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quarta-feira, 17 de março de 2010

RISOLITA, MULHER-CORAGEM, SIM, SENHORA!

RISOLITA, MULHER-CORAGEM, SIM, SENHORA!
Autor: Ludugero, 08/05/2009.
.
Eu sou poeta - nasci para ser poeta
tenho mil e uma palavras, e mais se preciso for
mesmo assim, muitas vezes, confesso
não sei por onde onde começar
tenho mil e um sonhos e uma plantação de outros
e várias vezes não sei o que se pode sonhar
tenho quimeras, ilusões, devaneios e sementes.
Eu sou poeta - disso eu tenho certeza!
Eu tenho força, desde cedo,
desde a hora em que acordo
eu tenho a alma infinda de ansiedade
eu tenho sempre mais um anseio
posso dormir nas estrelas e acordar na lua
posso fazer do sol o meu recreio
e brincar com seus raios até no meio do gado bravo
como se fossem um feixe de lenha lá dos Seixos
ou brincar com seus raios em qualquer rua lá da minha Várzea
ou lá na beira do Calango, açude de muitas lembranças.
Eu vivo a vida com todos os sentidos,
fazendo de todos um só para amar
e ter Amor pelo simples viver
e viver só por um simples olhar
e num simples olhar ver a alma engrandecer...
Eu sou poeta. Alguém duvida?
Eu não tenho dúvida!
Eu conheço uma mulher-coragem
Eu conheço esta grande mãe chamada Risolita
Eu conheço esta paraibana que veio de Araçagi
aos 20 de novembro de 1967,
para cuidar de terras neste solo potiguar.
Uma senhora naturalizada varzeana,
uma proprietária de terras do infinito da beleza
uma cidadã chamada de
Risolita Ribeiro Ferreira.
Sem ela a definição do que é belo ficaria 'viúva',
pois é uma criatura de beleza ímpar,
um espelho de exemplar grandeza
grande mãe de Rosa, da graciosa Nena,
da alegre Riselda, da bela Neta
de meiga Lena e da amiga Rosimere Queiroz.
Senhora de seriedade, braço firme e forte!
Risolita, de força indomável
grande mãe de Reginaldo (nosso 'Ré')
de Nô, do inesquecível Naldo
(que foram morar lá em Cima);
Mãe de Rosalvo "Xinxa", do Zé Hernandes e
do nosso querido 'Ramo' (Ramonilson).
Risolita, nunca é demais repetir
Não é rasgação de seda,
não é chover no molhado,
Senhora de pulso forte, de laços
de uma grande família.
Risolita, mulher-coragem, de fibra,
fogo que atenua o gelo
da dor na hora da dor,
sabendo ser doce e amável
na medida exata, sensata
a alimentar-se de tamanha fé
em São Pedro apóstolo!
Risolita, senhora de dotes e certeza
do esplendor alcançado da vitória
de estar aqui na aridez do agreste,
sem nunca ter perdido a batalha da vida!
Risolita, mãe e rainha,
do riso e da dor
que fez do coração a sua muralha, seu escudo
e tem como única arma todo o seu Amor.
Além de carregar a coragem no peito,
é dona de bondade, bravura e humildade
Senhora paraibana, mulher de verdade
Sim, senhor! Sim Senhora!
Somos testemunhas dessa realidade.
E este poeta varzeano
acaba de fazer esta mais justa homenagem
A esta grande mulher, mãe, avó e bisavó
que nos deu de presente
um Calango, um açude de muitas memórias,
Não tenho mais palavras...
Obrigado, Deus, por ter criado pessoas
feito Dona Risolita!
Justiça seja dita,
feita e ponto!

MINHA VÁRZEA, MEU AMOR

AUTOR: JOÃO MARIA LUDUGERO.


Várzea já nasceu bonita, às margens de um rio chamado Joca.
Em 20 de dezembro de 1959,
veio a e emancipação política(Lei de nº 2.586).
Grandiosa conquista:
desmembrou-se do município de Goianinha.
Tornou-se mais uma estrela no mapa do nosso valoroso Rio Grande do Norte.

Graciosa terra de Ângelo Bezerra,
de Minervino, de Genésio Coelho,
de José Anacleto e de tantos outros
que chegaram primeiro e se banharam nas águas do rio Joca.
Foi lá que meu avô José Ludugero da Silva
conheceu dona Dalila Maria da Conceição.
O lugar era aprazível - Chamaram-lhe de Várzea!
Que terra ditosa! Cheia de ternura e bênçãos!
Que amada seara, que dá doces batatas e alvas macaxeiras, além de leite e mel!

Que torrão de tanta fé verdadeira.
Acho que Várzea me ensinou a ser um Homem de muita fé!
Desde criança minha avó me ensinava a rezar
e a admirar o nosso divino São Pedro.

E eu sempre recordo da vida do domingo daquele lugar.
Belas tardes no Estádio João Aureliano
Relembro-me do sino da torre da igreja
que ouvia tocar, da armação do presépio de Natal
Da catequese das tardes dos anos da minha infância!

Lembro-me de dona Maria Orlanda de Seu Nestor,
De Dona Marina de Seu Minor e seus carneiros bem cuidados.
Da casa do Seu Walfredo, ali na esquina da Igreja
De dona Suli, mãe de Dona Wilma Anacleto a fazer seus bolos e seus quindins.
Lembro-me dos borregos do Seu Nezinho, Pai do Joca e do Quincas.
Lembro-me de tanta gente insequecível:
De Dona Risolita Ferreira, Mãe do Ramos, do Reginaldo (Ré das vaquejadas), Mãe de Rosa, mulher de Humberto de Dona Noilde, Mãe de Sônia, Galego e Paulírio Gomes e Dona Palmira, esposa de Seu Adalberto, o Homem do Arisco dos cajus e das mangas.
Lembro-me do Seu Olival e de Sua querida dona Penha, pais de Wilma, Willyane e Marcos.
Lembro-me de Seu Antonio Belo, ferreiro de mão cheia, das brasas, torquês, acendedor de fole,
Ferros e ferraduras.
Lembro-me de dona Lídia, de Seu 'Louro', das quatro bocas da rua.
Lembro-me do Seu Nenê Tomaz, Plácido em sua lucidez tão sublime,
dizendo da formosura das meninas varzeanas: "Essa menina dá um pitéu!"
Quanta sabedoria e bondade na vida dessa nossa gente.

Quantos amigos, quantas famílias, quantos filhos da Várzea,de histórias bem-vividas.

São Bitas Mulatos, Maricas de Otávio, Ninas, Tidas, Totas, Ticas, Totitas, Anas do Rego,Gabrielas, Maurícios, Antônios, Belos, Duacas, Coelhos, Rodrigues, Pereiras, Virgílios, Pedros, Ocinos, Bentos, Oneides, Jandiras, Zildas, Vilmas, Dezildas, Dalvas, Anacletos, Tomazes, Limas, Carvalhos, Florêncios, Dalilas, Beatrizes, Santinas, Ribeiros, Paulinos,Lulas, Claudinas, Carminhas, Marreiros,Conceições, Júlias, Rosas, Piedades,Palmiras, Julietas, Chicos, Graças, Carmosinas, Cíceros, Severinos, Arletes, Dores, Albanitas, Olivais, Oliveiras, Louros, Cíceros, Glórias, Manos, maninhos, Betos etc, etc, etc.
Citei apenas alguns nomes. Peço perdão, pois aqui não caberiam todos os lembrados e jamais esquecidos.Páginas vivas da História de Várzea.

Lembro-me de tanta gente, parece que passa um filme na minha cabeça,
como um magote de gente em procissão pela cidade.
São pessoas que, no seu ritmo, dão passos adaptados para realizar desde
pequenas a grandes coisas, estando a felicidade em cada passo dado,
em cada momento, em cada reza, em cada novena, não no fim, mas nos passos para se chegar lá.
Parece ser esse o segredo da felicidade humana: o passo e o ritmo, a razão e a emoção.
O objetivo: Juntos estarem a fazer a festa na cidade de São Pedro.

E a vida acordava de mansinho, meu Santo Deus, nestas doces campinas do riacho do mel!
Benditas terras do Excelentíssimo primeiro prefeito, Pasqualino Gomes Teixeira.
Benditas águas, terra e ar e céu ...
Lembre-se: a gente ama, a gente cuida!
O céu de Várzea é mais azul,
erguido de nuvens que mais parecem de algodão. Algodão doce?
O cheiro da terra é como um perfume que se evapora das flores do Maracujá, dos marmeleiros,
Das flores de algodão em flor.
Várzea, terra propícia ao cultivo do milho, feijão e mandioca.
Acorda, Várzea, e mostra em toda a natureza seu encanto!
Ali há tanta magia que pelo céu flutua,
sem nunca renegar o pão nosso de cada dia aos filhos teus.
Realmente: "...Ali, em se plantando, quase tudo dá".

O ardente coração varzeano bate suave e valente entre os coqueiros,
Ao vento da manhã de um novo tempo,
de esperanças novas, de Titos, Quincas, Mandus, Tonhas e Pepedos.

Vento que enche os pulmões de alegria, de ar puro,
na certeza de colorir a juventude que brota
desde a Escola Plácido Tomaz de Lima aos muros, ruas,casas e janelas
que acordam cheias de graciosas meninas
E corajosos meninos apanhadores de sonhos e de amores.
Várzea, doce Várzea, da força da União, do recanto do luar
Ainda mais doce é o teu matutino orvalho, tuas baladas
Tuas jovens tranças, tua juventude na praça do encontro
que reluz sem receio, sem temor pelas praças e escolas.

Hoje estou distante,
E pelos 'ais' da minha alma
dá para ouvir meu lamento (baixinho)
que passeia pelo cemitério da saudade
Lembrando de dona Maria de Seu Odilon Soldado
E de tantas outras pessoas queridas
que já partiram da Cidade de Várzea,
para morar num outro paraíso.

Quando minha voz perder-se, à noite,
Quando eu derramar a minha alma
Quero vagar em teus jardins, às margens do rio Joca
ou nas verdes campinas do Vapor varzeano,
que o coração melhor perfuma.

Açude do calango, a lavar meus pés,
em doce engano quero me banhar.
Quero derramar em ti a minha alma!
Só para lembrar de Madrinha Joaninha,
Só para lembrar da minha estrela D'alva,
Dona Maria, que no seu seio de Mãe,
que a noite embala,
eu, eterno menino deitado no seu colo,
Pulsando quente e febril com a maior ternura!
Aquele anjo querido, minha Mãe Maria,
Que a minha dor de filho ausente lhe revela.

Várzea, hoje eu morro de saudades!
E o que me nutre, na minha tristeza ainda,
De corpo e alma, por entre vasos e capilares,
É o sangue do passado e da esperança
que corre muito ávido em minhas veias
rumo a este meu imenso coração tão varzeano.

AUTOR: JOÃO MARIA LUDUGERO DA SILVA


Texto de João Maria Ludugero para o VNT Online,em 19/11/2008

FELIZ DA VIDA - O SONHADOR

Autor: João Maria Ludugero.

Vou agora lá pra Várzea,
aquele é o meu lugar!
lá tem batidas de coco,leite de onça,
lá tem garapa, caldo de cana-caiana,
tem suco de umbu-cajá, doce de jaca,
tem rapadura batida, castanha assada
tem cocadas da branca e da preta!

Lá tem licor de jenipapo, doce de caju e jaboticaba,
tem raiva, carrapicho e bolo preto de Marinam,
tem queijo-de-coalho assado na brasa,
tem macaxeira frita na manteiga de garrafa,
tem torresmo de porco, picadinho e sarapatel.

Tem coalhada e tapioca de coco ralado.
Lá no seu Tida, avô de Tereza Gabriela,
lá tem leite de vaca tirado na hora, na caneca de ágata.
Lá tem o cantar do galo a abrir o sol, a alvorada.
Lá temos banho de açude e cavalgada.

Na minha Várzea das Acácias
tem felicidade a perder de vista.
Ah, isso tem mesmo, sim, senhor!
Lá tem muita moça bonita pra se espiar.
E a gente fica só cubando, sem pigorar...
Quem é besta, atreva-se só pra ver no que dá!
Lá tem muita gente boa e hospitaleira.
Lá tem isso tudo e muita simplicidade.
Diga-me uma coisa, quem carece de mais nada?

Lá temos tudo isso, de sobra,
além de uma rede de algodão
armada no alpendre ao sol descambando
onde a gente se deita sem aperreio
só pra fazer um balanço da vida,
Só pra sonhar acordado e ser feliz!

terça-feira, 16 de março de 2010

CAVALGADA

Autor: João Maria Ludugero.

Eu sei que sou moço bom
De linhagem de estirpe
Eu sou mesmo sangue bom,
Com toda modéstia.
Sou filho de Várzea
Gosto de cavalgadas,
Gosto de gente feliz,
de festejar a vida do meu lugar.
Gosto mesmo é de estar
Bem próximo à natureza,
Amansar meus bichos, com garra
domar meus receios e ir à luta.

Sou da terra do Calanguim, meu açude
Sou da laia de Joaninha Mulato
Sou da laia de Ana do Rego
Sou neto de dona Dalila Maria da Conceição
E afilhado de São Pedro, Apóstolo.
Eu sou filho de dona Maria Dalva
E Odilon Ludugero.

Quem mexe comigo, já sabe como é,
Não sou de pisar no calo nem de negar cafuné
Mas cuidado, desavisado camarada, fique atento,
pois se precisar, salto de banda e de lado,
Sou de dar nó em pingo d'água, driblo a sorte
E num piscar de olhos, faço da jia um pitéu
Melhor não pagar pra ver! Pode acreditar.

Também posso destilar venenos, se necessário.
Sou cobra de água salobra do rio Joca, não nego minhas origens,
Não fujo dos meus enredos, posso até perder a rima,
Mas não arredo o pé, tenho a mão pesada, tenho raízes
Se quer pagar para ver, cuidado, com a encruzilhada
Posso amarrar suas mãos, desarmar cabra da peste,
Só com a força do pensamento, dou rasteira na tristeza
Desbloqueio seus segredos, desato os nós sem cortá-los
Sou filho de Santa Bárbara, não tenho medo de invernada,
Muito menos de trovão ou do raio que o parta.

O rio que trago no peito não é efêmero
É caudal de sofrimento e de Amores
Que seguem entre secas e cheias,
Mas não arrastam minha alma a cavalgar
nas torrentes de águas turvas!

Na Várzea onde me acho sou feliz
Viro rio, volto a ser riacho, eu sigo
Se for preciso eu ataco, eu consigo
Sou rocha irregular, sou pedra
Quebro-me em outras tantas pedras
Para aprender me virar, viro Seixos.
E a vida continua a me levar... Seixos
Rio acima rio abaixo, rio arriba
Rio que descamba até encontrar o mar.
Eu sou Vapor, vou às nuvens e faço a chuva cair!

segunda-feira, 15 de março de 2010

TROMBETAS

Autor: João Maria Ludugero.

Que venha meu anjo com seus cântaros.
Venha me dar banho de cuia, ao ar livre
Venha me lavar com seus bálsamos a céu aberto
Venha cantar-me uma canção que toque na alma, no espírito
Venha fazer teus sinais, soprar com toda força uma música
Que possa ensolarar minhas sombras
E acalmar meus desassossegos.

Venha me levar para o paredão do açude de água verde-musgo
Do Calango quero toda brisa, ser anjo bendito
Do Calango quero todo vapor da tarde amena, acolhedor
Venha me tirar do labirinto de lembranças tantas...
Quero me aquietar no seu abraço caloroso, apertado
Mesmo que seja necessário um osso oculto
cravejado em minhas costas, que seja assim,
Mesmo que me careça uma asa calada, esvoaçante.

Reza-me em ti, aos pés de São Pedro no altar
Ornamenta-me o peito com tuas relíquias e credos
Quero teus incensos, quero me sentir a salvo
julga-me no teu passo rápido até o Cruzeiro
Amansa-me no teu colo aquecedor, dá-me paz
Faze-me sentir todo dominado, de fato.

Ilumina-me os passos e o caminhar,com devoção
Abre-me um clarão, uma clareira que seja
Prova-me o sal na pele, o suor vertente, batiza-me
0stenta-te além dos precipícios abundantes, nos lajedos
nos Seixos e descansa nas margens serenas do rio Joca.

Rasga-me o céu em arco e flecha na carne,
Mostra-me que serás flor de Maracujá na primavera,
Que serás meu solo preparado no estio à espera da chuva
Que não és fogo de coivaras ao vento,
Que tens sementes férteis guardadas a sete chaves.
E com elas teremos muito mais que mãos calejadas,
Seremos um só arado ao Vapor, um bonito campo, um roçado
Em todos os outros dias de Amor e fartura, anuncia-me.

domingo, 14 de março de 2010

VÁRZEA E SEUS QUINTAIS

Autor: João Maria Ludugero.


Na minha Várzea,minha terra boa,
Há ruas de casarios coloridos,
Casas caiadas, casas simples, vidas simples
Ali a gente não tem pressa de andar, e voa.
Voa junto com a imaginação, longe-longe.
Voa pelos Seixos, pelas esperanças renovadas
Voa pelos ariscos, pelos Itapacurás, voa que voa.

No quintal das casas há hortas e pomares,
Há frutos caindo de maduros, ao vento,
Há pés de pau de graviolas, pitangas e siriguelas
Há pés de goiabas brancas e vermelhas
Há mamoeiros carregadinhos e Maracujá,
há um cheiro bom de erva-doce no ar.

Sem nunca esquecer das flores
dos hibiscos-rosa dobrados
Que enchiam nossos olhos na casa de seu Nestor.
Eram flores cultivadas pela dona Maria Orlanda,
que vida, que saudade, que cheirinho bom!

Sem contar com as belas româs
de dona Inês Rosa
que a gente insistia em colher,
às escondidas sem culpa.
E a gente nem corava a face,
sem vergonha de viver.

Sem contar com os umbus-cajás
Lá do quintal de dona Maria Marreiros...
Só de pensar pego-me a salivar,
Que tempo bom de alegria,
de dar água na boca!

sexta-feira, 12 de março de 2010

TEMPO DE QUINTAIS

Autor: João Maria Ludugero.

No quintal das casas há frutos
caindo de maduros ao vento,
Pés de pau de graviolas, de goiabas brancas e vermelhas
Sem esquecer das flores dos hibiscos-rosa dobrados
Que enchiam nossos olhos na casa de seu Nestor
Flores cultivadas pela dona Maria Orlanda, que cheiro bom!
Sem contar com as belas româs de dona Inês Rosa
que a gente insistia em colher, às escondidas sem culpa,
E a gente nem corava a face, sem vergonha de viver,
Sem contar com os umbus-cajás do quintal dos Marreiros...
Só de pensar pego-me a salivar,
Que tempo bom de alegria, de dar água na boca!


E pelos caminhos corre a beleza
que o vento não leva
Que surge em cada olhar,
sem nada pedir, sem nada cobrar
E por cima dos ombros vejo os telhados cinzentos
Interessante mas a gente ia ao rio pescar
E já voltava para casa com o peixe
E com outros ingredientes para temperá-lo,
desde o coco fresco ao tomate-cereja colhidos ali na beira
nas ribanceiras do rio Joca, a gente parecia que voltava da feira.

Observo o mormaço, o vapor vital
Que convida todos os amigos varzeanos
a viver a vida, a se envolver de corpo e alma
A se saciar em seus peitos fartos de mãe gentil.

Minha amada cidade da felicidade,
Minha Várzea, meu recanto da simplicidade,
Minha mina d'água doce,
Meu arisco, meu riacho do mel
Minha doce cacimba cavada no coração
do rio que fertiliza nossos sonhos acordados.

metAMORfose

Autor: João Maria Ludugero.

Eu subi apressado a rua grande
Eu desci muito espantado
E quase sem ação
pasmado, estupefacto
Com as idéias confusas,
Atordoado, perturbado, atônito
Eu atravessei a Brasiliano Coelho.

Eu vejo a imagem de São Pedro
No topo da igreja-matriz,
Sem reparar que o Santo está
De costas para a rua do arame.
Mesmo assim, ele olha por todos!

Eu sigo pelos becos
Eu chego à rua da pedra
Eu entro na barbearia do Arlindo
Eu me vejo forte e belo, não fraquejo
Diante do espelho,
Eu comigo, de frente e verso,
Cara a cara
Ante a indefinição
Da imagem,
Em face da dubiedade
Nele refletida.

Num abrir e fechar de olhos,
Num curto espaço de tempo
Num átimo,
tornei-me velho, de repente
No preciso instante dos fogos
De artifício em dia de veneração
Entre o fim da procissão
E o acender
Das luzes da da minha Várzea.

E agora, onde vou, o que sou
Eu?
Marcho adiante
Rezo baixinho a São Pedro
Olhando para o topo da igreja,
Vejo o santo apóstolo pescador
Com as chaves nas mãos
Pronto para abrir as portas
Do meu coração de poeta.

E lá vou eu segurando o andor
transportando a mãe de Deus.
Eu sigo pelas ruas de Várzea,
Atravesso a multidão
E sozinho
deixo aos pés do altar,
Sob o olhar da Virgem Maria,
A minha velha face.

E a esperança amiga se renova.
E, então, cadê o vigor que era verde?
O vapor desabou em mim, evaporou-se.

Meu coração antigo e a velha face exposta
Ambos caíram de maduros aos pés do santo
Que, de pronto, abençoou o cortejo.

E assim segue a procissão.
Prossegue a vida numa série de pessoas
que seguem umas atrás das outras.

quinta-feira, 11 de março de 2010

DÁDIVA

Autor: João Maria Ludugero.

Ah, minha Várzea,
Minha amada terrinha do agreste
Ah se eu pudesse, e posso,
Desde logo te asseguro,
Ao meu coração eu daria de presente
Passar o resto dos meus dias, de certo,
No teu seio, no teu ventre, no teu cerne.

Oh, minha dádiva, minha afeição, meu carinho
Por quem tanto sonho, meu apreço, meu tesouro,
Por quem faço versos e poesia, sem me cansar,
Por quem trago sentimento de apego sincero.

Alguém até pode me achar piegas, sentimental demais,
Mas se amar é ridículo prefiro morrer amando,
A ter que passar o resto dos meus dias em brancas nuvens,
Ou no baldio terreno sem cultivo algum, na aridez,
Quiçá na lama ou a rastejar pelos muros alheios.


Portanto, ciente estais de que a nossa ligação
vem desde o berço, minha terra da cultura.
Eu digo de rastro: EU TE AMO!
Com todas as letras,
Pois a ti dedico todo carinho,
bem como respeito, amizade e valor.

E se hoje o mundo acabasse pra mim,
se acaso eu morresse do coração,
De uma coisa poderias ter absoluta certeza:
Ainda assim eu seria mais que um astro a te alumiar,
Minha pequena estrela da vida inteira,
Minha Várzea das Acácias!

quarta-feira, 10 de março de 2010

"DES-MUNICIA-MENTO"

Autor: João Maria Ludugero.

Eu disparo palavras de carinho,
Feito uma clavina ou clavinote,
mas sem nenhuma munição, sem pólvora
Eu miro tua retina, desarmado, sem balas.
Eu atiro setas a indicar o caminho, o alvo
Eu acerto teu coração, na mosca, num pinote.

Eu converso, eu faço poesia, eu faço versos.
Eu acordo no meio da noite pensativo
Digo acordo no modo de falar,não me abalo,
Pois passo a noite em claro, a piscar
Sob o sol do teu olhar, dois sóis,
Sem pregar a pestana, eu insisto,
A chorar de contente, eu pelejo,
Eu continuo a teimar, sem queixas.
Sabia que homem também chora?

Sem disfarçar, como gosto de falar
Eu descubro caminhos desconhecidos,
Finco minha bandeira de sonhos, de amores,
de bobeiras e outras coisas mais.
E ainda assim a gente concorda
Em ir lá pra ver o que será,
Por não achar sonho besteira.

Só pra ti, menina-moça faceira,
Por tudo isso é que venho aqui
Afoito a crescer, por tua causa,
Só pra te entregar de bandeja meu coração.

Já sei que és a dona dos meus olhos,
Por isso rogo a Santa Luzia, é claro,
Que proteja minha visão dia e noite,
Que sejas minha Salomé e eu, são João Baptista,
Que dances para mim, astuta odalisca,
Já não me assusta perder a cabeça!

Quero te dar todo meu Amor e carinho,
com raça, com força e determinação.
Chega de rusgas e ressentimentos,
Chega de me atirar no obscuro, quero me declarar.
Quero descambar no teu abraço, beijar tua boca
E morrer de paixão, minha flor do maracujá,
Entregando-te veias, capilares e coração.
Pouco importaria viver
senão fosse pra morrer de amor!

Tudo em razão de teres me mostrado, de fato,
Com todas as letras, com todas as palavras,
o que é viver a vida de verdade.
Viver mais e melhor, a um passo
do paraíso do teu nome, sem desatino,
que une versos em poesia,
sem pecado nem juízo.

Tu que me conduzes ao retiro de seu Olival,
Onde mergulho em águas límpidas, cristalinas.
Tu que és da minha Várzea, meu aconchego,
Tu que és a flor da minha Cidade da Cultura e da simplicidade,
Terra tão repleta de Marias, tão cheia de graças!

CORAÇÃO AGRESTE

CORAÇÃO AGRESTE


Autor: João Maria Ludugero.


O tempo passa, a ferrugem emperra as catracas
As portas rangem ao se abrirem ao vento
Eu destravo trancas, ferrolhos e tramelas
Eu abro todas as janelas para o sol entrar.

Por um instante eu sonho acordado,
Eu fecho os olhos e me vem à mente um filme
Um magote de meninos a correr pela vargem
atrás dos borregos e dos cabritos
E a minha alma desgarrada ovelha
Segue sua sina a trilhar estradas de chão
A sentir o cheiro da terra molhada,
A sentir o aroma das flores silvestres
A percorrer o leito seco do rio Joca
A repousar junto com o sol na sua areia morna.

E segue em paz meu coração agreste, nunca morno
Porque tenho o sangue quente, vertente de amores
Porque sou aquele eterno menino da Várzea
Que não desatina ao seguir seu destino, sua sina.

Porque trago no peito não uma ferida de saudades,
Mas a marca perene de viver a vida contente,
Com a certeza de que sei muito bem, de fato,
o que signifca a felicidade de ali ter nascido
E ter bebido das águas do açude do Calango!

terça-feira, 9 de março de 2010

BAGATELAS

Autor: João Maria Ludugero.


Eu já cometi tantas pequenas loucuras, bagatelas.
Em sã consciência, é claro, roubei tantos beijos em tantas bocas
Eu roubei teu olhar que me ofuscava, guardei na retina lembranças
E no fim das contas, sequer me culpei por ter te dado esperanças vãs.

Fui 'ladrão' de castanhas de caju, umbus e tamarindos
Só pra te ofertar, fazer teu gosto atento a delícias, de fato.
Fui 'ladrão' de flores da paixão-maracujá, relaxei teus sentidos,
Só pra poder vê-la atravessar a Brasiliano Coelho, toda faceira.

Eu furto-cores feito camaleão, roubo sonhos acordados,
Simplesmente para torná-los possíveis, apesar dos pesares,
Apesar das cancelas e dos arames farpados,
Eu me enveredo Vapor a dentro, apaixonadamente,
carro encantado que aparece e some, inexplicavelmente
Feito a lenda da mulher que chora a duras penas.

Sou um Calango que não tem medo do sol
Enfrento altas temperaturas de seixos a lajedos
Não quero outra coisa nem aprisionar tua liberdade
Venho roubar teu coração-vertente de amores
Não venho roubar teus sentimentos
Nem fazer para ti mil juramentos
De amor por toda a eternidade, não, isso não!

Vim colher um ramalhete das flores que plantei.
Se o espinho me ferir, ferido sangrarei feliz,
Por ter um coração que sempre amou.
Vim ocupar tua mente com meus versos simples,
Fazer-te sentir o que há de bom na nossa Várzea
Não estou aqui apenas de passagem, digo,
Que fosse, mas não te faria sofrer nenhum desgosto.

Eu te faço canções, escrevo poemas assim
Muitas vezes sem rima, palavras suaves
Que cantam dizendo que te amo, Várzea,
A fim de que percebas de uma vez por todas,
Que estou deveras dominado, não apenas ofuscado.

És minha dona, estou algemado sem algemas
Vim roubar e fui roubado, na margem do açude
Menino solto na vargem a driblar a bola da vida
Mas não estou ferido, tristonho ou cabisbaixo
Apenas arrodeado de beleza e simplicidade.

Nunca serei pobre coitado, nem me escapulir de ti
Sem deixar sequer um recado:
Fui para longe de ti, minha Várzea,
mas nunca arredei meu coração
deste abençoado solo de São Pedro Apóstolo.

segunda-feira, 8 de março de 2010

MINHA VÁRZEA EM PRECIOSOS FAVOS

Autor: João Maria Ludugero.

Eu quero o que tens de mais precioso
Não quero diamantes nem tesouros,
Eu não quero ouro, nem botijas assombradas,
Quero tua paisagem, sentir tua natureza sem igual
Quero o todo, não quero aparte,
Não quero passar por ti a vegetar apenas
Não quero viver mais longe de ti,
A perambular pela vida feito alma penada.

Quero ver de perto o verde varzeano
em típicos ariscos de Seu Virgílio
Quero teu solo propício às bananeiras e seus cachos
Teus olhos d'água teus riachos teu rio Joca
Tuas minas d'água tuas cacimbas azuis
Quero mergulhar em tuas vertentes
Em tuas lagoas compridas teus vapores

Quero degustar teus pomares, à mancheia
entrar no mato, correr com os preás nas macambiras.
Quero ver a beleza das flores dos mulungus-em-flor
Enveredar-me em tuas entranhas,
Encher balaios de feijão de corda e arrancar favas
Colher potes e potes de mel, de súbito,
Sem temer aos ferrões das abelhas-europa,
Feito Zé Miranda com seus baldes repletos de favos.

Quero de novo me achar ao desfrute
dessas coisas simples, com gosto de fruta mordida.
Fui audacioso ladrão de graviolas
Fui também inocente ladrão de pitombas,
Apanhei cajás no Itapacurá, a gosto,
no sítio da Vó da Edileusa Cunha, dona Julieta.
Fui inocente ladrão de mangas lá no Jundiá.
Lá as frutas caíam de maduras no leito do riacho
Enquanto minha saudosa mãe Maria me dava banho de cuia.
Furtei carambolas no pé, com rubor na face, que nada!

Fui caipira, sim senhor,
corri atrás de galinhas-d'angola
Vi o jasmim-manga florescer, exalar seu cheiro
e agora sinto saudades daquele tempo bom
Em que morei no Jundiá de Cima.
Comprei muita araruta na bodega de Joaquim Dedé,
Andei em carro-de-boi, acompanhei meu pai Odilon
Nas idas ao roçado apanhar jerimuns
lá no sítio de Seu Manuel Pupu.

Pulei muitos muros, cercas vivas, aveloses,
Só pra pegar frutas maduras, jabuticabas no pé,
No quintal vizinho, sem vergonha nenhuma,
de roubar laranjas-da-terra, sem vergonha
de ser uma criança de bem com a vida,
Sem vergonha de ser um moleque feliz!

sábado, 6 de março de 2010

JÓIA RARA (HOMENAGEM A TODAS AS VARZEANAS NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER)

JÓIA RARA

(HOMENAGEM A TODAS AS VARZEANAS
NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER)

Autor: João Maria Ludugero.


Menina-moça-mulher varzeana
Quando criança, não esmorece,
Repleta de novas esperanças
E ela nunca se cansa
De no amanhã acreditar,
Descobre como a vida pode ser simples
Quando se tem um sonho uma causa
Uma razão para continuar

Quando adolescente,
Uma princesa em flor
Do amanhã, faz o presente.
E quase sempre se sente
pronta pra despertar.

Quando adulta, mulher-coragem,
Depois de muita luta,não se escora,
Depois de arregaçar as mangas,
Acredita num futuro
de alicerce e prumo
Algumas dizem: a partir de amanhã!
Ela proclama: juro que vai ser agora!

E quase sempre sonha mais seguro.
Mas sentindo como é duro,
Ver o outro dia chegar,
Vai caminhando,altiva,
De cabeça sempre erguida
Seguindo em frente, otimista,
Seus problemas enfrentar.

E acorda pronta para a lida
Quando idosa, fica prosa
Cheia de experiência.
E com muita paciência,
Aos trancos e barrancos,
Pode a todos ensinar, tão sábia,
Que a essência de viver a vida
É pela vida não passar em branco.

Mulher varzeana,
Mulher destemida, de pulso
De garra, desdobra fibra por fibra
São elas Claudinas, Divas, Marias,
São Ninas, Elbas, Albanitas,
São Anas, Júlias, Penhas, Rosas
São Dalilas, Rosildas, Nenas, Terezinhas
São Eugênias, Jandiras, Lucilas, Joanas
São Carminhas, Querubinas, Zidoras
São Tantas mulheres que não cabe
Citar aqui no meu poema, mas todas elas,
Estão bastante vivas na minha Várzea das Acácias.


Parabéns, Mulher Varzeana,
Pelo seu dia, por todos os dias
Em que lapidas essa beleza de ser
Mulher-mãe-avó e para sempre amiga
De todas as horas, jóia rara de viver!

quinta-feira, 4 de março de 2010

VÁRZEA:SORTE DE QUEM NASCE ALI!

VÁRZEA: SORTE DE QUEM NASCE ALI!

AUTOR: João Maria Ludugero.

Na mesa farta, repleta de respeito
todos unem as mãos e rezam.
Agradecimento sincero, solene,
todos os destinos junto ao pão.
Pão de trigo, pão de sal e outros brotes.
Tudo quentinho a sair da padaria
dos Tomaz de Lima (que saudades do seu Nenê!).

Eta tempo bom!
Tempo de tantas lembranças,
de cheiros e ruídos
Onde a sorte entrava sutil
pela porta da frente, gentil
Junto com um magote de crianças
Que embalavam sonhos e outras regalias.

E o mundo descansava na rede,
Rede de sisal ou de algodão
Rede armada no alpendre
De casas simples, coloridas, caiadas,
A indicar que o paraíso fica(va) logo ali,
Onde a paz faz/fez sua morada, de fato.

Ali onde mora o sol a tingir
De laranja o mais belo poente do agreste
a decorar a tarde do açude do Calango
de aves e pássaros de maviosos cantos
que vão surgindo em bandos, de súbito,
Como que a fazer uma comemoração de costume
Na dança majestosa do crepúsculo.

quarta-feira, 3 de março de 2010

BONS VENTOS DA MINHA VÁRZEA...

BONS VENTOS DA MINHA VÁRZEA...

Autor: João Maria Ludugero.

Eu atravesso
a Brasiliano Coelho de Oliveira
Eu Sinto aromas e ruídos.
Pressinto cheiro de esperanças novas no ar
Eu sinto o vento bater na minha cara
Eu sinto o mormaço do rio Joca a evaporar-se.

E venta que venta
ao sol do meio-dia a pino
Sopra o vento com toda força.
Eu ouço a cigarra a cantar ao longe,
Eu ouso um passo de dança ao ar livre
Eu invento, eu teço meus versos ao relento
Eu vejo nuvens se dissiparem no céu aberto
E o vento dos ariscos a sacudir a poeira.

Venta pela rua da pedra,
Apagam-se as velas do Cruzeiro.
Avivam-se as cercas verdes, pelos quintais a fora.
E em meio a tudo isso, eu observo Seu Antonio Ventinha
A tanger seus porcos prontos para o próximo abate.

Eu faço este poema trazido pelo vento-brisa,
onde as palavras rodopiam, driblam mata-burros.
As palavras seguem por recantos
de chão de terra molhada
por retiros de mato verde.
Eu me lembro de Seu Olival,
Eu me lembro de Dona Penha.

Eu me lembro do açude do Itapacurá
Eu bem me lembro das flores do Maracujá.
Eu vou junto com a ventania pelo Vapor a dentro.
E assim, suave como a brisa que passa eu me atiro
Com a leveza intensa do orvalho que fica
que nos remete a uma bonita ciranda.

Imagino quanta palavras,
pequenas ou não, o vento leva,
quantas ele traz direto ao meu poema.
Vento propício, lindo, profundo, forte.
Indo e vindo, melancólico, belo e favorável
A trazer boas novas!

Ventos inesperados de um novo tempo
Venha e venta assim um vento bom pela varanda
A abrir portas e janelas da minha Várzea.

Chega perto e vem feito vento bom a balançar
as tranças das meninas-moças, contentes
Venha desfolhar as palhas dos coqueiros
e das palmeiras de São Pedro apóstolo.

Ah, como eu gosto desse vento
que desalinha minhas palavras.
Vento que me atiça a memória, dando-me norte,
E nas entrelinhas bafeja meus versos
Evaporando pra longe a tristeza da vida.

Venta e traz ares mais puros
numa brisa amena, calorosa,
que avança pelas quatro bocas
das crianças saudáveis, espertas,
que pintam o sete na minha Várzea,
numa lição de amor que vira crença.

Vento que não desbota o verde-compromisso
Com o meio ambiente, com a natureza
Que bem começa no meio da gente.
Só pra o nosso bem-estar, bem-querer-viver,
apesar de toda aridez, apesar das pedras,
Só pra despertar, no meio de nós,
a alegria de ser varzeano, de fato.

segunda-feira, 1 de março de 2010

PARA SEMPRE, VÁRZEA!

PARA SEMPRE, VÁRZEA!

Autor: João Maria Ludugero.

Se acaso eu morrer do coração,
Não fique triste não chore a minha partida.
Eu vivi, eu tive tudo o que sempre quis
Eu vivi de verdade a vida mais bonita.
Por isso mesmo, acredite, eu fui feliz!

Eu tive tempo e ele foi precioso
Eu fui preciso, eu aprendi a ver as coisas simples
Eu aprendi a conversar com a paisagem,
E os ventos, as folhas, o açude do Calango nunca me silenciaram!

Se acaso eu morrer do coração
E os céus chorarem águas na minha despedida,
Veja que serão as lágrimas de São Pedro apóstolo
A mostrar que a natureza tem seus olhos d'água
Que se debulham a chorar de felicidade,
Por alguém que viveu intensamente, não apenas vegetou.


Se o sol se eclipsar, e as aves, nesse dia, não cantarem;
Não fique triste, amanhã renascerei
com os primeiros raios do sol
E vestirei o dia de cores brilhantes,vivas, intensas.
Eu pintarei uma tela gigante com a minha cara de contente,
Porque continuarei vivo e presente no coração de cada varzeano.

Com a minha ida, não haverá um vácuo no tempo,
Ficarei repleto em cada sorriso,
dando alegria a um magote de gente,
Pois tristeza é rima fácil
e pouco sentida em meus versos simples.

Não tenho tempo pra chorar feito um réu lastimoso.
Confesso, a vida é boa demais pra mim, sou um ser abençoado,
Nasci na terra de Joaninha Mulato, grande mulher varzeana
Que um dia se foi, mas deixou seu exemplo
e um legado de fé na vida, esperança e Amor.

Desde logo antecipo, com toda modéstia,
Quero que minha ausência possa ser sentida
Em lugares por onde se alastre a minha poesia.
Queria estar presente no meio dos seus livros, de fato.

Eu queria ver minha gente a ler meus versos,
sentir alento em meus poemas, entender-me, falar de mim.
Queria ver minha gente pra frente, sonhando acordada
com a crença de que Várzea é mesmo uma dádiva, uma bênção.

Se acaso eu morrer do coração,
permanecerei mais vivo do que nunca, acredito.
Levarei o deslumbre e a poesia do teu sorriso.
Verás meu rosto em todos os lugares, nos ariscos, nos seixos, nos retiros
Nas pedras, nos lajedos, nas lagoas, no Vapor, nas nuvens,
Nas flores e até mesmo nas águas verde-musgo do açude do Calango.

Tua lembrança, minha Várzea das Acácias, tua alma estará comigo.
Quero que saibas disso: Eu te amarei sempre, até depois da vida!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

BEM-TE-QUERO, VÁRZEA!

BEM-TE-QUERO, VÁRZEA!

AUTOR: João Maria Ludugero.


Confesso que sinto saudade
do tempo do candeeiro,
do namoro da praça da matriz,
das brincadeiras de criança
e das morenas de trança.
a despetalar seus bem-quereres.


Cadê as pastorinhas
De seu Joaquim Rosendo
Cadê o cordão azul de areia brilhante
E as lantejoulas do cordão encarnado
Cadê os poetas e seresteiros
Que já não cantam na madrugada,
sendo a lua testemunha entre as palmeiras
de São Pedro apóstolo,
Cadê o violão companheiro de Seu Luciano
Dos Correios, que encantava sua linda Lucila?

Ai que saudade daquele tempo
Das minhas professorinhas Dona Marica Fernandes.
Da Dona Wilma e Dona Dezilda Anacleto
Da abnegada Zilda Roriz de Oliveira,
Das Escolas Dom Joaquim de Almeida,
do Educandário Pe. João Maria
E do festivo salão da Escola São Pedro.

Que saudade do amor sem dinheiro,
do cheiro forte de terra molhada,
da paquera da rua do Cruzeiro,
do bar do Seu Biga, do caldo de cana caiana
E do refresco Q-Suco lá do Seu Olival.

Que saudade do banho de rio,
de acordar cedo e ir pescar no rio de Nozinho.
Isso é muito gratificante. Ter ali vivido, de fato
Faz muito bem ao ego, essa alegria carrego comigo
Castigo? não! ali aprendi a amar as coisas simples
E delas nunca me separei.
Hoje acordo e me olho no espelho
Sinto-me belo, sou varzeano
Desde cedo aprendi a ouvir a voz do coração
E sei que vou partir um dia, mas irei feliz
Porque irei VARZEAMANDO!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

AVE-CORAÇÃO

AVE-CORAÇÃO

Autor:João Maria Ludugero.


Eu viajo pelo Vapor
Eu passeio na tarde sem pressa
Eu curto a paisagem
Eu me atiro pelos caminhos áridos
Eu vou em busca de um olho d'água
Eu me banho na cacimba cavada na areia
Eu tomo um banho no poço de Nozinho
Eu mergulho no resto do rio Joca
Eu jogo a rede e o landuá no que sobrou do rio
E ainda fisgo carás e algumas aratanhas.


Eu observo aves a cortar o céu
Elas voam alto direto ao meu pensamento
Meu coração-sabiá canta com pena de mim
Ele bate descompassado a entoar uma canção de Amor
Seu tum-tum me arremessa
feito um canário de chão
Que se encontra escondido
entre as ramas do roçado
Que voa vertiginoso
com receio de algum laço feito de crinas de cavalo
a levá-lo à prisão, sancionada a duras penas.

Prefiro ser livre e solto
feito aquele pintassilgo a cantar,
a afastar minha dor, minha saudade.
Prefiro a paisagem aberta, o risco do estilingue
Do que morrer patativa na redoma da gaiola.
Triste sina a do azulão arrancado da sua senda.
Assim é a minha vida, que fica pela metade,
se estou longe longe da minha Várzea.


Hoje sinto o meu coração-galo de campina
A carregar grande dor, mas ninguém tem dó de mim!
Sou passarinho bem distante do meu ninho, triste fardo,
Minha saudade-condor voa alto tão rasante
Que parte rumo ao infinito, apesar dos pesares.

Mas voa que voa alto,
Não voa só meu coração-não-sebito
Plaina levemente, além do rio da Cruz
Suavemente sobre as nuvens azuis
Sobre o tempo, sobre o espaço
carrega suas lembranças,tantas-tantas
Sobre o pó das estradinhas de chão.

Voa livre em meu olhar
Que busca um Itapacurá.
O inquire, flor da paixão-maracujá,
Mas ele nada responde, fruta mordida,
Bicado caju não poupado pelo afoito periquito.

Mas sinto que meu coração-gavião
É pássaro liberto e segue inquieto
Longe vai, busca caminhos e destino.
Nada teme, seu reino é o imenso céu,
Onde apenas o ar o envolve solene,
Depois plaina devagarzinho, meu coração-quero-quero
Bravo coração-tetéu, de volta vem pro seu ninho
Em busca do seu Amor, insubstituível
Em busca da sua amada terra do agreste
Em busca da sua Várzea das Acácias.
Porque lá é a minha casa, meu retiro
Onde a gente vai andar e voa,
Voa sem medo de ser feliz, simplesmente.
É lá aonde eu tenho ariscos de sombra e água fresca!
Que dádiva posso eu querer mais da vida? Me diga!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

ATÉ QUANDO DURMO EU FAÇO VERSOS

ATÉ QUANDO DURMO EU FAÇO VERSOS


Autor: João Maria Ludugero.


Da vida, bem sei o que quero
Sei do que gosto
E do que desgosto,
Sei o que me dá gosto
de viver a vida.

Eu sou humano, de carne e osso,
Eu corro e canso, eu acerto.
Talvez até canso em um canto
Mas do teu encanto não me canso
Não me dá cansaço nem enfado
nesse passeio feliz
No teu bosque de lembranças.

Com toda certeza, eu também erro
Eu não morro no teu manso carinho
Eu acordo junto com a coragem aflorada
Em meus poros, veias e capilares.
Se precisar, eu grito, eu berro.

Eu sigo adubando o teu solo,
Sou guardião deste mundo
Eu respeito a tua natureza
Eu me enramo em tua roça,
Eu me enrosco em tuas ramas,
Sou capitão da minha saudade.

Eu persigo um certo Vapor vital,
Que hoje me faz falta.
Eu não me arretiro e durmo,
Desperto e durmo, em claro
Sonho e durmo, acordado,
Desejo e durmo, não exausto,
Sofro e durmo, não desisto.
Conquisto e durmo, aos murros,
Levo foras e durmo, paciente,
Amo e durmo, simplesmente.

Quando as coisas não caminham muito bem,
Eu rezo e durmo, Várzea a dentro,
Quando as coisas estão ótimas,
Eu agradeço, rezo e durmo, de certo.