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domingo, 2 de fevereiro de 2014

VÁRZEA-RN: PELAS RUAS DAS ACÁCIAS DE SÃO PEDRO, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VÁRZEA-RN: PELAS RUAS DAS ACÁCIAS DE SÃO PEDRO,
por João Maria Ludugero.

Paradeiros da Várzea das Acácias.
Cai a tarde amena que me nina 
Sob as madeixas do arrebol
Com um azul de nuvens esfiapadas,
E a noite, enluarada, enroscada ao sol.

No fio da meada do meu olhar além do horizonte,
Eu, poeta, amante desse pedaço de chão potiguar,
Guerreio da paz e do amor, solto diante da sentinela 
De São Pedro Apóstolo, desponto as memórias da lida, 
conduzido ao crepúsculo que se esconde sob o açude do Calango.

Aceso, o céu lembra um cenário varzeano,
Saudades balançam nos anéis da estrela Dalva,
Ala do encanto, ala ao mundo interior do poeta João Ludugero.

E o instante é de ouro. Corre, escorre pelas veias vertentes...
E as estrelas são arteiros meninos levados da breca
Que ostentam candeias revigoradas de ávidos lumes 
Em redor dum palco que se alastra a ganhar o mundo
Desde o sítio do Vapor de Zuquinha!

MERDA EM APLAUSOS PELA VIA DO PENICO, por João Maria Ludugero.

 
 
 
MERDA EM APLAUSOS PELA VIA DO PENICO, 
por João Maria Ludugero.

Não me atires a essência 
Por quem me tomais eufórico,
Ao cheirares a lavra dos estercos.
Ah, cenário maldito da estranha lida 
Que vos arde na goela ao verde-musgo,
Eira do estrume, a quem vos pode vender.

Sabias, que prefiro ser ente desejado,
Daqueles, que se acodem ao acórdão,
Sem aspirar o troco de cabotinos aplausos.

Essa essência por quem me tomais
Sabe-me a censura do palco aberto. 
Ah, chulos de merda descabida,
Que vos assolam os faceiros quadris,
À seiva, de quem mal vos acolhe.

Prefiro ser a cria que apedrejais
Do que o michê da hora vaga,
Aquele, que se esvara aos cães,
A troco de lambedura ao desvão.

Decapitem-me!
Apedrejem-me!
Ainda assim aos gritos
Sentenciarei de pronto: Merda!
Êxito e sucesso na cena da vida em carne viva.
Liberdade! Liberdade em muitos açoites,
Porque sou adepto aos afoitos quilates
E não tenho receio de montar na tal burrinha da felicidade!

RESPOSTA DO TEMPO, por João Maria Ludugero

 
RESPOSTA DO TEMPO, 
por João Maria Ludugero

E no cubar a lida,
O retrato não diz mais
- Bom dia -
Ou então - Boa tarde ou Boa noite -
Me enlevo em acordes de sonhos
Até o alvorecer ao avanço do sol.


Não, não diz mais tanto acerca da sorte,
É só um retrato encardido pelo tempo,
Onde, ao invés de reflexivo Adeus,
Deita-se impune no tear dos ventos,
Aos solavancos, na poeira dos dias.


E de quem, no excessivo encanto
De o ver e ouvir, a correr dentro e alto,
Se perdia a enlouquecer ao lusco-fusco.
Agora, nele não mais se reconhece.


Maior que o Amor é a resposta do tempo,
Que continua a me assanhar até os pelos da venta.

A ETERNIDADE DO QUE FICA: O ESQUECER É LEDO ENGANO, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
resina resina
 
A ETERNIDADE DO QUE FICA: 
O ESQUECER É LEDO ENGANO,

por João Maria Ludugero

Não só de manjar, mas de novo acredito com afinco
Que nada do que é importante se perde verdadeiramente.
Mas apenas nos iludimos, julgando ser proprietários 
De tantas quimeras, donos das coisas, 
Dos instantes e da vida dos outros.
Apesar de trazer o coração partido, 
Comigo sempre caminham todos os mortos que amei, 
Todos os amigos que se afastaram, 
Todos os dias felizes que nunca serão apagados.
Não perdi nada, apenas a ilusão, a escorrer dentro e alto,
De que tudo podia ser meu para sempre...
E só ficou o que vivi, o que oro sinto a transbordar 
Depois de tantos sóis,
Depois de tantas luas,
Ensolarado, enluarado, entretido em novos lumes
Aos solavancos, pelo interior 
Da minha constante lida...
Sou feliz e vou cicatrizando as feridas
Da árvore que chora sangue após a poda!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

PRESENTE DE UM ASTUTO COLIBRI, por João Maria Ludugero

 
casal de beija-flores

PRESENTE DE UM ASTUTO COLIBRI,
por João Maria Ludugero

Não só de manjar ou cubar a lida,
Mas te sinto toda criatura, com a alma consentida.
Movo a chave que desperta o cinto da coragem,
Pois trago o olho acordado na fresta da beleza.

Sinto-te na polpa dos dedos, nos calos afoitos
Que te desnudam o lombo, as ancas, as eiras e tudo...

Sinto-te porque bem me achego à tua alma. Bem te sigo 
Por labirintos, meadas e fios de palavras inquietantes,
Que se esvaem em bermas ou noutros caminhos,
Assombro dos sentidos; como mãos ávidas
Que apalpam o segmento do real mistério.

Instigo teu bico a me adejar penas, nomes e cores, 
Não perco o céu da tua boca além do desvario,
Mas o assalto da maré ao lusco-ofuscado ânimo,
Pois sou guerreiro da paz e careço de amores.

E neste diapasão, alma de flor, eu te sinto arteiro...
E tu és a pétala que se arrima em temperança;
O veludo rasgado aos meus pés dispostos;
A canção das águas do riacho do Mel;
A sombra exótica prateada de luar;
O degrau que me eleva bem sei aonde;
A caudalosa fonte que me colore o frenesi,
O precioso leito que me abre as correntes,
A passarela que me faz ganhar o mundo...

Eu te sinto inteira, doce criatura!
E é tanto para o preâmbulo do que te sei, astuto colibri!