ferrugem rasura
ou apaga da história essas nossas raízes.
Estou certo disso? Acredite,
pois sou varzeano de estirpe!
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
VÁRZEA: UM CORAÇÃO VERTENTE DE AMORES
VÁRZEA:UM CORAÇÃO VERTENTE DE AMORES
Autor: João Maria Ludugero.
Sou filho de Várzea
Sou rio efêmero, de secas e enchentes, de cheias
Sou riacho de águas revoltas a caminho do Vapor
Sou Vertente de fé e coragem, sou olho d'água
Sou veio de água salobra que me conduz
a pontos raramente atingidos na terra da Poesia,
Minha Várzea das Acácias!
Meu itinerário parte de um coração desmedido
Numa mínima estrada que é um caminho de terra, pó e poeira
De seixos atirados em curtos poemas, de súbito,
Meu sol brilha em toda Vargem, para todos,extenso e amarelo,
Trilha inteiro ariscos a dentro,
A céu aberto refletido no espelho d'água
Do açude do Calango.
Na cheia o rio Joca invade a vargem,
Enquanto meu Calango sangra e escorre rumo ao rio
Enquanto cabras pastam ali, berrantes e belas.
Enquanto manhãs se precipitam, sem queixa,
A tanger o gado bravo em manadas lustrosas,
Eu corro pelos campos com meus versos afoitos,
Eu vou com o vento a expulsar a aridez das flores.
Eu não deixo a felicidade se esconder nem dali se arretirar
Eu afasto as tristezas, ao compor uma canção que atira longe os males
E com versos simples traço nos vãos mais secretos do meu íntimo
Minha poesia brava e calma, que segura, firme e sem trégua
Essa dádiva que é ser varzeano, essa leva de beleza
Esse plantio dos sonhos na tão sonhada Várzea.
Estes são os frutos da colheita, meus poemas,
Eis aqui minha paixão mediante palavras e sentimentos,
Tudo soa em poesia da mais pura essência.
Autor: João Maria Ludugero.
Sou filho de Várzea
Sou rio efêmero, de secas e enchentes, de cheias
Sou riacho de águas revoltas a caminho do Vapor
Sou Vertente de fé e coragem, sou olho d'água
Sou veio de água salobra que me conduz
a pontos raramente atingidos na terra da Poesia,
Minha Várzea das Acácias!
Meu itinerário parte de um coração desmedido
Numa mínima estrada que é um caminho de terra, pó e poeira
De seixos atirados em curtos poemas, de súbito,
Meu sol brilha em toda Vargem, para todos,extenso e amarelo,
Trilha inteiro ariscos a dentro,
A céu aberto refletido no espelho d'água
Do açude do Calango.
Na cheia o rio Joca invade a vargem,
Enquanto meu Calango sangra e escorre rumo ao rio
Enquanto cabras pastam ali, berrantes e belas.
Enquanto manhãs se precipitam, sem queixa,
A tanger o gado bravo em manadas lustrosas,
Eu corro pelos campos com meus versos afoitos,
Eu vou com o vento a expulsar a aridez das flores.
Eu não deixo a felicidade se esconder nem dali se arretirar
Eu afasto as tristezas, ao compor uma canção que atira longe os males
E com versos simples traço nos vãos mais secretos do meu íntimo
Minha poesia brava e calma, que segura, firme e sem trégua
Essa dádiva que é ser varzeano, essa leva de beleza
Esse plantio dos sonhos na tão sonhada Várzea.
Estes são os frutos da colheita, meus poemas,
Eis aqui minha paixão mediante palavras e sentimentos,
Tudo soa em poesia da mais pura essência.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
O VÃO DOS MOLEQUES FELIZES
O VÃO DOS MOLEQUES FELIZES
Autor: João Maria Ludugero.
O açude continua lá sozinho, ao léu,
Digo solitário não, com seus patos,
Sereno, à espera que a noite venha.
Altivo no desvão do tempo a furtar-cores
A espreitar o crepúsculo, o fim da tarde
Amena refletida no espelho das águas
A margear o que se chama simplicidade.
Um açude repleto de memórias
Que não ficaram enterradas no paredão,
Que não ficaram encerradas no sonho feliz
de um magote de crianças, de moleques espertos
Que ainda hoje cirandam feito andorinhas,afoitas
Que juntas fazem acontecer a precisa estação
De verão em verão nos monstrando a certeza
De que melhores dias virão, quem duvida?
A saudade nunca se perde no limo das águas
O musgo toma conta de tudo, de quase tudo,
Só não barra essa coisa que dilacera o peito
e que chamam de saudade.
Mas senti-la não nos deixa desertos,
Eis que nos faz sentir vivos, agradecidos,
saber que se viveu, bem ou mal, isso não importa,
O que conta é saber que não se vegetou apenas,
Isto é o que nos consola, de fato.
E o Calango é sempre um açude aceso
Uma chama unida que cresce no peito deste poeta
Uma chama perene que permanece
no peito deste menino-moleque
e não se apaga ao vento...
É o que nos demonstra que a gente
pode se acabar, ir-se embora,
Mas VARZEAMAR,isto é algo
que não morre nunca,
nem se o açude secar,
nem se o solo rachar sob o sol do agreste,
Porque essa chama é infinda,
assim como não tem fim o mar.
Autor: João Maria Ludugero.
O açude continua lá sozinho, ao léu,
Digo solitário não, com seus patos,
Sereno, à espera que a noite venha.
Altivo no desvão do tempo a furtar-cores
A espreitar o crepúsculo, o fim da tarde
Amena refletida no espelho das águas
A margear o que se chama simplicidade.
Um açude repleto de memórias
Que não ficaram enterradas no paredão,
Que não ficaram encerradas no sonho feliz
de um magote de crianças, de moleques espertos
Que ainda hoje cirandam feito andorinhas,afoitas
Que juntas fazem acontecer a precisa estação
De verão em verão nos monstrando a certeza
De que melhores dias virão, quem duvida?
A saudade nunca se perde no limo das águas
O musgo toma conta de tudo, de quase tudo,
Só não barra essa coisa que dilacera o peito
e que chamam de saudade.
Mas senti-la não nos deixa desertos,
Eis que nos faz sentir vivos, agradecidos,
saber que se viveu, bem ou mal, isso não importa,
O que conta é saber que não se vegetou apenas,
Isto é o que nos consola, de fato.
E o Calango é sempre um açude aceso
Uma chama unida que cresce no peito deste poeta
Uma chama perene que permanece
no peito deste menino-moleque
e não se apaga ao vento...
É o que nos demonstra que a gente
pode se acabar, ir-se embora,
Mas VARZEAMAR,isto é algo
que não morre nunca,
nem se o açude secar,
nem se o solo rachar sob o sol do agreste,
Porque essa chama é infinda,
assim como não tem fim o mar.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
SOU VARZEANO
SOU VARZEANO!
Autor: João Maria Ludugero.
Eu crio versos
Eu converso com as palavras,
Eu lavro minha poesia
Teço-lhe sentido e signifivado
Eu sinto o verbo a escorrer nas linhas
Eu traço o que meu coração vislumbra,
rabisco desejos e sentimentos, dor e alegria
Eu tinjo além dos cinzas, trago cor e vida.
Eu furto-cores feito um Calango,
Eu driblo a tristeza, não me lamento, nem me prostro
Eu me mostro, eu me desnudo, nada tenho a esconder
Eu faço desabar sobre a cabeça a felicidade, a contento,
Eu sou poeta e não entrego os pontos,
apesar do peito em desalinho, de fato,
Eu persisto, eu batalho com unhas e dentes,
eu construo meu presente, eu alavanco o sonho
Eu dobro a barra do tempo, não durmo no ponto,
eu amanheço e com o sol rejuveneço, revigorado,
Eu arrodeio as pedras, recolho os espinhos,
Eu não fujo da raia, sou varzeano, não desisto.
Quem foi que disse que varzeano morre na praia?
Eu arregaço as mangas e chego junto, de súbito
dou uma rasteira no bicho-papão, enfrento a fera,
Coitado do bicho, quando me avista, cuida de desviar o passo.
Sou varzeano, criado solto e livre na vargem, sem amarras
Eu sou varzeano e conheço bem o caminho das pedras, de pronto
Eu me atiro no açude do tempo, renovo as minhas esperanças
E sem dó nem piedade,sem titubear, não meço o esforço,
boto a tristeza pra correr feito um cabrito.
Eu sol tal quaL aquele borrego criado ali na capoeira, na vargem
Feito um carneiro livre que dá marradas ao vento, que enfrenta
Que não tem medo de touro bravo,segue sua sina com galhardia
Que não foge à luta se está na chuva.
Eu sou varzeano e disso sinto todo orgulho.
Eu sou neto de Dona Dalila Ludugero,
pequena mulher de coragem e fé, de fibra
Que jamais se curvou às agruras da lida,
Custasse o que custasse, fosse o bicho que fosse,
Ela, destemida, de cabeça erguida, seguia seu caminho,
firme e forte, na defesa de um magote de filhos.
E, sem temer adversidades, nem a tormenta se acaso chegasse,
ela botava o medo da vida pra correr, brava senhora varzeana,
Que, de Rosário na mão, rezava um terço, um Credo
só pra agradecer ao apóstolo São Pedro com fé santa,
Por ser dona de tamanha energia, e com a força de Sansão,
Dona Dalila, minha avó paterna, mandava às favas o bicho-papão!
Autor: João Maria Ludugero.
Eu crio versos
Eu converso com as palavras,
Eu lavro minha poesia
Teço-lhe sentido e signifivado
Eu sinto o verbo a escorrer nas linhas
Eu traço o que meu coração vislumbra,
rabisco desejos e sentimentos, dor e alegria
Eu tinjo além dos cinzas, trago cor e vida.
Eu furto-cores feito um Calango,
Eu driblo a tristeza, não me lamento, nem me prostro
Eu me mostro, eu me desnudo, nada tenho a esconder
Eu faço desabar sobre a cabeça a felicidade, a contento,
Eu sou poeta e não entrego os pontos,
apesar do peito em desalinho, de fato,
Eu persisto, eu batalho com unhas e dentes,
eu construo meu presente, eu alavanco o sonho
Eu dobro a barra do tempo, não durmo no ponto,
eu amanheço e com o sol rejuveneço, revigorado,
Eu arrodeio as pedras, recolho os espinhos,
Eu não fujo da raia, sou varzeano, não desisto.
Quem foi que disse que varzeano morre na praia?
Eu arregaço as mangas e chego junto, de súbito
dou uma rasteira no bicho-papão, enfrento a fera,
Coitado do bicho, quando me avista, cuida de desviar o passo.
Sou varzeano, criado solto e livre na vargem, sem amarras
Eu sou varzeano e conheço bem o caminho das pedras, de pronto
Eu me atiro no açude do tempo, renovo as minhas esperanças
E sem dó nem piedade,sem titubear, não meço o esforço,
boto a tristeza pra correr feito um cabrito.
Eu sol tal quaL aquele borrego criado ali na capoeira, na vargem
Feito um carneiro livre que dá marradas ao vento, que enfrenta
Que não tem medo de touro bravo,segue sua sina com galhardia
Que não foge à luta se está na chuva.
Eu sou varzeano e disso sinto todo orgulho.
Eu sou neto de Dona Dalila Ludugero,
pequena mulher de coragem e fé, de fibra
Que jamais se curvou às agruras da lida,
Custasse o que custasse, fosse o bicho que fosse,
Ela, destemida, de cabeça erguida, seguia seu caminho,
firme e forte, na defesa de um magote de filhos.
E, sem temer adversidades, nem a tormenta se acaso chegasse,
ela botava o medo da vida pra correr, brava senhora varzeana,
Que, de Rosário na mão, rezava um terço, um Credo
só pra agradecer ao apóstolo São Pedro com fé santa,
Por ser dona de tamanha energia, e com a força de Sansão,
Dona Dalila, minha avó paterna, mandava às favas o bicho-papão!
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
GRATIDÃO
Autor: João Maria Ludugero.
Sob o olhar atento do poeta
Ao sereno da tarde amena da minha Várzea,
Quando é hora de o sol se deitar
Bate no peito aquela saudade imensa
Que arde em brasa vida a dentro
E maltrata o coração da gente
Já serenou no paredão do açude
Sangrou um mar de lembranças no Calango
O céu ficou laranja-quase-encarnado
É a hora do crepúsculo, ouço o bater
Das cordas do relógio de São Pedro
É a hora do "angelus", Ave-Maria!
Ainda sereno segue o meu coração, batendo
A ouvir uma canção distante, um cântico
Ouço uma música que ninguém mais escuta,
Ouço uma toada de alegria, de contentamento
Uma canção que não carece de tocar no rádio,
pois continua viva e e ressoa alto
bem no fundo da minha cabeça
E prossegue, avança até o lado esquerdo do meu peito
E não tem jeito, sobressaindo da minha pele, poro a poro.
É a cantiga de ninar gente grande que entoa solene
E mantém acesa essa chama de Amor,
É canção que ficou no tempo a me embalar
A canção que fez minha estrela da vida inteira,
Minha mãe Maria, estrela Dalva do meu caminho.
Ouço essa música suave e saudosa
Que não se desfaz ao vento, nunca.
E ao vento me vou, sereno, irresignado,
Eu lento a caminhar,inquieto menino
Poetizando meu sussurro da noite
Poeta varzeano no escuro a filosofar:
Por que anoitece se ela teve que partir, minha estrela?
Mas não tem nada não, não vou sofrer
pelos cantos da casa, se na sala ela não mais está,
Sei que continua viva em minhas veias
E avança até meu coração tão gigante
Que desaba de alegria e felicidade
Quando amanhece o dia tão bonito,
É que não morre esta poesia simples
Em versos que ora lavro, pensando em ti, miha mãe Maria,
Tu que fabricaste a passo firme meu caminhar,
minha adorada estrela-guia,
Tu que me ensinaste que viver vale a pena
E que não é pouco meu louco pensar...
Pensar na vida que posso ter, ser destemido, um bravo
E acreditar na beleza do meu olhar de menino varzeano!
Obrigado,Mãe, por toda vida!
Ave Maria, cheia de toda graça,
Que nos proteja com seu divino manto de Amor!
AMÉM!
Autor: João Maria Ludugero.
Sob o olhar atento do poeta
Ao sereno da tarde amena da minha Várzea,
Quando é hora de o sol se deitar
Bate no peito aquela saudade imensa
Que arde em brasa vida a dentro
E maltrata o coração da gente
Já serenou no paredão do açude
Sangrou um mar de lembranças no Calango
O céu ficou laranja-quase-encarnado
É a hora do crepúsculo, ouço o bater
Das cordas do relógio de São Pedro
É a hora do "angelus", Ave-Maria!
Ainda sereno segue o meu coração, batendo
A ouvir uma canção distante, um cântico
Ouço uma música que ninguém mais escuta,
Ouço uma toada de alegria, de contentamento
Uma canção que não carece de tocar no rádio,
pois continua viva e e ressoa alto
bem no fundo da minha cabeça
E prossegue, avança até o lado esquerdo do meu peito
E não tem jeito, sobressaindo da minha pele, poro a poro.
É a cantiga de ninar gente grande que entoa solene
E mantém acesa essa chama de Amor,
É canção que ficou no tempo a me embalar
A canção que fez minha estrela da vida inteira,
Minha mãe Maria, estrela Dalva do meu caminho.
Ouço essa música suave e saudosa
Que não se desfaz ao vento, nunca.
E ao vento me vou, sereno, irresignado,
Eu lento a caminhar,inquieto menino
Poetizando meu sussurro da noite
Poeta varzeano no escuro a filosofar:
Por que anoitece se ela teve que partir, minha estrela?
Mas não tem nada não, não vou sofrer
pelos cantos da casa, se na sala ela não mais está,
Sei que continua viva em minhas veias
E avança até meu coração tão gigante
Que desaba de alegria e felicidade
Quando amanhece o dia tão bonito,
É que não morre esta poesia simples
Em versos que ora lavro, pensando em ti, miha mãe Maria,
Tu que fabricaste a passo firme meu caminhar,
minha adorada estrela-guia,
Tu que me ensinaste que viver vale a pena
E que não é pouco meu louco pensar...
Pensar na vida que posso ter, ser destemido, um bravo
E acreditar na beleza do meu olhar de menino varzeano!
Obrigado,Mãe, por toda vida!
Ave Maria, cheia de toda graça,
Que nos proteja com seu divino manto de Amor!
AMÉM!
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
MEU RIACHO DO MEL
MEU RIACHO DO MEL
Autor: João Maria Ludugero.
Desde cedo aprendi a amar incondicionalmente.
Amar as coisas postas no meu caminho
Até mesmo as pedras dispostas no jardim
E as flores que insistem em nascer ali
Bem no meio das pedras, apesar de tudo
Apesar de toda aridez, apesar dos espinhos
Eu aprendi a conviver e sobreviver às pedras
e aos espinhos que tanto nos ensinam, dia após dia.
Existem poemas e poemas, apesar dos cinzas
Porque há quem ainda os mede com o coração,
E na ponta de seu lápis, sem usar a trena
rabiscam palavras e lhes dão sentido, de súbito
Como a saudade que nos faz chorar toda tarde
Quando o sol se deita lá pra's bandas do Calango
A me fazer compor como quem lavra seguindo a ordem
oriunda do meu peito, açude de lembranças.
É sabido que existem poemas e poemas.
Aqueles que, mudos, muito dizem.
Outros pensam e encantam feito o bem-te-vi
Livre e solto no alto do pé de graviola
Como a fazer cantilenas, de vida e de dor
A cortar o silêncio ali na esquina da casa de Seu Odilon.
É gostoso é bonito arregalar os olhos
E ver a alma do poemas que escrevinho
Eu sinto o poema a defender seu espaço, a correr afoito
Assim como o quero-quero, o tetéu que delimita seu terreno
E sob tal continuo a escrever,a tecer com palavras meus versos
Com o véu da tarde amena da minha cidade da simplicidade
que me cobre a tradição de cultivar as coisas boas da vida,
De ainda acreditar no alegria vertente que há naquele lugar.
Abençoados sejam os meus poemas, simples,
abertos sob a chave de São Pedro, apóstolo
Que me dobra os joelhos a agradecer por ali ter nascido
E me pego a dizer de peito estufado, a contento,
Que amo muito esse lugar, de verdade,
e tudo que nele há, apesar das pedras
E dos espinhos, muita coisa existe e me faz acreditar no belo,
na flor que nasce ali sob o sol do agreste, nos lírios do solo
além dos seixos e dos cactos, além das macambiras e dos marmeleiros,
além das lagoas compridas sei que há um riacho de mel
a me adocicar o espírito,a me saciar de beleza,
Digo a me lambuzar o céu e a boca, de fato,
a me fazer sentir riqueza e poder, na força que aflora
No corpo deste poema que ora faço só pra ti,
minha Várzea amada, minha eterna morada, flor do rio Joca.
Autor: João Maria Ludugero.
Desde cedo aprendi a amar incondicionalmente.
Amar as coisas postas no meu caminho
Até mesmo as pedras dispostas no jardim
E as flores que insistem em nascer ali
Bem no meio das pedras, apesar de tudo
Apesar de toda aridez, apesar dos espinhos
Eu aprendi a conviver e sobreviver às pedras
e aos espinhos que tanto nos ensinam, dia após dia.
Existem poemas e poemas, apesar dos cinzas
Porque há quem ainda os mede com o coração,
E na ponta de seu lápis, sem usar a trena
rabiscam palavras e lhes dão sentido, de súbito
Como a saudade que nos faz chorar toda tarde
Quando o sol se deita lá pra's bandas do Calango
A me fazer compor como quem lavra seguindo a ordem
oriunda do meu peito, açude de lembranças.
É sabido que existem poemas e poemas.
Aqueles que, mudos, muito dizem.
Outros pensam e encantam feito o bem-te-vi
Livre e solto no alto do pé de graviola
Como a fazer cantilenas, de vida e de dor
A cortar o silêncio ali na esquina da casa de Seu Odilon.
É gostoso é bonito arregalar os olhos
E ver a alma do poemas que escrevinho
Eu sinto o poema a defender seu espaço, a correr afoito
Assim como o quero-quero, o tetéu que delimita seu terreno
E sob tal continuo a escrever,a tecer com palavras meus versos
Com o véu da tarde amena da minha cidade da simplicidade
que me cobre a tradição de cultivar as coisas boas da vida,
De ainda acreditar no alegria vertente que há naquele lugar.
Abençoados sejam os meus poemas, simples,
abertos sob a chave de São Pedro, apóstolo
Que me dobra os joelhos a agradecer por ali ter nascido
E me pego a dizer de peito estufado, a contento,
Que amo muito esse lugar, de verdade,
e tudo que nele há, apesar das pedras
E dos espinhos, muita coisa existe e me faz acreditar no belo,
na flor que nasce ali sob o sol do agreste, nos lírios do solo
além dos seixos e dos cactos, além das macambiras e dos marmeleiros,
além das lagoas compridas sei que há um riacho de mel
a me adocicar o espírito,a me saciar de beleza,
Digo a me lambuzar o céu e a boca, de fato,
a me fazer sentir riqueza e poder, na força que aflora
No corpo deste poema que ora faço só pra ti,
minha Várzea amada, minha eterna morada, flor do rio Joca.
VÁRZEA: DE PEDRAS, SEIXOS E DE SONHOS ACORDADOS
VÁRZEA: DE PEDRAS, SEIXOS E DE SONHOS ACORDADOS
Autor: João Maria Ludugero
Rua da pedra,
Teu nome mais popular, da boca do povo
porque ali havia uma formação rochosa
Um lajedo, quase uma enorme pedra
Que dava para o beco que dava saída
lá no oitão de seu Antonio Duaca
Sobressaindo já na rua grande,
Dando vazão ao passeio público.
Rua da pedra,
rua da matança dos porcos
lá o quintal da casa de seu Antonio Ventinha
Quem não se lembra do picadinho e do torresmo
Do mais gostoso sarapatel que a dona rosa preparava
Com os miúdos dos suínos abatidos?
Rua da pedra, teu vento vem das quatro bocas
E esconde a face da lendária mulher que chora,
quando as portas e janelas de Várzea se fecham
Quando a lua vara a noite a dentro, madrugada a fora,
Enquanto descansa essa brava gente
Que não mede esforços e vai à luta,a pegar no batente
A tecer seus sonhos acordados, logo-logo ali na rua da pedra.
Rua da pedra, que mantém acesa a chama
de que melhores tempos virão, de fato,
Porque enquanto meu povo descansa,
carrega pedras, com suor e determinação,
Porque ainda acredita na bandeira da fé e da perseverança,
Porque ninguém mais vai lhes roubar o sonho de sonhar.
Rua da pedra, dos paralelepípedos, da garra
Dos Seixos burilados pelo decorrer das horas
dos exilados amores que se foram pra longe,
mesmo não querendo ir embora, debulhados em lágrimas.
objeto em pedra seria o meu coração de te ausente,
Minha Várzea das Acácias, meu amado torrão...
Mas minha alma nunca arredou o pé das tuas crenças,
Meu corpo ainda se ajoelha e reza
nos degraus do pequeno cruzeiro
Só pra te agradecer, minha rua da pedra,
pela orientação precisa, pelo norte, pelo caminho
das pedras que aprendi logo ali no teu cerne.
Rua da pedra, pedra-pão de duro comer,
Pau-pedra corajoso de viver, de arregaçar as mangas
E botar a tristeza pra correr, pedra-pé que dá pé,
Pé-rachado na labuta no roçado, plantas voltadas
faces à terra agreste, seca língua da aridez, bravura
ranhuras de rocha viva, rua da pedra, rua do sonho possível
famílias de pedra, de lutas e de dona Conceição Dama, mãe do Pedro
Nobres famílias, nomes de paz que não morrem nunca, severinos,
Porque a vida está ali, humildemente modesta
Em sua maior riqueza: a beleza de ser varzeano,
A beleza de ser simples e ainda acreditar,
apesar dos pesares, na esperança remota,
Sem abandonar o sentido da pedra, o real significado
da palavra esfacelada em versos, lascas de pedra e sal
que se perdem em graus, mas que sobrevivem na voz
ainda seca na boca do destemido povo varzeano,
Que ainda acredita na força que brota
da terra prometida, além das coivaras ao sol
que queimam lenta e dolorosamente o coração da gente,
De saudades!
Autor: João Maria Ludugero
Rua da pedra,
Teu nome mais popular, da boca do povo
porque ali havia uma formação rochosa
Um lajedo, quase uma enorme pedra
Que dava para o beco que dava saída
lá no oitão de seu Antonio Duaca
Sobressaindo já na rua grande,
Dando vazão ao passeio público.
Rua da pedra,
rua da matança dos porcos
lá o quintal da casa de seu Antonio Ventinha
Quem não se lembra do picadinho e do torresmo
Do mais gostoso sarapatel que a dona rosa preparava
Com os miúdos dos suínos abatidos?
Rua da pedra, teu vento vem das quatro bocas
E esconde a face da lendária mulher que chora,
quando as portas e janelas de Várzea se fecham
Quando a lua vara a noite a dentro, madrugada a fora,
Enquanto descansa essa brava gente
Que não mede esforços e vai à luta,a pegar no batente
A tecer seus sonhos acordados, logo-logo ali na rua da pedra.
Rua da pedra, que mantém acesa a chama
de que melhores tempos virão, de fato,
Porque enquanto meu povo descansa,
carrega pedras, com suor e determinação,
Porque ainda acredita na bandeira da fé e da perseverança,
Porque ninguém mais vai lhes roubar o sonho de sonhar.
Rua da pedra, dos paralelepípedos, da garra
Dos Seixos burilados pelo decorrer das horas
dos exilados amores que se foram pra longe,
mesmo não querendo ir embora, debulhados em lágrimas.
objeto em pedra seria o meu coração de te ausente,
Minha Várzea das Acácias, meu amado torrão...
Mas minha alma nunca arredou o pé das tuas crenças,
Meu corpo ainda se ajoelha e reza
nos degraus do pequeno cruzeiro
Só pra te agradecer, minha rua da pedra,
pela orientação precisa, pelo norte, pelo caminho
das pedras que aprendi logo ali no teu cerne.
Rua da pedra, pedra-pão de duro comer,
Pau-pedra corajoso de viver, de arregaçar as mangas
E botar a tristeza pra correr, pedra-pé que dá pé,
Pé-rachado na labuta no roçado, plantas voltadas
faces à terra agreste, seca língua da aridez, bravura
ranhuras de rocha viva, rua da pedra, rua do sonho possível
famílias de pedra, de lutas e de dona Conceição Dama, mãe do Pedro
Nobres famílias, nomes de paz que não morrem nunca, severinos,
Porque a vida está ali, humildemente modesta
Em sua maior riqueza: a beleza de ser varzeano,
A beleza de ser simples e ainda acreditar,
apesar dos pesares, na esperança remota,
Sem abandonar o sentido da pedra, o real significado
da palavra esfacelada em versos, lascas de pedra e sal
que se perdem em graus, mas que sobrevivem na voz
ainda seca na boca do destemido povo varzeano,
Que ainda acredita na força que brota
da terra prometida, além das coivaras ao sol
que queimam lenta e dolorosamente o coração da gente,
De saudades!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
VÁRZEA E A VIDA QUE SE LEVA DO RIO AO VAPOR
VÁRZEA E A VIDA QUE SE LEVA DO RIO AO VAPOR
Autor: João Maria Ludugero.
Eu sei disso muito bem,guardo comigo
Essa coisa bonita de se trazer no peito
Essa maiúscula saudade que me aviva o espírito
E prossegue mesmo seco o rio Joca, efêmero
Eu sei do Vapor que o sol faz subir em cada margem
Eu sei da cruz que está ali plantada num recinto
Numa casinha quase abandonada, sem nenhuma vela,
Eu sei da cruz quase esquecida, a cruz do rio
Eu estive a visitar o leito do Joca, cadê o rio?
Encontrei o rio em poças de águas paradas, no estio
Sabes, amigo, quero que fique aqui escrito
E que seja profundo o modo de pensar, de acreditar
Que galos de campina e canários do chão da minha Várzea
prevaleçam a bater suas asas,
livres de gaiolas dos desvãos das casas
Que ainda reste a força que alimenta o braço do rio
Que nada se perca no caminho do sonho
Que uma asa não deixa de bater
porque cai do corpo de um pássaro,
porque mesmo assim de asa ferida, baleado,
O pintassilgo há de resistir, de persistir
De avançar além do vazio, num voo rasante, corajoso
Fazer dessa avoar o motivo de não ficar prostrado,
De não parar, apesar dos pesares, apesar da asa quebrada
Eu escrevo um poema como quem tem fome e sede
Uso as palavras, dou-lhe sentido, faço uma roça, respiro outros ares
Faço lavoura e arado, atiro sementes ao solo, faço um bonito roçado
Preparo antes o terreno, arranco as ervas daninhas, cavo covas
E reflito sentado à margem do rio Joca, sem cruzar os braços
Sol a pino, traço valas e rasgo leirões,
Eu sou varzeano e ainda acredito na força da terra.
Eu calejo as mãos, eu cultivo amor
Eu trago a certeza de colher bons frutos, arroz e feijão
Eu prezo as minhas raízes, eu acho linda a flor do algodão
Eu honro minha estirpe, sou varzeano de fé e esperança
Um dia eu sei terei que partir deste mundo de Deus,
Mas antes, acho nobre honrar o nome que nos dão, ao nascer,
Que fica nos retratos, nos envelopes intactos,nos simples postais
nos poemas que hás-de escrever,na poesia que ora lhes escrevo,
Assim como cartas de amor e protesto,
no intuito de que um dia me leias.
E o rio joca segue seco a sua sina de efêmero,
E eu sigo rente às suas margens, pensativo, nada quieto,
sem optar pela esquerda ou pela direita,
Persigo o longo caminho verde do rio da cruz, encarnado
Eu ainda acredito nessa luz que assola ao meio-dia
Eu ainda creio na força do coração da minha gente
Que continua firme e forte, apesar dos pesados fardos,
Apesar da aridez do agreste, apesar de tudo.
É a coragem que me faz seguir arregaçando as mangas,
E na vastidão do arisco, de pires na mão, eu acredito
Estou fazendo a minha parte, sem receio de escrever,
Mesmo que minhas palavras sejam lavradas ao vento,
Mas quiça valerão a pena, uma vez que alguém curioso
Vai se aventurar numa leitura simples quase sempre
leve como o vento que me arrasta a escrever.
E eu continuo afoito em minha luta
quase sempre a redigir versos simples,
falando de amor e de contentamento.
Versos que ficarão para sempre,
inquietas palavras, que não morrem nunca,
Que voltam a jorrar na alma da gente,
Seja na seca ou na próxima enchente do rio Joca.
Mas cadê o rio que estava ali?
Aguarde suas aguas vertentes, salobras
Um dia desses elas voltarão com toda força!
Autor: João Maria Ludugero.
Eu sei disso muito bem,guardo comigo
Essa coisa bonita de se trazer no peito
Essa maiúscula saudade que me aviva o espírito
E prossegue mesmo seco o rio Joca, efêmero
Eu sei do Vapor que o sol faz subir em cada margem
Eu sei da cruz que está ali plantada num recinto
Numa casinha quase abandonada, sem nenhuma vela,
Eu sei da cruz quase esquecida, a cruz do rio
Eu estive a visitar o leito do Joca, cadê o rio?
Encontrei o rio em poças de águas paradas, no estio
Sabes, amigo, quero que fique aqui escrito
E que seja profundo o modo de pensar, de acreditar
Que galos de campina e canários do chão da minha Várzea
prevaleçam a bater suas asas,
livres de gaiolas dos desvãos das casas
Que ainda reste a força que alimenta o braço do rio
Que nada se perca no caminho do sonho
Que uma asa não deixa de bater
porque cai do corpo de um pássaro,
porque mesmo assim de asa ferida, baleado,
O pintassilgo há de resistir, de persistir
De avançar além do vazio, num voo rasante, corajoso
Fazer dessa avoar o motivo de não ficar prostrado,
De não parar, apesar dos pesares, apesar da asa quebrada
Eu escrevo um poema como quem tem fome e sede
Uso as palavras, dou-lhe sentido, faço uma roça, respiro outros ares
Faço lavoura e arado, atiro sementes ao solo, faço um bonito roçado
Preparo antes o terreno, arranco as ervas daninhas, cavo covas
E reflito sentado à margem do rio Joca, sem cruzar os braços
Sol a pino, traço valas e rasgo leirões,
Eu sou varzeano e ainda acredito na força da terra.
Eu calejo as mãos, eu cultivo amor
Eu trago a certeza de colher bons frutos, arroz e feijão
Eu prezo as minhas raízes, eu acho linda a flor do algodão
Eu honro minha estirpe, sou varzeano de fé e esperança
Um dia eu sei terei que partir deste mundo de Deus,
Mas antes, acho nobre honrar o nome que nos dão, ao nascer,
Que fica nos retratos, nos envelopes intactos,nos simples postais
nos poemas que hás-de escrever,na poesia que ora lhes escrevo,
Assim como cartas de amor e protesto,
no intuito de que um dia me leias.
E o rio joca segue seco a sua sina de efêmero,
E eu sigo rente às suas margens, pensativo, nada quieto,
sem optar pela esquerda ou pela direita,
Persigo o longo caminho verde do rio da cruz, encarnado
Eu ainda acredito nessa luz que assola ao meio-dia
Eu ainda creio na força do coração da minha gente
Que continua firme e forte, apesar dos pesados fardos,
Apesar da aridez do agreste, apesar de tudo.
É a coragem que me faz seguir arregaçando as mangas,
E na vastidão do arisco, de pires na mão, eu acredito
Estou fazendo a minha parte, sem receio de escrever,
Mesmo que minhas palavras sejam lavradas ao vento,
Mas quiça valerão a pena, uma vez que alguém curioso
Vai se aventurar numa leitura simples quase sempre
leve como o vento que me arrasta a escrever.
E eu continuo afoito em minha luta
quase sempre a redigir versos simples,
falando de amor e de contentamento.
Versos que ficarão para sempre,
inquietas palavras, que não morrem nunca,
Que voltam a jorrar na alma da gente,
Seja na seca ou na próxima enchente do rio Joca.
Mas cadê o rio que estava ali?
Aguarde suas aguas vertentes, salobras
Um dia desses elas voltarão com toda força!
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
VÁRZEA EM SIMPLES VERSOS DE ESPERANÇA E FÉ
VÁRZEA EM SIMPLES VERSOS DE ESPERANÇA E FÉ
Autor: João Maria Ludugero.
Quando
uma única mesa
uma esperança nova, renovada,
acesa na fé santa, inquebrantável
num vapor vital vertente vivacidade
Quando
um magote de gente a olhar pr'o alto
a apanhar o sonho e o feijão
num mutirão de alegria em campo
a acordar do sonho adormecido
A empunhar essa bandeira
A arregaçar as mangas e ir à luta,
Com toda força nesse braço que alavanca
Que avança destemido com garra e coragem
Nessa vontade de fazer desabar
sobre o homem a felicidade
que só pode ser real
quando compartilhada,
Seja numa única ceia
numa mesa farta num único pão
é o que basta, é o que se carece ter
porque os novos ventos pedem
pra se botar a água na bacia
Que a cara do novo tempo urge
menos por ter e muito mais por ser,
É o tema,é o novo lema,
é o que nos motiva a seguir.
Na verdade, só assim é que
seremos uma única Várzea,
abençoada terra do agreste
por um único São Pedro,
a interceder por nós no céu
perante um único Deus.
Mas quando seremos
uma única Várzea
E um único Cristo,
diga-me, quando?
Autor: João Maria Ludugero.
Quando
uma única mesa
uma esperança nova, renovada,
acesa na fé santa, inquebrantável
num vapor vital vertente vivacidade
Quando
um magote de gente a olhar pr'o alto
a apanhar o sonho e o feijão
num mutirão de alegria em campo
a acordar do sonho adormecido
A empunhar essa bandeira
A arregaçar as mangas e ir à luta,
Com toda força nesse braço que alavanca
Que avança destemido com garra e coragem
Nessa vontade de fazer desabar
sobre o homem a felicidade
que só pode ser real
quando compartilhada,
Seja numa única ceia
numa mesa farta num único pão
é o que basta, é o que se carece ter
porque os novos ventos pedem
pra se botar a água na bacia
Que a cara do novo tempo urge
menos por ter e muito mais por ser,
É o tema,é o novo lema,
é o que nos motiva a seguir.
Na verdade, só assim é que
seremos uma única Várzea,
abençoada terra do agreste
por um único São Pedro,
a interceder por nós no céu
perante um único Deus.
Mas quando seremos
uma única Várzea
E um único Cristo,
diga-me, quando?
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
ERA UMA VEZ UMA VARGEM
ERA UMA VEZ UMA VARGEM
Autor: João Maria Ludugero.
Eu vi a vargem toda cercada,diminuída
O bueiro ainda está lá, esvaído
Eu vi o homem a invadir a vargem
Que vargem? A que deu nome à cidade
A mão do homem cercou aquela área, apropriou-se.
O homem deu vazão ao arame farpado e às estacas
Cadê o juncal e o capim que existiam ali
naquele jardim tão natural?
Quando o açude do Calango se derramava pela vargem
Era bonito ver sua sangria paredão abaixo
Cadê o campinho da Vaŕzea,
cadê a pelada e os borregos?
Quando a chuva voltar
e São Pedro debulhar suas lágrimas
O rio vai invadir de novo aquela área cercada
Como sempre, na cheia, na enchente
vai fazer o bueiro escoar toda sobra,
Mas não esvaziar a aridez do coração do homem,
De sobejo, ficarão bichos criados soltos,
a ruminar inocentes, ovelhas e cabras nos desvãos
A beber turvas águas paradas,
ali na vargem quase destruída
Mansas águas e nenhum junco ou capim,
nenhum magote de meninos soltos.
Cadê os filhos dessa vargem, cercada de arame
e farpas de insensatos outros filhos da terra
quase bichos lentos como as coisas que ficam por ficar,
e por isso mesmo se cercam
Por não saberem o sabor da natureza livre,
e um dia tarde quiçá viverão a chorar a beleza
Que merecia ser preservada,
logo ali frente à estradinha
de chão que leva ao sítio de Zé Canindé.
Cadê a nossa vargem que estava bem ali,
cadê a minha alma, será que foi esticada
no curtume lá do Matadouro?
Autor: João Maria Ludugero.
Eu vi a vargem toda cercada,diminuída
O bueiro ainda está lá, esvaído
Eu vi o homem a invadir a vargem
Que vargem? A que deu nome à cidade
A mão do homem cercou aquela área, apropriou-se.
O homem deu vazão ao arame farpado e às estacas
Cadê o juncal e o capim que existiam ali
naquele jardim tão natural?
Quando o açude do Calango se derramava pela vargem
Era bonito ver sua sangria paredão abaixo
Cadê o campinho da Vaŕzea,
cadê a pelada e os borregos?
Quando a chuva voltar
e São Pedro debulhar suas lágrimas
O rio vai invadir de novo aquela área cercada
Como sempre, na cheia, na enchente
vai fazer o bueiro escoar toda sobra,
Mas não esvaziar a aridez do coração do homem,
De sobejo, ficarão bichos criados soltos,
a ruminar inocentes, ovelhas e cabras nos desvãos
A beber turvas águas paradas,
ali na vargem quase destruída
Mansas águas e nenhum junco ou capim,
nenhum magote de meninos soltos.
Cadê os filhos dessa vargem, cercada de arame
e farpas de insensatos outros filhos da terra
quase bichos lentos como as coisas que ficam por ficar,
e por isso mesmo se cercam
Por não saberem o sabor da natureza livre,
e um dia tarde quiçá viverão a chorar a beleza
Que merecia ser preservada,
logo ali frente à estradinha
de chão que leva ao sítio de Zé Canindé.
Cadê a nossa vargem que estava bem ali,
cadê a minha alma, será que foi esticada
no curtume lá do Matadouro?
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
2 ANOS DO VNT - OS PARABÉNS SÃO PRA VOCÊS, CAROS LEITORES!
FUJA DA ROTINA, LEIA MAIS, VENHA PARA O VNT E APROVEITE A VIDA AGORA!
Autor: João Maria Ludugero
É consabido que a rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas idolatra tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Já me dizia um velho amigo: felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque). Senão, vejamos: Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotografias (adoro fotos), filmes, etc.
Mude de paisagem, tire férias (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.
Tenha filhos (eu sou pai de dois, Igor Gabriel e Jordana Majella). Eles destroem a rotina. Sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).
Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.
Faça festas de 15 anos, comemore datas, faça bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formaturas de sua ou de outras turmas, como formando ou convidado, visite parentes distantes, entre na universidade com 40 anos ou mais, faça pós-graduação, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo. Reinvente coisas, renove-se. Viva o BELO, a vida é bela!
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.
Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.
Seja diferente.Mude sempre. Mude para você, se olhe mais no espelho, se belisque, faça caretas, ria de você mesmo. Dê-se a língua, estire a língua, morda-se, mande-se flores. A vida é curta e preciosa. Seja quem você for, que seja você, não porque os outros querem que você seja, mas porque você é você. Portanto, é preciso que você seja quem você é, doa a quem doer, goste quem gostar, pois o importante é você. Use mais a cabeça. A que está entre suas duas orelhas, não apenas a que está entre as pernas.
Seja inteligente e não deixe sua vida ser regida pela opinião alheia. Você é o dono do seu nariz. Você é quem paga as suas contas e o mundo não assume as suas dores quando você está com dor. A dor é sua. Logo, a vida é sua e ninguém vai vivê-la em seu lugar. Ou será que você está aqui apenas de passagem feito um marionete nas mãos do seu animador?
Se você tiver dinheiro, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos….. em outras palavras.. V-I-V-A. !!!
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.E como vai!
E se tiver a sorte de ter alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o… do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos.Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Enfim, acho que você já entendeu a idéia, não é?
Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida..
Venha agora para o VNT, leia mais, atualize-se. Nós estaremos sempre com você, mesmo nas suas constantes mudanças. Porque aquele que nunca muda, não vive, apenas vegeta, esperando a vida passar em brancas nuvens.
Lembro-me de que, no seriado Arquivo X, uma frase abria a imaginação para os acontecimentos que viriam: "a verdade está lá fora". Penso que podemos adaptá-la para "a vida está lá fora". LEIA MAIS e viaje através da leitura, assim você vai nais longe!
Carpe diem!
Sinceramente, meu abraços a todos!
FUJA DA ROTINA, LEIA MAIS, VENHA PARA O VNT E APROVEITE A VIDA AGORA!
Autor: João Maria Ludugero
É consabido que a rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas idolatra tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Já me dizia um velho amigo: felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque). Senão, vejamos: Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotografias (adoro fotos), filmes, etc.
Mude de paisagem, tire férias (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.
Tenha filhos (eu sou pai de dois, Igor Gabriel e Jordana Majella). Eles destroem a rotina. Sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).
Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.
Faça festas de 15 anos, comemore datas, faça bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formaturas de sua ou de outras turmas, como formando ou convidado, visite parentes distantes, entre na universidade com 40 anos ou mais, faça pós-graduação, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo. Reinvente coisas, renove-se. Viva o BELO, a vida é bela!
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.
Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.
Seja diferente.Mude sempre. Mude para você, se olhe mais no espelho, se belisque, faça caretas, ria de você mesmo. Dê-se a língua, estire a língua, morda-se, mande-se flores. A vida é curta e preciosa. Seja quem você for, que seja você, não porque os outros querem que você seja, mas porque você é você. Portanto, é preciso que você seja quem você é, doa a quem doer, goste quem gostar, pois o importante é você. Use mais a cabeça. A que está entre suas duas orelhas, não apenas a que está entre as pernas.
Seja inteligente e não deixe sua vida ser regida pela opinião alheia. Você é o dono do seu nariz. Você é quem paga as suas contas e o mundo não assume as suas dores quando você está com dor. A dor é sua. Logo, a vida é sua e ninguém vai vivê-la em seu lugar. Ou será que você está aqui apenas de passagem feito um marionete nas mãos do seu animador?
Se você tiver dinheiro, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos….. em outras palavras.. V-I-V-A. !!!
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.E como vai!
E se tiver a sorte de ter alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o… do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos.Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Enfim, acho que você já entendeu a idéia, não é?
Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida..
Venha agora para o VNT, leia mais, atualize-se. Nós estaremos sempre com você, mesmo nas suas constantes mudanças. Porque aquele que nunca muda, não vive, apenas vegeta, esperando a vida passar em brancas nuvens.
Lembro-me de que, no seriado Arquivo X, uma frase abria a imaginação para os acontecimentos que viriam: "a verdade está lá fora". Penso que podemos adaptá-la para "a vida está lá fora". LEIA MAIS e viaje através da leitura, assim você vai nais longe!
Carpe diem!
Sinceramente, meu abraços a todos!
FUJA DA ROTINA E APROVEITE A VIDA AGORA!
FUJA DA ROTINA E APROVEITE A VIDA AGORA!
Autor: João Maria Ludugero
É consabido que a rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas idolatra tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Já me dizia um velho amigo: felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque). Senão, vejamos: Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotografias (adoro fotos), filmes, etc.
Mude de paisagem, tire férias (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.
Tenha filhos (eu sou pai de dois, Igor Gabriel e Jordana Majella). Eles destroem a rotina. Sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).
Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.
Faça festas de 15 anos, comemore datas, faça bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formaturas de sua ou de outras turmas, como formando ou convidado, visite parentes distantes, entre na universidade com 40 anos ou mais, faça pós-graduação, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo. Reinvente coisas, renove-se.
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.
Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.
Seja diferente.Mude sempre. Mude para você, se olhe mais no espelho, se belisque, faça caretas, ria de você mesmo. Dê-se a língua, estire a língua, morda-se, mande-se flores. A vida é curta e preciosa. Seja quem você for, que seja você, não porque os outros querem que você seja, mas porque você é você. Portanto, é preciso que você seja quem você é, doa a quem doer, goste quem gostar, pois o importante é você. Use mais a cabeça. A que está entre suas duas orelhas, não apenas a que está entre as pernas.
Seja inteligente e não deixe sua vida ser regida pela opinião alheia. Você é o dono do seu nariz. Você é quem paga as suas contas e o mundo não assume as suas dores quando você está com dor. A dor é sua. Logo, a vida é sua e ninguém vai vivê-la em seu lugar. Ou será que você está aqui apenas de passagem feito um marionete nas mãos do seu animador?
Se você tiver dinheiro, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos….. em outras palavras.. V-I-V-A. !!!
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.E como vai!
E se tiver a sorte de ter alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o… do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos.Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Enfim, acho que você já entendeu a idéia, não é?
Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida..
Lembro-me de que, no seriado Arquivo X, uma frase abria a imaginação para os acontecimentos que viriam: "a verdade está lá fora". Penso que podemos adaptá-la para "a vida está lá fora".
Carpe diem!
Autor: João Maria Ludugero
É consabido que a rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas idolatra tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Já me dizia um velho amigo: felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque). Senão, vejamos: Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotografias (adoro fotos), filmes, etc.
Mude de paisagem, tire férias (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.
Tenha filhos (eu sou pai de dois, Igor Gabriel e Jordana Majella). Eles destroem a rotina. Sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).
Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.
Faça festas de 15 anos, comemore datas, faça bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formaturas de sua ou de outras turmas, como formando ou convidado, visite parentes distantes, entre na universidade com 40 anos ou mais, faça pós-graduação, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo. Reinvente coisas, renove-se.
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.
Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.
Seja diferente.Mude sempre. Mude para você, se olhe mais no espelho, se belisque, faça caretas, ria de você mesmo. Dê-se a língua, estire a língua, morda-se, mande-se flores. A vida é curta e preciosa. Seja quem você for, que seja você, não porque os outros querem que você seja, mas porque você é você. Portanto, é preciso que você seja quem você é, doa a quem doer, goste quem gostar, pois o importante é você. Use mais a cabeça. A que está entre suas duas orelhas, não apenas a que está entre as pernas.
Seja inteligente e não deixe sua vida ser regida pela opinião alheia. Você é o dono do seu nariz. Você é quem paga as suas contas e o mundo não assume as suas dores quando você está com dor. A dor é sua. Logo, a vida é sua e ninguém vai vivê-la em seu lugar. Ou será que você está aqui apenas de passagem feito um marionete nas mãos do seu animador?
Se você tiver dinheiro, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos….. em outras palavras.. V-I-V-A. !!!
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.E como vai!
E se tiver a sorte de ter alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o… do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos.Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Enfim, acho que você já entendeu a idéia, não é?
Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida..
Lembro-me de que, no seriado Arquivo X, uma frase abria a imaginação para os acontecimentos que viriam: "a verdade está lá fora". Penso que podemos adaptá-la para "a vida está lá fora".
Carpe diem!
VÁRZEA: SIMPLICIDADE QUE DÁ GOSTO!
VÁRZEA: SIMPLICIDADE QUE DÁ GOSTO!
AUTOR: JOÃO MARIA LUDUGERO.
É tão bom acordar cedo,sentir-se feliz
Sentar na rede e pela fresta da telha, parecer tolo
Ver que a lua ainda no céu passeia, branca e arteira,
A espalhar pela rua José Lúcio Ribeiro
Seu banho de prata nas palhas verdejantes
Das duas palmeiras de São Pedro
Que são sentinelas majestosas
A enfeitar a igreja-matriz do apóstolo
É tão bom acordar cedo,sentir-se contente
Botar o fubá pra inchar,em água e sal, na bacia,
Preparar o cuscuz, assar o queijo de coalho,
Estrelar o ovo caipira na manteiga de garrafa,
Acender o fogão de lenha e sentir o cheiro de café coado
A trazer para a vida da gente esse aroma de felicidade
Isto tudo faz a forma do ser simples caber inteira na palma da mão
Do pilão que tritura, que mistura a mandioca-mole, o coco ralado e o mel de rapadura
pelas mãos de dona Marinan, a temperar de cravos e ervas-doces o famoso bolo preto.
Que delícia é essa iguaria tão varzeana, que maravilha!
Quem ainda não provou não sabe o que está perdendo!
Essas coisas simples têm a cara da felicidade,
Essas coisas simples têm a cara da minha Várzea,
Que nos faz botar a cara na janela,de súbito
Somente pra sentir o aroma da vida que passa, mansa
Só pra ver a cara do dia nascer feliz!
AUTOR: JOÃO MARIA LUDUGERO.
É tão bom acordar cedo,sentir-se feliz
Sentar na rede e pela fresta da telha, parecer tolo
Ver que a lua ainda no céu passeia, branca e arteira,
A espalhar pela rua José Lúcio Ribeiro
Seu banho de prata nas palhas verdejantes
Das duas palmeiras de São Pedro
Que são sentinelas majestosas
A enfeitar a igreja-matriz do apóstolo
É tão bom acordar cedo,sentir-se contente
Botar o fubá pra inchar,em água e sal, na bacia,
Preparar o cuscuz, assar o queijo de coalho,
Estrelar o ovo caipira na manteiga de garrafa,
Acender o fogão de lenha e sentir o cheiro de café coado
A trazer para a vida da gente esse aroma de felicidade
Isto tudo faz a forma do ser simples caber inteira na palma da mão
Do pilão que tritura, que mistura a mandioca-mole, o coco ralado e o mel de rapadura
pelas mãos de dona Marinan, a temperar de cravos e ervas-doces o famoso bolo preto.
Que delícia é essa iguaria tão varzeana, que maravilha!
Quem ainda não provou não sabe o que está perdendo!
Essas coisas simples têm a cara da felicidade,
Essas coisas simples têm a cara da minha Várzea,
Que nos faz botar a cara na janela,de súbito
Somente pra sentir o aroma da vida que passa, mansa
Só pra ver a cara do dia nascer feliz!
sábado, 30 de janeiro de 2010
VÁRZEA: SONHANDO JUNTO A GENTE CHEGA LÁ!
VÁRZEA: SONHANDO JUNTO A GENTE CHEGA LÁ!
Autor: João Maria Ludugero.
Como é grande o meu coração varzeano
Nele cabem tantos desejos
É intenso e nada insosso, tem sabor
Esse Vapor imenso que exala, sem alvoroço
Natural perfume, cheiro de maracujá
Tudo misturado ao cantar do carro-de-boi
Meu coração arisco não se contém
Não se deixa deter e segue vertente afora
Porque ele tem um desejo imenso, inquieto
De ver o pôr-de-sol, de ver o dia adormecer
Sob o crepúsculo lá do paredão do açude
De ver tua lágrima, menina nativa, de alegria
A renascer pelo avesso, numa cantiga
De esperança nova meu coração
Polido seixo, moenda do tempo
Mão de pilão a triturar o milho zarolho
Mão que prepara o cuscuz e a tapioca
Mão que tem o jeito do avoar da arribação
Mãos voltadas para o azul em prece, unidas,
Feito as duas palmeiras de São Pedro Apóstolo
Mãos espalmadas ao céu em agradecimento
Mãos que põem água nos cântaros
Sob o verão de andorinhas!
É ali que o bem-te-vi entoa sua cantiga
Enquanto um magote de patos e gansos
Atravessa as águas verde-musgo do Calango
Enquanto um magote de meninos e meninas
Cirandam a roda do tempo, de tranças soltas
Ao vento, querendo ver o que será
Que cara terá o novo dia, o porvir!
Quero acordar do meu sonho,
Acordado sonhar, acreditar na força
Ao que está querendo vir,no braço forte
Alvejar o que é bonito, senti-lo
Abrir portas, tirar trancas das janelas
Acreditar desde agora, fincar prumo
Nessa Várzea que todos queremos ter
Nessa cidade que nos faz AMAR, simplesmente!
Autor: João Maria Ludugero.
Como é grande o meu coração varzeano
Nele cabem tantos desejos
É intenso e nada insosso, tem sabor
Esse Vapor imenso que exala, sem alvoroço
Natural perfume, cheiro de maracujá
Tudo misturado ao cantar do carro-de-boi
Meu coração arisco não se contém
Não se deixa deter e segue vertente afora
Porque ele tem um desejo imenso, inquieto
De ver o pôr-de-sol, de ver o dia adormecer
Sob o crepúsculo lá do paredão do açude
De ver tua lágrima, menina nativa, de alegria
A renascer pelo avesso, numa cantiga
De esperança nova meu coração
Polido seixo, moenda do tempo
Mão de pilão a triturar o milho zarolho
Mão que prepara o cuscuz e a tapioca
Mão que tem o jeito do avoar da arribação
Mãos voltadas para o azul em prece, unidas,
Feito as duas palmeiras de São Pedro Apóstolo
Mãos espalmadas ao céu em agradecimento
Mãos que põem água nos cântaros
Sob o verão de andorinhas!
É ali que o bem-te-vi entoa sua cantiga
Enquanto um magote de patos e gansos
Atravessa as águas verde-musgo do Calango
Enquanto um magote de meninos e meninas
Cirandam a roda do tempo, de tranças soltas
Ao vento, querendo ver o que será
Que cara terá o novo dia, o porvir!
Quero acordar do meu sonho,
Acordado sonhar, acreditar na força
Ao que está querendo vir,no braço forte
Alvejar o que é bonito, senti-lo
Abrir portas, tirar trancas das janelas
Acreditar desde agora, fincar prumo
Nessa Várzea que todos queremos ter
Nessa cidade que nos faz AMAR, simplesmente!
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
VÁRZEA SOB O MANTO AZUL DA SENHORA DA PIEDADE
VÁRZEA SOB O MANTO AZUL DA SENHORA DA PIEDADE
Autor: João Maria Ludugero, em 20/01/2009.
Olha nós aqui, em festa, em pleno janeiro
Olha a nossa fé estampada no ar,
Olha a nossa força sob o olhar da Virgem Maria
Olha a nossa garra em conduzir o andor
Da vida, com suor e com esperanças renovadas.
É bonito de se ver tudo isso, é gratificante,
Ver homens, mulheres e crianças vestidas de anjo
Todos amparados na santa fé que nos faz seguir
Avançar o passo, acreditar na força que tem nosso pulso,
E cantar em uníssono, pela felicidade que a gente sente
Ao receber na Casa de São Pedro Apóstolo a Mãe de todos nós,
A virgem Santíssima Senhora da Piedade do Espírito Santo.
Eu sou testemunha ocular, vi de perto minha gente a chorar
De tamanha emoção, ao receber a Mãe de Jesus, com louvor
Foi tanta alegria que transbordou sob o olhar de São Pedro
Desde o topo da igreja-matriz às quatro bocas da cidade de Ângelo Bezerra!
Foi só alegria que varreu as ruas da cidade da simplicidade,
Foi só alegria que limpou a nossa vista ao ter em terras varzeanas
A bela imagem da Padroeira do Espírito Santo, nossa Mãe Piedosa!
Que Ela aumente a nossa Fé, renovando as nossas Esperanças,
Que Ela nos conceda saúde e dias felizes, que interceda por nós
Junto ao Supremo Pai do Universo, trazendo para todos os Varzeanos
Muita Paz e a certeza de que melhores dias virão!
Amorosa Senhora, dai-nos a Fé e olhai por nós
Que recorremos a Vós, seus filhos amados, filhos desta terra
De São Pedro Apóstolo, chaveiro das nossas esperanças!
Obrigado, Divina Mãe, por trazeres ao colo a dor a mostrar
A toda essa gente que é possível a superação e a resignação
Quando trazemos essa fé inquebrantável no peito, no coração
Apesar das lágrimas, apesar de tudo, é possível seguir amando,
Acreditando que, depois do frio da dor, há sempre o incêndio do Amor!
E viva Nossa Senhora da Piedade,
E viva São Pedro Apóstolo,
E viva o povo varzeano!
Amém!
Autor: João Maria Ludugero, em 20/01/2009.
Olha nós aqui, em festa, em pleno janeiro
Olha a nossa fé estampada no ar,
Olha a nossa força sob o olhar da Virgem Maria
Olha a nossa garra em conduzir o andor
Da vida, com suor e com esperanças renovadas.
É bonito de se ver tudo isso, é gratificante,
Ver homens, mulheres e crianças vestidas de anjo
Todos amparados na santa fé que nos faz seguir
Avançar o passo, acreditar na força que tem nosso pulso,
E cantar em uníssono, pela felicidade que a gente sente
Ao receber na Casa de São Pedro Apóstolo a Mãe de todos nós,
A virgem Santíssima Senhora da Piedade do Espírito Santo.
Eu sou testemunha ocular, vi de perto minha gente a chorar
De tamanha emoção, ao receber a Mãe de Jesus, com louvor
Foi tanta alegria que transbordou sob o olhar de São Pedro
Desde o topo da igreja-matriz às quatro bocas da cidade de Ângelo Bezerra!
Foi só alegria que varreu as ruas da cidade da simplicidade,
Foi só alegria que limpou a nossa vista ao ter em terras varzeanas
A bela imagem da Padroeira do Espírito Santo, nossa Mãe Piedosa!
Que Ela aumente a nossa Fé, renovando as nossas Esperanças,
Que Ela nos conceda saúde e dias felizes, que interceda por nós
Junto ao Supremo Pai do Universo, trazendo para todos os Varzeanos
Muita Paz e a certeza de que melhores dias virão!
Amorosa Senhora, dai-nos a Fé e olhai por nós
Que recorremos a Vós, seus filhos amados, filhos desta terra
De São Pedro Apóstolo, chaveiro das nossas esperanças!
Obrigado, Divina Mãe, por trazeres ao colo a dor a mostrar
A toda essa gente que é possível a superação e a resignação
Quando trazemos essa fé inquebrantável no peito, no coração
Apesar das lágrimas, apesar de tudo, é possível seguir amando,
Acreditando que, depois do frio da dor, há sempre o incêndio do Amor!
E viva Nossa Senhora da Piedade,
E viva São Pedro Apóstolo,
E viva o povo varzeano!
Amém!
sábado, 2 de janeiro de 2010
VÁRZEA E O POETA: AQUECENDO O CORAÇÃO PARA O REENCONTRO
VÁRZEA E O POETA: AQUECENDO O CORAÇÃO PARA O REENCONTRO
Autor: João Maria Ludugero.
Quero me aventurar,
Quero ver tua face,
Quero rever meus amigos,
Quero mergulhar no Calango, meu querido açude,
Quero me deparar com a imponência imperial
Das tuas duas verdejantes palmeiras,
Quero estar na beira do rio Joca,
Contemplar a exuberância de cores
Que está por toda parte,
Dali quero ver o todo e ser a parte,
Sem me apartar do teu encanto, de fato.
Não quero o pranto, só se for de alegria,
Quero uma bacia de mangas, comer cajus, morder sua carne,
Quero beber caldo de cana-caiana, mel de engenho e garapa,
Quero me lambuzar e teus riachos do mel, degustar
Tua cachaça, comer tapioca com coco, beiju e me deliciar
Com aquela galinhada caipira lá para as bandas dos Seixos.
Eu quero todas essas coisas simples da minha Várzea.
Quero muito tudo isso, para me sentir completo,
Quero ser e estar inteiro,de verdade,admirar tua paisagem,
Quero te falar da minha paixão, do meu Amor maiúsculo,
Quero aquecer o peito, sentir que nunca deixei de te amar,
Quero extravar esse sentimento, sem vergonha de me expor,
Muito embora alguém até possa dizer: Como ele é sensível!
E eu direi, com todas as letras: Sou um poeta varzeano,
Não tenho que esconder meu sentimento coisa nenhuma...
"Fodam-se" aqueles que nunca souberam o que é AMAR de verdade!
Isso mesmo: "Fodam-se" aqueles que só sabem criticar,
Aqueles que vieram ao mundo apenas para serem ervas-daninhas,
Aqueles que ficam em cima do muro vendo o mundo passar,
Aqueles que cruzam os braços e não estão nem aí,
Nada é com eles, estão aqui apenas de passagem, a ver navios!
Portanto, aguarde-me minha amada Várzea, meu lindo rincão potiguar,
Estou de malas prontas para ir te encontrar, eu chego já, viu?
Quero matar as saudades, reencontrar meus amigos, beber de novo
Tuas águas, rever tuas ruas e tua gente que tanto amo de paixão,
Roçar a minha mão nas barbas santas do apóstolo São Pedro,
Agradecer a ele, com fervor, pela feliz Cidade que aí está,
Ele que tem nas mãos as chaves da cidade, ele que nos abre o portal
Para um novo tempo, ele que agora se encontra no topo da honra,
No alto da torre da igreja a nos abençoar...Obrigado, Pedrão!
Até amanhã, dia 4 de janeiro, quando aí chegarei,
De corpo e alma, inteiro, doido para abraçar o melhor lugar do mundo!
FELIZ CIDADE, VÁRZEA!
EU TE AMO!
Autor: João Maria Ludugero.
Quero me aventurar,
Quero ver tua face,
Quero rever meus amigos,
Quero mergulhar no Calango, meu querido açude,
Quero me deparar com a imponência imperial
Das tuas duas verdejantes palmeiras,
Quero estar na beira do rio Joca,
Contemplar a exuberância de cores
Que está por toda parte,
Dali quero ver o todo e ser a parte,
Sem me apartar do teu encanto, de fato.
Não quero o pranto, só se for de alegria,
Quero uma bacia de mangas, comer cajus, morder sua carne,
Quero beber caldo de cana-caiana, mel de engenho e garapa,
Quero me lambuzar e teus riachos do mel, degustar
Tua cachaça, comer tapioca com coco, beiju e me deliciar
Com aquela galinhada caipira lá para as bandas dos Seixos.
Eu quero todas essas coisas simples da minha Várzea.
Quero muito tudo isso, para me sentir completo,
Quero ser e estar inteiro,de verdade,admirar tua paisagem,
Quero te falar da minha paixão, do meu Amor maiúsculo,
Quero aquecer o peito, sentir que nunca deixei de te amar,
Quero extravar esse sentimento, sem vergonha de me expor,
Muito embora alguém até possa dizer: Como ele é sensível!
E eu direi, com todas as letras: Sou um poeta varzeano,
Não tenho que esconder meu sentimento coisa nenhuma...
"Fodam-se" aqueles que nunca souberam o que é AMAR de verdade!
Isso mesmo: "Fodam-se" aqueles que só sabem criticar,
Aqueles que vieram ao mundo apenas para serem ervas-daninhas,
Aqueles que ficam em cima do muro vendo o mundo passar,
Aqueles que cruzam os braços e não estão nem aí,
Nada é com eles, estão aqui apenas de passagem, a ver navios!
Portanto, aguarde-me minha amada Várzea, meu lindo rincão potiguar,
Estou de malas prontas para ir te encontrar, eu chego já, viu?
Quero matar as saudades, reencontrar meus amigos, beber de novo
Tuas águas, rever tuas ruas e tua gente que tanto amo de paixão,
Roçar a minha mão nas barbas santas do apóstolo São Pedro,
Agradecer a ele, com fervor, pela feliz Cidade que aí está,
Ele que tem nas mãos as chaves da cidade, ele que nos abre o portal
Para um novo tempo, ele que agora se encontra no topo da honra,
No alto da torre da igreja a nos abençoar...Obrigado, Pedrão!
Até amanhã, dia 4 de janeiro, quando aí chegarei,
De corpo e alma, inteiro, doido para abraçar o melhor lugar do mundo!
FELIZ CIDADE, VÁRZEA!
EU TE AMO!
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