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domingo, 13 de outubro de 2013

VÁRZEA EM PASSADO A LIMPO, por João Maria Ludugero

Vou-me embora pra Várzea
Lá sou amigo do rei
Lá tem coisas "daqui, ó!"
A menina do pitéu
De Seu Plácido Nenê Tomaz de Lima,
Craúna, Xibimba e Vira de Lucila de Preta
Vou-me embora lá pra Várzea.
 
Vou-me embora pra Várzea
Porque lá, é outro astral
Lá tem carros-de-boi
Que nos levam aos Ariscos
De Seu Virgílio e de dona Eugênia Bento,
Pra o sítio de Zé Canindé
E pra o Retiro de seu Olival de Carvalho
Lá tem garapa, caldo de cana-caiana e tapioca
Lá tem caranguejo de Seu Antonio Lunga.
Lá tem sinuca de seu Otávio e de Seu Lula.

Lá dançarei um forró, rela-bucho
Lá na rua do arame
Lá é uma brasa mora!
Só você vendo pra crê
Assistirei Rim Tim Tim
Ou mesmo Jinne é um Gênio
Vestirei calças de Nycron
Faroeste ou Durabem
Tecidos sanforizados
Tergal, Percal e Banlon
Verei lances de anágua
Combinação, califon
Escutarei Al Di Lá
Dominiqui Niqui Niqui
Me fartarei de Grapette
Na farra dos piqueniques
Vou-me embora lá pra Várzea 
de Nina de Joaninha Mulato,
Vou comer beiju e tapioca
Com manteiga de garrafa.

Lá na Várzea do passado tinha Jerônimo 
Aquele Herói do Sertão
Tinha Cícero Cego a tocar sua sanfona
Lá na rua da Matança dava a maior diversão
Tinha passeio nas bicicletas de Zé Estevão
Tinha cinema de Zé Onório
Lá na Escola São Pedro,
Onde a gente assistia Tarzan,
Eu, Gracinha Bento, Marili, Riselda 
E Terezinha Tomaz de Lima.

Quando toca Pata Pata,
Cantam a versão musical
"Tá Com a Pulga na Cueca"
E dançam a música sapeca
Ô Papa Hum Mau Mau
Tem a turma prafrentex
No salão de Manoel de Ocino
Cantando Banho de Lua 
E dançando Gretchen...
Tem Picica de Xinene de Cícero Paulino,
Tem Chiquinho de Antonio Euzébio
Tem a praça do Encontro
E os hibiscos dobrados rosas e encarnados
De dona Maria Orlanda de seu Nestor,
Dando cores e aromas pela rua
Vou-me embora lá pra Várzea,
Vou namorar na rua Grande
Vou-me embora pra Escola Dom Joaquim de Almeida
Onde a merenda de dona Maria Gomes era boa demais!

Lá tem meninas "requebrando"
Ao cruzar com um rapaz
Elas cheiram a pó de arroz
Da Cachemere Bouquet
Coty ou Sherazade,
Colocam Rouge e Laquê
English Lavanda Atkinsons
Ou Helena Rubinstein
Saem de saia plissada
Ou de vestido Tubinho
Com jeitinho encabulado
Flertando bem de fininho,
Na esquina de Seu Minor.

E lá no cinema de Zé Onório
Se vê broto a namorar
De mão dada com o guri
Com vestido de chita ou organdi
Sem gola de tafetá.

Os homens lá da Várzea
Gostam de andar tinindo
Sapato Cavalo de Aço,
Kichute e conga 
Ou tênis esportivo
De camisas Volta ao Mundo
Só cheirando a Áqua Velva
A sabonete Gessy
Ou Lifebouy, Eucalol
E junto com o espelhinho
Pente Pantera ou Flamengo
E uma trunfinha no quengo,
Brilhantina cintilante como o sol.

Vou-me embora lá para Várzea, 
Lá tinha tudo que há de bom!
Lá na Várzea era outra história!
Outra civilização...
Tinha Bidu e Nequinho 
Tinha Sué e Biga pai da Edilza, 
Aprontando o caldo de cana,
Tinha Albertinho Limonta
Tinha também Mamãe Dolores,
Marcelino Pão e Vinho
Tinha Bat Masterson, Daniel Bonnie e Lessy,
Túnel do Tempo, tinha Rintintim e Zorro
Lá na casa de Dona Risolita Ribeiro,
Máe do inesquecível Ré da Viúva!

Lá no passado tinha pouco recurso, 
Mas viver era um estouro
Tinha rádio com olho mágico
ABC a voz de ouro,
Se ouvia velhas audições musicais
Cancioneiro de sucesso,
Tinha também Repórter Esso
Com notícias atuais.

Tinha petisqueiro e bufê 
Junto à mesa de jantar
Tem louça de toda cor
Bule de ágata, alguidar
Se brincava de cabra cega
De drama, de garrafão
De rolimã na ladeira,
De rasteira e de salpicão 
De mamona.

Lá, também tinha radiola 
De madeira e materiais de zinabre, 
Lá se fazia caligrafia
Pra modelar a escrita
Se estudava a tabuada
Com dona Marica Fernandes
Ou na Cartilha do Povo
Lendo Vovô Viu o Ovo!

Tinha na revista O Cruzeiro 
A beleza feminina da hora
Já aparecia menina misse 
Faceira botando banca
Com seu maiô de elanca
O famoso Catalina
Tem cigarros Yolanda
Continental e Hollioodd
Tinha o Conga Sete Vidas
Tem brilhantina Zezé
Escovas Tek, Frisante
Relógio Eterna Matic
Com 24 rubis
Pontual a toda hora.

Se ouvia página sonora 
Na voz de Ângela Maria
"— Será que sou feia?
— Não é não senhor!
— Então eu sou linda?
— Você é um amor!...
Canta Baba-Lu ou um Tango pra Teresa"

Quando não queriam a paquera
Mulheres falavam: "Passando,
Que é pra não enganchar!"
"Achou ruim dê um jeitim!"
"Pise na flor e amasse!"
E AI e POFE! e quizila
Mas o homem não cochila
Passa o pano com o olhar
Se ela toma Postafen
Que é pra bunda aumentar
Ele empina o polegar
Faz sinal de "tudo X"
E sai dizendo "Ô Maré!
Todo boy, mancando o pé
Insistindo em conquistar.

No passado tinha remédio
Pra quando se precisar,
Lá tinha seu Bita Mulato
E a farmácia da família,
Que tinha prazer de curar,
Lá tinha Água Benta, Sonrisal,
Mel Poejo e Biotônico Fontoura,
Bromil e Capivarol
Arnica, Phimatosan
Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton
Pentid e Terebentina
Xarope de Limão Brabo
Pílulas de Vida do Dr. Ross
Tinha também, aqui pra nós,
Uma tal Robusterina 
A saúde feminina.

Vou-me embora pra Várzea
Pra não viver sufocado
Pra não morrer poluído
Pra não morar enjaulado
Lá não se vê violência
Nem droga nem tanto mau
Não se vê tanto barulho
No passado é outro astral
Se eu tiver qualquer saudade
Escreverei pro presente
E quando eu estiver cansado
Da jornada, do batente
Terei uma rede possante
Daquelas de algodão cru
Num quarto calmo e seguro
Onde ali descansarei
Lá sou amigo do rei
Lá, tem muito mais grilo e vaga-lume,
Mas isso dá medo não!
Vou-me embora correndo 
Lá pra Várzea do passado,
Comer cuscuz de milho zarolho,
Sequilhos e munguzá,
Chupar pitomba, caju e cajá-manga
Lá na casa de dona Julieta 
Lá no Itapacurá de seu Orlando Cunha, 
Pai da Edileuza de Maria José Alves.

sábado, 12 de outubro de 2013

O MENINO LUDUGERO, por João Maria Ludugero

Oh, menino, 
Meu bem-te-vizinho, 
Te vi cantar afoito 
Nas soltas regalias 
Do contentamento 
Dia-após-dia, 
Te vi dormir 
De mansinho. 
Vi, nesse mesmo dia, 
Teus sonhos acordados 
Dentro de ti, arteiro, 
Com a alma colorida 
De um Ludugero-passarinho.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

EU-MENINO, MINHA VELHA INFÂNCIA por João Maria Ludugero

No terno colo da mãe Maria
A criança vai e vem 
Vem e vai 
Balança que não cansa
Aos olhos do pai Odilon
Aos olhos da mãe Maria, 
Bem vai adiante, 
A correr dentro, 
Vai e vem 
Dia-após-dia,
Avança 
A nova esperança. 
Ao sonhado porvir,
Sorri a mãe,
Sorri o pai. 
Maravilhado 
O rosto puro 
Da criança
Se esbugalha, 
Vai e vem 
Vem e vai, 
Balança 
No vir a ser. 
De seio a seio 
A criança 
Em seu vogar 
Ao meio do presente
Do colo-berço 
Balança. 
Balança a remar,
Rio a desaguar
De contente
Feito o rimar 
De um verso 
De esperança. 
Depois quando 
Com o tempo 
O Menino 
Vem crescendo,
Aos magotes
Vai a esperança 
Renovando. 
E ao levantar-se de vez 
Fica a exata medida 
Da lida
Da vida 
De um nordestino. 
Eu sou menino
Levado da breca
Arteiro e medonho 
Varzeano da gema 
Da esperança 
Na vida adiante
Faz certeza 
Conseguida. 
Só nessa vontade 
Alcança de vez
A esperança reverdecida
A cada instante da humana realidade.

domingo, 29 de setembro de 2013

PÁSSAROS DA VÁRZEA, por João Maria Ludugero




Nesta Várzea
De ariscos imperecíveis
E renovadas esperanças,
Íntegro, um pintassilgo do alto
Entendeu por bem
Atiçar o fulgor das cantigas,
Regressar ao Vapor de Zuquinha
E soltar-se com os sabiás de Seu Tida
Dentre outros bem-te-vizinhos da Marisa...
E a partir do interior do canário-de-chão
Passar a ganhar o mundo,
Nas cordas soltas 
De uma estripulia...
Nesta Várzea,
Retiro de Seu Olival,
Espaço à flor das águas,
Ainda há lugar para atiçar encantos,
Desde o açude do Calango...
Diga lá, dona Penha de Carvalho,
Que venha viver a cultura 
Da Feliz Cidade!

SEU ODILON LUDUGERO, MEU PAI, por João Maria Ludugero.

SEU ODILON LUDUGERO, MEU PAI,
por João Maria Ludugero.

E o arauto divino 
Fez a anunciação 
Da chegada de um 
Menino varzeano, 
Filho de Dona Dalila 
Louvado seja, 
Seja bem vindo, 
Prezado menino Odilon! 
Uma estrela se acendeu 
No alto da Várzea das Acácias, 
Riscou de prata o céu de São Pedro, 
Belo astro de brilho intenso 
Nunca dantes visto: 
Nasceu Odilon de dona Dalila! 
Repicaram os sinos da matriz... 
Soaram as cornetas da lida 
Dos anjos em voos pela Várzea a dentro... 
No então cenário da Vargem; 
No calor do abraço da terra 
Um pequeno ser reluzente. 
É aquele senhor que até hoje proclamo 
Dentro e alto pelos acordes do tempo, 
Amor traduzido pelas quatro bocas da Várzea, 
Relicário maior nas quebradas do vento, 
Banhado nas águas doces do açude do Calango... 
No meu coração de filho, Seu Odilon Ludugero, 
Ele é um terno soldado da boa vontade, 
Esse senhor varzeano é digno de viver pra sempre! 
Meu prezado PAI, EU TE AMO!

sábado, 28 de setembro de 2013

DONA MARIA DALVA: MINHA ESTRELA PRA VIDA INTEIRA!, por João Maria Ludugero

Olá, minha Várzea amada,
Que ao entardecer
Um bando de pássaros
Desenha
Na palma das nossas mãos
Uma vida inteira
E tudo parece
Mais azul que os céus
No teu linguajar
Mais alto que o voo aberto...
Assim duas linhas paralelas acontecem
Prolongadas a correr pelo interior,
Aonde se encontram afoitas,
Aonde os olhos não mentem
Ao lusco-fusco da tarde amena
Ao chegar a noite alta escancarada,
Entretido nos braços 
Da estrela Dalva, minha mãe,
Quando tudo é mais claro 
A me ninar a contento aos cafunés,
Dentro do teu mais lindo sorriso imenso!

O ETERNO TAMBOR DA CANTIGA, por João Maria Ludugero.

A canção virou hospedeira. 
Quando a zoada retumba no ar 
Por amperagem 
Ou por mãos ágeis 
De cantadores, 
O corpo vira aparelho, 
Alazão para a música cavalgar. 
Na cacunda, 
O toque da cantiga 
E o sambalanço na ponta do pé. 
Olho a saia rendada, 
Florida, 
Daquela música 
Ou daquela musa 
Que o timbre galopa. 
A música incorpora, 
De dentro pra fora 
Da pele da morena, 
Desafiando a serelepe dançarina. 
A música é a voz dos deuses, 
De onde a linguagem se achega. 
Obra prima da humanidade. 
O coco, 
O baião, 
O boi-de-reis, 
O forró varzeano. 
Do catimbó à macumba 
O baque solto cadente se eleva, 
Vira uma estrela brilhante. 
Eu me engendro derretido, mas ainda apeado, 
Ao som de uma toada pedindo mais alma 
A um varzeano nunca prostrado ao Vapor, 
E, de lá, age a dona Ana Moita 
Pedindo para a moça faceira 
Girar para a batida do tambor... 
Não sei se a varzeana dança para o santo 
Ou se o santo dança com ela aos zinabres 
À margem acesa do fogo-de-chão. 
A cantiga dá umbigadas nos magotes 
De meninos afoitos da Cidade da Cultura, 
Na roda de samba da rua reverdecida 
Do beco que se alastra até ao riacho da Cruz. 
É a hora do samba de lua debandar a tristeza 
Da vida latente na Várzea das Acácias. 
A morena estica seu feitiço 
Ao redor de mim 
E faz-me convidá-la 
À outra dança esfuziante, 
Mais solta e atrevida. Convidativa, 
A música traz uma possessão 
Vibracional, intensa, ávida... 
Eu danço com ela, impávido. 
Corajosa, ela encara a mudança 
Que alavanca a vida da gente, 
Diretamente alinhada 
A renovar esperanças... 
Eu sinto seu abraço com alegria 
E desatado avanço sem alardes, 
No embalo sublime dessa cantiga 
Que me acerta o passo, dia após dia, 
Sem nenhum preconceito da lida.

domingo, 22 de setembro de 2013

UM POTE DE LEMBRANÇAS, por João Maria Ludugero.

Eu sinto que há um riacho que atravessa a casa. 
Esse rio, dizem, é o correr do tempo em dádivas.
E as lembranças são peixes nadando através da correnteza.
Minhas lembranças também são aves tipo canários de chão. 
Se há inundação é de céu, repleção de nuvem cheia de azul. 
E por esta nuvem eu sigo dentro da minha lembrança.
A casa, aquele habitat tão nosso, era morada iluminada 
Tanto de noite quanto de dia. E a gente se bastava,
Empolgando-se ao quebrar o pote da fantasia...
Estranho, dirão. Noite e dia são metades, folha e verso? 
Como podiam o claro e o escuro repartirem-se em desiguais? 
Explico. Bastava que a voz de minha mãe 'Maria Dalva de Seu Odilon'
Em cantiga se escutasse para que, na mais alta madrugada, 
Se abrisse uma alvorada de amores imensos. 
Lá fora a chuva sonhava, tamborileira. Pois, sim. 
E nós éramos um magote de meninos para sempre,
Levados da breca, a cometer divinas estripulias,
Fosse na chuva ou na estação do estio...
A gente se consentia em admiráveis embocaduras!

domingo, 15 de setembro de 2013

"JORDANEJAR", por João Maria Ludugero

Jordana Majella Ludugero
Jordana: ainda ontem, eras bem criança…
E olhavas “tudo”, com o ar feliz da vida!...
Do teu rosto infantil, vem-me à lembrança,
Um sinalzinho na ponta do nariz! 

Custa-me crer que a vida, tanto andou,
Ao ponto de já sermos crescidos!
E aqui estou a me lembrar de “Nós”!…
De um tempo bom assim ficou, 
Desse que pra sempre em nós ficará!

Recordo dos teus encantos de outrora:
Tuas belas tranças com laços de fita!
Dançavas, tão faceira… e tão bonita!...
Só não eras mais bonita, que “agora”,
Porque pra mim tu já nasceste bela!

Pois, teus encantos de “agora”, são
Impregnados de maturidade!…
És uma fonte acesa de carinho!...
Um relicário de compreensão! 

Ah, Jordana, se eu tivesse o dom
De revelar na tela, o pensamento,
Desenharia, à luz do sentimento,
Teu bem querer, tanto sentimento bom!…
Ó, menina linda, neta de Seu Odilon! 

E desenhava um permanente carmim 
Em tua boca, na cor preferida:
Tom rosa encarnada, retratando “vida”…
A colorir teu rosto, eternamente!…

Desenhava também, o teu olhar
Cor de arrebol em castanho… cor da lida!…
E desenhava o lindo coração
Que pulsa em teu peito, a borbulhar,
- Germinando sementes de ternura -,
Sempre amoroso, amigo e fraternal,
Que faz de Ti, ó menina, um ser especial,
De vertente alma luminosa, bela e pura!

Prodigamente, a poesia extasia;
Fecunda versos cheios de emoção!
O sentimento, é esboço em partilha;
A emoção, crescente, me estimula!…
E do meu íntimo, nasce uma cantiga
Em homenagem a Ti, minha amada filha!

Com devoção e pertinaz fervor,
Eu rogo a Deus e à Nossa Senhora,
Que tua vida, em cada nova aurora,
Seja um remanso de perene Amor
A encantar o olhar, como se fosse
Um cenário de luz e de esperança;
Palco de sonhos e de eterna dança,
Sob os acordes da canção mais doce!

Esta canção que ternamente abriga
A essência pura do teu bem querer
Como filha, irmã e querida amiga;
Como grande menina, és um grande ser…
Não tem somente a minha assinatura...
Além de mim, rubricam, com carinho,
Pessoas que, também, te amam como eu;
De todas, tens os votos de ventura,
Para que brilhe sempre em teu caminho,
Essa luz natural que Deus te deu!...

O teu sorriso inspira um lindo acorde,
E me faz crer que “sonhar é preciso”!...
Chego a pensar que o solfejar risonho
Do bem-te-vi, se afina em teu sorriso!

E sempre que eu ouço: “bem-te-vi”...
A minha alma vibra reverdecida.
Quantas vezes ouvistes, e ouvi:
“Bem te vi”, “bem te vi”, à luz da vida!...
E, radiante, ele beijou a flor da tua alma!

Quantos fins de semana, com festejos:
Matinal, matinée, brincadeiras e sonhos
Além dos nossos folguedos nunca entardecidos,
Ao sabor de poéticos arpejos
E do meu repertório de Poeta-Pai,
Que anima nossos festejos pela vida
Com a essência de versos benfazejos…
Ponto alto, onde os corações alados
Decolam, em translúcidos voejares...

É, lembrando esses ternos momentos luminosos
(Por serem muitos, - a extensão, não meço),
Que espero por dias venturosos
Para Ti e todos Nós!… Por isso, peço
Que o Supremo Arquiteto acolha e realize
Nossos inteiros pedidos, sonhos e desejos!…
E que a chama do Amor, reprise
Do colibri os líricos 'adejamentos'!

Solfeja a voz que louva e acarinha!…
Solfeja o coração que ama e diz: 
Cativante e querida Jordana Majella Ludugero,
Sejas Feliz!… Feliz!... Sempre Feliz!
Dia-após-dia, pela vida inteira!!!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

ARREBOL, por João Maria Ludugero

A dádiva em mim é dividida,
Dúvidas recobrem a tabuada
E tantas divagações na galeria 
Me dividem no que penso, 
Me divirto no que consinto, 
Indivíduo a se inteirar no labirinto 
Que eu, feito poeta, tomo assento 
Num andar em débito automático. 
E, portanto, apressado me esbugalho 
A correr dentro e alto, sem o medo voraz 
Da cuca pegar, e só de manjar disparo em rezas. 
Daí me acho no caminho de uma promessa, 
Sob um acordo destemido em acordes de arrebol 
Desses que desapeiam a alma da gente, 
Ao ver no azul a estrela D'alva faiscante, 
Após o laranja repintar o céu 
Com o sol poente ao lusco-fusco.